Redação Pragmatismo
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Aborto 19/Sep/2014 às 16:26
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850 mil mulheres realizam aborto no Brasil por ano

Tabu: apesar de afetar milhares de mulheres e custar aos cofres públicos pelo menos R$ 142 milhões por ano, o aborto continua sendo tratado como uma questão delicada nas campanhas eleitorais e a maioria dos candidatos procura driblar o assunto

aborto brasil jandira magdalena
A jovem Jandira Magdalena, desaparecida após entrar em um carro rumo a uma clínica ilegal para realizar um aborto (divulgação)

Aborto é a quinta maior causa de morte materna no Brasil

“O aborto ser ou não legal não teria mudado a minha decisão. Só teria permitido que eu não corresse risco de vida como corri”. O depoimento é de X., de 30 anos, que recorreu, há dez anos, ao procedimento, só permitido legalmente em alguns casos no Brasil. Aos 20 anos, ela ingeriu um remédio abortivo e findou uma gravidez de cinco semanas, sozinha, no banheiro de casa. Ao longo dos dez anos em que a jovem guardou o segredo, estimativas indicam que entre 7,5 milhões e 9,3 milhões de mulheres também interromperam a gestação no Brasil entre 2004 e 2013. Apesar de afetar milhares e custar aos cofres públicos pelo menos R$ 142 milhões por ano, o aborto continua sendo tratado como uma questão delicada nas campanhas à Presidência da República, e a maioria dos candidatos procura driblar o assunto.

NEM TODAS SÃO INTERNADAS

O tabu que cerca o tema leva à imprecisão dos números. Resultados preliminares do estudo “Magnitude do abortamento induzido por faixa etária e grandes regiões”, obtido com exclusividade pelo GLOBO, mostram que, somente no ano passado, foram 205.855 internações decorrentes de abortos no país, sendo que 154.391 por interrupção induzida. Este número, no entanto, é apenas uma ponta do iceberg. As estimativas de abortos do estudo conduzido pelos professores Mario Giani Monteiro, do Instituto de Medicina Social da Uerj, e Leila Adesse, da ONG Ações Afirmativas em Direitos e Saúde, revelam que o número de abortos induzidos é quatro ou cinco vezes maior do que o de internações. Com isso, é possível calcular que o total de abortos induzidos em 2013 variou de 685.334 a 856.668. No entanto, segundo dados do Ministério da Saúde, foram apenas 1.523 casos de abortos legais (por estupro, ameaças à saúde materna e anencefalia fetal) no período.

VEJA TAMBÉM: Aborto no Brasil é crime com pena de morte

Quinto maior causador de mortes maternas no Brasil, o aborto tem um custo financeiro tão alto quanto o emocional. Repórteres do GLOBO calcularam, com base em dados do estudo, e do DataSus, quanto os governos gastam com complicações decorrentes de interrupções da gravidez — a maioria clandestina. No ano passado, foram 205.855 internações decorrentes de abortos no país — sendo 51.464 espontâneos e 154.391 induzidos (ilegais e legais). Levando em consideração que o valor médio da diária de uma internação no SUS é de R$ 413 e que as hospitalizadas passaram apenas um dia sob cuidados médicos, o governo gastou R$ 63,8 milhões por conta dos abortos induzidos. Também em 2013, foram 190.282 curetagens (método de retirada de placenta ou de endométrio do corpo), a grande maioria de quem quis interromper a gravidez. Isso teria custado um total de R$ 78,2 milhões, já que, pela tabela do SUS, cada intervenção custa, em média, R$ 411. No total, chega-se a, no mínimo, R$ 142 milhões.

NÚMERO PODE SER MAIS ALTO

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a situação pode ser ainda mais alarmante. O número de abortos pode ultrapassar um milhão de mulheres, segundo um estudo publicado em 2013 pelo braço do órgão na América Latina, a Organização Pan-americana de Saúde. Segundo o estudo de 2010, feito pela Universidade de Brasília (UnB), tido como referência pela OMS, e comandado pelos pesquisadores Débora Diniz e Marcelo Medeiros, uma a cada cinco mulheres com mais de 40 anos já fizeram, pelo menos, um aborto na vida. Hoje, no Brasil, existem 37 milhões de mulheres nessa faixa etária — de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa forma, estima-se que 7,4 milhões de brasileiras já fizeram pelo menos um aborto na vida.

— É evidente que a proibição de interromper a gravidez voluntariamente não evita que as mulheres recorram ao abortamento clandestino e inseguro, às vezes em total desespero, devido ao enorme problema que significa uma gravidez indesejada no momento — afirma Monteiro.

PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

De acordo com estudo da UnB, de 2010, o método mais comum é que a mulher comece o aborto em casa, com medicamento e vá para a rede pública fazer a curetagem.

— O aborto hoje é um problema de saúde pública e deve ser discutido pelos três poderes. Os custos e as complicações dos abortos ilegais são enormes. Clinicamente as mulheres podem ter infecções, contrair doenças que incluem a Aids, ter hemorragias que podem levar à morte e ter perdas de órgãos internos. E isso vai parar nas mãos do Estado. As pessoas vão recorrer também ao SUS — explica Sidnei Ferreira, presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj).

Segundo especialistas, além disso, o sistema público acaba precisando disponibilizar remédios para tratamentos, centro cirúrgicos (que têm alto custo) e deslocar médicos e enfermeiros.

— Sem dúvidas, se esses procedimentos fossem feitos com responsabilidade, em lugares equipados com fiscalização, as complicações seriam menores. Eu não acredito que os números de abortos aumentaria se fosse legalizado, como defende quem é a favor da proibição. O número é absurdamente alto. É preciso se discutir e achar um molde, onde o aborto não seja feito indiscriminadamente. Mas as pessoas precisam parar de morrer. Nenhuma mulher gosta de fazer aborto. É um abalo muito forte psicológico e uma dor física enorme — relata Ferreira.

COMPLICAÇÕES FREQUENTES

As complicações também são frequentes. No Rio de Janeiro, um caso chamou a atenção para o perigo das clínicas clandestinas. A auxiliar administrativa Jandira Magdalena dos Santos Cruz desapareceu em agosto após entrar num carro rumo a uma clínica ilegal em Campo Grande para fazer um aborto. Ela teria morrido durante o procedimento e a polícia suspeita que seu corpo tenha sido incendiado e esquartejado. A irmã da jovem, Joyce Magdalena, diz que já perdeu as esperanças de encontrá-la viva:

— Sou realista. Sei que ela não está mais viva. Infelizmente, a polícia não atua com rigor contra as clínicas de aborto, até porque, há policiais envolvidos. No caso da minha irmã, um policial atuava no bando.

Enquanto Jandira procurou uma clínica, X. preferiu recorrer ao Cytotec, remédio usado como abortivo, por induzir o parto em qualquer estágio da gravidez, em casa. Já Y., que descobriu que sua filha tinha um problema genético grave, cogitou tomar o remédio por conta própria, que compraria por R$ 350, ou apelar para uma clínica:

— Ainda tentando as formas legais ou seguras de fazer um aborto, fui a um especialista renomado que me disse: “espera duas semanas para fazer. Se ela não morrer naturalmente, eu mesmo faço.” Fizemos um exame e nesse dia descobrimos que ela já estava morta há uns dias. Fui para uma maternidade e usei lá o Cytotec. Senti as maiores dores da minha vida.

Carolina Castro, Danara Tinoco, Vera Araújo, Agência Globo

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Comentários

  1. Jonas Schlesinger Postado em 19/Sep/2014 às 16:46

    Ainda continuo afirmando que o brasil ainda não está preparado para esse tipo de política, da mesma forma como não está preparado para a legalização da maconha. Não é igual os Países Baixos ou Itália. Ora se o nosso país tupiniquim não tá preparado nem na educação que é primordial imagine nisso. Será que se legalizasse a mulher e o homem transariam sem preservativo só porque o aborto seria lei? Tipo a mesma mulher abortar mais de uma vez? Vai dar razão ao Vaticano que é contra a camisinha e aí vão ganhar no argumento. Por isso que praticamente nenhum candidato fala sobre isso porque é uma política distante de se concretizar e a grande maioria da população é contra. Quem é a favor deve se conscientizar que o país não é festa, pra legalizar algo assim sendo que o NÃO ganha. Enfim educação primeiro pra mostrar ao casal que trepar sem responsabilidade só causa prejuízo na mulher.

    • Fulano Postado em 19/Sep/2014 às 18:09

      Errado. Em muitos níveis. Em primeiro lugar, você trata a população como idiota dizendo que ela não está preparada, o que é um grande desrespeito com a inteligência alheia. Segundo que esse conceito - preparo - não deve ser transposto a uma sociedade inteira. É infantil e desumano.Terceiro, mesmo que aumente o número de abortos, não é essa a questão. Aumentar ou não a quantidade de abortos é irrelevante. Quarto, se a tua posição pessoal é contrária ao aborto, não o faça e seja feliz, porque é isso exatamente o que essas mulheres estão querendo. Quinto, caso você apele para os custos da saúde saiba que o custo de longo prazo de se criar uma criança indesejada são maiores e mais trágicos do que o aborto em si. Sexto, não é - ou não deveria ser - função do Estado legislar sobre o que seus cidadãos fazem com seus próprios corpos. Pensar o contrário é uma afronta contra a liberdade. Sétimo, os métodos contraceptivos falham e mesmo que não falhassem não é nossa função julgar como as pessoas fazem sexo, e sim orientar pra que façam de forma segura. Oitavo, o aborto é um procedimento muito pesado psicologicamente, nenhuma mulher gostaria de ter que fazer, se ela assim optar é porque ela realmente não estava preparada para ser mãe. O que é uma atitude mais nobre do que criar uma criança de forma despreparada. Nono, um apanhado de células que não pensam e não sentem não é um ser humano, por outro lado a mulher o é. Décimo e mais importante: aborto é uma questão de saúde pública, negar tratamento a uma mulher é uma crueldade sem tamanho. Abraços

      • Poliana Postado em 19/Sep/2014 às 20:20

        Perfeito Fulano!! Brilhante o seu comentário. Aplausos!!!!

      • Jonas Schlesinger Postado em 19/Sep/2014 às 20:26

        Certo. Mas como já disse e repito é uma política longe de ser alcançada. Falo isso porque a criminalização da homofobia (que sou a favor) é a política mais próxima de ser realizada e demorou e ainda demora em sair do papel. Na realidade eu não chamo ninguém de burro, mas as pesquisas que fizeram está aí. A MAIORIA É CONTRA. É como por exemplo proibir a burca nas mulheres em países árabes. Por isso a polêmica. E quando digo que o país não está preparado o proprio governo, candidatos à eleição e a presidente corroboram o que eu disse. Porque senão a primeira coisa que eles prometeriam era a legalização do aborto. Então meu filho esse é um tema delicado, não vai se resolver com base da canetada do dia pra noite não. Acostume-se com essa realidade haja o que houver.

      • Natalia Postado em 20/Sep/2014 às 16:50

        Concordo em nove pontos com você, só não no primeiro, acredito que ele não quis chamar a todos de idiotas, mas a maioria está despreparada, imagine só, o povo já faz a festa sem prevenção mesmo sabendo que se engravidar, não haverá outra saída a não ser se tornar pai e mãe - sendo legalizado então... Mas enfim, seu ponto de vista foi muito bem elaborado, as pessoas devem elogiar também com quem concordam, mas só vejo ataques de pessoas que tem opiniões diferentes, sou mulher e concordo com você, a maioria quer liberdade, mas nem tanta liberdade assim...

      • Marcos Vinicius Postado em 22/Sep/2014 às 12:27

        Dizer o argumento "a sociedade brasileira não está preparada" é uma tremenda enrolação! E quando estaremos preparados? Como mensurar isso? Não é por que "A MAIORIA É CONTRA" que isso não deveria ser legalizado, afinal democracia não é ditadura da maioria, até por que essa é uma questão mais das mulheres! Como diria do Dr. Drauzio Varella se o aborto fosse para homens já teria sido permitido há muito tempo e no mundo todo.

      • Fulano Postado em 22/Sep/2014 às 16:48

        Novamente você usa argumentos falaciosos. Entendo o problema da inviabilidade política de se legalizar o aborto, mas isso não é sob nenhum momento razão de despreparo. O argumento lógico não se segue nesse caso. Uma democracia não é uma ditadura da maioria, fosse como fosse, viveríamos num estado cristão e não em um estado laico. O objetivo aqui é garantir os direitos da minoria também, e nesse caso, não há paradoxo empírico, a não ser o moral - aqueles que são contra contra aqueles que são favoráveis ao aborto, mas em nenhum momento os direitos dos dois grupos seriam negados. Muito pelo contrário, a possibilidade das duas questões não contraditórias, os dois grupos poderiam tanto realizar quanto abnegar o direito ao aborto. O mesmo se diz a respeito da burca, mesmo que a maioria - considerando que seja de fato 50% + 1 - seja a favor da burca não há paradoxo e liberar outras vestimentas por parte desses países conservadores a não ser o moral. Isso significa que o país está despreparado para adotar a liberação de vestimentas femininas? Obviamente que não, até porque grande parte do progresso social foi justamente da mobilização e enfretamento dos oprimidos contra os opressores. Sejam os anti-abortitas vs. pró-escolha, sejam os fundamentalistas vs. progressistas. Abraços.

    • Juliana Postado em 20/Sep/2014 às 20:07

      "Será que se legalizasse a mulher e o homem transariam sem preservativo só porque o aborto seria lei? Tipo a mesma mulher abortar mais de uma vez?". E aí viraria uma festa né, ninguém teria responsabilidade, as mulheres engravidariam mil vezes pq ia ficar fácil, só ir alí e tirar. Né? ERRADO!!! Não é possível fazer váááários abortos porque em todo aborto há raspagem do útero, se a mulher já fez alguns, logo está com o útero mais fino, impossível de engravidar de novo, pois o útero já não "segura" mais nenhuma gravidez, não "segura" mais o feto. A mulher se torna então estéril. Se não pode mais engravidar, não poderá mais abortar. Ou seja, nunca existirá esta "festa do aborto" que os reaças tanto falam, pra no fundo barrar os direitos da mulher. Das duas uma: ou os reaças são ignorantes em biologia ou simplesmente machistas que inventam o que não é possível só pra impedir que as mulheres mandem no próprio corpo. Aliás, acho que das duas, as duas.

    • Marcelo Marques Costa Postado em 14/Feb/2016 às 12:47

      Deixa de ser estúpido. Quem é que vai transar sem camisinha pra depois ter que se submeter a uma cirurgia pra evitar uma gravidez? E ainda usa o velho complexo de vira-lata como argumento.

  2. Rafael do Bem Postado em 19/Sep/2014 às 16:59

    Depois de refletir e pensar muito, fiquei a favor! Desde que o estado não pague e que seja muito caro abortar!!!

    • Daniel Postado em 19/Sep/2014 às 18:54

      Isso mesmo. Aí só mulheres ricas abortariam. Uma ótima solução. Não tenha dúvida que isso já acontece.

    • Aluisio Postado em 20/Sep/2014 às 15:44

      Mas já é assim. As mulheres mulheres que têm dinheiro abortam em ótimas clínicas (clandestinas), as de classe média em clínicas insalubres (também clandestinas) e as mais pobres usam agulha de tricô, chás e remédio, sem uma devida curetagem, ficando refém de uma infecção e sujeitas à morte.

    • Natalia Postado em 20/Sep/2014 às 16:53

      Parabéns pela seu ponto de vista ridículo! Se só mulheres ricas abortariam, como hoje já o fazem, o que aconteceria com as pobres?! Continuariam sem assistência, pois pelo seu ponto de vista, só os ricos teriam liberdade e direito.

    • Vitor Postado em 22/Sep/2014 às 19:50

      Então, resumindo a fala de Rafael do "Bem": continuaria tudo do jeito que já está.

  3. Carol Postado em 19/Sep/2014 às 19:10

    Rafael do Bem você existe mesmo? Kkkkkk ... Complementando a resposta do Daniel... Só as ricas farão em clínicas particulares e o Estado continuará arcando com os custos das pobres que fazem nos fundos de quintais e recorrem ao SUS após as complicações... Ou seja, nada muda!!!! Continue firme amigo, você está no caminho certo lendo o site, logo logo terá um raciocínio decente...

    • Ricardo Rodrigues Postado em 20/Sep/2014 às 22:03

      Toda a gente sabe que pobre não sabe pensar, tem de ser educado, né? Pessoas como Rafael do Bem deveriam viajar, ver o vosso Brasil, mas também o resto do mundo, países "pobres" e países "ricos", expandir horizontes.

  4. Rodrigo Postado em 20/Sep/2014 às 08:25

    Estudos comprovam, desses abortos apenas 1% foi acidente, o restante quiseram transar sem camisinha ou outro método anticonceptivo e sofreram as consequências. O culpado não é só o homem que engravida, e sim a mulher sabendo que pode engravidar ou pegar alguma DST e aceitar não usar camisinha.

    • José Postado em 20/Sep/2014 às 09:33

      Posta aí uma fonte desses estudos.

    • Talita Postado em 20/Sep/2014 às 10:33

      Cadê a fonte desses estudos que comprovam isso?

    • Frederico Postado em 20/Sep/2014 às 19:50

      E estudos científicos feitos por cientistas sérios indicam que 80% dos estudos científicos feitos são, na verdade, dados inventados por alguém e repassados adiante como se fossem verdade, por serem citados como 'estudos científicos'.

    • Heloisa Postado em 20/Sep/2014 às 19:54

      Cara você existe mesmo? Tenho pena de machistas como você!

    • Juliana Postado em 20/Sep/2014 às 20:11

      "o culpado não é só o homem que engravida". Concordo, pena para os homens, igual a aplicada às mulheres que abortam. Não vai sobrar 1 nesse site...

  5. Rodrigo Postado em 20/Sep/2014 às 13:50

    Precisa de provas Talita? Ou você acha que camisinhas falham 850 mil vezes por ano? Camisinha são 99% seguras, pilula do dia seguinte 100%, se mesmo assim engravidar, comemore um novo Jesus vem ai, porque será um milagre, o restante que engravida é como eu disse, não se preveniu e engravidou. Sou a favor do aborto em caso de risco para mãe ou bebê, ou de estupro. Mas por simples negligência de alguém que só quis saber de sexo sem proteção não.Quem acha que mulheres pobres irão de deixar em clinicas clandestinas são tão inocentes quanto quem acha também que traficantes deixarão de existir se as drogas forem liberadas. como se um vendedor legalizado fosse vender maconha com impostos, com tarifas mais barata que um traficante que não precisa pagar nada.

    • Juliana Postado em 20/Sep/2014 às 20:27

      Mais realidade, menos fantasia, meu caro. Mulher casada que anda com camisinha na bolsa tem a cabeça decepada que nem tão fazendo no oriente. A UFRJ tentou fazer um projeto, no ano retrasado, de conscientização sobre sexo, corpo e saúde, com mulheres da favela de Rio das Pedras - RJ. As mulheres assistiram palestras em escolas públicas da região e ao final receberam camisinhas. Quando os maridos souberam, foram pra porta das tais escolas, com a peixeira na mão, esperando os profissionais que fizeram as palestras aparecerem. Os ameaçaram de morte se o evento continuasse. A UFRJ teve de abortar a missão. A pílula do dia seguinte, na última vez que tomei, há anos atrás, custava 20 reais, o que é bem caro pra quem ganha salário mínimo ou menos. Como não tinha dinheiro pra comprar, fui pro posto de saúde. Tive de esperar 6h para ser atendida, além das caras feias quando disse o que eu queria lá. Se eu estivesse no final do tempo em que a pílula faz efeito, poderia ter ficado grávida enquanto esperava na fila do posto. E pílula anticoncepcional não é imune à vida normal: basta pegar 1 virose e vomitar por mais de 1 dia, que a pílula já não terá total efeito. Se informe. Obs: a pílula do dia seguinte não é 100% se a mulher tomar mais de 1 em pouco tempo, tipo 2 por mês. E camisinha, acontecem vários acidentes que não são culpa do casal, como a camisinha sair durante a relação e ir parar dentro da moça, sem o casal perceber. Só percebendo tempo depois, no final da transa. E dentro da mulher, a camisinha com espermatozóide não tem qualquer efeito contraceptivo.

  6. Júlia Postado em 20/Sep/2014 às 19:29

    Ridículo pensar que se o aborto fosse legalizado o pessoal sairia fazendo sexo adoidado sem camisinha... Tsc tsc.

  7. Lucas Fonteles Postado em 21/Sep/2014 às 02:42

    Que orgulho desse pessoal que está estraçalhando os argumentos desses pobres conservadores. Aliás, essa enquadrada me fez lembrar que o próprio Mills já afirmará que nem todo conservador é parco de inteligência, mas a maioria das pessoas pouco inteligentes são conservadoras.

  8. Rodrigo Postado em 22/Sep/2014 às 11:33

    (Outro Rodrigo) Ficou extenso, mas a discussão não é simples. Em suma, argumenta-se pró-aborto: filho não planejado pode ter uma vida ruim, chegando em momento de desestruturação psicológica/familiar/econômica (abandono pelo pai irresponsável, ou pela família, eventual religião, que rejeitem a grávida); não é dado ao Estado intervir no corpo dos cidadãos; amontoado de células não é vida; a proibição necessariamente leva mulheres a morrer ou sofrer de lesões terríveis, após práticas clandestinas; se o homem engravidasse, a discussão seria diferente. Então inicio concordando que, neste último caso, realmente seria possível, o aborto sendo visto por muitos com menos restrições, infelizmente. Concordo, mais, que comumente a gestante está sozinha e irresponsavelmente abandonada pelo pai/família/religião que eventualmente siga (da gravidez ao aborto e lesões ou morte decorrentes). Contudo, podemos por em discussão conceitos como a diferença entre “conter” e “confundir-se” (a mulher conteria um ser em geração ou este se confundiria com ela?). E, também sem ironias, questionar aparente “coisificação” do nascituro e eventual apropriação dele por outrem (a mulher é proprietária nascituro?), tudo frente aos ideais inerentes à abolição material da escravatura. Questionar se, todos nós, não fomos amontoado de células e estamos bem satisfeitos com nossa vida, de modo que a pronta exclusão do nascituro, o maior interessado em viver, de processo decisório tal, não se mostraria indevida – a escolha de dois é definida por um. Questionar, pois, se não estaríamos a colocar o ser humano em situação de desvalor para com peixes, outros animais e mesmo plantas. Todos estes que têm seu processo reprodutório, sua gestação, defendida (ao que alguns podem argumentar que o ser humano não corre risco de extinção, então, alegadamente, aqui o aborto não faria qualquer diferença). E, então, pensar que temos uma responsabilidade individual, no ato sexual. Há, pois, a responsabilidade do Estado, da sociedade, da família, do pai e mesmo de igrejas, sobre a vida dos nascidos, mas também há a responsabilidade da mulher para com seu próprio corpo e saúde (não apenas gravidez advém de uma relação sem preservativo e métodos contraceptivos, mas também DSTs que podem levar a lesões/morte da mesma - se o homem é um irresponsável, cretino, se afaste dele, não cedendo a pedidos irresponsáveis e arriscados). Assim, a mulher que busca a clínica, que padeça de lesões e/ou morra, tem parcela de responsabilidade a dividir com Estado, sociedade, família, homem e eventual religião. Cada um tem sua responsabilidade e exerce sua autonomia ao escolher (abandonar a grávida/abortar). Se for, pois, acusar aos demais, deve também pesar suas escolhas, assumindo a parte da responsabilidade que lhe caiba. De tal modo é que a discussão sobre o tema deve ser ampliada. Não focando apenas no aborto como um meio de solucionar a escolha individual e o abandono (Estado, sociedade, família, homem e eventual religião), mas focando em todo um pensamento coletivo, em conceitos que precisamos rever, em prol de nossa evolução social. E, ao fim, atentar não apenas para a existência de programas de planejamento/contracepção, gratuitamente difundidos pelo Estado e amplamente em sites na internet. Mas também atentar para o fato de, ressalto, mesmo sendo contra o aborto, sei que vivo em um Estado Democrático de Direito e devo prontamente respeitar o exercício de um direito por todas aquelas que sofreram estupro, que estão sob risco de vida ou ainda em gestação de ser anencéfalo. Ampliemos, pois, a discussão.

  9. Marcone Postado em 23/Sep/2014 às 16:10

    Se fosse nós homens que engravidássemos, essa discussão já teria sido superada há séculos.Aborto seguro deveria ser um direito da mulher garantido pelo nosso estado "CatoLaico".

  10. André Postado em 24/Sep/2014 às 09:35

    Sou a favor do aborto. Em primeiro lugar a liberdade, e a mulher deve ter direito de fazer o que quiser com o seu corpo. Quem é o Estado para poder regulamentar e proibir o que a mulher faz com o próprio corpo. Se o aborto fosse feito em homens já teria sido autorizado a muitos anos.

  11. Vanessa Postado em 24/Sep/2014 às 10:41

    Como pode alguém pensar em aborto como solução! Conheço pessoas que fizeram e são mulheres traumáticas até hoje! A discussão deveria ir para a real punição de responsáveis por clínicas clandestinas e não para que a vida fosse interrompida pelo desespero... Essas meninas sabem o tamanho do risco que correm e mesmo assim optam por isso...