Redação Pragmatismo
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Racismo não 16/Apr/2014 às 15:44
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Joaquim Barbosa fala sobre processo contra jornalista de O Globo

Corporativismo “protege” colunista de O Globo acionado por racismo, diz Joaquim Barbosa a ativistas do movimento negro na Bahia

O presidente de um dos três poderes da República, Joaquim Barbosa, trajava-se como uma pessoa qualquer. De sandália emborrachada, camisa pólo usada de manga curta e calça comum, chapeuzinho maleável de palhinha sintética na cabeça, por volta das 10 horas da manhã de domingo, 13 de abril/14. Tipo tô nem aí…

Seu assessor de imprensa, Wellington Silva, cuidou de conseguir, na última hora, uma sala do hotel Golden Tulip, no Alto do Monte Conselho, praia do Rio Vermelho, Salvador. Para uma conversa reservada com um grupo de 13 intelectuais e ativistas sociais, mulheres e homens do movimento negro não comprometidos com partidos políticos, embora todos politicamente engajados. Não havia representantes da imprensa. Este post, assim, é de responsabilidade total do autor, sem autorização de quem quer que seja.

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Joaquim Barbosa diz que corporativismo protege Noblat

TUDO FOI ARTICULADO pelo pessoal da “Campanha Reaja ou Será Morta/Reaja ou Será Morto“e do Quilombo X. Hamilton Borges Walê abriu a conversa. Demarcou que o grupo ali estava para declarar sua solidariedade incondicional ao trabalho que Joaquim Barbosa tem realizado no Supremo Tribunal Federal.

Leia também: Joaquim Barbosa processa Ricardo Noblat por racismo

Os ataques, “de cunho nitidamente racistas” a ele dirigidos, “seja por parte de setores da direita, seja por parte de setores da esquerda”, atingiriam não somente ao ministro – “mas a todos nós, negros, vítimas diárias do epistemicídio brasileiro” – pontuou Hamilton Borges. Outros presentes reforçaram a tese.

Joaquim Barbosa se disse agradecido pela manifestação de solidariedade. Mas repetiu, como tem feito em outras ocasiões, que já não se importa com aqueles ataques. “Eu já tenho casca grossa e nem tomo conhecimento dessas coisas. Não se pode querer unanimidade em tudo”.

BARBOSA RESSALVOU, porém, que em alguns casos toma providências. Como exemplo, a representação judicial que move contra o jornalista Ricardo Noblat, de O Globo. Noblat assinou artigo nesse jornal ano passado, no qual faz ataques pessoais – referindo-se à origem racial do ministro – de gosto tão duvidoso que, no mesmo veículo, a colunista Myriam Leitão rebateu-o.

O ministro disse cogitar ação legal similar em relação ao chamado “Blog da Dilma” – site oficioso de apoio às ações do governo federal. “Mas há um silêncio da imprensa quanto aquela representação contra Noblat”, anuiu, indicando uma espécie de “espírito de corpo” nos meios de comunicação para proteger um dos seus.

O presidente do STF lembrou, ainda, que em recente palestra que fez em Paris, com platéia cheia e entusiasmada, de repente um sujeito, dentre os poucos brasileiros, perguntou-lhe se não se sentia incomodado de receber elogios “da direita”.

“Eu virei para ele e respondi: se você recebe elogios não pode indagar se a pessoa é de direita ou de esquerda”. O sujeito, de acordo com o relato do ministro, ficou furioso. “Deu a impressão que se ele não estivesse naquele ambiente, no estrangeiro, se fosse aqui partiria para a agressão física de tão nervoso que estava”.

O encontro terminou cerca de 40 minutos depois de iniciado, após Barbosa ser presenteado com dois livros – uma coletânea de poemas de autores negros brasileiros e um romance. Algumas sugestões de desdobramento dos assuntos abordados ficaram de ser encaminhadas com a assessoria do STF que era representada, além de Wellington Silva, pelo ministro do Itamaraty Silvio José Albuquerque e Silva, chefe de gabinete da presidência do Supremo.

Na saída, quando da devolução do ticket de estacionamento do hotel, enquanto aguardávamos um manobrista buscar o automóvel, um grupo deles aproveitou para matar a curiosidade. “Vocês são mesmo de onde?” – perguntou aquele que parecia gerenciar o serviço. “Daqui mesmo: viemos nos encontrar com o ministro”.

“E como é o homem que tem presidido o Brasil?” – perguntavam, curiosos, comentando sobre seu papel nesse momento da história do país.

Blog de Fernando Conceicao

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 16/Apr/2014 às 17:38

    Engraçado, a um mês atrás ele tinha virado branco e representante-mor da elite reacionária da direita. Agora que a mídia golpista descartou o "Batman" ele passou a andar de sandália crocs e dar entrevista a negritude brasileira? Que mudança radical ... Ou, se fossem políticos do DEM, revista Veja, jornalistas europeus, ele estaria bem trajado, certamente.

    • Janaina Postado em 17/Apr/2014 às 08:45

      Por acaso ele está em algum evento oficial? Você não leu que eram 10 h da manhã de um domingo...com certeza ele não estava trabalhando...então...no horário de folga do ministro ele usa o que ele bem quiser...ninguém tem nada a ver com isso...

      • Thiago Teixeira Postado em 17/Apr/2014 às 09:48

        Oficial ou não, quando somos convocados por alguém devemos ter respeito, reparem se as pessoas que foram prestigiar a presença do Ministro estão de crocs ou bermudão? Ele atenderia o Pedro Bial nesses trajes?

  2. Carlos Santos Postado em 16/Apr/2014 às 23:31

    “E como é o homem que tem presidido o Brasil?” Isso lá é pergunta que se faça ao presidente do STF? É uma clara provocação à Presidente da República. Barbosa que se cuide, pois com essse tipo de solidariedade incondicional não precisará de detratores.

  3. Alexandre Lopes Postado em 17/Apr/2014 às 08:56

    Qual será o próximo passo ? Abrir um processo de beatificação ? Me poupe pragmatismo ! Eles deveriam comentar também, nesse encontro , sobre a provável relação espúria de Barbosa e Daniel Dantas na AP 470, vulgo mensalão . Ninguém está defendendo o racismo . É claro que o que foi dito pelo Sr. Noblat foi muito ofensivo não só ao Barbosa , mas a todos os negros e ele , portanto , merece ser punido com todo o rigor da lei . Agora, aproveitar o ensejo para fomentar uma romantização em torno de Barbosa, criando-se um clima de solidariedade mesclada com coitadismo chega a ser patético . Uma coisa é o Joaquim Barbosa e suas atitudes como ministro do supremo, outra coisa é o racismo . Saibamos separar !

    • Thiago Teixeira Postado em 17/Apr/2014 às 09:52

      Bem observado, Barbosa é um ministro, um grande jurista e deve ser cobrado, criticado ou reverenciado pelo seu trabalho, mas infelizmente as pessoas sempre acham algo para denegrir o ser humano, e não tem nada mais covarde e golpista (sendo que a Globo é a mídia golpista) desfocar o debate para as características pessoais. Eu concordo com o processo que ele está movendo.

      • Alexandre Lopes Postado em 17/Apr/2014 às 12:13

        Perfeito , Thiago . Eu também concordo com o processo, pois o debate tem que ser objetivo e leal . Usar a história de vida de um negro que era pobre ( caso dele ) para desqualificar suas atitudes é uma das coisas mais abjetas que se pode ter em mente . Critique e critique duramente ( como eu mesmo faço ) o Joaquim pelas suas atitudes , agora não use argumentos raciais ou socio-econômicos , porque isso, como você bem disse , é uma puta covardia e deslealdade . Porém, a Globo é , em essência, uma instituição covarde, desonesta, pilantra , mentirosa e interesseira .