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Rede Globo 19/Sep/2014 às 17:00
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Como explicar a decadência da Rede Globo?

Com a morte de Roberto Marinho, os herdeiros terceirizaram a gestão jornalística e artística. Sem uma estrutura de comando clara, a Globo passou a ser tomada por várias disputas internas, nas quais o fator audiência foi utilizado como arma de destruição

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Rede Globo atravessa processo contínuo de decadência e perda de credibilidade desde o falecimento de Roberto Marinho

Luis Nassif, GGN

Não vou arriscar análises sobre imagem de apresentador A ou B. Como telespectador eventual do Jornal Nacional (nenhum desprezo, apenas o fato que meu eletroeletrônico diário é o computador) sempre admirei a imagem e a postura firme e sóbria de Fátima Bernardes e a discreta informalidade de Patrícia Poeta, especialmente na campanha da Copa. Quando não avança além das chinelas, o próprio William Bonner, é um senhor apresentador.

Houve desgaste recente devido à perda de rumo do Jornal Nacional, de trocar o estilo sóbrio por uma informalidade forçada e, principalmente, pela agressividade vulgar do âncora opinativo, expondo ao ridículo as imagens mais valiosas do jornalismo.

Mas esses fatos estão dentro de um contexto mais amplo, que não tem poupado nenhum setor, mais o jornalismo, também a teledramaturgia: a entropia que tomou conta da Globo, visível nas futricas da rádio corredor.

VEJA TAMBÉM: Rede Globo é obrigada a reconhecer qualidade dos médicos cubanos

A Globo está enferma, atacada pela doença do burocratismo, com grupos de influência que se organizam aqui e ali, impõem nomes, ocupam espaços e derrubam competidores.

No tempo de Roberto Marinho havia a chamada voz do dono, uma hierarquia clara, com comando, mas se reportando o tempo todo para o patrão: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Armando Nogueira, Evandro Carlos de Andrade, debaixo deles um estado maior de primeira, como Daniel Filho, Roberto Talmata, Alice Maria.

Roberto Marinho não se atinha apenas às informações internas, mas também às externas. Lembro-me de uma entrevista que fiz a respeito do Diário Carioca com o poderoso Evandro Carlos de Andrade – um dos últimos comandantes de fato da Globo – e seu receio de sofrer eventuais intrigas de Jorge Serpa, conselheiro externo de Roberto Marinho.

Com a morte de Roberto Marinho, os herdeiros terceirizaram a gestão jornalística e artística da Globo. Sem uma estrutura de comando clara, a corporação passou a ser tomada por várias disputas internas, nas quais o fator audiência passou a ser utilizado não como bússola para ajustes, mas como arma de destruição interna.

Conclusão: criou -se tal ambiente de insegurança que praticamente matou a criatividade da empresa.

Nos tempos de Boni, o lançamento da programação anual da Globo era uma celebração. Os últimos programas de impacto da Globo foram lançados inacreditavelmente por sua sucessora, uma senhora auditora com parca experiência em TV.

Depois dela, nada mais. Envelhecem os programas, os apresentadores, os repórteres. Não há um lançamento novo, uma ousadia nova.

O melhor do jornalismo televisivo da Globo foi a Globonews, última obra do talento discreto de Alice Maria.

Na teledramaturgia, o quadro não é diferente. Cadê os musicais maravilhosos, que marcaram a vida de gerações? Cadê a criatividade da programação infantil? Cadê as novelas inovadoras?

Dia desses assisti a alguns capítulos de novela e, agora acostumado com as séries norte-americanas, me espantei com o estilo de interpretação. Lembrava em muito o padrão mexicano de alguns anos atrás, com caretas, caras indignadas, olhares desafiadores, boca dura e sobrancelhas levantadas, de Sarita Montiel.

Julguei que fosse específico daquela novela. Assisti outras: o mesmo padrão.

É evidente que, com o avanço da TV a cabo e da Internet, a TV aberta experimentaria um esvaziamento. Mas, no caso da TV Globo, está sendo acelerado pela perda da seiva vital: a ousadia que aparentemente morreu quando o burocratismo se impôs sobre a criação.

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Comentários

  1. Karina BB Postado em 19/Sep/2014 às 19:16

    Além da péssima qualidade da programação, a falta de credibilidade e a mania de querer manipular o público, algumas vezes através de mensagens subliminares. Quando a globo fala a verdade ninguém mais acredita, e a revista veja está indo por esse mesmo caminho, e essa rejeição a globo é verificada em várias faixas de idade, dos novinhos aos vôzinhos.

  2. Poliana Postado em 19/Sep/2014 às 20:03

    Assim que li o título da matéria lembrei logo da morte do Roberto Marinho. Depois disso, a má administração dos seus despreparados filhos. Iniciou-se a derrocada da emissora. Nada mais salva nesse canal. Do jornalismo ao entretenimento, nada presta. A resposta está aí, se antes o JN dava 50 pontos no ibope, hoje dá menos de 20. Se suas novelas antes davam 50/60 e até 70 pontos no ibope, hoje dão 30 suados e com muito alivio do elenco. Realmente, nada salva nessa emissora que é uma praga em nosso país. Nada da grade de programação da rede globo presta. Não sei como que tem alguém que ainda perde tempo vendo suas novelas e seus programas. Até quando trazem um programa de formato americano pra cá - the voice- o resultado é sofrível. Mas é isso aí... Que continue fracassando mesmo. Ela já fez tanto mal ao país e aos brasileiros com suas manipulações criminosas, que tá mais do que na hora de abrir os olhos e ver que está perdendo todo seu prestigio e respeito junto ao grande publico. Que continue fracassando cada dia mais, e que recolha aos cofres públicos os bilhões em impostos que ela vem sonegando há anos!

  3. Leici Postado em 19/Sep/2014 às 20:33

    A tendência geral é de queda na audiência, pela competição com a internet. Antes a única opção era a televisão, hoje não é mais. Trocar apresentadores pouco ou nenhum efeito terá na audiência.

    • Stella Postado em 20/Sep/2014 às 09:09

      Concordo! Nem sei mais o que é assistir TV.

  4. Paulo Werneck Postado em 19/Sep/2014 às 23:31

    Quero mais é que ela acabe. O senhor Roberto Marinho poderia ser melhor administrador, mas não fez bem ao país. Manipulação da informação para prejudicar a decisão política da população, favorecendo os partidos e candidatos do seu agrado. Apoio escancarado à ditadura. Programação de baixo nível para as crianças, a exemplo do programa da Xuxa, que tratava as crianças como pessoas pequenas (baixinhos) induzindo-as a uma sexualização precoce. Hoje estão perdendo também a falsa elegância que tinha, apresentadora de tv mostrando o dedo para a suprema mandatária do país. Não vejo nenhum programa da Globo há muito tempo. As outras só não são tão ruins porque ainda tem menos poder. Viva a democracia da internet.

    • Marselhe Postado em 21/Sep/2014 às 14:45

      Concordo, sem contar a manipulação com relação ao futebol! Uma vergonha. Não assisto a nenhuma, nenhuma programação da rede globo.

  5. Roberto Pedroso Postado em 20/Sep/2014 às 09:16

    Não creio que devemos atribuir a queda de audiência da rede Globo ao fato de que as emissoras de tv competem diretamente com as plataformas digitais tendo em vista que enquanto a Globo perdeu audiência as outras emissoras de canal aberto subiram proporcionalmente ao mesmo índice de queda: http://www.conversaafiada.com.br/pig/2014/05/07/ibope-todas-as-tvs-crescem-so-a-globo-cai/ Ou seja, a Globo está concorrendo com as outras emissoras e está claramente perdendo a disputa por audiência. Isso felizmente, ao meu ver as pessoas talvez estejam se conscientizando mais e fartas de manipulações.

    • Rafael Postado em 20/Sep/2014 às 14:47

      Bem, eu também não gosto muito da Globo. Porém, as outras emissoras também não são santas, e quando elas querem elas também manipulam sim. Posso até estar exagerando no que eu vou afirmar, mas tem fundamento sim: as outras emissoras tem inveja do poderio que a Globo tem (ou tinha). E ademais, de onde vem o dinheiro da Record??

  6. Deisy Postado em 20/Sep/2014 às 16:59

    Sou do tempo da globo onde para melhorar a imagem colocávamos um pedaço de esponja de lã de aço, aquela de mil e uma utilidades na antena interna. Como não tinha TV colorida tinha uma tela com três cores que era adaptada sobre a tela e ficava colorido. Não tem como comparar a programação de hoje com à de 30 anos atrás, mesmo com a tecnologia digital de hoje. As novelas eram maravilhosas, seus autores desenvolviam verdadeiras obras de arte, só para citar algumas, "Irmãos Coragem" essa ficou no ar por um ano, "Selva de Pedra", "Direito de Nascer", "Sangue do Meu sangue", "Pecado Capital" e "Pai Herói". Musical o Globo de Ouro, também tinha um programa com Alcione de samba, não tinha como não ficar diante da TV. Me lembro do festival MPB 80 maravilhoso! Eu que sou da época do Roberto Marinho, chego à conclusão que a morte dele é uma das responsáveis para o fracasso que caminha essa emissora com os filhos do Marinho. Saudades! Também tinha A Grande Família, que conseguiu sobreviver com a nova versão por 14 anos. O JN se transformou em partido político, as novelas são péssimas, programa de domingo sem comentários. Eu acho ótimo o que está acontecendo com a Platinada Sonegadora! Os filhos do Marinho Merecem!

    • Luiz Carlos Crispim Postado em 21/Sep/2014 às 10:57

      Tenho visto a programação das TVs de outros países, e confesso que, mesmo que não me atenda na sua totalidade, pois, atende à interesses ideológicos de grupos capitalistas e exploradores da classe de trabalhadoes, mesmo assim, a sua qualidade no que faz, a torna imbatível. Eu gostaria de ver a Globo tematizar assuntos que não levassem ao processo de consumismo como fonte de vida, mas que fosse de encontro à realidade de nosso país, e do Continente Latino Americano, exaltando as Políticas Públicas, mas também não esquecer das Políticas Sociais. Como a TV produzida em canal aberto, ainda é de graça, percebo que aos poucos, a Globo, está se afastando desse público, enfraquecendo o conteúdo de sua carta de programação, e ao mesmo tempo melhorando a sua grade de programação nos canais de TV fechadas, praticamente, obrigando aos consumidores, a sua migração para os canais de TVs pagas. Como exemplo, de hoje, a disputa do campeonato de voley, entre Brasil e Polônia, que será exibido, no canal SporTV. A grande maioria que não tem condições de assistir, ficará a ver navios. Não nego o padrão global de qualidade, só nego a descriminação contra os excluídos.

  7. Alexandre Lisboa Postado em 21/Sep/2014 às 04:48

    Amém.

  8. Jarbas Postado em 21/Sep/2014 às 14:02

    Volto a repetir. BOICOTEM A TV GLOBO. Filhotes da DITADURA. Essa emissora nao quer o bem do Brasil.

  9. Yrae Postado em 21/Sep/2014 às 17:23

    A inclusão digital e a democratização da TV por assinatura também colaboraram com a queda de audiência da Globo. Toda vez que leio sobre o assunto lembro da aulas de Marketing e Planejamento Estratégico: a política, a economia, a demografia, a cultura e a tecnologia afetam a atividade econômica de uma organização. Como é que a Globo, com todo seu recursos humanos altamente qualificados e consultores renomados no mercado, não previu este cenário?

  10. Andre Duarte Postado em 21/Sep/2014 às 19:01

    Os programas musicais de qualidade? Acabaram! As novelas de qualidade? Acabaram! O fantástico trazia reportagens inteligentes, agora virou folhetim de baixa qualidade. O jornalismo sempre foi manipulador, vide o que fizeram com Brizola. As minisséries? estão perdendo feio até para record com José do Egito... Sem falar dos efeitos da internet - sem volta!

  11. Dulce Cabral Postado em 21/Sep/2014 às 20:49

    A Vênus platinada envelheceu ... Brasilwood não a quer mais, graças ao pai, seja ele quem for!

  12. João Paulo F. de Assis Postado em 21/Sep/2014 às 23:19

    Isto eu já faço há muito tempo. Tem quase dois anos que não ligo televisão aqui em casa. Só me informo pela Internet.

  13. Yuri Postado em 22/Sep/2014 às 13:18

    ... e já vai tarde!

  14. marcelo Postado em 01/Oct/2014 às 21:30

    Não entendo programas como Big Brother, Esquenta, Zorra Total, Domingão do Faustão etc... O que é isto ?

  15. Denise Postado em 02/Oct/2014 às 10:46

    Essa queda de audiência é usada de maneira leviana e desmedida pela imprensa. Todas emissoras de tv aberta perderam audiência. Banda larga, tv a cabo a preços acessíveis com a entrada das teles, são inumeros os fatores e certamente, qualidade não é o maior deles, apesar de influenciar. Não opino muito em relação ao jornalismo, que de fato, nunca acompanhei em tv aberta. No entanto, creio que no entretenimento houve boa renovação. Pegue apenas esse ano Meu pedacinho de chão e O Rebu. Direções impecáveis. Não chegam ao padrão das melhores séries americanas (e provavelmente nunca chegaremos, por pouca importância dada aos roteiros por anos) mas comparado com o que se via a dez, vinte anos em tv aberta, é uma evolução considerável.