Redação Pragmatismo
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Democratização Comunicação 07/Nov/2014 às 19:31
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O desespero da imprensa financiada pelo governo

Ao contrário do que se apregoa, os veículos de comunicação que dependem de dinheiro público para sobreviver são os que compõem a chamada 'grande imprensa'. Mas que capitalismo é este que defendem em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público? Não são eles que se mordem pelo Estado mínimo?

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A grande mídia brasileira não quer que o governo mexa no ‘Bolsa Imprensa’ (Pragmatismo Político)

Paulo Nogueira, DCM

“O PT busca golpear as receitas publicitárias dos veículos de informação – o que poderia redundar, no futuro, no controle de conteúdo pelo governo.”

Está na Veja, e raras vezes ficou tão clara a dependência financeira e mental que as grandes corporações jornalísticas têm do dinheiro público expresso em publicidade federal.

Havia, naquela frase, uma alusão à decisão do governo de deixar de veicular propaganda estatal na Veja, em consequência da capa criminosa que a revista publicou às vésperas das eleições.

Era o mínimo que se poderia fazer diante da tentativa de golpe branco da Abril contra a democracia.

Mas a revista fala em “golpear as receitas publicitárias” da mídia corporativa.

A primeira pergunta é: as empresas consideram direito adquirido o ‘Bolsa Imprensa’, o torrencial dinheiro público que há muitos anos as enriquece – e a seus donos – na forma de anúncios governamentais?

Outras perguntas decorrem desta primeira.

Que capitalismo é este defendido pelas empresas jornalísticas em que existe tamanha dependência do Estado e do dinheiro público?

Elas não se batem pelo Estado mínimo? Ou querem, como sempre tiveram, um Estado-babá?

Os manuais básicos de administração ensinam que você nunca deve depender de uma única coisa para a sobrevivência de seu negócio.

E no entanto as grandes empresas de comunicação simplesmente quebrariam, ou virariam uma fração do que são, se o governo federal deixasse de anunciar nelas.

Tamanha dependência explica o pânico que as assalta a cada eleição presidencial, e também ajuda a entender as manobras que fazem para eleger um candidato amigo.

Essa festa com o dinheiro público tem que acabar, e famílias como os Marinhos e os Civitas têm que enfrentar um choque de capitalismo: aprender a andar sem as muletas do dinheiro público.

Ou, caso não tenham competência para sobreviver num universo sem favorecimentos, que quebrem. O mercado as substituirá por empresas mais competitivas.

Não são apenas anúncios: são financiamentos a juros maternais em bancos públicos, são compras de lotes de assinaturas de jornais e revistas, são aquisições enormes de livros da Abril, da Globo etc.

Numa entrevista a quatro jornais, ontem, Dilma disse que o novo governo vai olhar com “lupa” as despesas, para equilibrar as contas e manter sob controle a inflação.

Não é necessária uma lupa para examinar as despesas com publicidade.

Entre 2003 e 2012, elas quase dobraram, segundo dados do Secom. De cerca de 1 bilhão de reais, foram para as imediações de 2 bilhões ao ano.

Apenas a Globo – com audiência em franca queda por causa da internet – recebeu 600 milhões de reais em 2012.

Um orçamento base zero, como os livros de gestão recomendam, evitaria a inércia dos aumentos anuais do governo com esse tipo de despesa.

Murdoch, em seu império mundial de mídia, tem dependência zero de publicidade de governos.

Banco estatal nenhum financia seus empreendimentos, e por isso ele quase quebrou na década de 1990 quando não conseguiu honrar os empréstimos para ingressar na área de tevê por satélite.

Foi obrigado a se juntar a um rival em tevê por satélite. Só agora Murdoch teve os meios para tentar comprar a outra parte, mas o governo inglês negou por conta do escândalo do News of the World.

Ele se bate pelo capitalismo, e pratica o capitalismo.

As empresas jornalísticas brasileiras pregam o capitalismo, mas gostam mesmo é de cartório.

E julgam, pelo que escreveu a Veja, que até o final dos tempos estão aptas a receber o Bolsa Imprensa.

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Comentários

  1. Celio Bernstein Postado em 07/Nov/2014 às 20:22

    Não são os conservadores do estado mínimo que querem "enxugamento da máquina pública" e diminuição das despesas? Que tal o nosso governo federal cortar os gastos - começando pelas propagandas estatais veiculadas nas grandes corporações de mídia (Abril, Globo e semelhantes)?

    • Eduardo Postado em 07/Nov/2014 às 21:19

      isso, isso, isso, o Kiko amigo do Chaves quando convicto de que a coisa é boa ele se manifesta assim.... ISSO....ISSO.... ISSO..... e só assim esta mídia aprenderá que não se morde a mão que a alimenta.... ela tem que ser imparcial, investigativa e idônea.... não o que é.... parcial, inventativa e inidônea.... veja a capa da OIA. A CF obriga que haja transparencia e divulgação na mídia dos atos de governo, mas não diz que tem que ser neste ou naquele veículo.... que pulverize estes recursos por toda a mídia, fortaleça a VOZ DO BRASIL....popularize o Diário Oficial da União, ou crie um sintético dele.

      • DOMENICO Postado em 08/Nov/2014 às 06:26

        TOTALMENTE DE ACORDO.

    • Edvaldo Postado em 07/Nov/2014 às 21:50

      Plebiscito republicano e constitucional já! Propaganda zero. Que todo esses recurso seja investido nos programas sociais e educação em tempo integral. Nenhum recurso público deve ser gasto em propaganda de governo. Internet banda larga grátis para todo e qualquer cidadão deste país. Vamos acabar com a globo e todos os vermes que se alimentam do nosso dinheiro.

      • Fabio Hideki Postado em 09/Nov/2014 às 01:00

        Aonde está o pessoal que critica o Bolsa Familia ? Os cidadãos da classe média paulistana, devem ser, ou se achar, todos donos da Abril, Globo, Folha e Estado.

  2. KARINA BB Postado em 07/Nov/2014 às 20:26

    A imprensa em geral,incluindo veja,folha,globo,estadao,precisa entender que precisam ser imparciais,ou seja,a imprensa é feita pra noticiar os fatos relevantes ,sem partidarismo,um exemplo,na veja o azevedo esta indignado com o envolvimento de aecio no acordo da CPI da petrobras,como assim !!!!! ,Ele diz q aecio esta fora desse acordo e q nao sabia,,,gente esse reynaldo azevedo ta tirando todo mundo de idiota neh,teve um comentario la assim "QUE ABSURDO ,ESTAO TENTANDO ENVOLVER O AECIO NESSA SUJEIRA" kk como se o aeciopo fosse um santo imaculado a ser protegido de todo o mal,enfim sera q essas pessoas acreditam mesmo nisso ou épura anencefalia mesmo !!!!!,bom,o publico que acessa esses meios de comunicaçao,querem abrir esses sites e ver por exemplo : o PT e PSDB ,envolvidos em escandalos fa petrobras,Aecio sera processado por desvio de verbas da saude,Aecio e Dilma fazem acordo pra cpi da petrobras acabar em pizza,QUANDO VELHA MIDIA COMEÇAR A MOSTRAR TUDO DE TODOS,VOLTARA A TER CREDIBILIDADE,CASO CONTRARIO SO SERVIRA AOS QUE QUEREM DESTILAR SEU ODIO,SEM ADMITIR O CONTRADITORIO,quem entra no site da Veja sai de la achando q antes do PT nunca houve corrupcao e que o PT é o unico partido corrupto ASSIM NAO DA NEH

    • Eduardo Postado em 07/Nov/2014 às 21:22

      O Brasil tem 514 anos, o PT tem 34 e como você fala no final do seu comentário.... só o PT tem esse tipo de problema..... Lendo e ouvindo história, ouvi que até os cofres de doações da igreja já foram alvo de mão grande no passado.... e querem nos acusar como se fossemos os inventores do mal feito.

  3. Rocken Postado em 07/Nov/2014 às 20:45

    as estatais já estão tentando substituir a publicidade a tempos, como sempre os jornalistas ficam anos atrasados e ainda dizendo que é coisa nova, está cheio de propagando na internet e também a caixa patrocina flamengo e corinthians por exmeplo

  4. Norma Postado em 07/Nov/2014 às 20:47

    O que é preciso é democratizar o acesso às verbas publicitárias governamentais, distribuinfo-as entre os veículos grandes e pequenos. Assim, se fortalecem e a sociedade ganhará com múltiplas visões e não mais essa coisa nojenta de pensamento único neoliberal. Os governos são cúmplices disso. esperando "cabeças feitas" como retorno. É urgente o controle social da mídia: não de conteúdo, Mas de gestão!

  5. Marcus Martins Postado em 07/Nov/2014 às 21:03

    Essa simbiose entre o governo, querendo visibilidade, e empresas privadas, querendo subsídios, é uma triste e alarmante realidade. Mas, como bem ressalta o texto, os empresários (e os seus seguidores) só reclamam de verbas públicas transferidas para programas destinados à população mais pobre. São "Grandes demais para quebrar" e quando estão em apuros pedem ajuda aos nossos impostos. Elas precisam praticar o que pregam: Estado Mínimo.

  6. Ester Spiazzi Postado em 07/Nov/2014 às 21:13

    A imprensa brasileira usa o dinheiro da gente, pra praticar terror contra nós mesmo, isso não é só injusto mas é uma violência. Eu gostaria de não ter que contribuir para pagar essa conta.

    • Eduardo Postado em 07/Nov/2014 às 21:23

      eu idem... existe outras formas de se cumprir o que diz a Constituição Federal....

    • Fabio Hideki Postado em 09/Nov/2014 às 01:01

      E tem muita gente que ainda paga para assinar essas coisas.

  7. Fatima Cruz Postado em 07/Nov/2014 às 22:13

    Bom demais pra ser verdade...Será que a presidenta vai cumprir, ou vai ficar só na ameaça???

  8. Rodrigo Postado em 07/Nov/2014 às 23:21

    Este texto eh exatamente o que eu penso. Posso acrescentar que a grande midia nunca foi desmamada no brasil. E estao recebendo a reducao da compra de aprovacao popular, que custa caro, muito mal. O jogo de toma-la-da-ca esta acabando, o resultado eh que eles estao saudosos da ditadura, quando se matava muitas pessoas e nos noticiarios deles tudo estava "a mil maravilhas", em troca da propaganda enchia-se os bolsos dos empresarios que hoje reclamam. Entre outras coisas esta midia tem as maos sujas de sangue.

  9. testemunha binocular Postado em 08/Nov/2014 às 11:31

    Quantas assinaturas de publicações da Editora Abril são feitas pelo governo de SP ? Não só Veja...

  10. Adalberto Postado em 08/Nov/2014 às 12:16

    Só pra lembrar que todas essas empresas, principalmetne a globo, têm dívidas milhonárias com a união. Basta o governo fazer uma compensação, publicidade por dívida.

  11. Adalberto Postado em 08/Nov/2014 às 12:17

    Aliás, é um desperdício de dinheiro público gastar com assinatura de jornal e revista nesses tempos de internet.

  12. Gustavo Postado em 10/Nov/2014 às 11:43

    O cara falou e falou mas não disse nada. Onde está tal reportagem criminosa da Veja??? O depoimento existe e foi publicado, somente isso. Cade a crítica ao claro aumento em publicidade feita pelo Governo?? Quanto desse dinheiro vai para o que o pessoal aqui chama de "grande mídia", e quanto vai para os blogs e mídias chapa brancas??