Redação Pragmatismo
Compartilhar
Direita 19/May/2014 às 17:21
39
Comentários

A guinada conservadora de roqueiros dos anos 80

Por que roqueiros dos anos 80 se tornam neoconservadores? O paradoxo para essa geração niilista e hedonista herdeira do trauma da cultura hiperinflacionária é que o fim do mundo não aconteceu

Fazendo caras feias e rostos vincados, roqueiros dos anos 80 se zangam e protestam dizendo que 30 anos depois, nada mudou no País. Artistas e bandas de rock que na década de 1980, inspirados no punk e pós-punk, se opunham ao regime militar e reivindicavam pelas Diretas Já e democracia. Hoje, queixam-se para uma mídia ávida por declarações conservadoras não só contra o Governo, mas contra a própria instituição da Política e dos políticos. Por que só depois de 30 anos descobriram que o País “só patina ou piora”? Oportunismo em meio de carreiras em declínio? Forma de ganhar visibilidade midiática adotando o neoconservadorismo? Talvez a explicação não seja tão simples: por trás do niilismo e pessimismo fashion desses roqueiros talvez exista a repetição do trauma de uma geração que cresceu sob o impacto da cultura hiperinflacionária dos anos 80. Presos a essa cena de décadas atrás, de contemporâneos tornaram-se extemporâneos.

Em foto promocional do 18° discos dos Titãs, o grupo posa com caras de maus e vestidos de preto sobre lambretas. “São as caras feias de um Brasil que, vira e mexe não muda”, dá legenda o jornal O Globo. E na matéria o guitarrista (e colunista do próprio jornal) Tony Bellotto, 53, fuzila: “é uma merda pensar como o Brasil há 30 anos ou patina, ou piora”. É recorrente a leva de roqueiros dos anos 80 como Lobão, Roger, Dinho Ouro Preto, Léo Jaime entre outros que não só desfilam opiniões catastrofistas e de descrédito não só ao Governo Federal, mas em relação à própria instituição da Política em redes sociais e grande mídia.

lobão roger

A ânsia em se portarem como críticos politicamente incorretos algumas vezes beira ao protofascismo como no episódio da “pegadinha” do colunista da Folha Antônio Prata que, simulando ter aderido ao neoconservadorismo, escreveu sobre uma suposta conspiração de “gays, vândalos, negros, índios e maconheiros” no Brasil do PT. O roqueiro Roger do “Ultraje a Rigor” caiu na “pegadinha” e no twitter congratulou o articulista por “ter culhões”. Roger não entendeu a ironia, na ansiedade de fazer parte da onda neoconservadora na grande mídia.

Em todos esses roqueiros sobreviventes dos anos 1980 dois traços em comum: a carreira em baixa por não conseguirem se reinventar e a paralela conquista de espaços na grande mídia como colunistas de revistas e jornais, repórteres de programas vespertinos como Vídeo Show da TV Globo, banda de apoio a talk showsde stand ups neoconservadores ou jurados de reality show musicais. E os espaços alternativos que ganham na grande mídia crescem na proporção direta em que se expõem como estrelas neoconservadoras que participam da grande editoria que unifica a todos: “o Brasil é uma merda!”.

Para quem foi contemporâneo dessa geração como esse autor que traça essas linhas, é a princípio surpreendente esse posicionamento neoconservador. Uma geração cujas bandas participavam de programas alternativos de TV como Perdidos da Noite (1985-89) de Fausto Silva ou Fábrica do Som (1983-84) do vídeo maker Tadeu Jungle onde exibiam músicas furiosas e discursos críticos contra a ditadura militar e reivindicações viscerais pelas Diretas Já e a democracia na Política.

O que é marcante nesse discurso neoconservador é não só o ódio pelo PT, mas, principalmente, a descrença niilista da própria instituição da Política e da representatividade partidária pela qual reivindicaram há 30 anos.

Como explicar essa guinada ideológica de artistas e bandas de rock que, embalados pelos ventos do punk e pós-punk que sopravam da cultura pop, usaram essa força estética para protestarem contra o regime autoritário e a restrição a eleições diretas para presidente? E também como explicar por que só depois de 30 anos descobriram que o Brasil “ou patina, ou piora”?

Oportunismo? Artistas decadentes que procuram um lugar ao sol da grande mídia conservadora quando veem que suas carreiras estão em declínio? Acredito que a resposta talvez não seja assim tão simplista, mas resida no perfil psicocultural de uma geração que cresceu sob o impacto da hiperinflação da década de 1980

A cultura da hiperinflação

Ainda está por ser escrita uma história do legado que a cultura hiperinflacionária desse período deixou como mácula para toda uma geração. E essa história poderia começar a ser escrita a partir da forma como os expoentes artísticos dessa geração se entregam atualmente e de forma tão voluntariosa à onda neoconservadora e retrofascista que está em crescimento no País com linchamentos, ódio, intolerância e a sedução por “soluções finais” do tipo “golpe militar” ou “colocar uma bomba no Congresso”

A Nova República que se instalou no Brasil no início de 1985 deveria ser o princípio de uma transição democrática com o fim do regime militar. Mas o resultado foi que o País chegava a 1990 com inflação de 82% ao mês e aos inimagináveis 4.922% ao ano. Na atualidade, jovens na faixa dos 20 anos não conseguem imaginar o que era em um país onde o dinheiro que se tinha só dava para comprar a metade do que se poderia adquirir 30 dias antes.

O overnight (aplicação financeira que rendia taxas de juros diárias, e não mensais como habitualmente acontece hoje em dia) que acabou virando referência para o aumento dos preços virou o símbolo de uma cultura do “salve-se quem puder”, da ausência de expectativas em relação ao futuro e do viver cada dia como se fosse o último.

Partindo dos estudos das relações entre cultura e inflação feitas pelo cientista político Elias Canetti, Bernd Widdig no seu livro Culture and Inflation in Weimar Germanypropõe um interesse enfoque cultural do dinheiro ao propor uma “semiótica da cultura inflacionária”. Tomando como objeto de análise a histórica hiperinflação da Alemanha no período entre guerras ela vai afirmar que a linguagem do dinheiro é o mais importante medium através do qual a sociedade moderna se comunica. O que acontece quando esse medium perde a confiabilidade e parte-se em pedaços? Que espécies de ansiedades são criadas? Quais energias antes ocultas são liberadas?

Canetti no seu curto ensaio Inflation and The Crowd discorre sobre três dinâmicas culturais inter-relacionadas: a circulação, massificação e depreciação como componentes de um sentimento geral de degradação de si mesmo: quanto maior a aceleração da circulação do dinheiro, mais se incrementa o sentimento de massificação (efeitos de manada, pânico etc.) e tanto maior a depreciação não apenas monetária, mas do próprio indivíduo e do futuro, criando uma razão cínica niilista e hedonista.

Por isso, na crise hiperinflacionária acaba-se criando uma paradoxal convivência de perdedores, poderosos, luxo e ostentação, um mix traumático que acabou produzindo na Alemanha tanto as vanguardas artísticas como o nazifascismo.

Dez anos a mil

No Brasil, psicanalistas como Jurandir Freire Costa em seu texto Narcisismo em Tempos Sombrios de 1988 fazia um diagnóstico do que ele chamou de “pânico narcísico”: o fortalecimento de uma cultura da razão cínica marcada pelo niilismo (a negação do futuro) e hedonismo (a busca de um eterno presente de prazer imediatista e descompromissado). A hiperinflação corroía todas as esperanças de que a transição para a democracia naturalmente levaria o País para o melhor dos mundos.

A poética das bandas de rock dos anos 80 reflete esse cinismo em relação ao futuro em versos como “é melhor viver dez anos a mil do que mil anos a dez” (Décadence Avec Élégance do Lobão) ou “devemos nos amar como se não houvesse amanhã” (Pais e Filhos do Legião Urbana) ou o niilismo do Barão Vermelho em Ideologia.

O Punk e o pós-punk chegam atrasados no Brasil (a virada punk dos Titãs com o disco Cabeça Dinossauro ocorre dez anos depois da explosão pop dos Sex Pistols). A estética “No Future” ou “DIY” (Do It Yourself – faça você mesmo) do punk é despolitizada e incorporada à atmosfera sombria de descrença em relação ao futuro e das próprias instituições políticas: “Ladrão por ladrão, vote no Faustão”, caçoava Fausto Silva no programa Perdidos na Noite enquanto a banda Titãs tocava “Lugar Nenhum” – “Não sou brasileiro, não sou estrangeiro. Sou de lugar nenhum”.

Nessa específica edição do Perdidos na Noite, questionados pelo apresentador Fausto Silva sobre a preferência de candidatos à presidência, os componentes dos Titãs se revezam entre a indiferença e o cinismo ao propor como candidatos Hermeto Paschoal e Jorge Mautner – veja vídeo abaixo.

Dilemas de uma geração

Se a depreciação e massificação produzidas pela hiperinflação alemã na cultura produziu a despolitização (a descrença em relação às instituições de representação e negociação política) que resultou na sedução pelas “soluções finais” e pelo nazifascismo, no Brasil a descrença generalizada na Política nos trouxe o sebastianismo do “caçador de marajás”: a aposta suicida em alguém “diferente de tudo que está aí” e sedução por soluções diretas e sem negociações, representada pela figura trágica de Collor de Mello.

O paradoxo para essa geração niilista e hedonista herdeira do trauma da cultura hiperinflacionária é que o fim do mundo não aconteceu – afinal de contas, o fim do mundo não foi o fim do mundo, parafraseando a música do Lobão. Depois de 30 anos muita coisa mudou no Brasil que o espaço aqui dessa postagem não permite descrever.

Mas o psiquismo dessa geração parece ainda estar preso na cena traumática do passado, repetindo ainda 30 anos depois na cabeça a mesma cena da depreciação, do niilismo e do cinismo. Todos esses roqueiros, agora traduzidos como “neoconservadores”, parecem conviver com os seguintes dilemas:

(a) o mundo não acabou, o País mudou, mas ainda tentam manter o discurso da revolta cínica e desesperançada com a qual chegaram ao estrelato na cultura da hiperinflação da década de 1980.

(b) suas carreiras começaram a entrar em declínio por não conseguirem se reinventar diante da mudança de cenário social e político. De contemporâneos tornaram-se extemporâneos.

(c) por isso, tornaram-se presas fáceis para o discurso neoconservador atual alimentado pela grande mídia. Em cada coluna de revista, artigo ou declaração para a grande mídia ávida por confirmar sua pauta primordial (o Brasil é uma merda!), seus discursos extemporâneos são repetidos como farsa, como repetição neurótica da velha cena do trauma localizada há 30 anos.

Por Wilson Roberto Vieira Ferreira, Cinegnose

Recomendados para você

Comentários

  1. Eduardo Oliveira Postado em 19/May/2014 às 17:35

    Já dizia o João Gordo na música Aids Pop Repressão: O Rock brasileiro é uma farsa comercial...

    • Helcio Postado em 20/May/2014 às 09:28

      Ele é um exemplo clássico...

    • sandro santos Postado em 16/Jun/2014 às 12:50

      nossa eu sou dessa geração e para mim nada é estranho, eles eram filhos de burgueses pagando uma de revoltadinhos, não conseguiam argumentar com profundidade nenhuma questão critica naquela época despolitizada e sem nada de conteúdo, continuam os mesmos filhinhos de papais e mamães ridículos!!!

  2. Thiago Teixeira Postado em 19/May/2014 às 17:53

    "Roqueiros" da Grande Mídia tendem a se adequar aos padrões ideológicos dos mega empresários do seguimento. Eles não são undergroud, não precisam ser contra o sistema capitalista para conquistar jovens fãs, já fizeram isso no passado. É natural o comportamento de quem precisa dos programas de auditório para pagar suas contas. Infelizmente estes não tem a independência do Sepultura, Angra, Krisiun, Raimundos, Max Conspiracy, entre outras bandas do underground nacional que não precisam da grande mídia para lotarem seus shows tanto no Brasil como exterior.

    • Domingos Campos Postado em 13/Aug/2014 às 20:34

      sim. Com certeza, essas bandas não precisam da grande mídia, mas têm outros artistas que também não precisam: Lobão, Marcelo Nova, Motorocker e outros...

  3. josemilton Postado em 19/May/2014 às 17:55

    sao todos musicos decadentes. Como disse uma vez um certo vocalista de uma banda de rock nacional: "todo critico de musica e um musico frustrado". como eles nao vendem discos para pessoas que fizeram parte daquela geracao, postam msg em midias para tentarem conseguir ibope com a nova geracao.

  4. anna Postado em 19/May/2014 às 18:23

    nossa, que texto genial!

    • carlos Postado em 19/May/2014 às 21:20

      ...deixa pra lá.

  5. Marcus Postado em 19/May/2014 às 18:32

    "Partindo dos estudos das relações entre cultura e inflação feitas pelo cientista político Elias Canetti, Bernd Widdig no seu livro Culture and Inflation in Weimar Germany..." Me desculpem se me engano mas, não seriam estes estudos de Norbert Elias?

  6. Marcus Postado em 19/May/2014 às 18:37

    Desculpem o comentário anterior. Já localizei o artigo.

  7. Matheus B. Postado em 19/May/2014 às 18:40

    Tenho uma explicação mais simples: como tantos outros, caíram no conto do PT e se desiludiram. Sendo esse o partido que representava o necessário resgate da ética no Brasil, perderam a esperança e se revoltaram contra ele e contra a própria Política, pela falta de opções.

  8. Luiz Postado em 19/May/2014 às 19:29

    As posições da maioria dos roqueiros sobreviventes dos anos 80 realmente carregam esse cinismo indevido. Falar que o país não mudou é muita ingenuidade, mas lembremos que nós ainda temos problemas simplesmente inaceitáveis e nojentos. Agora, colocar os Titãs no mesmo saco do Lobão e do Ultraje é foda. Lugar Nenhum, pra início de conversa, não tem nada de cinismo: é uma música anti nacionalista, e não anti brasileira. Outra coisa, seria bom dar uma ouvida nesse novo cd deles. Depois de mais de uma década, a banda conseguiu fazer alguma coisa de relevante, com uma porrada de letras dedicadas às injustiças sofridas pelas minorias.

  9. Elias Postado em 19/May/2014 às 19:49

    Se tornaram sábios, viram que a esquerda é tão podre quanto todo o resto, mas possuem bom gosto musical, estudaram musica, não tolera a cultura brasileira atual do funk por exemplo, sabem que isso não é musica é defendido apenas por questão ideológica, a sabedoria vem com o tempo.

    • Henrique Postado em 19/May/2014 às 20:10

      "Estudaram música" HAHAHAHAHAHAHAHAHA

    • carlos Postado em 19/May/2014 às 21:25

      Perfeito. Vc precisou de algumas linhas para - como gostam de dizer por aqui - desconstruir a viagem na maionese que o autor dessa baboseira quis contar.

      • Igor Postado em 20/May/2014 às 15:09

        kkk pensei que eu era o único a discordar dessa porra!

      • Jaime Postado em 20/May/2014 às 15:42

        Reaça de plantão. Baboseira, viagem na maionese.... pelo seu palavreado, acho que você não entendeu nem sobre o que o autor estava falando.

    • Bruno Postado em 20/May/2014 às 09:18

      Como se o que eles cantassem fosse muito melhor.São músicos de modinha que procuram se guiar pelas tendências atuais de uma população alienada.É SABEDORIA MESMO O RETROCESSO.JÁ QUE O NOVO NÃO DEU CERTO VAMOS VOLTAR PRO VELHO QUE ERA AINDA PIOR AO IONVÉS DE CONTINUAR SE RENOVANDO CADA VEZ MAIS ATÉ ATINGIR A PERFEIÇÃO.TÍPICO DA DIREITA COVARDE E ULTRA CONSERVADORA

    • Ligadíssimo Postado em 20/May/2014 às 09:30

      Sabedoria ou busca de suas "conveniências" ?... Todos sabem que o melhor jeito de cavar espaço na conservadora mídia brasileira, hoje, é tacar o pau no PT... Como querem os barões da mídia... Assim chamados pelos "repórteres sem fronteiras"... Se informe antes de chamar de "sábios" esses reacionários de conveniência... Bom dia.

      • Carlos Prado Postado em 20/May/2014 às 14:19

        Assim como todos sabem quão conservadora é a mídia... O grande ligadíssimo, compartilhe conosco sua sabedoria e como conseguiu informações para julgá-los como "reacionários de conveniência". Para mim não é tão óbvio e simplista assim nem o fato tão certo que a mídia é conservadora realmente.

  10. lombino Postado em 19/May/2014 às 20:39

    não se perde a esperança na política fortalecendo a oposição.

  11. Rodrigo Postado em 19/May/2014 às 22:34

    (outro Rodrigo) Há alguma crítica que a esquerda/direita tolerem como válida, a si mesmas, sem buscar destruir o crítico? Dentro da crítica política, alguma autocrítica é permitida, ou ainda é permitida a instigação a tanto? Ou ambos os extremos do espectro político se têm como perfeitos, únicos e iluminados, detentores de salvo-conduto para a reiteração de todas as condutas do outro, que tanto criticam?

    • Igor Postado em 20/May/2014 às 09:39

      Boa Rodrigo, justamente. Chegou no ponto que eu também penso, será que a os dois extremos permitem críticas e discussões sadias sem haver essa destruição?

  12. friederich Postado em 19/May/2014 às 22:57

    As contas vencem.

  13. luiz paulo fernandes Postado em 19/May/2014 às 23:05

    Eu já havia percebido esta postura de alguns artistas, porém este texto sensacional foi mais profundo, deixa claro de que lado estão neste momento histórico.

  14. Alberto Batista Postado em 19/May/2014 às 23:16

    Titãs, Lobão, Cazuza, Lulu Santos, Capital Inicial, etc nunca foram punk's. O rock brazuca oitentista tem o mérito de tornar o rock mais palatável no trabalho de artistas "emplayboyzados", com o perdão do neologismo, como os citados inicialmente. Os punk's de verdade no rock oitentista brotavam nos grotões paulistanos e com um lapso temporal nem tão longe da explosão londrina. Respeitado em todo o planeta, especialmente na Finlândia, maior escola hard core do mundo, estes sim representam a sujeira e a malvadeza do rock. Não nos surpreende a posição atual desses cabras mimados. Um viva ao Olho Sêco, Cólera, Vírus 27, Garotos Podres, Lixomania e a baiana Camisa de Vênus. planeta

  15. Márden de Pádua Postado em 19/May/2014 às 23:18

    Ao ler, surgiu-me uma pergunta: o autor conferiu o recém lançado disco dos Titãs? Ou se baseou apenas no trecho da reportagem de O Globo, em que o Belloto diz aquela frase, e então toda a banda vira o protótipo do neoconservadorismo juntamente com Lobão e Roger?? Minha intenção aqui NÃO É discordar totalmente da matéria, pois no que diz respeito ao Roger e Lobão, estou plenamente de acordo. Minha intenção é fazer justiça em relação aos Titãs, sobretudo embasado no último disco da banda, Nheengatu. Recomendo ao autor, ler urgentemente as letras das seguintes canções do novo disco: Fardado, Mensageiro da Desgraça, Pedofilia, Flores pra ela, Quem são os animais? e Senhor. Neste disco, a lógica não é bombardear o governo, e sim bombardear as várias formas de opressão e dominação que existem na sociedade, e o melhor: o prisma aqui se dá pelos dominados e não pelos dominadores. A canção Pedofilia, ao retratar esse ato na perspectiva de quem sofre, é o símbolo do que estou dizendo. A canção Senhor, ao abordar a perspectiva de quem sofre a opressão religiosa, pede que ´´ me livre da culpa´´ e depois denuncia que ´´querem meu dinheiro, querem meu salário. Talvez seja o disco dos Titãs mais preocupado com as minorias, e isso não é nada conservador, muito pelo contrário. Seja a opressão vivida pelas mulheres , pelas minorias vítimas de preconceito, a opressão religiosa , a opressão do sistema, explorando quem nos oprime ( aqui há uma quase dialética de Hegel do séc. XXI. falo da música Fardado ), seja a opressão vivida pelos marginalizados em Mensageiro da Desgraça, e a opressão como ja citei, de crianças vítimas de abuso…nesse novo disco, a opressão-dominação é o foco, mas o mais interessante, e o menos conservador disso é que: a lógica aqui é abordar essa questão pelo olhar dominados, dos oprimidos. Nesse sentido, esse disco deixa os Titãs na direção contrária ao conservadorismo que a matéria está criticando… em Quem são os animais? Os titãs deixam claro ´´ por ser da minoria, ninguém olha por vc´´ e depois sentenciam: ´´ vc tem que respeitar o direito de ser diferente´´. Repito, não se trata de uma canção, e sim de um disco quase inteiro, nos trazendo a questão da opressão pela lógica de quem sofre… isso passa longe do chamado neoconservadorismo, que justamente tem o individualismo e a despreocupação com as minorias, como verdadeira identidade cristalizada. Outra diferença dos Titãs para os outros citados, reside no fato de que a banda está se mexendo, fazendo coisas novas,inclusive na direção contrária ao que se pretende ouvir em rádios e novelas. Não estão nos programas de humor virando ´´sexteto do Jô´´ , ou ´´calouros da globo ´´ … se como estão com a Som Livre, podem aparecer em alguma novela? Sim, podem…e eu espero que apareçam, pois seria uma delícia ligar a novela da globo e ouvir “ por ser da minoria, ninguém fala por vc. Vc tem que respeitar o direito de escolher livremente, vc tem que respeitar o direito de ser diferente´´. Vamos dar o ´´rótulo´´ de neoconservador a quem faz por merecê-lo!

  16. Deisi Postado em 20/May/2014 às 11:21

    Quem não se conforma com o ostracismo, só resta esta alternativa , usar a mídia conservadora para ter seus minutinhos de fama; confesso que nem na década de 80 curtia esses caras, continuo fã até hoje do Legião Urbana,e apesar dos pesares também do Ney Matogrosso .

    • Sonia Postado em 20/May/2014 às 15:45

      Digas-e de passagem, o Ney pisou feio na bola. Para um crítico político ele é um ótimo cantor.

  17. Gustavo Postado em 20/May/2014 às 11:22

    Isso só demonstra a falta de discurso construtivo mas que privilegia um afago à sua própria ideologia. É muito fácil criticar falar que são neoconservadores (ou seja, malvados em uma determinada visão) e logo os associarem a protofascismo e outras merdas mas que na verdade só diz isso porque não consegue enxergar um debate de ideias. O outro lado SEMPRE está errado. Titãs e esses outros artistas sempre fizeram músicas criticando os governos e só porque criticam agora a péssima gerência do PT não quer dizer que são fascistas e malvados porque querem aparecer e vender discos. Pra mim não passa de um discurso maniqueista que tenta desmoralizar opiniões contrárias de as defendidas pelo autor, porém sem dizer realmente o que tem de ruim com tais artistas.

  18. Walter Postado em 20/May/2014 às 12:55

    Já falei a época desses caras já foi acabou o bom que tinha no rock nacional se foram a saber CHICO SCIENSE - RENATO RUSSO - GAZUZA - RAUL SEIXAS , o nosso saudoso IVO do BLINDAGEM , o que ficou resta-se pouco a saber PARALAMAS - BLINDAGEM - NENHUM DE NÓS. esta voltando o IRA quem sabe surja algo novo por ai porque tá difícil.

  19. Maurício Postado em 20/May/2014 às 13:30

    Acredito que haja assuntos muito mais relevantes do que ficar discutindo o posicionamento político de fulano ou ciclano. Temos que entender que sempre houve e sempre haverá pessoas que não concordam com nosso pensamento. Entrei hoje pela primeira vez no site e sinceramente não me atraiu. Nesses momentos vejo que uma nova ditadura é possível, pois não há união para discussões saudáveis, há somente uma briga para provar que um só pensamento é o correto Cada um tem o direito que ter um posicionamento, mas galera, vamos nos respeitar.

  20. eu daqui Postado em 20/May/2014 às 13:37

    Algo mudou sim mas nem tudo. Daquilo que mudou, nem tudo para melhor. Nem por isso vou pregar aqui o retorno da merda, e sim a vinda do novo.

    • sonia Postado em 20/May/2014 às 15:45

      Já dizia o João Gordo na música Aids Pop Repressão: O Rock brasileiro é uma farsa comercial...

  21. Maria Aparecida Jubé Postado em 20/May/2014 às 14:42

    A decadência é cruel, atinge todo mundo, com a decadência vem a necessidade de puxar saco da mídia, só assim continuam tendo espaço na mídia.

  22. Diego Postado em 13/Aug/2014 às 01:10

    O Dado Villa-Lobos é sobrinho-neto do compositor clássico Heitor Villa-Lobos, prova definitiva que esse negocio de dom musical não é genético! Ele tá sujando o nome do tio po!

  23. jeferson barbosa Postado em 18/Aug/2014 às 12:38

    a questao é so uma: este país nao tem comando. estamos na direção do nada. os tempos sao outros, tudo mudou , mas crítica permance,nao podemos fechar os olhos pra esta cambada que ai se encontra (pt) uma senhora de terninho vermelho fingindo que esta no comando e os iletrados e desinformandos aplaudindo. este nao é o país que desejo pra meus filhos e netos.Quero mudança ja, alguem que perceba que estamos estagnados.vamos imediatamente mudar este cenário arido .quero alguem que realmente me represente.