Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 04/Apr/2014 às 17:39
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Ipea corrige pesquisa sobre estupro

Ipea diz que pesquisa sobre estupro está errada. Levantamento causou polêmica ao apontar que 65,1% dos brasileiros apoiam ataque a mulheres que usam roupa curta

Um levantamento que chocou o País ao mostrar que 65,1% dos brasileiros apoiavam que mulheres que usam roupa curta sejam violentadas foi corrigido hoje pelo Ipea. Em nota, o instituto esclareceu que o apoio vem, na verdade, de 26% dos brasileiros, enquanto 70% discordam total ou parcialmente e 3,4% se dizem neutros.

Por causa da pesquisa, a jornalista Nana Queiroz criou a campanha “Eu não mereço ser estuprada”, que teve grande repercussão nas redes sociais. Até a presidente Dilma Rousseff comentou o levantamento: “pesquisa do Ipea mostrou que a sociedade brasileira ainda tem muito o que avançar no combate à violência contra a mulher”.

Leia abaixo a nota do Ipea:

Errata da pesquisa “Tolerância social à violência contra as mulheres”

Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Entre os 3.810 entrevistados, os percentuais corretos destas duas questões são os seguintes:

Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar (Em %)

1

Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas
(Em %)

2

Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

O outro par de questões cujos resultados foram invertidos refere-se a frases de sentido mais próximo, com percentuais de concordância mais semelhantes e que não geraram tanta surpresa, nem tiveram a mesma repercussão. Desfeita a troca, os resultados corretos são os que seguem. Apresentados à frase O que acontece com o casal em casa não interessa aos outros, 13,1% dos entrevistados discordaram totalmente, 5,9% discordaram parcialmente, 1,9% ficou neutro (não concordou nem discordou), 31,5% concordaram parcialmente e 47,2% concordaram totalmente. Diante da sentença Em briga de marido e mulher, não se mete a colher, 11,1% discordaram totalmente, 5,3% discordaram parcialmente, 1,4% ficaram neutros, 23,5% concordaram parcialmente e 58,4% concordaram totalmente.

A correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública. Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres.

Rafael Guerreiro Osorio* e Natália Fontoura
Pesquisadores da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc/Ipea) e autores do estudo

* O diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado.

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Comentários

  1. Gleidson Postado em 04/Apr/2014 às 17:46

    No mínimo estranho um erro tão grosseiro assim. Pelo visto esta pesquisa pegou mau no Brasil e no exterior (em ano de copa, já viu né...) No final... Acredito que a primeira esteja certa, uma vez que é o que mais escuto por ai...

  2. Lopes Postado em 04/Apr/2014 às 17:56

    Qualquer idiota percebeu o erro logo no início. Mas o mais engraçado foi ver tanta gente burra na internet colocando foto seminua.

    • Monteiro Postado em 04/Apr/2014 às 18:30

      Como sempre, tenta-se causar polêmica com qualquer coisa que aparece na mídia. Agora eu pergunto, precisava tanto escândalo?

      • Guilherme Postado em 04/Apr/2014 às 19:30

        Feminismo só procura tentar fazer as mulheres parecerem vítimas onde quer que estejam.

    • Samantha Postado em 05/Apr/2014 às 13:54

      Mais engraçado ainda é que, só depois que o IPEA assumiu o erro na publicação de alguns resultados da tão falada pesquisa, aparecem os "gênios" que "suspeitavam desde o princípio" que havia algo errado. Assim é mole pagar de inteligente e bem-informado!

    • joão fernaddo Postado em 06/Apr/2014 às 11:24

      e pelo que eu sei ser atacada não e ser estuprada, até porque o sentido da palavra atacada e vago.

  3. Thiago Teixeira Postado em 04/Apr/2014 às 19:47

    Eu sou 100% defensor do sexo oposto, mas mulher que apanha do parceiro e continua com ele, não merece meu respeito.

    • oliver Postado em 04/Apr/2014 às 21:09

      essa mulher,tem os motivos dela por continuar com o agressor. ela não precisa do seu respeito,ela precisa de humanos que ajudem a sair deste inferno que ela vive. ela só não precisa de gente como você a julgando.

  4. Cláudia Barreto Postado em 04/Apr/2014 às 21:19

    Não acho idiota acreditar na pesquisa anterior, idiotice vai ser acreditar em todas as outras após um erro tão grosseiro.

  5. José Humberto Postado em 04/Apr/2014 às 21:20

    O diretor que pediu exoneração merece meu respeito. Ah, se todos tivessem essa postura ao reconhecer que, apesar de não ser, muitas vezes, o responsável direto pelos erros, ao exercer um cargo de liderança torna-se responsável por seus subordinados e assume a responsabilidade pela qual recebe seus rendimentos para assumir.

    • Rodrigo Postado em 05/Apr/2014 às 15:24

      Concordo! Ele poderia dizer: eu não sabia de nada! Ou dizer para o eleitor: sabe de nada, inocente! Mas preferiu agir com honradez.

  6. Carlos Prado Postado em 04/Apr/2014 às 23:24

    Ainda sim as perguntas iniciais eram muio capciosas. Parece coisa elaborada para a pessoa responder o que se quer que seja respondido: o resultado é resolvido antes de se formular a pesquisa. Mas também pode ser que um instituto de pesquisas econômicas não tenha ainda o know-how para elaborar tal tipo de pesquisa. É bom o pessoal fazer um treinamento se querem continuar nesse ramo, porém acho mais importante começarem por um curso de reforço em estatísticas e processamento de dados. Fica feio para um instituto desses não ter sequer um funcionário capaz de trabalhar com números. Se fosse uma empresa privada só não quebraria se o dono tivesse um amigo no planalto que percebe a importante função social da empresa e lhe aprovasse um pacote de ajuda e desenvolvimento.

  7. Isadora Postado em 04/Apr/2014 às 23:28

    Como assim vc pergunta se precisava tanto escândalo? Partindo da premissa que a primeira pesquisa foi divulgada como factual, é obvio que era pra gerar tanta revolta entre as mulheres ( e homens decentes). Infelizmente ainda vemos a insistência imbecil( agora de uma pequena porcentagem) de criminalizar a vitima de uma violência como essa. Num pais onde o crime contra a mulher ainda alcança números vergonhosos, o que me surpreende sao os 26% e não os 65%!

  8. os, mota Postado em 06/Apr/2014 às 13:36

    será mesmo que o IPEA, errou? ou foi obrigado a baixar esses números, por causa da mídia e das( elite da sociedade) que pensa que esse pais não tem preconceito, seria melhor encarar o problema de frente, e não baixar numero para que o Brasil seja bem visto.

  9. Pereira Postado em 07/Apr/2014 às 14:46

    Também não acreditei nesses números.