Redação Pragmatismo
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Guerra injustificável 12/Aug/2014 às 12:41
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EUA financiaram Estado Islâmico e agora querem dizimá-los

Documentos vazados do Wikileaks revelam que EUA armaram grupos radicais islâmicos. Bashar al-Assad tentou se aproximar de Washington em 2010 para conter a Al-Qaeda e o ISIS, mas Obama continuou financiando seus opositores

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Armados pelos EUA, militantes do Estado Islâmico conseguiram lutar em cinco frentes concomitantemente (Imagem: execução de soldados iraquianos por integrantes do Estado Islâmico do Iraque e da Síria, em 14 de junho, na província de Salahuddin | AFP)

Os Estados Unidos se recusaram a ajudar o governo da Síria a combater grupos radicais islâmicos como a Al-Qaeda e o ISIS (Exército Islâmico do Iraque e da Síria, que recentemente mudou de nome para Estado Islâmico). Além disso, segundo revelações feitas pelo site Wikileaks, o governo norte-americano armou grupos como o ISIS. Os quase 3 mil documentos sobre essa questão foram vazados pelo site dirigido por Julian Assange na última sexta-feira (08/08).

Em 18 de fevereiro de 2010, o chefe da inteligência síria, general Ali Mamlouk, apareceu de surpresa em uma reunião entre diplomatas norte-americanos e Faisal a-Miqad, vice-ministro das relações exteriores da Síria. A visita de Mamlouk foi uma decisão pessoal de Bashar al-Assad, presidente sírio, em mostrar empenho no combate ao terrorismo e aos grupos radicais islâmicos no Oriente Médio, assinala o documento.

Neste encontro com Daniel Benjamin, coordenador das ações de contra-terrorismo dos EUA, “o general Mamlouk enfatizou a ligação entre a melhoria das relações EUA-Síria e a cooperação nas áreas de inteligência e segurança”, afirmam os diplomatas norte-americanos em telegrama destinado à CIA, ao Departamento de Estado e às embaixadas dos EUA em Líbano, Jordânia, Arábia Saudita e Inglaterra.

SAIBA MAIS: Obama vai atacar Iraque para conter califado islâmico

Para Miqad e Mamlouk, essa estratégia passava por três pontos: com o apoio dos EUA, a Síria deveria ter maior papel na região, a política seria um aspecto fundamental para ações de cooperação contra o terrorismo e a população síria deveria ser convencida dessa estratégia com a suspenção dos embargos econômicos contra o país. Para Imad Mustapha, embaixador sírio em Washington, “os EUA deveriam retirar a Síria da lista negra”. Nas palavras de George W. Bush, o país fazia parte do “eixo do mal”, junto com Coreia do Norte e Afeganistão.

Apesar da discordância entre EUA e Síria quanto ao apoio de Assad a grupos como Hezbollah e Hamas, os dois países concordavam quanto à necessidade de interromper o fluxo de guerrilheiros estrangeiros para o Iraque e impedir a proliferação de grupos radicais, como a Al-Qaeda, o ISIS e o Junjalat, uma facção palestina com a mesma orientação política. Para Benjamin, as armas chegavam ao Iraque e ao Líbano contrabandeadas pelo território sírio.

Mamlouk reforçou a “experiência síria em combater grupos terorristas”. “Nós não ficamos na teoria, tomamos atitudes práticas”, foram as palavras do chefe de inteligência de Assad. Segundo o general, o governo sírio não mata ou ataca imediatamente esses grupos. “Primeiro, nós nos infiltramos nessas organizações e entendemos o funcionamento delas”. De acordo com Damasco, “essa complexa estratégia impediu centenas de terroristas de entrarem no Iraque”.

Guerra do Iraque e surgimento do Estado Islâmico

No entanto, apesar de afirmarem cooperar com a Síria para combater o terrorismo, os EUA também trabalharam para armar os opositores sírios e isso causaria um problema maior na região: a criação do atual Estado Islâmico. Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico Guardian, grande parte do armamento utilizado pelo ISIS (antigo nome do Estado Islâmico) veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios na Síria e no Iraque.

Saddam al-Jammal, líder do Exército de Libertação da Síria, outro grupo anti-Assad, também jurou lealdade ao Estado Islâmico desde novembro de 2013. Para garantir tal apoio, o ISIS mudou a sua estratégia de controle: dava autonomia a essas autoridades locais em vez de controlar diretamente a governança das cidades. Como resultado, o ISIS se expandiu e conseguiu lutar em cinco frentes: contra o governo e os opositores sírios, contra o governo iraquiano, contra o Exército libanês e milícias curdas.

O armamento começou a ser enviado para os opositores sírios em setembro de 2013. Na época, analistas davam o ISIS como terminado e a alegação para fortalecer esses grupos era a de que o governo Assad havia usado armas químicas. Para enviar as armas, o governo Obama usou bases clandestinas na Jordânia e na Turquia. Aliados dos EUA na região, como Arábia Saudita e Catar, também forneceram ajuda financeira e militar.

Ironicamente, os EUA sabem inclusive a real identidade do líder do Califado. Durante um ataque à cidade iraquiana de Falluja em 2004, os norte-americanos prenderam alguns dos militantes pelos quais procuravam. Entre eles, estava um homem de 30 e poucos anos e pouco importante na organização: Ibrahim Awad Ibrahim al-Badry. 10 anos depois, ele se tornaria líder da mais radical insurgência islâmica contra o Ocidente, segundo informações de um oficial do Pentágono.

Charles Nisz, Opera Mundi

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Comentários

  1. Pereira Postado em 12/Aug/2014 às 15:29

    Tudo bem, mas foi o que eu disse para o antimatéria la no outro post. A grana que vem dos EUA para esses grupos é oriunda da elite americana, que entre outros objetivos quer a destruição de Israel e a quebra da economia do próprio EUA. Isso não tem nada haver com o "imperialismo americano" que vocês gostam de gritar.

    • Denys Postado em 20/Jan/2015 às 08:52

      Esquecendo esse papo esquerdista de "imperialismo". Ora, a elite que quer ver Israel morto é a mesma que dá tecnologia para eles ? Ou você acha que Israel desenvolveu tudo o que tem ? (Armas Nucleares, Escudo Anti-missies, Tanques e Jatos de ultima geração)

    • Jacques Chaban Postado em 04/Feb/2015 às 13:17

      É preferível ler essa idiotice, do que ser cego. E quem é a elite americana, se não judia? Dexa de ser burro. Vai ler sobre a AIPAC, vá conhecer para não se ridículo, não ser motivo de chacota. Faça comentário com base em fatos e não em porcaria que você tirou da sua cabeça. A elite americana é judia e sionista. É ele que mantêm o estado de Israel.

  2. Antonio Palhares Postado em 13/Aug/2014 às 11:03

    Me aponta uma unica intervenção americana no mundo pós segunda guerra que tenha sido justa, equilibrada e legitiima.Todas resultaram em fiascos criminosos e genocidios e o lugar ficou pior do que estava.Criaram estes pulhas assasinos,os armaram e os financiaram para desestabilzar o governo legítimo da Síria .O mundo precisa de uma nova ordem sem os estados unidos e seus capangas europeus.

  3. Marcel Postado em 14/Aug/2014 às 10:17

    Mas a questão e que o ISIS é formado PPR lunáticos. Nenhum deles respeita diferenças. Merecem levar bpmbas mesmo.

  4. Ramadane Postado em 14/Aug/2014 às 15:44

    Meus irmaos ententam quem é agitador ?agitador é EUA,ele é inimigo,ele é que expande guerras,doenças,ódio,prostituição,e outras maldades q ocorre mas como nós somos cegos,mudos culpamos estado islamico,é ele(EUA) q cria partidos de oposição para criar guerras,intrigas.e muitos mais

  5. Maria Maria Postado em 21/Aug/2014 às 10:05

    Como é que é??? A elite americana quer a destruição do estado de Israel??? Hehehe! Se é ela que financia o terrorismo israelense, sendo composta pelos sionistas arquimilionários donos do mercado financeiro e das grandes corporações de fabricantes de armas! É justamente essa elite sionista que manda no governo norteamericano, o Obama nem pia!Tem gente aqui que precisa estudar e se informar um pouco para não dizer um disparate atrás do outro.

    • eu daqui Postado em 27/Aug/2014 às 09:30

      Certo. E entenda-se por elite americana milhões de judeus americanos da ala mais conservadora do judaísmo. Mais uma vez religião é arma de destruição e/ou dominação.

  6. eu daqui Postado em 27/Aug/2014 às 09:28

    Não acredito em teocracia do bem.

  7. Pereira Postado em 27/Aug/2014 às 10:39

    isso mesmo maria. Exemplo : George soros que é judeu e um dos lideres do grupo bilderberg(Elite americana) se esforça para derrubar Israel. Isso porque esses multi bilionários lucraram enormidades ainda maiores caso o socialismo vier a ser implantado em boa parte do mundoi. Foi o que aconteceu na URSS, famílias como rockfeller sustentavam o socialismo na URSS com um capitalismo clandestino, lucrando assim bilhões. Se a elite americana conseguir acabar com seus concorrentes, é claro que eles tomaram todo o mercado e é isso exatamente que os socialistas prometem, acabar com o "capital" através do "fim" da propriedade privada excetuando se é claro esses grupos impossíveis de se acabar(Rockfeller, ford, maccarthur etc.). Por fim restará só grupos multibilionários que, nessa utopia maluca, sustentará sozinho o socialismo no mundo.

  8. Pereira Postado em 27/Aug/2014 às 10:43

    "Isso porque esses multi bilionários lucraram " leia -se: lucrarão (futuro)

  9. Pereira Postado em 27/Aug/2014 às 10:44

    Maria. Boa parte da esquerda americana é formada por judeus, acredite, esses querem o fim de Israel. Parece tolice, mas não é.

    • eu daqui Postado em 27/Aug/2014 às 12:36

      Judeu de esquerda por ali só se forem Dylan e Lou Reed, este último já falecido.

      • Ricardo Westphal Postado em 02/Feb/2015 às 04:05

        Os judeus ortodoxos são contra a existência do Estado de Israel e a favor da restauração do território da Palestina (onde, antes da Segunda Guerra Mundial, judeus e muçulmanos coexistiam de maneira pacífica, inclusive morando nos mesmos bairros e sendo vizinhos)...

  10. sidney Postado em 20/Nov/2015 às 03:06

    Bumerangue volta...