Redação Pragmatismo
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Política 13/Mar/2015 às 13:13
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Cartaz oferece recompensa por João Pedro Stédile, vivo ou morto

mst João Pedro Stédile cartaz
João Pedro Stédile, coordenador do MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota em que denuncia ameaça de morte a João Pedro Stédile, um de seus coordenadores, por meio de cartaz que circula nas redes sociais. “Stédile vivo ou morto”, afirma o cartaz, oferecendo recompensa de R$ 10 mil a quem capturar o suposto “inimigo da pátria”.

Além de informar que identificou o autor e tomou medidas jurídicas contra crime de incitação ao homicídio, na nota o movimento faz um análise do momento político pelo qual o país passa, agravado pela postura conservadora no processo de formação de opinião, disseminado pela mídia: “O panfleto, e o que se vê nas ruas e redes sociais, é reflexo, sobretudo, de uma mídia partidarizada, que manipula, distorce e esconde informações, ao mesmo tempo que promove o ódio e o preconceito contra os que pensam diferente”, afirma.

Essa mídia, órfã de ética e de responsabilidade social, é que forma seus leitores com a mentalidade do autor que fez o criminoso cartaz sobre Stédile. É quem alimenta as redes sociais com os valores mais anti-sociais e incivilizatórios“, continua o documento.

Confira a íntegra do documento:

Nota ao povo brasileiro

Circula pelas redes sociais da internet um anúncio que pede “Stédile vivo ou morto”. Apresentando-o como líder do MST e “inimigo da Pátria”, o autor oferece uma recompensa de R$ 10 mil para quem atender o seu pedido. Em outras palavras, está incentivado e prometendo pagar para matar uma pessoa, no caso João Pedro Stédile, da coordenação nacional do MST.

Há indícios que a ação criminosa partiu da conta pessoal no facebook de Paulo Mendonça, guarda municipal de Macaé (RJ). E foi, imediatamente, reproduzida pela maioria das redes sociais que diariamente destilam ódio contra os movimentos populares, migrantes, petistas e agora, especialmente, contra a presidenta Dilma Rousseff. São as mesmas redes sociais, em sua maioria, que estão chamando a população para os atos do dia 15/3, para exigir a saída de Dilma do cargo de Presidenta da República, eleita legitimamente em 2014.

Já foram tomadas as providências, junto às autoridades, para que o autor do cartaz e todos os que estão fazendo sua divulgação, com o mesmo propósito, sejam investigados e responsabilizados criminalmente, uma vez que são autores do crime de incitação à pratica de homicídio.

Mas o panfleto é apenas um reflexo dos setores da elite brasileira que estão dispostos a promover uma onda de violência e ódio, com o intuito de desestabilizar o governo e retomar o poder, de onde foram afastados com a vitória petista nas urnas em 2002.

Para estes setores não há limites, nem sequer bom senso. Recusam-se a aceitar a vontade da população manifestada no processo democrático de eleger seus governantes.

Deixam-se levar por instintos golpistas, embalados pelo apoio e a conivência da mídia conservadora e anti-democrática. Usam a retórica do combate a corrupção e da necessidade de afastar os que consideram estar destruindo o país, para flertar com a ruptura democrática. Posam de democráticos esquecendo que os governos da ditadura militar também diziam ser.

São os mesmos que cometeram, impunemente, o crime de lesa-pátria com a política de privatizações, na década de 1990.

O panfleto, e o que se vê nas ruas e redes sociais, é reflexo, sobretudo, de uma mídia partidarizada, que manipula, distorce e esconde informações, ao mesmo tempo que promove o ódio e o preconceito contra os que pensam diferente. O teólogo Leonardo Boff tem razão quando responsabiliza a mídia, conservadora, golpista, que nunca respeitou um governo popular, pela dramaticidade da crise política instalada no país. E corajosamente nomina os promotores do caos em que querem jogar o país: é o jornal O Globo, a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estado de S. Paulo e a perversa e mentirosa revista Veja.

Um poder midiático que tem a capacidade de sequestrar partidos políticos e setores dos poderes republicanos.

Essa mídia, órfã de ética e de responsabilidade social, é que forma seus leitores com a mentalidade do autor que fez o criminoso cartaz sobre Stédile. É quem alimenta as redes sociais com os valores mais anti-sociais e incivilizatórios.

Os tucanos, traindo sua origem socialdemocrata, fazem oposição ao governo alimentando um ódio coletivo inicialmente restrito à classe alta, mas agora espraiado em todos os segmentos sociais, contra um partido político e a presidenta eleita. Imaginam que serão beneficiados com o caos que querem instalar, envergonhando, com essa política rasteira, os seus que os antecederam.

Um monstro foi criado pela forma como os tucanos escolheram fazer oposição ao governo petista e pela irresponsabilidade da mídia empresarial. A violência e o ódio estão se naturalizando pelas ruas. Essa criatura já escolheu suas vítimas primeiras: os casais homossexuais e seus filhos, os imigrantes, pobres das periferias, dirigentes de movimentos populares e militantes políticos de esquerda. Mas não raras vezes, essas criaturas, sempre ávidas de violência e intolerância, não poupam sequer seus criadores e os que hoje os acompanham.

Haverá uma longa jornada para superar as dificuldades criadas pelos que se opõe a construir um país socialmente justo, democrático e igualitário.

A começar por uma profunda reforma política, que nos leve a uma nova Assembleia Nacional Constituinte, exclusiva e soberana. É preciso taxar as grandes fortunas e enfrentar o poder dos rentistas e do sistema financeiro. Batalhas tão urgentes e necessárias quanto as de enfrentar o desafio de democratizar comunicação para assegurar, igualmente, a liberdade de expressão e o direito à informação, direitos bloqueados pelo monopólio da comunicação existente no país.

Somente assim, os saudosistas dos governos ditatoriais serão derrotados, e o povo terá a consciência de que defender o pais é lutar pela democracia, e não o contrário, como imagina hoje o autor do cartaz criminoso.

RBA

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 13/Mar/2015 às 14:07

    Esse é o abismo de ideologia entre direita e esquerda. Eu não desejo que as pessoas que tenham um posicionamento político divergente da minha, mortas, ao contrário da direita golpista.

    • Guitardo Postado em 14/Mar/2015 às 21:58

      Verdade. Uma vez eu postei um artigo num blog e esse artigo fez um certo barulho nas redes sociais. Entre críticas e elogios que recebi pelo artigo veio um cara dizendo que se eu votava na Dilma já era inimigo dele e se me visse na rua ia me dar um tiro na cabeça. Que bacana. Imagina você dizer isso pra um eleitor de Aécio ou Marina... meu Deus, o povo é muito doente.

  2. Fernando Postado em 13/Mar/2015 às 16:06

    Engraçado q a esquerda totalitária matou e continua matando mais do que qq regime... Pense antes de falar antisses...

    • Francisco Postado em 14/Mar/2015 às 19:43

      Não é por nada não, só curiosidade, mas esse Stédile qual é a profissão dele, trabalha em alguma empresa, e aposentado? Bicho estranho esse cara, malha capitalismo prá caramba, como se a grana que entra no MST caisse do céu. Repito, muito estranho essa figura.