Redação Pragmatismo
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América Latina 11/Apr/2014 às 10:25
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Chile, Cuba e Argentina têm as menores taxas de homicídio da América Latina

ONU: Cuba, Chile e Argentina têm menores taxas de homicídio da América Latina. Estudo também mostra que 79% dos assassinados são homens, mas mulheres são dois terços das vítimas de violência doméstica

Chile, Cuba e Argentina são os países com taxas de homicídio mais baixas da América Latina, segundo o Estudo Global sobre Homicídios 2013, realizado pelo UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) e divulgado nesta quinta-feira (10/04).

O documento mostra que, em 2012, o Chile teve uma taxa de homicídios de 3,1 por 100 mil habitantes, seguido por Cuba, com 4,2. A Argentina, enquanto isso, teve uma taxa de 5,5 homicídios por 100 mil pessoas, mas o informe esclarece que os dados são de 2010. O Brasil, enquanto isso, apresentou uma taxa de 25,2.

santiago chile homicídios
Imagem da cidade de Santiago, no Chile, país com menor índice de homicídios da América Latina (Arquivo)

O Uruguai, com números de 2011, também tem taxas baixas comparadas ao resto da América Latina, especialmente Honduras, Venezuela e Belize: são 7,9 homicídios a cada 100 mil habitantes. “As taxas na Argentina, no Chile e no Uruguai são estáveis e baixas, o que lhes dá perfis de homicídio mais parecidos com os da Europa”, diz o estudo.

Quase meio milhão de pessoas (437 mil) foram assassinadas em 2012, segundo o UNODC. Mais de um terço dos homicídios ocorreu no continente americano (36%), 31% na África e 28% na Ásia. A Europa e a Oceania, por sua vez, apresentaram taxas drasticamente menores (5% e 0,3%, respectivamente).

Somando a alta taxa de homicídios na América à descoberta de que 43% de todas as vítimas de assassinato têm idades entre 15 e 29 anos, o estudo concluiu que uma em cada sete vítimas no mundo todo é um rapaz jovem, entre os 15 e os 29 anos, vivendo em alguma parte da América.

Gênero

O estudo mostra que 79% das vítimas de homicídios no mundo são homens. Por outro lado, eles também representam 95% dos perpetradores do crime, uma taxa que é consistente em diversos países e regiões, independentemente do tipo de homicídio ou da arma utilizada.

Enquanto o cerne dos assassinatos está relacionado essencialmente aos homens, o relatório também mostra que, no contexto da família e dos relacionamentos íntimos, as mulheres correm um risco bem maior: dois terços (43600 em 2012) das vítimas de violência doméstica são do sexo feminino.

Quase 47% das mulheres assassinadas em 2012 foram mortas por familiares ou parceiros em todo o mundo, enquanto o mesmo ocorreu com menos de 6% dos homens. Quando observados apenas os números da violência por parceiro, a esmagadora maioria das vítimas de homicídios são mulheres (79% na Europa).

“Assim, enquanto uma grande parcela das mulheres vítimas de homicídio são assassinadas por pessoas que deveriam se importar com elas e protegê-las, a maioria dos homens são mortos por pessoas que podem nem conhecer”, relata o documento.

Causas

A disponibilidade de armas e o uso de álcool e/ou drogas ilícitas são fatores externos que influenciam amplamente na realização ou não de um homicídio, segundo o estudo. As armas, por exemplo, não estão em todos os assassinatos, mas têm papel importante nos números: com alta taxa de letalidade, as mais usadas são as armas de fogo (quatro entre dez casos). Enquanto isso, “outros meios”, como a força física, matam apenas pouco mais de um terço das vítimas e os objetos cortantes, um quarto.

O consumo de álcool e drogas também aumenta a chance de que um homicídio seja cometido. Na Suécia e na Finlândia, mais da metade dos homicidas consome álcool antes de cometer o crime e, na Austrália, quase metade dos assassinatos está relacionado a bebidas alcóolicas, tendo sido consumidas pelo assassino, pela vítima ou por ambos.

As drogas ilícitas, por sua vez, influenciam em dois tipos de homicídio: aquele em que há consumo dessas substâncias e aquele gerado pelo tráfico, muitas vezes envolvendo cartéis rivais.

Condenação

O estudo mostra que, na maior parte dos países, as autoridades reagem prontamente a uma denúncia de homicídio. Entretanto, a taxa de condenação para cada 100 homicídios dolosos é de apenas 43.

Os números são bastante díspares entre as regiões, no entanto. Enquanto na Europa a taxa de condenação chega a 81%, na Ásia o número não chega à metade dos casos (48%) e é ainda mais baixo nas Américas (24%). Segundo o relatório, não havia dados suficientes para Oceania e África, que não foram incluídas nessa parte da pesquisa.

Opera Mundi

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Comentários

  1. Lucas Postado em 11/Apr/2014 às 10:48

    San Isidro (grande Buenos Aires) cidade linda, pequena e simpática aí vou eu!

    • marcelo Postado em 12/Apr/2014 às 18:54

      Pequena?

  2. Bruno Postado em 11/Apr/2014 às 11:05

    Em relação aos dados apontados na matéria tenho que afirmar que foi postado de forma errada. Acabei de analisar a série temporal com os dados e a primeira coisa que vi foi a comparação de anos diferente entre países. Cuba só possui dados relativos ao ano de 2012 (4,2 homicídios por 100 mil habitantes) e realmente é um número baixo para os padrões da América Latina, mas não chegam nem perto dos números europeus, onde muitos países tem taxas abaixo de 1 homicídio por 100 mil habitantes. O Chile em 2012 realmente apresentou a taxa de 3,1 assim como o Brasil 25,2, contudo a argentina não possui dados sobre o ano de 2012, e o indicador referido na matéria é o de 2010 com 5,5 e não reflete o momento de tensão no país no momento. A Venezuela tem o MAIS QUE DOBRO do Brasil, são 53,7 homicídios por 100 mil habitantes para o ano de 2012. O Uruguai teve um crescimento de 29,50% na taxa de 2010 para 2012, sendo que o índice está em 7,9. Belize apresenta 44,7 e não o que foi apresentado. E só pra citar: a taxa de homicídios no Brasil vem crescendo de acordo com o mesmo relatório. Quem quiser ver a fonte, ONUDC, é só entrar no link e baixar a planilha. http://www.unodc.org/gsh/en/data.html

    • Leonardo Postado em 11/Apr/2014 às 14:06

      Excelente ponto de vista e isento de partidarismo. Vi os resultados e concordo com o amigo. Um ponto importante para se destacar são as tendências de alta nos países do eixo bolivariano. Pensamento científico serve para isso: identificar um fenômeno e depois se buscam as causas através da formulação das hipóteses. O problema é que no Brasil o debate está reduzido ao modelo maniqueísta e míope de esquerda e direita. Estou de saco cheio disto.

      • Tammy Postado em 11/Apr/2014 às 15:50

        Pois é Leonardo! De que servem esses números se eles não se materializam em políticas públicas voltadas para o combate à violência? Ano após ano vemos esses números explodirem e a nossa inércia parece que aumenta junto com os esses índices. Ando tão desacreditada em qualquer coisa que se apresente como solução que já aderi naturalmente ao comportamento da autoproteção. Eu me tranco em casa, ponho grades nas janelas, saio à noite raramente, ando sem muito dinheiro na bolsa, não converso com meus amigos na calçada de casa, desconfio de tudo e de todos e, se sou vítima de violência, fico achando que a culpa é minha por ter sido tão "descuidada". Não é essa a solução que nos dão?? Pois então! Eu quero viver, mesmo que seja sobrevivendo. Abraços,

      • Pessoa Postado em 12/Apr/2014 às 21:55

        (1) Em momento nenhum o texto sugere que a taxa de homicídio de Cuba é comparável às da Europa. (2) O texto não nega, em momento nenhum, os terríveis indicadores da violência na Venezuela. Quem está de picuinha "esquerda vs. direita" são vocês. Se vocês não conseguem aceitar que o Chile (supostamente uma utopia neoliberal) tem taxas de homicídio comparáveis às de Cuba (supostamente um inferno totalitário), como podem acusar o outro lado de ser "maniqueísta"?

    • Vera Postado em 12/Apr/2014 às 00:07

      Vc não precisa nem desenhar para que possamos adivinhar qual a sua tendência ao escrever estas singelas linhas. Por favor, sejamos mais científicos ao analisar as pesquisas.

  3. Rodrigo Postado em 11/Apr/2014 às 11:14

    É de se admirar, realmente, a resolução de um problema, mas devemos analisar algumas nuances: 1- é algo histórico ou foi conquistado (houve redução nas taxas?)? Se o foi, parabéns!; 2- a taxa de homicídios é maior aonde o tráfico de drogas tem maior incidência (o que não será sempre verdadeiro, também, haja vista o México, com tráfico de drogas recrudescido, ter taxas menores que as do Brasil)?; Isso a fim de que não "façamos oferenda ao caboclo errado". A cada um é devido o reconhecimento pelo que efetivamente conquistou, bem como pelos reflexos disto, mas temos de ver se é uma melhora ou a manutenção de uma taxa. Já o Brasil e a Bahia... Desde 2002 houve aumento de 300% no homicídio de jovens negros. Não podemos esquecer, ainda, das mortes no trânsito, seja em decorrência apenas de imprudência, seja em decorrência de imprudência decorrente de ilícitos (uso de álcool e ou drogas - direção sob a influência deles; rachas; velocidade excessiva etc.). Então parabéns a tais povos, quanto às suas taxas de homicídio. E que passemos a investigar e buscar a solução quanto ao noticiado aumento de 300% na taxa de homicídios de jovens negros na Bahia, em 10 anos (pesquisa engloba final do governo carlista e maior período do governo Wagner, reeleito). No aumento de homicídios no NE em geral e análise cuidadosa de taxas do Sudeste e Sul, a fim de aferir se não há "maquiagem" nos números (há pouco tempo, foi noticiado que até mesmo corpos encontrados com tiros nas costas e nuca, no RJ, eram elencados como "morte suspeita", ou seja, não recaindo nas estatísticas de homicídio). Já que governos socialistas são apontados como os que melhoram as taxas, então que seja identificado se realmente é uma solução deles ou do povo em si. E, caso positivo, questionemos, então, o porque de governantes socialistas do Brasil ainda não terem adotado tais medidas (novamente, o aumento, na BA, foi de 300%). P.S.: fosse um carlista, no Governo baiano, prontamente seria tachado de racista, de discriminatório quanto aos jovens negros, ou não? Merece, pois, nossa reflexão, a fim de que busquemos a solução, mas não apenas o mero e cômodo ataque (do direitista ao esquerdista e do esquerdista ao direitista, claro).

    • Bruno Postado em 11/Apr/2014 às 11:24

      Besteira: Venezuela e Uruguai cresceram, Argentina se manteve relativamente estável, mas em relação a década passada diminuiu. Brasil cresceu em relação a 2002. Colômbia diminuiu pela METADE em relação a década passada, embora o valor ainda seja MUITO alto. Paraguai também diminuiu. No Chile as taxas sempre foram baixas e estáveis. Nos países de esquerda bolivariana, as taxas cresceram MUITO. Venezuela em 2000 era 32,9 e hoje é 53,7, aumento de 63% Bolívia era 7 em 2005 e hoje está em 12,1 O equador apesar de grandes variações é uma exceção que se mantém relativamente estável.

  4. Thiago Teixeira Postado em 11/Apr/2014 às 11:46

    É impressionante o quanto os reacionários de plantão regridem e tentam diminuir qualquer boa notícia dos países em desenvolvimento. Se fosse Austrália, Canadá, Suécia, viriam aqueles comentários do tipo "Isso é primeiro mundo, o Brasil é uma bosta".

    • Rodrigo Postado em 11/Apr/2014 às 13:43

      Leia de novo, pois elogiei, requerendo atenção quanto às soluções em nosso país. Ademais, engenheiro que você é, em vez de etiquetar-te, tachar-te, prontamente, mediante alcunhas como "esquerdopata", "revoluça" ou "pastel de vento", vou reconhecer seu direito à liberdade de expressão. E, então, questionar se a estatística não pode provar tudo, "eventualmente, até a verdade", como já dito; Bruno apontou algumas incoerências, não podendo ainda esquecer a recente lambança do IPEA (da proposição de questões à finalização da pesquisa). Então, prezado, volvamos, não aàposição de engraxate das botas de Fidel ou de Pinochet. Mas à análise racional de dados, desapaixonadamente. No mais, o aumento de 300% no homicídio de jovens negros, na BA, em parte em muito maior no governo Wagner, nada te diz? E, se fosse um carlista, não seria prontamente atacado (atacado ou estuprado, depende do IPEA...)? P.S.: pare com a mais de impor falas aos outros. E, assim como já te disse, fique com Tchê e Bush, com Obama e Dilma, com Canadá e Camboja, pois eu prefiro meu Brasil.

      • Rodrigo Postado em 11/Apr/2014 às 13:46

        *mania

  5. Elias Postado em 11/Apr/2014 às 11:55

    Argentina sempre foi um país extremamente educado, a desgraça da Argentina é recente com os governo populistas, Chile representa a direita na América Latina, é liberal e a população é extremamente educada e civilizada a legislação é mais severa que a brasileira em ambos os países. Sobre Cuba é uma ditadura, mais de 50000 pessoas fogem daquela ilha por ano muitos morrem, o povo vive na miséria os dados são referentes do ano de 2012.

    • Gustavo P. Postado em 11/Apr/2014 às 12:06

      O Chile é "tão liberal" que não suportou um mandato sequer de Sebastián Piñera, representante da direita naquele país e que saiu do poder com índices altíssimos de rejeição por fazer um mandato desastroso, sobretudo no que tange ao sucateamento da educação. Elegeram novamente em votação esmagadora a esquerdista Michelle Bachelet, do Partido Socialista do Chile.

      • maranba Postado em 11/Apr/2014 às 22:16

        O Elias é desinformado e o comentário dele não tem credibilidade nenhuma!

  6. Neyla Postado em 11/Apr/2014 às 12:29

    Interessante no estudo, a pag28, analisando somente a situação do Brasil.. Mostrando que embora a taxa esteja estável, o resultado mascara o que acontece por estado.. Isso acontece pq os homicídios decresceram no sudeste e aumentarm no nordeste e norte...

  7. eu daqui Postado em 11/Apr/2014 às 13:02

    Mentira: todo mundo sabe que depois do Chile o mais seguro é Costa Rica.

  8. rogerio david Postado em 11/Apr/2014 às 13:13

    Sobre o primeiro colocado não vamos mencionar, né... melhor virar pro lado que fica ruim pra gente. Nem citaram o fato de ser de longe a Venezuela o pais mais violento da america latina...

  9. Bruno Postado em 11/Apr/2014 às 14:30

    Vou retificar aqui que eles citaram que a taxa da Venezuela e Belize são maiores que a média da AL. Erro meu que li com pressa e agora que estou mais tranquilo li com calma. Enfim... é isso.

  10. Carlos Santos Postado em 11/Apr/2014 às 22:00

    Um ponto a considerar, no caso do Brasil, é que nos últimos 20 anos a população carcerária aumentou 400% mas isso não contribuiu para reduzir a quantidade de homicídios (nenhuma surpresa, já que o aprisionamento se dá *depois* de o crime ser cometido). Já temos a quarta maior população carcerária do mundo mas a maior parte são criminosos de baixa periculosidade para os quais o nosso sistema prisional capenga serve mais como agravante do que como solução. O sujeito entra batedor de carteira e sai membro de uma facção criminosa. A BBC Brasil recentemente publicou uma série de reportagens muito boa sobre isso: http://bbc.in/1giij9l

  11. Paulo F Postado em 14/Apr/2014 às 13:34

    Já vive um tempo na Argentina,posso dizer que eles reclamam muito mais que a população brasileira sobre a taxa de homicídios nos seus respectivos países. Outro ponto curioso,é onde está o grupo ''machista'' para mostrar essa desigualdade entre homens e mulheres,onde os homem morrem bem mais que as mulheres??? Cade a igualdade? Mundo injusto,onde já se viu,é a mulher oprimindo o homem!! Homens do mundo,uni-vos! rsrsrs já pensou parar um pouco e ver o mundo de outro ângulo?

  12. intrigado Postado em 15/Apr/2014 às 15:20

    Ao analisar o site de onde o Pragmatismo tirou a notícia : http://www.unodc.org/gsh/en/data.html - pode-se perceber que a questão da violência e do alto índices de assassinatos no Brasil não advêm somente da tão propagada pobreza. A questão é muito mais complexa do que se querem nos fazer engolir. O Brasil deve parar com essa cultura de desrespeito à vida humana. Como explicar que a Índia, país onde a pobreza é muito mais marcante que a nossa, tenha taxas de homicídio de 3,5% com pouco mais de 14 mil assassinatos (lembrando que a índia tem mais de 1,1 bilhão de pessoas), enquanto o Brasil, país de 190 milhões de habitantes, tem a vergonhosa taxa de homicídio com o quantitativo de 25,2% e com um total de 50.108 casos de homicídios?