Redação Pragmatismo
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Literatura 23/Jul/2014 às 18:08
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Ariano Suassuna morre aos 87 anos

Morre aos 87 anos Ariano Suassuna. Escritor nasceu na Paraíba, mas morava no Recife. É autor de peças teatrais, como O Auto da Compadecida, e de romances, como A Pedra do Reino

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Ariano Suassuna morre aos 87 anos (divulgação)

Morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, o escritor Ariano Suassuna. Ele estava internado no Real Hospital Português, no Recife desde o último dia 21.

Suassuna passou mal em casa, na noite de segunda-feira (21), e foi levado ao hospital por volta das 20h, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) do tipo hemorrágico.

Às 23h, terminou a cirurgia de emergência para a colocação de dois drenos, com o objetivo de controlar a pressão intracraniana provocada pelo AVC. Desde então, o escritor estava internado na UTI Neurológica.

No ano passado, o escritor sofreu um infarto, e dois dias depois de receber alta, deu entrada novamente no hospital por causa de um aneurisma cerebral.

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Na última sexta-feira (18), Ariano Suassuna participou de uma aula-espetáculo, no Festival de Inverno de Garanhuns, no agreste pernambucano.

O escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, 87 anos, nasceu na Paraíba, mas morava no Recife.

Biografia

Em 1950, Ariano se forma na Faculdade de Direito e recebe o Prêmio Martins Pena pela peça “Auto de João da Cruz”. Tendo que lidar com uma doença no pulmão, volta a morar em Taperoá, onde escreve e monta o espetáculo “Torturas de um Coração”. Em 1952, retorna a Pernambuco e começa a advogar, no escritório do jurista e professor Murilo Guimarães, sem nunca abandonar as artes cênicas. Mas é em 1955 que Ariano escreve seu texto mais conhecido, “O Auto da Compadecida”. A história dos dois nordestinos, escrita em três atos, ganhou uma versão para os cinemas e foi traduzida e representada em nove idiomas diferentes.

Em janeiro de 1957 Ariano se casa com Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos. Nos anos seguintes, diversas de suas peças são montadas, como “O Casamento Suspeitoso” (1957), “O Santo e a Porca” (1958), “O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna” (1959), sendo a última premiada dez anos depois no festival Latino-Americano de Teatro.

Em 1959, também em companhia de Hermilo Borba Filho, funda o Teatro Popular do Nordeste, responsável pelas montagens de “A Farsa da Boa Preguiça” (1960) e “A Caseira e a Catarina” (1962), escritas por Ariano. Em 1967, torna-se membro fundador do Conselho Federal de Cultura, e em 1968, membro do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco. Em 1971, mostra seu talento na prosa, publicando o livro “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”.

Foi um dos fundadores, em 1970, do Movimento Armorial, iniciativa voltada à criação de uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro, através de expressões culturais como música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema e arquitetura. Ao longo das décadas de 70 e 80, publica inúmeras obras, como “Farsa da Boa Preguiça e Seleta em Prosa e Verso” (1974) e “Iniciação à Estética” (1975), além de escrever novos espetáculos, como “As Conchambranças de Quaderna” (1987).

Em 1994, a peça “Uma Mulher Vestida de Sol” é adaptada para televisão, sob a direção de Luiz Fernando Carvalho. Em 1999, é a vez de “Auto da Compadecida” ganhar uma versão na TV, dirigida por Guel Arraes, também responsável pela versão nos cinemas, cuja estreia aconteceu um ano depois.

Desde 1990, Ariano Suassuna ocupa a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo.

com informações de Jornal do Brasil

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Comentários

  1. Caio Postado em 23/Jul/2014 às 18:19

    Nunca ouvi falar dele na vida, mas ouvi falar mais de 30 escritores que ninguem aqui ouviu falar, pq são de agora. aeee

    • Juliene Postado em 23/Jul/2014 às 18:26

      Ahm? Não assistiu "Auto da Compadecida"?

  2. Thiago Postado em 23/Jul/2014 às 18:29

    Por acaso ti lê?? Se sim, como nunca ouviu falar de Ariano Suassuna?? Em que mundo tu vive rapaz?!

    • José Ferreira Postado em 23/Jul/2014 às 21:36

      No mundo da Rede Globo, só se for. Se bem que foi a Globo que levou o "Auto da Compadecida" para o cinema e para tevê.

      • Alan Braga Postado em 24/Jul/2014 às 15:26

        A Globo adaptou mais de uma obra dele, na verdade. O Santo e a porca; "Pedra do Reino"; A Farsa da Boa Preguiça. Em especiais e microsséries através dos anos. Porque a Globo - a despeito de qualquer opinião pessoal - também tem Guel Arraes, Luiz Fernando Carvalho etc. Em todo caso, a maioria dos especiais foi adaptação de peças teatrais que, a princípio, também não cabem apenas no mundo dos livros. Então, seja lá com quem estiverem falando, este vive longe do mundo cultural em geral.

  3. Carla Lima Postado em 23/Jul/2014 às 18:33

    Já li pelo menos 3 livros e duas peças de Ariano, os quais gostei bastante.. assim como o movimento armorial... Entretanto não esqueço o apoio e elogios que Ariano fez a Eduardo Campos, dos maiores Coronéis do Estado de Pernambuco.. Podia ter ficado só na arte.. Pois pra política, tinha a mente antiga não negando a ascendência.. filho e neto de coronel.

  4. Domingos Postado em 23/Jul/2014 às 22:44

    Caro Caio, o Ariano Suassuna é escritor, dramaturgo e fez parte da acadêmica Brasileira de Letras ... Não o culpo de não o conhecer já que infelizmente nosso país só dá exposição a sub-cultura. Esse homem é simplesmente um dos pilares da nossa brasilidade ...

  5. Selton Postado em 24/Jul/2014 às 18:09

    Esse ano está difícil... Gabriel Márquez se foi, agora o Suassuna!