Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 18/Sep/2014 às 17:56
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Marina pede e justiça tira do ar inserção do Banco Central independente

Marina Silva censura crítica a Banco Central independente ao invés de defendê-lo em seu programa eleitoral. Se há argumentos favoráveis à proposta eles precisam ser mostrados para que o leitor tire suas conclusões

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Justiça tira do ar inserção sobre riscos de Banco Central independente (reprodução)

Helena Stephanowitz, RBA

O procurador-geral eleitoral, Rodrigo Janot, deu parecer favorável ao pedido da candidatura de Marina Silva para censurar a propaganda eleitoral na TV de Dilma Rousseff que critica a proposta de Banco Central independente defendida pela candidata do PSB.

Na inserção (assista aqui) é mostrado um paralelo entre uma reunião de banqueiros decidindo os rumos da economia nacional de acordo com seus interesses privados, sem controle de um governo eleito pela soberania popular, e os possíveis efeitos que pode provocar na vida das famílias, como desemprego, arrocho nos salários e aposentadorias e cortes em direitos sociais.

Janot considerou não haver conteúdo sabidamente inverídico, por isso disse não caber direito de resposta ao PSB, mas pede a suspensão da peça por entender que tem aptidão de criar, artificialmente, estados mentais, emocionais ou passionais no público, desapegados de experiência real. Antes de escrever “desapegados de experiência real”, Janot deveria olhar o que dizem os trabalhadores e desempregados gregos, portugueses, espanhóis, italianos, franceses sobre a independência do Banco Central Europeu.

Lá, a população submetida ao arrocho nem culpa mais o próprio governo de seu país, pois, mesmo trocando governos nas eleições, o arrocho continua do mesmo jeito. O povo reclama de quem manda de fato na economia dos países, a “troika” (a trinca formada pelo Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional).

A peça na TV não deixa de ser também uma versão adaptada ao tema presente do poema O Analfabeto Político, de Bertolt Brecht, repaginando o trecho em que diz “Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas”.

O parecer de Janot equivale presta um desserviço à consciência política do cidadão brasileiro, ao direito de conhecer propostas, causas, efeitos e consequências, inerente ao debate eleitoral politizado e aprofundado, como deve ser. Trata o eleitor com se fosse uma criança manipulável emocionalmente, como se fosse o próprio “analfabeto político” do poema.

Se o programa de Marina Silva tem argumentos diferentes em defesa de sua proposta de Banco Central independente, que os exponha e deixe o eleitor tirar suas próprias conclusões e fazer suas escolhas. Pior seria o cidadão brasileiro só descobrir as consequências depois que sentir na própria pele o estrago feito.

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Comentários

  1. Poliana Postado em 18/Sep/2014 às 21:38

    Eita mulherzinha louca! Não foi ela que desde o início vem pregando a brilhante-SQN-tese do BC independente?? Tá com medo do que agora? Vai ser oportunista assim na casa do #@$*&!

  2. Eduardo Postado em 19/Sep/2014 às 01:19

    USOU O JUDICIÁRIO PARA CENSURAR O SITE MUDA MAIS, agora quer censurar o programa da DILMA.... grande candidata a presidente essa da "nova política", apresente argumentos convincentes que nos provem que um Banco Central autônomo é bom para o país.... dois prêmios nobel de economia já disseram que é uma má ideia tal independência.... mas eu já sei porque isto, o BANCO CENTRAL INDEPENDENTE, vai favorecer aos bancos, e quem está por traz dela???? Podemos até ser otários, mas idiotas não.

  3. Carla Postado em 19/Sep/2014 às 06:52

    Se bem que na mão desta daí vai dar no mesmo que ser independente, ela vai entregar para o Itaú igual! Tem é que podar esta mulher, vamos derrubar ela em outubro e ela sai de vez da vida pública do Brasil.

  4. Deisi Postado em 19/Sep/2014 às 08:46

    A Tartaruga sem casco tem que voltar para floresta, mulherzinha sem escrúpulos. Em vez dela defender seu programa sobre a independência do Banco Central, ela entra na justiça para censurar um fato verídico de seu programa eleitoral. Ela como muda de idéias de acordo com as pesquisas, como não pode mudar seu programa para atender os interesses do bancos, entra na justiça para censurar. Essa é a nova política da Blablarina, Deus nos livre dessa farsa fundamentalista!

  5. Paulinho Neco Postado em 20/Sep/2014 às 01:43

    Lamentável a decisão. Isto deve ser amplamente debatido e de fato, o BC independente significa um BC livre do Estado e livre para as mãos privatistas. No mais, temos que levantar a discussão sobre a Dívida Pública Brasileira que tira 48% do PIB só para pagamento de juros da mesma para bancos e empresas. Isso que ajuda profundamente na desigualdade social e no patamar alto ainda do Indice de Gini.

  6. Rodrigo Postado em 20/Sep/2014 às 17:03

    (Outro Rodrigo) Há regras a serem seguidas, então, desrespeitadas, cabe a representação competente - equívoco, pois, atacar alguém por buscar a proteção que a norma lhe confere. Se a coligação de Dilma quer expor - o que é sempre necessário - as contradições e propostas polêmicas de um candidato (no caso de Marina: proposta de autonomia do BC e mudança repentina de postura quanto às propostas para os cidadãos LGBT - aqui onde Dilma também se esquiva, ao negar-se a apresentar comprometimento escrito), que o faça com respeito às balizas trazidas pela lei, de modo claro e fundamentado, mas não buscando instigar estados de temor, com uso de recursos publicitários, como se lhe fosse dado livremente desrespeitar normas eleitorais. Assim, pois, em que pese a redação equívoca, não há "Marina pede e TSE obedece e censura", mas sim deferimento de um dos pedidos de representação por violação à norma eleitoral - Lula e Dilma foram alvos de tantos ataques iguais, apelativos quanto a recursos publicitários destinados a instigar estados de ânimo, e sempre reclamaram, com razão, de modo a ser contraditório valorarem o expediente e reclamarem da sanção. Tenha-se a expressão da norma desrespeitada: Resolução 23.404 - INSTRUÇÃO Nº 127-41.2014.6.00.0000 – CLASSE 19 – BRASÍLIA – DISTRITO FEDERAL - Relator: Ministro Dias Toffoli - Interessado: Tribunal Superior Eleitoral: [...] Art. 5º A propaganda, qualquer que seja a sua forma ou modalidade, mencionará sempre a legenda partidária e só poderá ser feita em língua nacional, não devendo empregar meios publicitários destinados a criar, artificialmente, na opinião pública, estados mentais, emocionais ou passionais (Código Eleitoral, art. 242, caput, e Lei nº 10.436/2002, arts. 1º e 2º). Parágrafo único. Sem prejuízo do processo e das penas cominadas, a Justiça Eleitoral adotará medidas para impedir ou fazer cessar imediatamente a propaganda realizada com infração do disposto neste artigo (Código Eleitoral, art. 242, parágrafo único). P.S.: ao menos na minha avaliação, a propaganda de um certo candidato a Deputado Federal, por São Paulo, é a expressão nítida de violação à resolução, vez que apenas apresenta palhaçadas, buscando meramente estados de ânimo, mas não coerência e propostas.

  7. Ligia Postado em 22/Sep/2014 às 08:30

    Gente, será que precisa estudar muito pra entender que a Europa afundou na "crise do crédito" em 2008 e que o Brasil passou por essa de boa? PRA QUE (?!?!?!?!) cometer O MESMO "ERRO"??? Detesto a Marina Silva, psicopata. Se beneficiou da morte de Chico Mendes, e agora, de novo, se beneficiou da morte do Eduardo Campos. É absurdamente ridículo tudo isso que está acontecendo no nosso país.