Redação Pragmatismo
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Cinema 13/Jan/2015 às 11:29
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E se Obama fosse assassinado num filme russo ou chinês?

Quando a CIA supera a ficção: e se Rússia ou China fizessem um filme sobre o assassinato de Barack Obama, os Estados Unidos iriam rir?

filme a entrevista hollywood coreia
Cartaz do filme The Interview (A Entrevista)

A controvertida comédia de Hollywood The Interview (A Entrevista) é sobre dois comunicadores norte-americanos que devem viajar para entrevistar o líder norte-coreano Kim Jong-un, mas no caminho são recrutados pela Agência Central de Inteligência (CIA) para envenená-lo.

O argumento, que enfureceu a Coreia do Norte, que foi acusada de piratear os computadores da Sony Pictures, encarregada da distribuição do filme, é uma mera ficção na qual se usa uma substância química para envenenar Kim-Jong-un quando este estendesse a mão aos jornalistas.

Mas, como a realidade de outras épocas supera a ficção, o plano para matar o líder norte-coreano evoca fatos do final da década de 1960 e dos anos 1970, quando agentes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos fizeram várias tentativas para assassinar o líder cubano Fidel Castro, com a contratação de sicários da máfia siciliana.

SAIBA MAIS: CIA reconhece que esteve perto de assassinar Fidel Castro algumas vezes

Entre as hilariantes conspirações houve uma tentativa de introduzir charutos envenenados na casa de Castro ou colocar sulfato de tálio solúvel em seus sapatos para que caísse sua barba e se convertesse no “faz-me rir do mundo socialista”. Algumas dessas falidas tentativas foram detalhadas em um informe de 1975, elaborado por um órgão de investigação de 11 membros designado pelo Comitê de Inteligência do Senado norte-americano, encabeçado pelo senador democrata pelo Estado de Idaho, Frank Church.

As conspirações contra Castro provavelmente voltam a ser objeto de debate agora após o anúncio no mês passado do restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba.

Michael Ratner, presidente emérito do Centro Europeu de Direitos Humanos e Constitucionais (ECCHR), disse à IPS que, “infelizmente, e em especial para os norte-coreanos e Kim Jong-un, o filme não é uma comédia que possam ignorar”. A CIA tem ampla trajetória de conspirações de sucesso para assassinar líderes de países que decidem não agir segundo os desejos dos Estados Unidos, explicou.

Vários desses complôs foram expostos no informe do Comitê do Senado de 1975, incluídas falidas tentativas contra Castro, Patrice Lumumba, do Congo, Rafael Trujillo, da República Dominicana, e Ngo Dinh Diem, o primeiro presidente do Vietnã do Sul, entre outros, contou Ratner, cuja organização tem sede em Berlim.

A suposta proibição desse tipo de assassinato após as revelações públicas não tem muito sentido; os Estados Unidos agora os chamam de “assassinatos seletivos”, disse Ratner. “Pense no (agora falecido líder líbio) Muammar Gadafi e outros assassinados por drones ou por um Comando de Operações Conjuntas Especiais”, acrescentou.

Segundo Ratner, nesse contexto era de se esperar uma reação da Coreia do Norte, embora não haja provas fundamentadas sobre sua participação no ataque pirata contra a Sony. “Pensemos de outro modo: tudo bem fazer comédias sobre assassinatos de líderes de pequenos países demonizados pelos Estados Unidos. Mas imaginemos se Rússia ou China fizessem um filme sobre o assassinato do presidente norte-americano. Os Estados Unidos não ririam da comédia”, pontuou.

“Não há problema enquanto o objetivo for um Estado pequeno que pode ser pego. Quero ver outro país fazer uma comédia sobre nosso presidente. Garanto que pagaria caro”, ressaltou Ratner.

James E. Jennings, presidente da organização Consciência Internacional e diretor-executivo da organização Acadêmicos dos Estados Unidos pela Paz, disse à IPS que os novos dados sobre empresas de segurança cibernética questionaram a afirmação dogmática do Escritório Federal de Investigações (FBI) de que o líder norte-coreano estava envolvido no ataque pirata contra a Sony.

“A pressa do FBI para dar um veredito, do qual talvez tenha que se retratar, motivou protestos de especialistas em segurança na internet e suspeitas de teóricos da conspiração sobre a possível participação dos Estados Unidos em uma extravagante trama para isolar ainda mais o regime norte-coreano”, acrescentou Jennings, lembrando que, segundo eles, aconteceram coisas estranhas antes do episódio da Sony,

Não seria a primeira vez que a CIA recorreria a truques sujos para prejudicar um regime que não é de seu agrado ou tentar assassinar um governante estrangeiro. As pessoas têm direito de se mostrarem céticas sobre as acusações do FBI e de questionar a possível participação da CIA no escândalo do filme The Interview, afirmou Jennings.

“Temos apenas que recordar o Irã em 1953, quando o líder eleito Mohamed Mosaddegh foi derrubado, o Chile em 1973, quando o presidente Salvador Allende foi deposto e assassinado, e os torpes agentes que a CIA empregou para assassinar Fidel Castro entre 1960 e 1975”, detalhou Jennings. O próprio inspetor da CIA e também o comitê do Senado de 1975 e 1976 informaram sobre a numerosa quantidade de truques utilizados para se desfazerem de Castro, como charutos envenenados e conchas marinhas explosivas.

“Alguém poderia perguntar o que beberam os altos comandos da CIA quando conceberam essas ideias bobas, mais parecidas com o teatro Kabuki do que com a política responsável de um grande país”, brincou Jennings. “Todos já sabemos sobre Abu Ghraib, a tortura, as entregas extraordinárias e os centros clandestinos de detenção”, acrescentou.

“Se a CIA está implicada de alguma forma nesta nova farsa da Sony versus Coreia do Norte, como suspeitam alguns, é hora de haver uma nova investigação por parte do Congresso, como a do comitê do senador Church, para desferir um duro golpe na agência e mandar algumas de suas atuais autoridades para o sótão do horror ao qual pertencem”, afirmou Jennings

Thalif Deen, Envolverde/IPS

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 13/Jan/2015 às 11:35

    (Outro Rodrigo) E se o filme americano não assassinasse um ditador, mas, sim, mostrasse a libertação de presos políticos? P.S.: lembrando que, igualmente, ditaduras de "direita" e de "esquerda", igualmente, valoram o expediente da prisão por motivos políticos.

    • Rodrigo Postado em 13/Jan/2015 às 16:45

      (Outro Rodrigo) Diba, quando vamos confrontar alguém, no campo das ideias, dos argumentos, livremente podemos optar por dois caminhos: 1- racionalizar a questão, impugnando os tópicos lançados pelo interlocutor, em processo dialético, de modo a demonstrar o porquê da discordância (meio em que o ser humano vale-se de sua racionalidade); 2- agredir e ofender, renunciando à nossa capacidade intelectual, ao raciocínio, valorando o caminho defendido por Schopenhauer, vendo a discussão como um fim em si mesmo e buscando "vencer sem ter razão". Assim, lamento que sua fala seja iniciada já com uma ofensa. Mas, ainda assim, dei um voto de confiança em sua capacidade intelectual e segui em frente, mas constatei que você seguiu trilhando o mesmo caminho. Parte, então, ao generalismo, supondo crível que todos os que discordam de um regime, todos os presos políticos de regimes ditatoriais "esquerdistas" e "direitistas" são militância paga - uma afirmação demanda a sua demonstração, do que carece sua fala, tratando hipóteses como verdade absoluta, necessária. Assim, faço votos de que você, a partir de agora, adentre em discussões de modo mais racional ou minimamente razoável. Valorize a exposição fundamentada de seus argumentos, prezado. Sei que você os tem. Abraços.

  2. Thiago Teixeira Postado em 13/Jan/2015 às 11:39

    É piada essa história toda. Primeiro, a Sony faz um filme matando meu glorioso ditador (tá bom, é comédia, mas com qual intensão?). Segundo, entra hackers na Sony e acusam a Coreia do Norte porque supostamente podem ter se sentido ofendidos com a filme (e as provas?). Sansões a Coreia do Norte. Kim Jon Un agora aparece na CNN jogando mísseis no mar (aquelas imagens são velhas). Estão se preparando, tipo assim. Cai a internet da Coréia do Norte (por pura picuinha americana). Em resumo, quem está sendo perseguido? Quem é o vilão da História? Não interessa, são comunistas e comunistas tem que morrer, é assim que a mídia e governos golpistas agem. Se fosse ao contrário? MEU DEUS ....................

  3. seu nome Postado em 13/Jan/2015 às 13:04

    Prezado Thiago Teixeira, que bom que pensa desta maneira...e vive no Brasil :). Tenho certeza que se vossa senhoria fosse um cidadão norte-coreano, não estaria pensando desta maneira, na realidade acho que não estaria pensado. Ou você acha que a população norte-coreana, a sociedade como um todo quer se "excluir" do mundo como acontece? Pois é...deixo esta reflexão para você, mas na minha concepção de "Coxinha, burguês, universitário e opressor", acho que devemos sim, combater este tipo de governo ( que PROÌBE o livre arbítrio, sair ou entrar no país livremente e coisas normais que tenho certeza que tu também gosta de fazer, aonde quer que more) :) abraço do amigo.

  4. Jonas Schlesinger Postado em 13/Jan/2015 às 17:48

    Morando no Brasil, falam bem até do inferno.

  5. Junnyperos Postado em 14/Jan/2015 às 06:45

    A tempos atras tínhamos a guerra fria. Bom parece que ela não acabou. Me lembro de filmes nazistas, onde judeus eram mostrados como escoria social. Bom, esse país e sua tão aclamada "politica intervencionista" não apenas gosta de se meter em guerras desnecessárias, mas criar gafes cinematográficas desnecessárias e constrangedoras. Nunca gostei da ideia da união de politica e religião, e ao que parece, cinema e politica também não dá muito certo.