Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 10/Oct/2014 às 15:24
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O debate entre Guido Mantega e Armínio Fraga

Na GloboNews, Miriam Leitão mediou o debate entre Guido Mantega (atual ministro da Fazenda) e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central na época de FHC e já anunciado como futuro Ministro da Fazenda em um possível governo Aécio

guido mantega armínio fraga
Guido Mantega e Armínio Fraga discutiram economia brasileira em debate mediado por Miriam Leitão (reprodução)

Em debate no programa da jornalista Miriam Leitão na GloboNews com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga desconsiderou que estamos em meio a um ano de crescimento mundial decepcionante e afirmou que a crise financeira internacional acabou em 2009. Para o coordenador do projeto econômico do candidato à presidência Aécio Neves (PSDB), o Brasil está isolado na dificuldade de recuperação, com crescimento baixo e inflação descontrolada. “A crise aconteceu em 2009, de lá para cá o mundo vem se recuperando, em um ritmo menos exuberante, mas está.”

Mantega rebateu relembrando que 95% da economia do mundo está em desaceleração, e que a avaliação publicada recentemente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) considera a recuperação da economia mundial fraca. “Nós ainda vivemos uma crise muito forte, que afetou menos o Brasil que outros países, mas claro que ela fez com que crescêssemos menos”, disse o ministro. O FMI reduziu na terça-feira 7 a expectativa de crescimento do PIB global de 3,4% para 3,3%. Apenas Estados Unidos e Reino Unido apresentam alguma aceleração.

A mediação do embate foi de Miriam Leitão. Em uma pergunta, a jornalista cometeu um ato falho, ao dizer que o emprego estava baixo. Foi corrigida por Mantega: “é o desemprego que está baixo”.

Fraga evitou responder se a sua política de combate à inflação será baseada em arrocho econômico, mas disse que o problema requer “esforço permanente”. Mantega, por sua vez, defendeu que o ano terminará com a inflação abaixo do teto da meta, de 6,5%. “Se olharmos para o passado, quando Armínio Fraga era presidente do Banco Central, ele pegou a inflação em 7% e entregou em 2002 em 12%”, criticou. Para Fraga, foi a crise política gerada pelo receio do mercado em relação à eleição de Luís Inácio Lula da Silva que prejudicou a política de combate à inflação em 2002. Mantega rebateu que o efeito ocorreu porque a economia brasileira estava fragilizada no final do governo FHC. “O Brasil tinha poucas reservas cambiais, não tinha como pagar seus compromissos.”

VEJA TAMBÉM: O aniversário de 12 anos do último pedido de socorro do Brasil ao FMI

Sobre as políticas sociais, Fraga elogiou o Bolsa-Família, e atribuiu a criação do programa ao governo do PSDB. O ex-presidente do Banco Central disse ter “muito gosto de ver o Brasil com desemprego baixo”, mas que isso era apenas “uma obrigação do governo”.

Questionado sobre qual era a diferença entre a sua proposta e da campanha da presidenta Dilma Rousseff, o economista afirmou que é preciso investir em infraestrutura, aumentar a transparência dos gastos públicos e realizar uma reforma tributária. E foi enfático ao dizer que as empresas não devem contar com subsídios de bancos públicos. “Existe uma ilusão de que banco tem dinheiro, mas tudo tem um custo. Está errado dar subsídios às empresas”, disse ao criticar os critérios do BNDES para conceder empréstimos a grandes empresas.

Mantega defendeu que a política de crédito subsidiado dos bancos públicos foi essencial para ajudar a enfrentar a crise, quando os bancos privados se encolheram. “Se não tivessem os programas de investimento do BNDES, não haveria crescimento na crise. Nós precisamos fazer políticas anticíclicas, talvez ele [Fraga] não as fizesse.” Mantega criticou a defesa do tripé econômico (meta de inflação, câmbio flutuante e banco central independente com juros flutuante e superávit fiscal) e afirmou que a diferença entre as duas propostas que concorrem ao segundo turno da eleição presidencial está no papel atribuído ao Estado. “Nós achamos que é preciso incentivar os investimentos com subsídios.”, Segundo Mantega, os investimentos em infraestrutura estão em andamento e a prioridade deve ser aumentar o emprego. “A renda per capita cresceu no Brasil 3% entre 1995 e 2003, e 30% de 2003 a 2013”, afirmou.

CartaCapital

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Comentários

  1. Leonardo Postado em 10/Oct/2014 às 17:36

    debate entre fraga e mantega é mais ou menos barcelona x time de varzea. Um economista debatendo contra um ministro da fazenda já em aviso prévio fazendo propaganda para o governo. Quem estuda economia a fundo e se interessa pelo tema sabe como a política economica atual está equivocada, tanto que para tentar melhorar a credibilidade,Dilma já garantiu que mantega não ficará caso reeleita. Qual candidato é melhor fica a cargo de cada um, uma coisa porém é certa, o modelo atual nao é sustentável e está próximo do esgotamento. Sobre a crise, o Brasil cresce 0,3%, 3 pontos abaixo da média, isso mostra que os problemas vão além da crise, somos um país em desenvolvimento, precisamos de crescimento acima da média para toda a população um dia ter condições de vida tão boas quanto a encontrada em outros países.

    • KARINA BB Postado em 10/Oct/2014 às 18:01

      Leonardo ,a questao nao é nem de partido A ou B ,acho que a escolha é : qual tipo de politica economica queremos,é facil baixar inflaçao,basta elevar os juros ao maximo,pronto!!!! O consumo vai baixar e os especuladores vao aplicar o dinheiro,produzir pra que !!!??? Ganham os bancos,os ricos .....e os mais pobres ??????????????????????????,

      • Leonardo Postado em 10/Oct/2014 às 18:12

        concordo contigo Karina, a verdade é que para um crescimento sustentável tem muita coisa a ser feita, mudanças grandes, a primeira delas é a reforma tributária. O atual governo de fato melhorou muito a situação de todos, não so dos mais probres, de todos. Porém, sabemos que por mais que esteja melhor, a parte mais pobre da população ainda sofre muita. Para termos de fato uma melhora significativa, é necessário aumento da poupança e do investimento, é necessário aumento da infraestrutura, produtividade e redução dos custos. Infelizmente esse tipo de proposta, que não será implantada em um ano ou dois, nenhum dos candidatos defendem, vivemos um regime de imediatismo, o que é importa é a eleição após os 4 anos. Portanto, concordo plenamente contigo, não basta apenas aumentar os juros, expansão monetária pq o governo gasta mais do que arrecada e controle da inflação pela taxa de cambio através de contratos de swap no mercado futuro de doláres não é a solução pro nosso problema de subdesenvolvimento e desigualdade social.

  2. Onda Vermelha Postado em 10/Oct/2014 às 18:41

    Que beleza! O Ministro Guido Mantega arrebentou com o tucano Armínio Fraga, o "exterminador do futuro" do Aécio Neves(PSDB) na Globo News Miriam Leitão. E ainda trouxe a memória dos ouvintes os “belos números” da economia do Governo FHC. O Armínio ficou, nitidamente, desconfortável a ponto de falar em "fetiche" de se voltar ao passado quando o Mantega fazia as comparações. Não percam a reprise! Vale a pena! Háháhá! Veja em http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/10/guido-mantega-e-arminio-fraga-debatem-no-globonews-miriam-leitao.html

  3. poliana Postado em 10/Oct/2014 às 19:11

    engraçado ouvir o armínio fraga falar da necessidade de uma reforma tributária. isso eu ouço desde a minha infância, e nenhum partido a fez. pq será hein?! até parece q haverá uma reforma tributária caso o aécio vença as eleições...a própria luciana genro foi ironizada qdo a sugeriu, junto com a taxação das grandes fortunas...alguém ainda acredita q isso é possível no brasil? qdo minha gente?

  4. Rocken Postado em 11/Oct/2014 às 00:23

    já perceberam que primeiro o governo federal diz oque tem que ser feito, começa a fazer, e ai vem a oposição dizendo que tem que fazer aquilo que já começou a ser feito, é muito engraçado, agora o caso é por exemplo aumento de produtividade, mas atraves dos novos financiamentos as empresas são incetivadas a inovar e tambem na educação teve muito investimento, só aqui no PR(estado com 49% de coxinha) já abriu umas 150 engenharias, também falam de infra estrutura, portos já estão prontos e estradas duplicadas enormes estão em construção, e a lista vai longe

  5. Natália Postado em 11/Oct/2014 às 18:16

    IGF e Reforma tributária são utopias no Congresso Nacional....

    • poliana Postado em 12/Oct/2014 às 23:21

      exato natália!

    • eu daqui Postado em 13/Oct/2014 às 14:28

      Tem que ter reforma tributária pra desonerar o asalariado ao menos um pouco. MAS NÃO É O PSDB QUE VAI FAZER ISSO......