Redação Pragmatismo
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Copa do Mundo 08/Jul/2014 às 09:14
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Por que Felipão ganha mais que Joachim Low?

Felipão ganhar mais do que técnico da Alemanha é retrato do Brasil. Veja a lista dos técnicos mais bem pagos que estiveram nas quartas-de-final da Copa do Mundo 2014

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Luiz Felipe Scolari e Joachim Low (Pragmatismo Político)

O técnico da seleção brasileira, Luis Felipe Scolari, é um treinador vencedor e tem um currículo que faz dele um dos profissionais mais valorizados do futebol internacional.

A carreira de sucesso começou quando levou o Criciúma, de Santa Catarina, à conquista da Copa do Brasil, em 1991. A partir daí, o céu parecia o limite para o técnico.

Veja também: The Guardian fala em racismo no Brasil da Copa

Felipão ganhou a Copa do Mundo de 2002. Venceu também a Copa das Confederações de 2013. Em clubes, treinou o Grêmio e o Palmeiras, conquistando por cada um deles uma Taça Libertadores da América.

Com esse currículo, teve a oportunidade de trabalhar fora do país. Comandou o clube inglês Chelsea e a seleção de Portugal. Não ganhou títulos.

Apesar do estilo de jogo defensivo e do futebol feio, ele é o técnico de mais sucesso da história recente do país.

Felipão nasceu em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. É brasileiro.

O Brasil é um país que, no processo histórico de desenvolvimento, não conseguiu se livrar das amarras da economia dependente do capitalismo internacional, não consolidou uma democracia profunda com participação da população nas grandes decisões, não universalizou a educação em todos os níveis nem democratizou o acesso à terra.

Com isso, o nosso país tem um estrutura social marcada por uma profunda desigualdade. Os processos de mudança social se deram a partir de acordos de frações da classe dominante, que impediram toda e qualquer ruptura. Os ricos são muito ricos e, os pobres, muito pobres.

Vinte mil famílias controlam quatro quintos da riqueza no Brasil, de acordo com o economista Márcio Pochmann (leia mais aqui).

Nos últimos 12 anos, a vida dos mais pobres melhorou, com as políticas de crescimento da economia, criação de empregos e valorização do salário mínimo, além das políticas sociais.

No entanto, não foram tomadas medidas estruturais para tirar de quem tem muito para distribuir para quem tem pouco. Não houve uma reforma tributária progressiva, para taxar renda, lucro, propriedade e capital.

Tanto que uma pessoa ficou milionária a cada 27 minutos em 2013. Foram novos 271 milionários por dia, de acordo com estudo do especialista em mercado de luxo Claudio Diniz. Até 2017, o Brasil terá 817 mil milionários.

A classe dominante não admite mudanças nessa área. É só observar a reação quando o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, tentou aplicar algum nível de progressividade na cobrança do IPTU no ano passado.

E o que o técnico da seleção brasileira de futebol tem a ver com isso?

Felipão é o técnico da Copa com maior salário entre os países que chegaram às quartas-de-final, à frente dos treinadores de Alemanha e França.

Qualquer país capitalista é desigual por ter um modelo econômico baseado na separação daqueles que têm meios de produção e aqueles que vendem a sua força de trabalho.

No entanto, os países do centro do capitalismo passaram por rupturas, consolidaram direitos e alcançaram um nível civilizatório que colocou limites para a desigualdade social.

No Brasil, isso nunca aconteceu.

O país que comemora que 40 milhões de pessoas saíram da pobreza e entraram na tal “nova classe média” (ou seja, alcançaram uma renda até 1500 reais) tem o técnico da Copa do Mundo mais bem pago, com 750 mil reais por mês.

Felipão tem seu valor e não tem culpa no cartório por essa situação, que tem raízes históricas no processo político e social, mas é retrato de uma sociedade profundamente marcada pela desigualdade.

Abaixo, a lista dos técnicos mais bem pagos das quartas-de-final da Copa:

1-Luiz Felipe Scolari (Brasil) – R$ 8,8 milhões

2-Joachim Low (Alemanha) – R$ 8 milhões

3-Louis van Gaal (Holanda) – R$ 6,1 milhões

4-Didier Deschamps (França) – R$ 4,8 milhões

5-José Pekerman (Colômbia) – R$ 3,7 milhões

6-Marc Wilmots (Bélgica) – R$ 1,9 milhão

7-Alejandro Sabella (Argentina) – R$ 1,8 milhão

8-Jorge Luis Pinto (Costa Rica) – R$ 985 mil

Igor Felippe, Escrevinhador. Fonte: Coluna de José Roberto Mali, na ESPN Brasil

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 08/Jul/2014 às 10:12

    Nada contra o Felipão, longe disso, mas os hipócritas vão dizer que é MÉRITO, ou quantidades de patrocínio, retorno financeiro e blá blá blá. Ninguém ousa questionar nada quanto a essa discrepância. E se fosse pastor de igreja, parente do Lula ou preto já iam dizer: "Alá ... tá roubando", "Nossa, deve estar metido com drogas", "Está roubando dinheiro dos fiéis", "Está enriquecendo com dinheiro público ...". Francamente, deve ser muito bom ser branco, católico, de direita blindado pela mídia.

  2. André Postado em 08/Jul/2014 às 11:10

    Ele ganha isso tudo pq o futebol virou um grande negócio.Se ninguém se dispusesse a pagar isso tudo a ele, teria que pedur menos ou ficaria desempregado. Porém o que me chateia não é o que ele ganha, e sim o quanto os políticos ganham, pois esses sim recebem do contribuinte.

  3. [email protected] Postado em 09/Jul/2014 às 08:25

    futebol deveria ser por produção, trabalhou bem recebeu por ele.

  4. Thiago Postado em 09/Jul/2014 às 13:25

    Algunas considerações: 1o - Parem de ser parciais, reconheçam que o país vem melhorando e não é só desde 12 anos atrás. O Lula foi ótimo, Dilma também, mas esquecer a base que o gov anterior deixou é ridículo. 2o - Futebol é um grande negócio, gera renda e diversos empregos diretos e indiretos. Salários são reflexo disso. A responsabilidade e cobrança por ser técnico da sel. brasileira justifica sim os valores. Se o téc. alemão perder na final, volta embora para uma vida normal, o téc. do Brasil, pela derrota de ontem, vai ser cobrado eternamente. 3o - Criticar salário do Felipão? Acho melhor criticar os salários e bônus de grandes corporações que recebem isenção fiscal do governo,porque indiretamente quem paga esses salários somos nós do povo.

  5. Lia Postado em 09/Jul/2014 às 14:21

    O técnico da seleção brasileira tem sempre de ganhar mais do que um técnico de uma seleção alemã porque na Alemanha, eles pagam ao Joachim Low há oito anos e no Brasil o técnico receberá salário por, no máximo, 2 anos. Vamos nos lembrar que para a Copa de 2002 tivemos 4 técnicos (Luxemburgo, Candinho, Leão e Felipão) em 4 anos. Para convencer alguém a passar o que um técnico da seleção brasileira tem de passar é preciso mesmo pagar muito bem. E como disse muito bem o André, ele não recebe do contribuinte. Além dos políticos, execrável também é quem quer se enriquecer às custas da doença alheia, como alguns profissionais de saúde e muitas indústrias farmacêuticas transnacionais. Felipão já nos deu o penta, título único para uma selação (muitíssimo menos lembrado do que a derrota de 1950 e, claro, nem vai ser mais lembrado depois do "Mineiraço"); pior é o salário altíssimo do Galvão Bueno que nunca deu ao Brasil e ao esporte brasileiro nada e não faz outra coisa a não ser surfar nas glórias de atletas como Airton Senna, Ronaldo Fenômeno etc.

  6. igor Postado em 10/Jul/2014 às 15:31

    Me poupe, ele não merece receber isso que ganha, antes das confederações ele não ganhava nada, NADA, desde 2002, fracasso após fracasso. Rebaixou o Palmeiras antes de ir pra seleção, assim como Parreira, outro que tem um passado recente de fracassos, juntou os dois, só podia dar merda né?! Esses treinadores brasileiros pararam no tempo, lá fora, muitos evoluíram e aprenderam com os erros. Desde as divisões de base até a equipe principal dos clubes e das seleções (Alemanha é um destes, desde 2002 cresceu muito em questão de clubes e estruturas de futebol e torcidas, maior média do mundo, dois dos quatro melhores clubes atuais no mundo). O Brasil não precisa mais de "felipões", "luxemburgos", "parreiras" e etc, precisa se reinventar! Que sirva de lição pra esses arrogantes, prepotentes e completamente ultrapassados em metodologia de trabalho. Escolheram esses dois pra vir pra seleção por que eles levam no lado emocional pra tentar conquistar o povo, a mídia, tentando sempre culpar o próximo, mantendo seu pragmatismo bem semelhante a forma de trabalho da mafia da CBF, mereceram tomar esse sacode, pra ver se aprendem e mudam algo de maneira relevante!!

  7. yara Postado em 13/Jul/2014 às 21:49

    Por isso que ele afundou a seleção! O salário ele já tem demais. Depois entrevista coletiva diz que vai pagar as contas! Será que são muito caro?