Camila Tribess
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Drogas 22/Jan/2015 às 19:57
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Pena de morte na Indonésia - reflexões a partir do caso de Timor-Leste

Pena morte Indonésia Timor-Leste
(Imagem: Pragmatismo Político)

Camila Tribess*, Pragmatismo Político

Após a execução do brasileiro condenado à pena de morte por tráfico de drogas na Indonésia, surgiram as mais diversas reações sobre o tema. Órgãos internacionais e o governo brasileiro se manifestaram contra o julgamento e o debate sobre a pena de morte reacendeu.

Leia também: Rachel Sheherazade defende fuzilamento do brasileiro Marco Archer

Infelizmente, por falta de conhecimento político e histórico, muitas pessoas cotaram a Indonésia como sendo um país “sério”, com leis rígidas e que “não dá moleza para bandido”. Mas para aqueles que tiveram um pouco mais de acesso à história desse arquipélago, com mais de 16 mil ilhas no sudeste asiático, a história mostra-se bem diferente. O jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto chegou a trazer, nessa semana, para a memória das pessoas o caso de Timor-Leste, mas acredito que vale a pena juntar essas peças de forma mais apurada.

Timor-Leste foi colônia portuguesa até 1974, quando Portugal abandonou suas colônias por causa da Revolução dos Cravos nas terras lusitanas. Entre 1974 e 1975, o país asiático viveu uma guerra civil e finalmente declarou sua independência – que durou apenas 8 dias! No dia 7 de dezembro de 1975 a Indonésia, apoiada por potências como EUA e Austrália (Timor-Leste tem uma reserva de petróleo considerável), invadiu de forma covarde e cruel o pequeno território timorense e permaneceu por 24 anos, enfrentando uma população que se armou em defesa própria e que, mesmo com escassas armas e pouquíssimo apoio internacional, venceu finalmente a luta, num referendo organizado pela ONU em 1999 (para quem tiver interesse, o documentário de Lucélia Santos, “Timor-Leste: o massacre que o mundo não viu” é bastante ilustrativo).

É importante ressaltar que a Indonésia, sob o regime de terror do ditador Suharto, matou só em terras timorenses cerca de 300 mil pessoas (estimativas do Arquivo e Museu da Resistência Timorese com base em censos populacionais), a maioria jovens, crianças, mulheres e idosos. Os relatos obtidos após a libertação de Timor-Leste foram reunidos no relatório final da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação que, em mais de 2 mil páginas, apresenta os mais atrozes massacres cometidos pelos militares indonésios e pelas milícias por eles formadas. Não faltou nada: campos de concentração, mutilações, estupros, mortes por esmagamento, por afogamento, uso de armas químicas… enfim, a barbárie completa.

A ditadura do general Suharto acabou em 1998. Depois disso a Indonésia já teve diversos presidentes, muitos deles eleitos – inclusive Joko Widodo, festejado pelos indonésios como sendo mais progressista e em quem se depositou muitas esperanças na eleição do ano passado. No entanto, chamar a Indonésia de democracia é um exagero. As forças militares ainda detém um poder imenso sobre o governo e a sociedade, em especial sobre a imprensa. A organização Freedom House dá uma nota 3 (o país menos democrático teria nota 7 e o mais democrático teria nota 1 nessa escala) para as liberdades individuais e de imprensa no país – o Brasil está acima da Indonésia em todos os itens abordados.

Além disso, genocídio similar ao perpetrado em Timor-Leste segue acontecendo, longe dos holofotes, agora na Papua Ocidental, que luta há anos por sua independência e contra a exploração de suas riquezas minerais.

Vamos à questão da pena de morte e das drogas na Indonésia – ponto inicial dessa questão toda. Não! A pena de morte não inibe o tráfico de drogas, apenas aumenta o preço cobrado por elas no país. Faça uma busca rápida em qualquer fórum de viajantes, surfistas ou mochileiros e você facilmente vai encontrar dicas de onde conseguir boas drogas na Indonésia sem ter problemas com a polícia. A ilha mais turística do país, Bali, é famosa também pelo acesso fácil a qualquer tipo de droga lícita ou ilícita. A ladainha dos vendedores é conhecida por qualquer um que tenha andado pelas ruas de Kuta (praia de Bali) – “viagra, marijuana, haxixe, cocaine, mushrooms, something more…” – e esses vendedores muitas vezes estão a poucos passos de um posto policial. São famosas também as extorsões sofridas por turistas desavisados que, ao expressar interesse por alguma dessas drogas, precisa pagar quantias altíssimas para não ser denunciado pelo próprio vendedor. Além de Bali, diversas outras ilhas, em especial as mais turísticas, são internacionalmente conhecidas pela grande oferta de drogas.

O mais interessante é que – voltando ao caso de Timor-Leste – foi feito um acordo através da ONU em 2001 e reafirmado pelo relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) citado acima, que a Indonésia buscaria, através de seus próprios meios de investigação e julgamento, punir os responsáveis pelos massacres e crimes contra humanidade praticados em Timor-Leste. No entanto, hoje, passados 15 anos da saída da Indonésia do território timorense, a constatação da CAVR (de 2005) segue sendo válida, “aqueles que planejaram, ordenaram, cometeram e são responsáveis pelas mais graves violações de direitos humanos não foram chamados a prestar contas, e, em muitos casos, viram as suas carreiras militares e civis florescerem devido às ações praticadas”.

Assim, fica o pedido do povo timorense – representado nas páginas do relatório da CAVR -, e de todos aqueles que conhecem um pouco da história da Indonésia, que este país, agora elevado ao patamar de “sério”, “com leis rígidas”, “cumpridor da lei” e “intransigente com bandidos” comece a julgar os maiores criminosos de sua história – os militares responsáveis pelas atrocidades cometidas em Timor-Leste.

E, para os brasileiros que apoiaram e aplaudiram o show de horrores do fuzilamento dos condenados na Indonésia, que reflitam um pouco mais sobre os contextos políticos e sociais dos países antes de saírem em defesa dos supostos paladinos da boa governança, da justiça e do cumprimento das leis. Sem falar na necessidade urgente de uma reflexão séria sobre o que significa essa “guerra às drogas” e suas consequências sociais.

*Camila Tribess é professora, mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná, atua em projeto de cooperação internacional da CAPES/MRE em Timor-Leste e colaborou em Pragmatismo Político.

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 22/Jan/2015 às 23:12

    É igual a questão que o Bush fez: "guerra ao terror". Ótima matéria.

  2. LUIZA Postado em 23/Jan/2015 às 00:09

    Muito elucidativo.

  3. Guilherme Postado em 23/Jan/2015 às 00:18

    Eu sei que não publicarão meu comentário. Mas gostaria de saber onde estão aquelas matérias que defendiam tanto o governo do PT? Assim como seus eleitores que sumiram das mídias sociais, com vergonha da m... que fizeram, as matérias sobre a situação brasileira sumiram. Só tem matéria sobre outros países. kkkkkkkkkkk. ESQUERDA COXINHA. kkkkkkkkKKKKKKKKK!!!!!!!! (Poliana cadê você????????)

    • Gabriel Gabo Postado em 23/Jan/2015 às 08:31

      http://www.pragmatismopolitico.com.br/wp-content/uploads/2014/10/tse-aecio-perdeu.jpg

    • Félix Postado em 23/Jan/2015 às 08:58

      Guilherme, todos temem seus comentários. Nossa que medo! Se continuar assim a Dilma renuncia. Está na sua mão a faixa presidencial. Coloque no Aético agora e salve o mundo! Aceita que a dor passa.

      • PAULO CÉZAR DA PAZ Postado em 24/Jan/2015 às 16:05

        Proponho Aécio Neves para embaixador do Brasil na Indonésia!

      • Marcio Postado em 24/Jan/2015 às 21:05

        ÓTIMA sua postagem Félix

    • poliana Postado em 23/Jan/2015 às 23:35

      Guilherme..o seu comentário foi postado e eu estou aki! Nunca deixei de frequentar o pp! Vc bebeu? Cheirou?

      • Marcio Postado em 24/Jan/2015 às 21:04

        Muito bem poliana

    • poliana Postado em 23/Jan/2015 às 23:42

      Eh q o pp eh um site q só fala sobre o pt né? Nada aconteceu no mundo recentemente, q mereça a atenção dos colunistas do pp. Ataques terroristas na frança, brasileiro sentenciado a pena de morte na indonésia e sendo fuzilado por isso, falta d água em sp...nada disso importa! Todos os assuntos do pp são voltados exclusivamente ao pt...q coisa não?

    • joao Postado em 24/Jan/2015 às 13:05

      parece cocaína mas é só tristeza

      • poliana Postado em 24/Jan/2015 às 23:11

        Kkkkkkkkkkkkkk

  4. Gilberto Gasparetto Postado em 23/Jan/2015 às 03:45

    Belo texto!

  5. Walter Postado em 23/Jan/2015 às 10:04

    O Grande problema do brasileiro é a falta de conhecimento de certas coisas ainda mais nos tempos de google e redes socais abandonaram os livros e não querem saber de pesquisar a fundo certos assuntos , veja em 2003 foi alertado sobre a falta de água em São Paulo já em 2010 quem era o governador em 2003 o senhor Alkmim estamos em 2015 e governador é o senhor Alkmim então.estude para não ter sede no futuro.

    • poliana Postado em 23/Jan/2015 às 23:38

      Walter..o grande problema do brasileiro eh o seu eterno complexo de viralatas. Para estes, o brasil n presta: So tem problemas e nada dá certo. Qq outro país eh serio, n tem problemas e eh melhor q o brasil. A logica dos viralatas eh essa!

  6. Carlos Postado em 23/Jan/2015 às 22:44

    Quem defende traficante de drogas e trabalha e paga impostos sinceramente para mim não passa de um grande idiota.

  7. Luiz Parussolo Postado em 24/Jan/2015 às 17:03

    E o Brasil? Existe nas elites dominantes homens e mulheres sérias Desconsiderando a Indonésia, vão comer bosta de cavalos, animais comuns!

  8. Carlos Antonio Couto Postado em 24/Jan/2015 às 17:36

    Minha Cara CamilaTribess,até concordo em parte no conteúdo que você nos passa,com relação a Indonésia/Timor Leste.Em poucas palavras a minha opinião entre os dois Países nos anos 70,onde ocorreram matanças desenfreadas,era uma Guerra Civil,ocorrida naqueles Países asiáticos,em contra partida Senhora Camila,quantos viciados e inocentes foram mortos ou estão num asilo ou numa cama de hospital,originado pelo uso de drogas,fornecidas por estes a quem defende?É justo?O Traficante Marcos Archer,se gabava de 25 anos da sua vida,não ter trabalho um dia sequer e vivendo com belas mulheres;whisky importados;comidas finas e hotéis de luxo.E nós aqui trabalhando que nem um camelo,para que o Governo Lula/Dilma,pagasse Advogados para tira-los da cadeia.É justo Senhora Camila?

  9. Luiz Parussolo Postado em 24/Jan/2015 às 18:08

    Veja abaixo a verdade do Plano Real e seus sucessores. Possuo mais, e independente disso sei que o plano é um acinte ao território brasileiro e seus sucessores são tanto boçais quanto os originários. O Brasil agoniza e está morrendo desde o animal José Ribamar Costa, precursor e provedor de todo o rebanho que domina irracionalmente o gigante território brasieliro. Que bom seria se esse PIB caísse... por Domingos Crosseti Branda, sexta-feira, 23 de janeiro de 2015 versão para impressão Share on email Share on favorites Share on facebook Share on twitter Bookmark and Share pib.jpgEm tempos de PLN 36 (Projeto de Lei do Congresso Nacional nº 36 de 2014), muito terrorismo político se escutou de parlamentares e burocratas. Coisas do tipo "é preciso aprovar o PLN 36 para não haver recessão!"; "Haverá desemprego e redução da atividade do país se o PLN 36 não for aprovado!"; foram muito noticiadas. O PLN 36 foi votado e aprovado. Um grande erro. Explico. Tudo gira em torno da equação[1] PIB = C + I + G + (X-M) que muita gente conhece. Particularmente, há uma falácia que se centra em "gastos do governo" (G). Se "G" diminui, cai o PIB e há recessão. Mas o que não está claro é que, se o PIB caísse em decorrência da diminuição de "G", as consequências seriam amplamente positivas. O raciocínio para explicar essa falácia começa com uma pergunta: de onde vem o financiamento do governo? Dos impostos, da inflação monetária e do endividamento do próprio governo. Mas, dado que o endividamento será pago com impostos e inflação monetária, então em última instância todo o financiamento do governo advém de impostos e de inflação monetária. Ou seja, é algo simples e direto: todo governo se financia perante o setor privado da economia. Quando o governo drena recursos para si, ele reduz a capacidade de investimento do setor privado. De imediato, poderíamos até pensar que, se os recursos migram de um ente privado para um ente público via impostos ou inflação monetária, então não há problemas. O que o privado gastaria será o público que gastará. Mas esse argumento é facilmente rejeitável dada a natureza coerciva da tributação: as fontes de financiamento são uma usurpação às propriedades dos cidadãos. E essa usurpação é igual a quase metade do seu tempo dedicado à produção. Em suma, um turno de trabalho é do governo, o outro do cidadão. No entanto, dado que o confisco não cessará e o gasto continuará existindo, deixemos de lado o argumento moral e concentremo-nos nos argumentos econômicos. Dizer que o ente público gastará o mesmo que o privado gastaria é ilógico porque os gastos públicos não se orientam pelo mercado e para o mercado; eles se orientam para a perpetuação do poder dos defensores da ideologia de plantão. E aí já temos uma diferença intransponível: ao passo que os cidadãos privados gastariam (ou investiriam) seguindo suas preferências subjetivas e a lógica de mercado, o governo gastará seguindo lógicas político-eleitoreiras. No âmbito político, os projetos mais viáveis nem sempre são os prioritários e o gasto não é eficiente. No que mais, e paradoxalmente, o próprio governo tem de incorrer em gastos extras para fiscalizar o gasto público e se certificar de que este esteja em parâmetros mais ou menos de acordo com o mercado! Fiscalização essa que, por si só, é um consumo de recursos.[2] Economia não é uma ciência exata, mas podemos associar esses dois fatores e concluir que há perdas. E essas perdas no Brasil vão além do aceitável. A conta é mais ou menos a seguinte: o tudo o que o governo arrecada via impostos, ele gasta; e tudo aquilo que ele arrecada via endividamento, ele investe[3]. Lembra-se da usurpação da metade do trabalho do cidadão? Toda ela é gasta pelo governo em algo não-produtivo. Mais ainda: parte da poupança que o setor privado faz não é reinvestida, mas sim desviada para financiar o governo. E se você ainda não está convencido do argumento, vamos aos números. Há algum tempo, escrevi um ensaio sobre a desindustrialização brasileira[4][5] evidenciando que o câmbio não era o culpado pelo que ocorria na época, e sim os fatores internos da economia. O consumo intermediário (isto é, o consumo de bens que são utilizados na produção de outros bens; o vidro é utilizado na fabricação de um copo, o papel é utilizado na impressão de um livro) e a alta drenagem de recursos do setor privado pelo governo estavam entre os principais fatores da desindustrialização, além do alto consumo das famílias. O resultado era uma despoupança em relação à produção total, um efetivo consumo de capital, o que prejudicava o crescimento econômico sustentável. De lá pra cá, algo mudou? Estamos melhores? Piores? Para onde estamos indo? Eis as evidências atualizadas.[6] Comecemos a analisar os recursos drenados do setor privado pelo setor público, em relação ao PIB. Assim, para 100% de PIB, temos o seguinte: fig1.png O setor público drena do setor privado, sob forma de impostos e endividamento, de 35% a quase 40% do PIB, o que deixa para o setor privado uma quantidade de recursos para consumir e poupar na ordem de 60% a 64% do PIB. O consumo das famílias fica na ordem de 62% do PIB, mais ou menos constante ao longo da série. Logo, sobram recursos privados para consumir ou poupar na ordem de 2% ao ano, em taxa decrescente nos últimos anos e sendo negativa em 2012 e 2013. Se considerarmos que a indústria de um modo geral deprecia (perde sua capacidade de produção em virtude do desgaste e obsolescência) na ordem de 5% ao ano[7], isso significa que ela não é capaz nem sequer de repor a sua capacidade produtiva. E as coisas ainda pioram. Como seguimos o raciocínio do Produto Privado Remanescente explicado neste artigo (até porque somos economistas e economistas jamais podem violar o principio número 1 da economia, que é o princípio da escassez, sob pena de invalidez lógica ou desonestidade intelectual), temos de visualizar as coisas sob a ótica do valor adicionado, que é o quanto a economia realmente produz de riqueza no ano. Assim temos o seguinte: fig2.pngO setor público drena de 40% a quase 47% (quase metade!) do valor adicionado. Daí a conclusão, afirmada anteriormente, que um turno de seu trabalho é confiscado pelo governo e o outro turno é para si próprio. Consequentemente, sobra para o setor privado consumir ou poupar (o trade-off em obediência ao princípio da escassez) em torno de 53% a 60% do valor adicionado. As famílias, em decorrência dos estímulos ao consumo dados pelo governo, não dão folga e consomem algo em torno de 70% de todo valor adicionado, restando recursos privados para repor ou expandir a capacidade produtiva da economia na ordem de -12% (menos 12 por cento) em 2012, deteriorando-se recentemente e chegando a -20% (menos vinte por cento) em 2013. E como é possível consumir além do que se produz? Essa conta parece não fechar, certo? Errado. Se estivermos consumindo além do valor adicionado, isso significa que estamos consumindo o estoque daquilo que foi produzido no passado. Notem que a lógica é perversa. O estoque do passado deve servir para expandir a capacidade de produção da economia (liberação de recursos reais). O governo está promovendo exatamente o contrário: a alta drenagem de recursos do setor privado pelo setor público acaba sendo um fator determinante na incapacidade de restabelecimento — ou mesmo de aumento — da capacidade produtiva do setor privado. A análise evidencia que uma política estatal de estado empreendedor, nacional-desenvolvimentista, definidor de empresas campeãs nacionais, e defensor de políticas de crédito fácil (não-lastreado por poupança real) e de estímulo ao consumo (todas elas ativas e defendidas na era contemporânea da nossa economia) não somente não é eficaz, como na verdade é danosa à economia. Infelizmente, não há perspectivas de uma retomada em um horizonte breve, pois são necessárias reformas que dependem dos governantes. A aprovação do PLN 36 acabou de mostrar o repúdio do governo às reformas necessárias. "G" vai aumentar e o PIB vai junto apresentar crescimento. Nada bom. Um número positivo, mas que esconde inexoráveis leis econômicas que, mais cedo ou mais tarde, aparecerão. Como seria bom se fosse o contrário: um "G" caindo vertiginosamente para restaurar a capacidade de investimento do setor privado. Haveria PIBs negativos no intervalo de recuperação. Seria um número negativo, mas que ocultaria a verdadeira retomada do crescimento econômico. Mas que político consegue ou quer explicar isso para os seus eleitores? Ah, como seria bom se esse PIB caísse... [1] Já foram escritos vários artigos sobre a falácia do PIB aqui no site do IMB (veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), e seus argumentos contribuem para a explicação desse artigo. [2] Lembrei-me agora de uma passagem de um episódio dos Simpsons que retrata bem essa situação. Springfield recebera um dinheiro extra proveniente de impostos e decidiram alocá-lo para a educação. Ao receber o cheque, disse a autoridade na cerimônia de entrega: "Esse dinheiro dos impostos irá para as crianças para que elas, no futuro, aprendam como alocar de forma mais eficiente os impostos". [3] Consome por volta de 40% % do PIB, investe por volta de 2% e se endivida em mais 2%. [4]O entendimento tradicional de desindustrialização se trata da participação da indústria no PIB. No entanto, esta visão é incompleta. Indústria é a conjugação do capital e do trabalho para transformar a matéria-prima em bens de produção e bens consumo. Uma simples padaria é uma indústria. Com esse pensamento, deduzimos que uma economia mais industrial é a que apresenta uma maior conjugação entre capital e trabalho; é mais capital intensiva e apresenta, consequentemente, maior produtividade do trabalho (maior geração de riqueza por unidade de tempo). O contrário também é verdadeiro: menos industrial significa menor conjugação entre capital e trabalho; é menos capital intensiva e apresenta, consequentemente, menor produtividade do trabalho (menor geração de riqueza por unidade de tempo). [5] Seguindo o conceito acima, podemos diferenciar economias desenvolvidas e subdesenvolvidas. As primeiras são mais produtivas porque só podem conseguir isso apresentando elevado estoque de capital empregado (que teve de ser poupado por gerações anteriores), o que proporciona alta produtividade; as segundas possuem baixo capital empregado (não houve poupança suficiente nos anos ou gerações anteriores), o que explica a sua baixa produtividade e atraso econômico. Se acrescentarmos ao conceito a teoria austríaca do capital, a qual explica como se ocorre o crescimento sustentável e o insustentável, podemos classificar as economias em 4 classes: desenvolvidas se industrializando; desenvolvidas desindustrializado; subdesenvolvidas industrializando e subdesenvolvidas desindustrializando. O quadro a seguir evidencia melhor essa classificação: fig3.png [6] Os dados-base da pesquisa são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Porém há uma ressalva a fazer. A partir do ano de 2010, o IBGE apresenta em suas contas nacionais trimestrais dados de recursos e usos a partir do Produto Interno Bruto (PIB), não sendo possível analisar a relação entre produção total, consumo intermediário e PIB (isso porque solicitei ao IBGE os dois primeiros). Entretanto, é possível fazer uma análise sem esses dados. Do mesmo modo que no primeiro ensaio, este segue a mesma lógica do Produto Privado Remanescente (PPR). Veremos duas análises: uma em relação ao PIB e outra em relação ao valor adicionado. São apresentados de forma relativa, pois esse tipo de análise dispensa qualquer método de deflação da série temporal, proporcionando uma análise mais realista e não-distorcida. [7] Não é nada absurdo estimar uma taxa de depreciação de bens de capital na ordem de 5% ao ano de um modo geral. Significa uma vida útil de 20 anos. Domingos Crosseti Branda é mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidade Rey Juan Carlos, Madri.

  10. cleide Postado em 24/Jan/2015 às 18:56

    Parabéns excelente matéria. De repente mente, os brasileiros deixarão de ter telhado de vidro. ficam aí concordando com a pena de morte por tráfico, se achando acima da lei, mas se esquecem que o maior crime da humanidade e tira uma vida. aqueles que apoiam tal atitude é mais criminoso do que o traficante. vcs são assassinos. só quem pode tira a vida foi quem deu a vida....Deus. Eu não concordo com a pena de morte.

  11. Hanna Postado em 24/Jan/2015 às 19:18

    As pessoas devem aprender a pesquisar antes de afirmar qualquer coisa. Brasileiro e sua mania de achar que qualquer país é melhor...

    • Luiz Parussolo Postado em 24/Jan/2015 às 19:48

      Diga-se, o Brasil é maravilhoso mas sua maciça população originada na Europa Meridional e imigrados pobres e também povos de outras origens aqui situados desde os antepassados, salvo uns 4%, é vagabundo, sem dons e marreteiro. Vai nóis!

  12. Roberto Postado em 25/Jan/2015 às 09:21

    O maior fracasso de conhecimento é um idiota paSsar o dia lendo Veja e a noite assistir o Jornal Nacional e antes de dormir ir ver BBB... Este cara é um merecedor de chifre!

  13. Carlos Henrique Postado em 25/Jan/2015 às 10:18

    Alguém aí se importa com traficante? A droga acaba com as famílias, vicia os fracos, inclusive os fracos que acham que são fortes. Para defender o uso de drogas e a proteção do "pobrezinho" (maldito) traficante, o sujeito ou é drogado ou é traficante também.

  14. Bira Postado em 25/Jan/2015 às 10:39

    Vira latas são os que defendem qualquer partido aqui no Brasil isso sim !!!

  15. Pedro Pinto Leite Postado em 25/Jan/2015 às 13:26

    Um artigo excelente! O Brasil teve um papel muito importante na libertação de Timor-Leste. Inúmeros foram os activistas brasileiros que lutaram pela causa timorense. Espero que o Brasil ajude igualmente na luta contra a impunidade: como Camila Tribess muito bem aponta, os mesmos militares que praticaram crimes em Timor-Leste estão agora a praticá-los na Papua Ocidental. Uma situação idêntica é a do Sahara Ocidental, território colonial ocupado pelo vizinho Marrocos, que também explora vergonhosamente os seus recursos naturais, para além das graves violações dos direitos humanos que aí comete. Foi com muita satisfação que soube do pedido da Câmara dos Deputados brasileira à Presidente Dilma Rousseff para que reconheça a República Saharaui, pedido que teve o apoio de todos os partidos políticos. Pedro Pinto Leite Secretário da Plataforma Internacional de Juristas por Timor-Leste

  16. Universo Postado em 26/Jan/2015 às 10:50

    O Brasil é um pais muito bom, o que estraga é estes políticos ladrões , a começar pela presidência até chegar no " dimenor" , que pode votar mas não pode ir para cadeia pagar seus atos insanos

  17. fabio Postado em 26/Jan/2015 às 16:01

    O que tem uma coisa a ver com a outra? Se vendem la dentro do pais, troxa é quem procura, se tem ditador ou falta democracia por ter ditadores estao sendo investigado, no Brasil tem democracia demais e nada funciona do mesmo jeito, so quem conhecer alguem quem morreu dependente de drogas sabe que seja la ou na holanda ou na inglaterra traficante tem que morrer assim como estrupadores e assassinos .