Redação Pragmatismo
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Ciência 26/Sep/2014 às 12:07
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Índia gasta menos que um filme de Hollywood para chegar a Marte

Índia põe satélite 'de primeira' na órbita de Marte – coisa que outros países tentam há anos. Missão custou quase um décimo da americana e obteve sucesso mais rápido

índia marte missão
A missão da Índia a Marte foi uma das iniciativas interplanetárias mais baratas já realizadas (Pragmatismo Político)

O programa espacial da Índia conseguiu, na primeira tentativa, o que outros países tentam há anos: enviar uma missão operacional para Marte.

O satélite Mangalyaan foi confirmado na órbita do planeta vermelho na terça-feira. Um feito considerável.

A missão foi orçada em 4,5 bilhões de rúpias (cerca de US$ 74 milhões, ou R$ 178 milhões), o que, para os padrões ocidentais, é incrivelmente barato.

A sonda americana Maven, que chegou a Marte na segunda-feira, está custando quase dez vezes mais.

Em junho, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, brincou que a ‘aventura na vida real’ da Índia custava menos do que o filme de ficção de Hollywood Gravidade, orçado em US$ 100 milhões.

Mesmo os filmes de ficção científica de Bollywood, como Ra.One, custam menos que o que foi gasto para levar Mangalyaan a Marte.

Como a Índia fez isso?

Gerenciando custos

Com certeza, os custos com pessoal são menores na populosa nação de 1,4 bilhão de pessoas, e os cientistas e engenheiros que trabalham em qualquer missão espacial são sempre a maior fatia do preço da passagem espacial.

Componentes e tecnologias domésticas também foram priorizadas em detrimento das caras importações estrangeiras.

Mas, além disso, a Índia teve o cuidado de fazer as coisas de forma simples.

“Eles mantiveram o satélite pequeno. A carga pesa só cerca de 15 kg”, diz o professor Andrew Coates, da Grã-Bretanha, que será investigador-chefe da missão da Europa a Marte em 2018.

“É claro que essa complexidade reduzida sugere que a missão não será tão cientificamente avançada, mas a Índia foi inteligente ao priorizar algumas áreas que irão complementar o que os outros estão fazendo.”

Missão

O Mangalyaan está equipado com um instrumento que vai tentar medir o metano na atmosfera. Este é um dos tópicos mais quentes na pesquisa em Marte no momento, após observações preliminares sobre o gás.

A atmosfera da Terra contém bilhões de toneladas de metano, a grande maioria proveniente de micróbios, como os encontrados no trato digestivo dos animais.

A suspeita dos cientistas é que alguns organismos produtores de metano, ou metanogênicos, possam existir em Marte se viverem no subterrâneo, longe das duras condições da superfície do planeta.

Os cientistas ocidentais também estão animados de ter a sonda indiana na estação. Suas medições de outros componentes atmosféricos complementarão as medições da Maven e as observações feitas pela europeia Mars Express.

“Isso significa que estaremos recebendo as medições de três pontos, o que é muito importante”, diz o professor Coates.

Isto irá permitir que os pesquisadores entendam melhor como o planeta perdeu o grosso de sua atmosfera bilhões de anos atrás, determinar que tipo de clima o planeta pode ter tido, e se era ou não propício à vida.

Gerador de riqueza

Mas há muitas críticas a respeito do programa espacial da Índia.

Uma delas parte do princípio de que a atividade espacial é um brinquedo melhor deixado para os países ricos e industrializados, sem valor para as nações em desenvolvimento.

Para os que defendem este argumento, seria melhor aplicar o dinheiro do contribuinte indiano em saúde e saneamento básico.

Mas o que essa posição muitas vezes ignora é que o investimento em ciência e tecnologia também constrói aptidão e capacidade, desenvolvendo o tipo de mão-de-obra que beneficia a economia e a sociedade de forma mais ampla.

A atividade espacial é geradora de riqueza. Algumas das coisas feitas no espaço fazem circular dinheiro aqui embaixo. As nações industrializadas sabem disso e essa é uma das razões pelas quais eles investem pesadamente na atividade espacial.

O Reino Unido, por exemplo, aumentou drasticamente seus gastos com espaço nos últimos anos. O governo até identificou a área de satélites como sendo uma das “oito grandes” tecnologias que podem ajudar a reequilibrar a economia do país.

A Índia quer embarcar nesta tendência. Com o Mangalyaan e os outros programas de satélites e foguetes, o país está se posicionando fortemente em mercados internacionais de produtos e serviços espaciais.

BBC

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Comentários

  1. Guilhermo Postado em 26/Sep/2014 às 12:47

    Gostei! A Índia me surpreendeu. E dessa vez, positivamente.

  2. Rocken Postado em 27/Sep/2014 às 01:32

    não parece mas a verdade é de que os EUA sempre foram um lixo em ciência e tecnologia, esta noticia nao me surpreendeu,quem foi ao espaço, fez reatores nucleares e vários outros avanços primeiro foi a Russia, quem desenvolveu praticamente toda a física avançada foi a Europa, EUA só serve pra copiar, explorar e fazer propaganda, vamos viver grandes avanços com o novo mundo mais multilateral

  3. Moyses Nunes Postado em 28/Sep/2014 às 19:05

    onde estaríamos se não tivéssemos sofrido o atentado em Alcantara?

  4. vilmar calisto da silva Postado em 29/Sep/2014 às 22:51

    os EUA estar é com medo de perder na tecnologia para a índia, dai fica botando defeito e inventando que a índia deveria gastar o dinheiro, gasto na sonda com os pobres do pais... absurdo.

  5. Rodrigo Postado em 30/Sep/2014 às 15:36

    Estou visitando a Índia neste momento. Andar de carro aqui é uma aventura para loucos. Trem tem gente andando agarrado pelo lado de fora. Caos total. Acho muito improvável essa tecnologia servir para a população.