Redação Pragmatismo
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Copa do Mundo 25/Jun/2014 às 18:29
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Mídia internacional muda o discurso sobre a Copa do Mundo no Brasil

Após prever fracasso, imprensa internacional muda tom sobre Copa do Mundo no Brasil. Na véspera da Copa, meios de comunicação estrangeiros apostavam em um “caos” durante o evento

Após os protestos anti-Copa, as greves dos metroviários, dos motoristas de ônibus e dos policiais ao redor do país, um correspondente da Al Jazeera no Brasil escreveu no dia 1 de junho que “nada iria mudar radicalmente nos próximos 12 dias”. O prenúncio do desastre continuou sendo sustentado por veículos e agências internacionais, que mantiveram o tom apocalíptico até o primeiro batuque da abertura da Copa do Mundo, no Itaquerão. Mas o tratamento mudou.

Para o New York Times, as premonições catastróficas deram lugar a “soluços menores” e o coro do pessimismo em escala mundial foi rapidamente substituído por uma grande euforia coletiva – fenômeno descrito pelo Le Monde como o “milagre brasileiro”.

Nos últimos meses, houve uma série de preocupações que permeou a imprensa internacional. Sobre a organização do evento, previa-se que os estádios não estariam prontos, os movimentos sociais “ameaçariam” o andamento dos jogos e os transportes estariam caóticos. Até a escassez de água em São Paulo foi motivo de apreensão para alguns veículos, enquanto outros questionavam o efeito das altas temperaturas da Amazônia e as suas consequências para os jogadores europeus.

Segundo o jornal alemão Frankfurter Allgemeine, o que os brasileiros estavam realmente ansiosos era por “um Brasil melhor”.

No dia 30 de maio, o próprio NYT lançou um vídeo com cenas que – segundo o jornal, são consideradas fortes – sobre a violência no Rio de Janeiro dias antes da Copa, colocando em xeque a insegurança da cidade em tom crítico e alarmista. No início daquele mesmo mês, as embaixadas de países como EUA, Alemanha, Reino Unido e Austrália enviaram guias sobre o Brasil para seus cidadãos que viajassem ao evento. Com foco na segurança, as cartilhas forneciam dicas de como “sobreviver” ao país tropical, trazendo alertas peculiares, como quanto às explosões em bueiros e cuidado com macacos e morcegos. Mas como esse pessimismo deu lugar à euforia?

Chamemos isso de “milagre brasileiro”, define o Le Monde ao longo de um texto escrito no último dia 21 de junho. Nele, o jornal francês reforça que a catástrofe anunciada não aconteceu.

Apesar de problemas logísticos e do atraso, o Brasil “organiza um Mundial à sua maneira: desordenado e simpático, despreocupado e receptivo”, define.

Na verdade, a análise dos correspondentes franceses segue a mesma linha de uma reportagem publicada pelo NYT quatro dias antes. Intitulada “As previsões do juízo final dão lugar a soluços menores no Brasil”, a matéria muda o tom negativo abordado anteriormente pelo veículo e reconhece que o funcionamento dos estádios e do transporte público merece uma avaliação positiva.

“Em geral, as condições para a maioria dos jogos têm sido excelentes. Em cidades como Natal e Salvador – onde os campos foram agredidos com chuva excepcionalmente fortes – foi comprovada a qualidade dos sistemas de drenagem. Em última análise, esta é a prioridade mais importante, pois são os jogos que geralmente definem o legado histórico de um evento”, afirma o correspondente do jornal norte-americano Sam Borden.

Para o jornalista, a Copa do Mundo tem problemas razoáveis para qualquer evento gigantesco. Exemplos não faltam para comprovar que não se trata de um fenômeno exclusivamente brasileiro. Borden relembra que nos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, na Rússia, houve diversos atrasos e até falta de hotéis, que não ficaram prontos a tempo. No mesmo sentido, os Jogos de Verão de Atenas, em 2004, tiveram greves de trabalhadores e contratempos na infraestrutura. Deslizes aconteceram até mesmo no Parque Olímpico de Londres, que não estava pronto uma semana antes da cerimônia de abertura, em 2012. No ano passado, o próprio Superbowl atrasou quase uma hora em New Orleans em virtude de um apagão.

Em mudança de tom, a The Economist elogia os aeroportos brasileiros em reportagem publicada no último dia 18: apenas 6,5% dos vôos atrasaram ​​no primeiro fim de semana de competição, bem abaixo dos 15% considerados aceitáveis ​​pelos padrões internacionais, ressalta o veículo inglês. Apesar de citar as queixas da população sobre o gasto bilionário do evento, que devia ter sido melhor destinado a serviços públicos, a The Economist dá destaque a um entrevistado que estima que tais investimentos não teriam acontecido de qualquer maneira e fecha a reportagem com a frase: “Com a Copa do Mundo, pelo menos, há a festa”.

Na mesma linha, o correspondente Andy Hunter, do britânico Guardian, relata em um diário suas impressões positivas durante uma semana no país e diz estar apreciando sua viagem para o Brasil. Em Fortaleza, o jornalista inglês elogia as praias e questiona: “Como eu posso dizer isso sem dar ao meu chefe uma impressão errada?”. Em Cuiabá, Hunter revela ter se impressionado com a “paixão” dos brasileiros pelo futebol: “o fanatismo pela Seleção é extraordinário. Todos, independentemente da idade, sexo ou profissão, estão vestindo amarelo ou verde e estão reunidos por sua paixão para a equipe nacional”. Já em Brasília, o jornalista define o estádio Mané Garrincha como “magnífico”.

Apesar de já terem sido eliminados na primeira etapa do Mundial, os espanhóis do El Pais não focaram em expressões pejorativas ao Brasil como fizeram alguns veículos locais. Ao contrário, publicaram no último fim de semana a análise de uma jornalista brasileira residente em Madri que relembra os 50 anos do golpe militar e faz uma relação entre a importância do futebol de Sócrates na transição democrática, legitimando os movimentos sociais, sem exacerbar um tom alarmista sobre seus efeitos nos jogos.

Apesar de parte das críticas dos jornais internacionais terem tido fundamento, a histeria coletiva dos pessimistas só serviu para exportar o complexo de vira-lata do brasileiro. Contudo, uma coisa talvez seja certa: a baixa expectativa ajudou a surpreender na medida em que os jogos vão acontecendo e todo o alarmismo não passou de uma “marolinha”.

Opera Mundi

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 25/Jun/2014 às 18:46

    Cadê a gale do "IMAGINA NA COPA?". Certamente preparando o discurso após a Copa ...

    • Denise Postado em 25/Jun/2014 às 19:49

      Pois é! Botaram a viola no saco!

    • Celio Bernstein Postado em 25/Jun/2014 às 22:19

      Ou estão pensando em algo como "IMAGINA NAS OLIMPÍADAS".

  2. Manuel Postado em 25/Jun/2014 às 20:06

    A Direita VIP é que ainda tem complexo de vira-lata. Alguem imagina a direita francesa xingando seu presidente aos olhos do mundo?

  3. Raquel Postado em 25/Jun/2014 às 20:09

    Concordo que essa está sendo uma das copas mais alegres que estou vivenciando! Há muita coisa para ser melhorada no Brasil, mas nós brasileiros precisamos nos amar mais e lutarmos pelos nossos direitos. Voltando ao assunto, vamos trocar o "Imagina na Copa" por "Vamos aproveitar o momento" :)

  4. Rege Tigre Postado em 25/Jun/2014 às 20:50

    Falando de futebol mesmo eu to adorando a copa!

  5. fabio Postado em 25/Jun/2014 às 21:11

    nao vi nenhum jogo. continuo feliz.

  6. testemunha binocular Postado em 25/Jun/2014 às 23:36

    Estou cada vez mais convencido de que todo anti-petista é um idiota manipulado pela "grande imprensa"...

    • luiz guedes Postado em 26/Jun/2014 às 08:57

      Eu concordo com você testemunha binocular,porém,não podemos negar que a pior e mais perigosa manipuladora,que não mede esforços para atacar o PT a Rede Globo,só não colocou sua equipe de jornalistas ( não os esportivos e sim os investigativos ) para denunciarem toda e qualquer fragilidade do evento, porque ela está ganhando muito dinheiro com os comerciais.Não é verdade?!

    • Messias Postado em 03/Jul/2014 às 18:28

      #Sou um idiota

  7. Oliveira Postado em 26/Jun/2014 às 09:03

    E que isso seja a lição para contribuir na melhora das outras questôes reivindicadas pelos pessimistas.

  8. manú Postado em 26/Jun/2014 às 09:42

    o brasileiro e um povo feliz, alegre e receptivo o que falta e valorizar o nosso pais, governantes que realmente veste a camisa verde-amarela ! quem vem aqui fica impressionado com a beleza e a recepção brasileira . espero que a copa termine com saldo positivo e que nas olimpiadas seja melhor !

  9. Deisi Postado em 26/Jun/2014 às 13:21

    Eu como brasileira, que amo meu país, faço reverencia, a copa dos gols, dos estádios cheios, dos turistas copeiros que vieram se divertir, entraram no clima, estão contagiando os brasileiros com sua alegria e paixão pelo futebol. Os resultados surpresa, Eliminação de Espanha, Inglaterra e Itália; a grata surpresa de Costa Rica, Uruguai da superação, (pena a mordida de Luiz Soares), o futebol da Holanda.A previsão de convulsão social, caos, greves, manifestações conduzidas pele geração facebook, por ora ficaram em 2013; o terror em relação ao Brasil, ficou no terreno da ficção do PIG. Os brasileiros se abriram em massa ao mundial, ao contrario das previsões, as cidades estão cheias de turistas, hotéis lotados, festa de todos os povos. É lindo ver a festa de alemães, russos, 100 mil argentinos em Porto Alegre, um sucesso. A mídia nacional e internacional jogaram contra o Brasil, felizmente se rendem, nós somos capazes, a perda do rumo do jornalismo nacional, está na dificuldade de superar disputa politica, todos factoides viraram pó. A vitória não é individual do governo do Lula e Dilma, é sim uma união de milhares de pessoas, em todos níveis, federais, estaduais e municipais, e também o povo que não padece da contaminação da doença viralatismo..

  10. Eliana Postado em 26/Jun/2014 às 21:27

    Estou aguardando o pós Copa...!

  11. Adilson Postado em 30/Jun/2014 às 18:08

    A verdade é que a mídia internacional foi influenciada pelos vira-latas da imprensa brasileira que ficaram dia e noite pregando o caos na copa. Mas a mídia internacional agora viu o que dizemos há tempos, de que a imprensa brasileira é golpista e trabalha para o capital financeiro nacional e internacional para prejudicar o Brasil.

  12. José Ferreira Postado em 26/Jun/2014 às 09:31

    "Pena que depois do dia 13 de julho tudo volta ao normal e aí virá o choque de realidade" Por isso já dá para dizer que a Copa do Mundo é um Brasil de faz de conta. Se a tal copa funcionou, por que não funciona a saúde, a educação, a segurança pública, o Congresso Nacional. Pena que o "Padrão FIFA" esteja apenas nos estádios e no que interessa para a Copa.