Redação Pragmatismo
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Política 08/Sep/2014 às 16:00
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O silêncio da mídia sobre o Plebiscito da Reforma Política

A grande imprensa tratou de erguer uma cortina de silêncio em torno do plebiscito popular da reforma política, o que é compreensível. Ela vê com desconfiança qualquer mobilização popular

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A grande mídia silenciou diante do plebiscito popular da Reforma Política (Imagem: Pragmatismo Político)

Wadith Damous*

Muitas das mazelas relacionadas ao exercício da política no Brasil podem ser superadas com uma reforma que atinja alguns objetivos.

Limite radicalmente o peso do poder econômico nas eleições, revendo as formas de financiamento de campanhas, o que ajudará a diminuir a corrupção e não fará mais de certos parlamentares reféns dos doadores.

Garanta a fidelidade partidária, fortaleça os partidos e diminua seu número, pondo fim às legendas de aluguel, outro foco de corrupção.

Redefina o papel do Senado e ponha fim à figura do suplente de senador, portas de entrada no parlamento para figuras sem representatividade política ou social.

VEJA TAMBÉM: Você ainda pode votar no Plebiscito da Reforma Política

Dê o mesmo peso ao voto de cada eleitor na escolha dos deputados federais, independentemente de seu estado de origem. Hoje o voto de um eleitor dos estados pequenos tem mais peso do que o de um estado mais populoso.

Não há quem, no Brasil, negue a importância do debate sobre essas questões e outras mais. Ocorre, porém, que, em muitos casos, isso acontece apenas da boca para fora. Um grande número de deputados e senadores não tem coragem para defender de forma explícita que tudo fique como está, mas, na vida prática, faz de tudo para impedir qualquer modificação.

Esses parlamentares foram eleitos com essas regras. Como não têm compromisso com a democracia e sem qualquer espírito público, querem mantê-las imaginando que, assim, a recondução aos cargos que ocupam ficará mais fácil.

É por essa razão que, ano após ano, nada muda. Apesar dos discursos em contrário, que, da boca para fora, enfatizam a necessidade e a urgência da reforma política.

Romper esse círculo vicioso só é possível se forem satisfeitas duas condições.

A primeira, que a sociedade se mobilize, ponha os atuais parlamentares contra a parede e torne inevitável a abertura de um processo de mudanças.

A segunda, que o debate e a aprovação de novas regras sejam feitos por pessoas que não tenham interesses individuais em jogo e que, portanto, não estejam preocupadas em legislar em causa própria. Assim, os integrantes da Constituinte exclusiva seriam eleitos para fazer a reforma política, e nada mais do que isso. Não permaneceriam como parlamentares depois que ela fosse concluída.

Com o objetivo, então, de fazer avançar a reforma política é que está acontecendo um plebiscito a respeito. O povo votou e ainda pode votar respondendo a uma única pergunta: “Você é a favor de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político?”

Para fazer desse plebiscito uma realidade, foram criados mais de 1.700 comitês em todo o Brasil. Estão envolvidos na campanha milhares de ativistas em todos os estados e um número superior a 450 entidades, movimentos e organizações sociais.

A grande imprensa tem tratado de erguer uma cortina de silêncio em torno da iniciativa, o que é compreensível. Ela vê com desconfiança qualquer mobilização popular. O boicote só reforça a necessidade de que o plebiscito seja divulgado o mais amplamente possível e por todos os meios disponíveis.

Foram instaladas urnas em locais de trabalho (como fábricas, agências bancárias, escolas, órgãos públicos) e em áreas de concentração popular. Para votar, basta que o eleitor se identifique e forneça seu CPF, o que evitará a duplicidade de participação.

Vai ser possível, também, votar pela internet, no site www.plebiscitoconstituinte.org.br, o que permitirá a participação de eleitores em locais em que não haja comitês organizados e urnas à disposição.

Esta não é uma luta qualquer.

Não haverá avanços significativos na sociedade brasileira sem uma reforma que modifique profundamente as atuais regras da disputa política.

E não haverá reforma política sem participação popular.

*Wadith Damous é Presidente licenciado da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro

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Comentários

  1. BSAP Postado em 08/Sep/2014 às 16:31

    Até que emfim o PP, comentou sobre plebiscito! Agora só falta lembrar DOS INDÍGENAS!

    • Administrador
      Moderação Postado em 08/Sep/2014 às 17:42

      Olá BSAP. A sua afirmação é inverídica. Este sítio aborda o plebiscito desde o período que antecedeu o início da votação.

    • joanathas Postado em 10/Sep/2014 às 21:33

      É isso ai, vamos la brasil reforma já!! sem essa reforma jamais iremos ver o combate a essas mazelas que tanto tortura nossa naçao

    • mauricio Postado em 11/Sep/2014 às 10:23

      Indígenas, quilombolas, homossexuais, prostitutas, estrangeiros, quem mais? Faça-me um favor, né?

  2. Thiago Teixeira Postado em 08/Sep/2014 às 16:47

    Será um sonho se no futuro governo, as noticias oficiais sejam publicadas somente nos blogs sujos, e as entrevistas coletivas aos jornalões sejam canceladas. Se a Globo quiser saber da nova taxa de juros, terá que entrar no PP, Tijolaço ou no Cafezinho para pesquisar kkkk. Gelo total nesse PiG safado também.

  3. Rodrigo Postado em 08/Sep/2014 às 17:03

    O sonho de Thiago é o Brasil ter apenas um mídia Petista. Nada denúncias contra o governo, nada de gastos excessivos com cartões corporativos, nada de Passaportes irregulares para parentes de Lula, afinal o PT se faz coisa errada é para o seu bem então não tem o porquê informar.

    • Thiago Teixeira Postado em 08/Sep/2014 às 17:15

      Negativo, jamais passou pela minha cabeça ter um mídia única, pois a divergência de ideias faz bem para a democracia. Minha critica está na diferença de tratamento entre governo federal e grande mídia. Diariamente o microfone da Globo, incluindo Domingos e Feriados, estão nos palácios do Governo para, obviamente, atendimento ao público. Não vemos a mídia fazendo divulgação em caráter cívico, exceto, quando o governo é obrigado a custear como propaganda federal. Alias, já votou NÃO a Reforma Política?

      • Lucas Postado em 09/Sep/2014 às 19:31

        Rodrigo, a mídia que não denuncia nada do governo já existe, ou existiu até a entrada do PT no governo. Ela não é um sonho, é uma realidade. Infelizmente! Um sonho é uma mídia que trate a notícia como notícia, indenpedente de quem esteja no poder, e não ser uma ferramente política que privilegie A ou B. Por que a mídia não fala da CPI da dívida pública brasileira também? Uma dívida que escraviza o Brasil e seu povo, consumindo mais 40% do orçamento público brasileiro. Será por que foram os militares que assumiram esse dívida com juros indecentes e FHC acabou por transforma-la num monstro devorador de nossas riquezas?

    • Sebastiao Soares Postado em 08/Sep/2014 às 19:16

      O PT já criou uma mídia alternativa p/fazer face ao PIG. Hoje se respeita sites como Brasil 247, GGN, Pragmatismo e isso é muito bom para a opinião nacional. Velha mídia cada vez perde espaço ao ser confrontada e derrotada em suas farsas.

  4. mauricio augusto martins Postado em 08/Sep/2014 às 18:29

    Como a oposição e a mídia pig tentou, eu disse, Tentou!!!, jogar nas costas do Governo Federal as "passeatas" de Junho, onde estiveram muitas Pessoas só dando um rolê, sem mesmo saber o por quê, não perdi este tempo, pois votei certo, em Gente que me Representa, e o "motivo" dos R$ 0,20 na passagem de Ônibus muito abaixo da Inflação do Período, sendo que o Movimento do Passe Livre nunca fora "Coberto" pela mídia pig provinciana, naturalmente teve "ares" de Golpe, pois tai o que "oposição", "mídia pig" e "Golpistas" "pediram", vão é se lascar todinhos pois o Tempo é o Senhor da Razão, desnudados e sem Pai nem Mãe, pois as "barrigas" de aluguel da direitona-furiosa perderam as validades, como "Presuntos" vencidos e fedorentos, colocaram-se nesta Sinuca de Bico, e vão perder não só os "Anéis", que por falta de aviso não foi, como também os Dedos na verdade os Tentáculos...maumau

  5. Gabriel Riva Postado em 08/Sep/2014 às 18:39

    Olá, sou defensor de uma reforma política desde que ingressei na faculdade de Direito (2006). Muito embora concorde com ela, acho que existe DIVERSOS questionamentos a serem feitos á este plebiscito, dentre eles: 1 - A real possibilidade de uma efetiva constituinte exclusiva, com apoio do STF para que todo o esforço não seja em vão (qualquer outra postura enfraqueceria a segurança jurídica no Brasil). 2 - Um esforço verdadeiro de movimentos da sociedade civil e amplo apoio dos partidos políticos que apoiam a causa democrática (e não apenas os da situação). 3 - Uma maior explicação de como funcionaria esta constituinte, como se participaria dela, e a garantia de que não seria dominada pelos partidos políticos, já que são justamente estes que estão em cheque na crise de representatividade. Fim dos Suplentes? Fim do patrocínio privado na campanha? Ótimo, mas é pouco. Queremos fim das aposentadorias dos parlamentares como são, fim dos benefícios exagerados, formas de sancionamento e participação direta na democracia pelo povo e pelos movimentos sociais. E justamente por todos estes motivos, o plebiscito não vingou - porque foi usado muito mais para fins eleitoreiros que qualquer outra coisa (ou porque será que todas as vezes que vi a divulgação, tinha fotos de Dilma, Lula e afins? Nossos representantes tentaram usurpar uma competência popular. e Por isso, não vingou o plebiscito.

    • Franklin Postado em 08/Sep/2014 às 21:14

      Gabriel, bons pontos. Como ter esperanças num processo que já iniciaria viciado? Como evitar que os partidos legislem pela perpetuação do modelo que aí está, sem cair em tentações ditatoriais? Não sei qual a saída. Mas vejo que a OAB tem tomado ótimas iniciativas. Outra deles é coibir o custo das campanhas eleitorais.

  6. rocken Postado em 08/Sep/2014 às 19:51

    ei li na veja a opinião da grande mídia sobre a reforma politica: "o PT sai ganhando porque tem mais deputados", o fato é que eles chegaram ao absurdo de ser contra o fim da corrupção só porque saem perdendo no financiamento publico, queria saber a desculpa deles quando eles tinha mais de 160 deputados

    • iryna flane wladyka Postado em 09/Sep/2014 às 09:48

      leu na VEJA - SABE NADA INOCENTE

  7. Ariane Farah Alvarenga Postado em 08/Sep/2014 às 21:30

    A grande mídia nos quer reféns do mundinho que eles e seus financiadores escolhem para ser visto, valorizado e indefinidamente reproduzido. Para isso usam e abusam da manipulação do marketing, ora se mostram justiceiros, ora liberais, ora grandiosos... MAS NUNCA LIBERTADORES!

  8. José Luiz Postado em 12/Sep/2014 às 08:12

    Já que pela primeira vez vejo alguém falando desse plebiscito sem muitas demagogias e propagandas, você sabe o poder que uma constituinte tem sobre um estado? Ela não só pode reformar o sistema político como também pode botar a baixo toda constituição vigente atualmente. É muito preocupante esse poder nas mão de quem quer que seja hoje no Brasil, traz uma insegurança jurídica em saber que essa reforma pode se tornar em um golpe . Existe outra maneiras de se reformar a constituição democraticamente e sem possibilidades de alterarem o regime jurídico do país. Nossa CF é uma das melhores do mundo, só precisa ser cumprida e reformada em pequenas partes, o que pode ser feito por meio de emenda constitucional. Então antes de começarem uma revolução estudem antes quais armas usar.