Redação Pragmatismo
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Rio de Janeiro 17/Apr/2014 às 16:50
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Ocupação da Oi-Telerj: Maravilhosa para quem?

ocupação telerj rio de janeiro

Por João Paulo Pereira, para Pragmatismo Político

Tirei parte do meu dia para ir com uma amiga à ocupação feita pelos agora moradores em situação de rua que tentaram ocupar, estabelecendo sub-moradias (barracos), no prédio abandonado que está sobre responsabilidade da Oi-Telerj (a empresa não é dona do prédio, nem do terreno), no Engenho Novo, para conversar com as pessoas e distribuir jujuba pras crianças.

Passada a distribuição dos doces, comecei a pedir que eles me contassem das suas origens, da onde vieram e suas histórias. A maioria dos ocupantes disseram ser cariocas ou moradores de municípios vizinhos, que vieram de outras comunidades por não suportarem pagar os aluguéis das casas que moravam ou por terem sido removidas pela prefeitura e, de muitas histórias semelhantes, mas não menos cruéis, estava a história do seu João.

João Batista Rosa, 47, é atualmente morador de rua e vendedor ambulante, mas nem sempre foi assim. Seu João era morador do Morro do Livramento, onde residia com sua esposa (que, agora, mora com parentes), antes de ter sua casa demolida pela Prefeitura do Rio, sem qualquer necessidade. A Prefeitura do Rio, através da Secretaria Municipal de (des)Habitação e da Subsecretaria de Reassentamento e Ações Emergenciais, fez um acordo com o seu João, antes de demolir a casa dele, aonde ele teria o direito de receber um apartamento de número 103, em um conjunto de apartamentos que foi construído em Cosmos, no subúrbio da cidade.

Ser removido forçadamente de onde se mora já é ruim, mas ficar sem onde morar ainda é pior. Seu João, meses depois do acordo e na eminência de ter sua casa, ainda no Morro do Livramento demolida, foi pedir explicações no prédio da Prefeitura. Ao questionar sobre seu apartamento, disseram pra ele que seu novo lar já estava sendo ocupado por outra família e não havia cadastro dele em nenhum programa habitacional da prefeitura. Ele, já desesperado, não aceitava sair da sede da Prefeitura sem ter seu prometido apartamento e, com isso, como tudo na cidade é feito da forma mais eficiente possível, foi retirado do prédio por guardas municipais. Sem casa, sem família e sem dinheiro.

Seu João está morando na rua há 8 meses e ninguém punirá o Eduardo Paes, nem nenhum de seu subordinados por isso.

Fotos do seu João e do documento entregue pela prefeitura referente ao apartamento:

ocupacao-telerj

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ocupacao-telerj1

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Comentários

  1. Fernando Postado em 18/Apr/2014 às 10:26

    O que chamou a atenção foi a celeridade da "justiça" em jogar essas famílias no olho da rua com o apoio de 2000 policiais. nem nos protestos de Junho havia tantos PMs nas ruas mas, claro, aqui trata-se do grande capital sendo ameaçado então a punição deve ser exemplar e ostensiva. Que pouca vergonha! enquanto a justiça desse país for esta merda jamais haverá democracia. É pura ilusão.

  2. Alexandre Lopes Postado em 18/Apr/2014 às 14:28

    O judiciário brasileiro é extremamente conservador e corrupto . Nós falamos muito do executivo e do legislativo , mas esse poderzinho de toga também não fica devendo nada em promiscuidade e conservadorismo . Nossos juízes , com o microscopismo intelectual e a indiferença conservadora e asquerosa que lhes são peculiares, não hesitam em chancelar as mais arbitrárias e desumanas atitudes, sob o manto da lei positiva , essa religião jurídica reacionária, segundo a qual todo o conteúdo normativo que emana do Estado é legítimo e tem que ser obedecido, incondicionalmente . Acontece que o Estado não existe , O ESTADO NÃO EXISTE . O Estado não passa de um comitê composto por um punhado de capachos do capital , vide Eduardo Paes e Sérgio Cabral .