Redação Pragmatismo
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História 30/May/2014 às 14:40
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10 raras fotos de escravos brasileiros

10 raríssimas fotografias de escravos brasileiros feitas há 150 anos. Um material que impressiona e aproxima aqueles que buscam entender o cenário escravocrata no Brasil

Esta publicação é verdadeira raridade e todos os brasileiros deveriam ter conhecimento disso. Quando estudamos a escravidão no ambiente escolar não estamos habituados a ver imagens reais de escravos do Brasil. A fotografia é um elemento que aproxima o leitor da realidade, e por conta disso, é muito importante estabelecer este tipo de contato na hora de aprender sobre algum tema.

Uma vez que o Imperador Pedro II era um entusiasta da fotografia, o Brasil se tornou um ambiente favorável à prática da fotografia muito cedo. Durante a segunda metade do século XIX diversos fotógrafos, alguns patrocinados pela Coroa, fizeram valiosos registros da realidade vivida no país.

Veja também: Fotografia: A escravidão moderna que fingimos não ver

As imagens abaixo são do acervo do Instituto Moreira Salles, algumas delas foram feitas há mais de 150 anos. A qualidade do material, tanto no sentido gráfico quanto em detalhes de comentários nas suas legendas, impressiona e aproxima aqueles que querem entender o cenário escravocrata brasileiro.

Elas datam entre 1860 e 1885, período em que movimento abolicionista tomou maiores proporções. São registros muitas vezes idealizados, de tom artístico, se assemelhando às pinturas da época. Diferente de alguns casos de propaganda abolicionista nos Estados Unidos, o objetivo dessas fotos não é denunciar barbaridades.

10 raras fotografias de escravos brasileiros:

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Senhora na liteira (uma espécie de “cadeira portátil”) com dois escravos, Bahia, 1860 (Acervo Instituto Moreira Salles).

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Negra com o filho, Salvador, em 1884 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Primeira foto do trabalho no interior de uma mina de ouro, 1885, Minas Gerais. (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Escravos na colheita de café, Vale do Paraíba, 1882 (Marc Ferrez/Colección Gilberto Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Escravos na colheita do café, Rio de Janeiro, 1882 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Foto da Fazenda Quititi, no Rio de Janeiro, 1865. Observe o impressionante contraste entre a criança branca com seu brinquedo e os pequenos escravos descalços aos farrapos (Georges Leuzinger/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Negra com uma criança branca nas costas, Bahia, 1870. (Acervo Instituto Moreira Salles).

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A Glória, vista do Passeio Público, Rio de Janeiro, 1861 (Revert Henrique Klumb/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Lavagem do ouro, Minas Gerais, 1880. (Foto: Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

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Quitandeiras em rua do Rio de Janeiro, 1875 (Marc Ferrez/Acervo Instituto Moreira Salles).

Vídeo complementar:

História Ilustrada

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Comentários

  1. Allysson W. Postado em 30/May/2014 às 14:53

    Excelentes registros... Em pensar que a escravidão foi um dia desses...

    • Yra doce Postado em 01/Jun/2014 às 01:54

      Allysson.....a escravidão só acabou no papel.Olhe para os pontos de ônibus que levam e trazem os trabalhadores para o serviço...Olha o metrô em SP....os trens metropolitanos em SP....olhe as favelas....e vá olhando...onde tem pobre tem escravo.Escravo mal remunerado.Preço de se viver em um país capitalista.

      • Viviane Postado em 24/Sep/2015 às 20:02

        Cala a boca. Obrigado!

      • julio Postado em 25/Sep/2015 às 12:22

        Muito bem Yra, é exatamente isso. Não sei se é o capitalismo, pois na Europa ele tem uma conotação social forte, mas sim a mentalidade retrógrada que impera em nosso país. Muita gente (e especial a neo-direita, este grupo sociopata que manda os outros calarem a boca) ainda vive no século XIX.

  2. Thiago Teixeira Postado em 30/May/2014 às 17:05

    Confesso que não vejo tanta diferença da sociedade brasileira no fim do século 19 com hoje. Será se somos livres? Continuamos a trabalhar para os herdeiros da casa grande e a servi-los. Vi os escravos com roupas (embora descalços), provavelmente recebiam alimento das fazendas e um canto para dormir, a diferença é que hoje recebemos um papel fictício chamado dinheiro que dá a sensação de liberdade, mas a população pobre e assalariada acaba utilizando o dinheiro para o mesmo fim: comida, moradia e vestuário, não sobrando nada. Outro detalhe que observei em outras fotos eram que as mulheres sempre carregavam os seus filhos durante o trabalho, não havia com quem deixar obviamente, problema inda contemporâneo para as pessoas de baixa renda. Muito bom rever esses registros.

    • Claudio Postado em 30/May/2014 às 18:48

      Thiago, o seu comentário pode ser bem ilustrado pela crônica de Machado de Assis, "A crônica da abolição", publicada sete dias após a assinatura da Lei Áurea. De fato, a casa grande e a cenzala pode ser vista nas novelas onde o Senhor(empregador) é rodeado por seus escravos(funcionários) para servi-lo a qualquer hora do dia, enquanto o resto da cenzala assiste pela tv os dramas e as questões existenciais de seus senhores, torcendo para que estes tenham um final feliz.

    • Lucas Junio Postado em 31/May/2014 às 20:05

      Boa observação e boa analogia Thiago, essa é a famosa "liberdade capitalista", que de liberdade não tem porra nenhuma.

    • Francielly Sousa Postado em 31/May/2014 às 22:18

      Parabéns Thiago, em suas palavras eu encontrei a forma de explicar o que eu sempre achei. Ainda somos escravos e levando em conta que somos escravos digamos que "superiores" pois podemos estudar uma técnica seja qual for para podermos servir em outras áreas essas pessoas. Muito bem colocado e inteligente sua opinião .

    • Filipe Postado em 01/Jun/2014 às 13:22

      A escravidão só "evoluiu"

    • Caro Braga Dantas Postado em 14/Jun/2015 às 15:17

      Penso exatamente como você, Thiago. O capitalismo acabou com aquela escravidão para implantar uma outra, mais ampla e bem mais sutil.

  3. Nathalia M. Quagliato Postado em 30/May/2014 às 21:06

    Acredito que na foto "A Glória" eles não sejam escravos, mas sim, alforriados, pois estão de sapatos e os pés descalços eram o que identificava um escravo.

  4. julietemarie Postado em 31/May/2014 às 22:31

    A escravidão não foi um dia desses... ela é atual! E nossa mente se escravizou a imagem do negro servidor.

  5. Margarida Maria irineu Postado em 01/Jun/2014 às 21:30

    Não vejo muita diferença... ALIAS únicas diferença são as roupas e os endereços de trabalho... continuamos escravos das HIPOCRITAS descendentes dos mesmos que escravizaram os negros africanos. Vivemos em regime de escravidão. sem saúde sem educação. Sem um trabalho digno, sem segurança... sofremos preconceito de todo tipo,por ser pobre negro nordestino etc...Os senhores descendentes das elites continuam escravizando os descendentes dos escravos dos emigrantes dos migrantes nas mesmas bases do passado...

  6. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 02/Jun/2014 às 20:46

    Registros muito rico. Mas uma vergonha para o nosso país.

  7. Elvis da Silva Postado em 02/Jun/2014 às 22:16

    Há uma perpetuação da "segunda escravidão" segundo Antônio Sérgio Alfredo Guimarães em seu livro Racismo e Anti racismo no Brasil, diz mais ou menos assim na página 235: "... que no início os negros que se apegaram ao movimento iluminista contemporâneo, que negou validade á noção biológica de raça,, em segundo lugar, aceitaram , ainda que interiormente, o estigma da inferioridade cultural de suas origens e as renegaram... vejam bem que isto ele trata quando faz várias comparações do racismo nos EUA e no Brasil, e dizendo que embora houvesse muita diferença, que depois das conquistas dos anos 50, 60 e 70 os Estados Unidos agora, mesmo tendo formado uma pequena Classe média Negra,tendo ações afirmativas, voltam a ter problemas que se assemelham ao do Brasil ou seja nas palavras do referido autor... "é como se , á medida que os Estados Unidos rotinizam as conquistas dos direitos civis das minorias, sobretudo dos negros, ficassem mais próximos do sistema racista brasileiro... ... mecanismos de discriminação racial embutidos em escalas de preferência e de status amplamente aceitas... Assim para nós é importante que se pratique está politica de Governo, onde as ações afirmativas sejam incentivadas e que a militância dos movimentos sociais no Brasil, principalmente os de representação afro-brasileiro deva se intensificar, e não diminuir seu ritmo nos próximos trinta anos. Obtendo alianças politicas, como foi o caso Norte americano. Elvis da Silva Artista Plástico trata em seus temas de ações étnico - raciais e racismo nas escolas do Brasil.

  8. Matheus S Silveira Postado em 08/Jun/2014 às 18:28

    Agradeço ao Pragmatismo Político por ter divulgado o História Ilustrada, Blog de História que eu, Matheus, Professor de História, participo com artigos sobre diversos temas.

  9. Rôserval Du Carmu Postado em 07/Jun/2015 às 17:07

    Bem, creio que só quem é negro pode falar o que é ser negro neste país, o mais vergonhoso é ser negro na Bahia onde vemos vários casos de racismo no berço da escravidão, a hipocrisia dos que se dizem morenos, pardos, cor de jambo, cravo e canela, moreno claro, etc., não assumem a sua negritude a sua origem, renegam seus antepassados.

  10. Ricardo Postado em 24/Sep/2015 às 17:26

    Lamentável a escravidão... Que infelizmente e inegavelmente continua de muitas maneiras em nossa sociedade... Mas fala sério: esta gente ainda quer comparar trabalhar hoje em dia com aquele tempo? Trabalhar por dinheiro, com liberdade para mudar de serviço se não te agrada... Ou alguém é obrigado a trabalhar em algum lugar para sempre? Possivelmente casos extremos de escravidão, ilegal e passível de ser denunciado para a polícia o uimprensa, mas não normalmente em sua maioria. Se bem que o que seria "liberdade" seria a pessoa ter mais competência para poder mudar de serviço e ganhar mais... Quando alguém compara o trabalho daquele tempo com hoje desta maneira isto parece o tipo de pensamento de pessoa que se acomodou e quer ganhar as coisas de graça, sem esforço, que foi sacaneado pelo sistema... Acho que nunca vou conseguir entender este tipo de pensamento... Este pobre coitadismo... Todo este rebuscamento intelectual para... Ficar no caminho abismado reclamando de tudo...

  11. Grace Diniz Postado em 24/Sep/2015 às 20:52

    E a escravidão persiste, insiste e existe... Lamentável!!!

  12. Glória Postado em 25/Sep/2015 às 13:59

    Como pode alguém não se sensibilizar com essa questão? Quanto falta de humanidade?