Redação Pragmatismo
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Homofobia 06/Jun/2014 às 11:29
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Site revela dia a dia de mulheres trans

Projeto mostra o cotidiano de mulheres trans: "Aqui elas são vistas e ouvidas como qualquer outra pessoa que tem seu cotidiano e estabelece naturalmente sua relação com o mundo"

renata peron além do gênero
Renata Peron (Foto: Além do Gênero)

Transexuais e travestis não são estereótipos. São pessoas, com personalidades, sonhos e histórias de vida diversas e ricas, e merecem não só respeito mas o direito de serem vistas como pessoas acima de tudo. Esse é o pensamento do coletivo Além, que se unem à luta pelo respeito à diversidade e criaram o ensaio político-poético“Além do Gênero”.

Leia abaixo o depoimento de Renata Peron, cantora paraibana de 34 anos. Para mais histórias, acesse Além do Gênero.

“Sou Renata Peron, tenho 34 anos, vim da Paraíba, sou guerreira e militante. Sou cantora de música popular brasileira, sou uma mulher transexual. Viver como mulher transexual nesse país é uma luta diária, o preconceito ainda é muito grande, e o pior é o preconceito velado, onde as pessoas não falam mas te olham e te criticam. Você precisa ter uma força interior muito grande pra não pirar. Falta amor nas pessoas. Está difícil conviver em harmonia, mas estou tentando, assim como muitas amigas minhas.

Me entendo como transexual há muito tempo, mas tive que viver escondida no corpo de um rapaz sem assumir minha transexualidade, pois achava que sendo assim eu ficaria protegida das agressões e das violências. Segurei minha onda até 2007, quando fui agredida por 9 rapazes e acabei perdendo um rim. Aí percebi que não adiantava me esconder, muito pelo contrário, tinha mais é que abrir as portas de dentro de mim para a Renata sair.

Toda pessoa tem o direito de ser quem ela é, e o estado tem que proteger esse direito. Lutamos pela busca de uma política de inserção para as travestis e transexuais na área da saúde, da educação, do trabalho, do entretenimento.

A ideia retrógrada de que travesti só pode estar na rua sendo prostituta é culpa da própria sociedade. Nós é que deixamos essas meninas à margem quando a gente não aceita contratá-las, quando não aceitamos fazer um treinamento com elas, quando não aceitamos elas da forma como elas são e tentamos modificá-las. Não adianta contratar uma travesti porque ela é limpinha, porque é educada, porque sabe se comportar.

São muito mais travestis que não têm esses perfis do que as que têm. Então vamos pegar apenas as meninas que estão moldadas? E as que nao estao moldadas, o que podemos fazer? O que fazer pra ajudar essas meninas que não têm leitura, que não foram pra escola, que querem largar a vida da prostituição mas não largam porque ninguém chega perto. O que podemos fazer?”

com informações de Me Representa

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 06/Jun/2014 às 12:11

    A afirmação do final da matéria não está muito coerente, como praticar prostituição sem se chegar perto???? Agora, as afirmações não podem ser generalizadas como não podem nos casos das mulheres femininas, pois tudo é questão de capacidade e de oportunidades, oportunidades estão sendo criadas dia a dia, como nunca foram criadas em nosso país, agora capacidade cabe a cada uma correr atrás enfrentando a timidez, a aparência pessoal, e colocar em prática os dons que Deus nosso pai nos deu. A vida é feita de desafios e opções e num país onde os conservadores vivem rondando o poder, faz com que os desafios de alguns sejam mais penosos que de outros, mas tá caminhando para mudar, e já está mudando é só comparar o que existia há 10 anos atrás com o que há hoje em dia. Nós, acho eu, nascemos para sermos felizes, e para isto não tem manual de fábrica.

  2. José Ferreira Postado em 06/Jun/2014 às 21:03

    O Renato arrancou o passarinho e se diz mulher. Mulher, nunca será, pois o XY permanecerá. O resto é coisa de quem não quer se aceitar como homem e vive essa vida de ilusão, a achar que um dia se tornará uma mulher. E o pior é que estamos aos poucos a ser obrigados a aceitar esse tipo de comportamento como se fosse normal, tenho até medo da próxima "sexualidade" que vão inventar.

    • Eduardo Postado em 07/Jun/2014 às 00:27

      José é normal sim, assim como é normal nossa opção por ser hetero, de outros ser homo, e outros BI, a opção transexual é normalíssima tendo em vista que trata-se de opção pessoal, e como tal tem que ser respeitada assim como queremos que nos respeite em nossas opções.... podemos até pensar o contrário, mas isto só intolerância, pois como disse e afirmo é opção pessoal.... e que sejamos felizes com nossas opções respeitando a dos outros.

      • José Ferreira Postado em 07/Jun/2014 às 15:55

        Então eu vou virar uma Girafa, já que agora é tudo "opção", quando me cansar, eu viro o Michael Jordan e vou fazer umas cestas...

      • Eduardo Postado em 08/Jun/2014 às 00:18

        Meu amigo e quem disse que você não pode ser uma Girafa, pode sim, você pode ser o que você quiser, a escolha é sua, desde a criação do mundo.... o LIVRE ARBITRIO... só que toda opção tem seus bonus e seus onus, mas preconceito não é onus para ninguém.

      • cacau Postado em 08/Jun/2014 às 16:37

        José Ferreira, tu é muito tolo!

    • bernardo Postado em 07/Jun/2014 às 18:39

      José ferreira vire um monte de barro como seu deus o criou. Guarde seus comentários preconceituosos e ignorantes para si mesmo.

      • José Ferreira Postado em 09/Jun/2014 às 08:42

        Eu sou agnóstico, e estou a entender que você quer que eu morra... Entre na fila.

    • Cacau Postado em 08/Jun/2014 às 16:35

      Racista! Espere até teu filho assumir...Tolinho!

      • José Ferreira Postado em 09/Jun/2014 às 08:44

        Racista??? Transexual é raça agora? Será que vão querer cota também?

  3. Fabiano Postado em 07/Jun/2014 às 16:40

    José, acho que seria fantástico você ter a liberade de ser o que quiser... acho que é esse o ponto.

    • Eduardo Postado em 08/Jun/2014 às 00:03

      seria não, é fantástico a gente ter liberdade plena, com responsabilidade.... esse é o sonho de todos, mas de difícil alcance devido aos entraves conservadores, onde o que sempre vale é a "NOSSA" opinião, mesmo que esta venha ferir o direito alheio....

  4. Sarah Postado em 07/Jun/2014 às 17:03

    A opção de uma pessoa transexual é passar pela mudança de gênero ou não, mas a transexualidade per se não é uma opção, é uma condição natural e provavelmente de causa genética. Ninguém passa por um processo longo e sofrido por opção, mas sim porque tem a certeza de que esse processo é necessário. E quanto a questão do gentótipo, bem, há pessoas intersexuadas que têm órgãos sexuais tanto masculinos quanto femininos e podem apresentar genótipos variados (até mesmo combinações diferentes de XX ou XY), além disso já foi diagnosticado um caso de uma pessoa que tinha dois códigos genéticos diferentes. Nos humanos o genótipo é fator determinante do fenótipo de 95 a 98% dos casos, mas existem esses 2 a 5% em que isso não ocorre, que são justamente os casos de transexualidade e intersexualidade. Enfim, é praticamente consenso entre especialistas (de geneticistas a psiquiatras e psicólogos) que a determinação do gênero (fenótipo) é algo bem mais complexo que a determinação do sexo biológico (genótipo). A questão é tão complexa que em outras espécies existem casos de transexualidade natural, em que o animal muda de sexo por conta própria dependendo das circunstâncias. Como a maioria das pessoas não tem conflito entre seu genótipo e fenótipo elas não pensam muito sobre isso, então é natural que elas achem estranho e até duvidem que possam existir fenômenos como a transexualidade e intersexualidade. Mas eles existem.

    • Eduardo Postado em 08/Jun/2014 às 00:14

      Dona Sarah existem livros e já li alguns por curiosidade de entender um pouco a respeito do assunto, e o que a senhora diz é real, mas na minha opinião enquanto cidadão, político, livre, e já um pouco vivido, continuo afirmando, sendo genético ou não, continua sendo opção pessoal, assumir a tendência sexual que quiser. Afirmo que se para ser feliz o preço for encarar os preconceitos, os olhares curvos, as condenações injustas e até invejosas pela falta de coragem de assumir sua sexualidade, sua forma de se sentir completa, parabéns para todas trans, repito por genética ou não, sejam felizes pois a vida é muito curta para ser vivida pela metade.