Redação Pragmatismo
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Mídia desonesta 19/Mar/2014 às 16:46
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SBT pode perder dinheiro do governo por causa de Sheherazade

Caso Sheherazade leva governo a estudar suspensão de verba para o SBT. Secretaria de Comunicação examina pedido motivado por comentário de apresentadora sobre ação de “justiceiros” no Rio. Governo repassou R$ 153 milhões à TV só em 2012

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SBT atribuiu responsabilidade por comentário a Rachel Sheherazade (Divulgação)

O governo federal estuda suspender a verba publicitária que repassa à terceira maior emissora de TV do país, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). O caso é examinado pela equipe do ministro Thomas Traumann, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a pedido da líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ).

A deputada acusa a emissora de ter praticado apologia e incitação ao crime, à tortura e ao linchamento ao exibir comentários da apresentadora Rachel Sheherazade que, segundo a parlamentar, exaltavam a ação de chamados “justiceiros” no Rio de Janeiro contra um jovem de 16 anos, acusado de furto. “A Secom me deu um primeiro retorno dizendo que concorda com o conteúdo do nosso pedido e que estuda quais providências tomar”. As informações são do Congresso em Foco.

A assessoria da Secretaria de Comunicação da Presidência confirmou que a pasta estuda o assunto, mas afirmou que só o ministro Thomas Traumann poderia confirmar se concorda ou não com a suspensão da verba. A reportagem aguarda retorno da Secom desde ontem (18) à tarde.

Em 2012, o SBT recebeu R$ 153,5 milhões em publicidade de verba publicitária do governo federal. Ficou atrás apenas da Globo (R$ 495 milhões) e da Record (R$ 174 milhões). O valor destinado à TV de Silvio Santos corresponde a 13,64% do bolo publicitário das emissoras. “Como o governo pode subsidiar um canal que tem uma editorialista que incita à violência e à justiça com as próprias mãos?”, questiona Jandira Feghali.

Na edição do telejornal SBT Brasil, do último dia 4 de fevereiro, Rachel disse que era “compreensível” a ação de um grupo de pessoas que acorrentou a um poste um adolescente acusado de furto no bairro do Flamengo (relembre aqui), na Zona Sul do Rio. O jovem foi acorrentado, nu, pelo pescoço com uma trava de bicicleta. Ele teve parte da orelha cortada e só foi solto após a intervenção de uma moradora.

Perda da concessão

A líder do PCdoB na Câmara trabalha em duas frentes contra o SBT. Além do ofício enviado diretamente à Secom, no dia 20 de fevereiro, ela também apresentou um requerimento à Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede a abertura de inquérito contra a TV e Rachel Sheherazade e o corte da verba enquanto durarem as investigações.

A deputada diz que não há censura em sua iniciativa. Segundo ela, uma coisa é externar uma opinião, outra é defender um crime como “fazer justiça com as próprias”. “Não podemos ser coniventes com nenhum crime. O único poder capaz de julgar a proporcionalidade da punição é a Justiça, que dá direito de defesa. Temos de defender o estado democrático de direito.”

Outras representações

Este não é o único caso envolvendo a apresentadora e a emissora que Rodrigo Janot terá de analisar. Ainda em fevereiro, o Psol acionou a PGR contra Rachel e o SBT por apologia ao crime, à tortura e ao linchamento. No encontro com os parlamentares, Janot se comprometeu a designar um procurador para investigar o caso.

“A violência é feita em palavras pela Rachel Sheherazade tentando justificar uma violência absurda. E ela diz isto num meio de comunicação que é uma concessão”, afirmou o líder do Psol na Câmara, Ivan Valente (SP). “A liberdade de imprensa, que é importante e necessária, não poder ser refúgio de declarações irresponsáveis”, acrescentou o deputado.

Ainda em fevereiro, a presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES), pediu à Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo que abra procedimento para apurar o conteúdo do comentário de Rachel. Para a senadora, a apresentadora violou os direitos humanos e fez incitação à violência. Com o ofício, foi encaminhada uma nota de repúdio publicada pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro sobre as violações de direitos cometidas pela jornalista.

Edson Sardinha e Eduardo Militão, Congresso em Foco

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 19/Mar/2014 às 17:21

    Eu sou uma pessoa muito ignorante, tapada e desinformada sobre esse assunto de concessão. Mas ... o governo dá subsídios as emissoras de televisão?

    • Leandro Dubost Postado em 19/Mar/2014 às 20:12

      É verba publicitária, não é subsídio.

    • Carlos Santos Postado em 19/Mar/2014 às 21:18

      O governo não dá subsídios diretamente mas paga por tudo que precise anunciar. Tudo mesmo. Nem campanha de vacinação as emissoras de TV divulgam de graça.

      • Thiago Teixeira Postado em 20/Mar/2014 às 08:24

        Será se o Kim Jong-il paga as emissoras da Coreia do Norte divulgação de suas campanhas de vacinação? Nosso governo é muito bonzinho e submisso a esses safados monopolizadores da mídia.

    • Rodrigo Postado em 20/Mar/2014 às 09:33

      Não é ser bonzinho, Thiago, muito pelo contrário... É apenas a sanha de aparecer, de prosseguir, como todos os governantes anteriores, com publicidade milionária, mostrando-se, os políticos, ao povo não como cumpridores dos deveres de seus mandatos, mas como benfeitores, heróis do povo. E aí eu, mais uma vez, fico sem entender a coerência do Empirismo Político: a priori, critica, corretamente, a farta distribuição de dinheiro via publicidade oficial (em que pese defender que esse "financiamento" vá para a base aliada na imprensa), ao que, posteriormente, critica a jornalista por ser a causadora do SBT poder vir a não mais receber o valor em comento. A mesma coerência que teve ao publicar que Lula afirmou Campos como um novo Collor. Enquanto isso, Collor é o neocompanheiro, destinatário de grandes afagos e ora com muita influência sobre a Petrobrás, eu, então, me questionando: para o Empirismo e Lula, ser um novo Collor é bom ou ruim? E, para ambos, Campos agora é o malvadão, sendo que antes era o "filé da Bahia"? É difícil acompanhar raciocínios tão peculiares, silogismos raquiticamente sustentados em premissas tão convenientes. P.S.: ainda estou esperando para ver se este blog chamará Dilma de entreguista (como faz com os privateiros), em função do prejuízo bilionário da compra da refinaria americana... Se não vai cobrar as linhas de transmissão para parques eólicos (o parque em pleno funcionamento, mas não distribui nenhum miliwatt, ao que a conta das térmicas será paga pela Viúva...). É muito difícil, especialmente em ano de eleição...

  2. Carlos Prado Postado em 19/Mar/2014 às 18:55

    Já eu sou a favor da abolição de toda forma de dinheiro que o governo possa repassar a alguém. Para começar é uma renda dele para repassar? No mais é uma forma de chantagem para calar quem o governo não gosta. Liberdade de expressão nunca foi o forte dos comunistas. Eles só a exigem dos que a pregam para que eles possam começar a falar e depois calar a todos.

    • arão Postado em 19/Mar/2014 às 19:50

      E as emissoras querem perder a boquinha?há anos as emissoras ganham do governo . Em vez disso não se faz o que necessita para o cidadão

    • Leandro Dubost Postado em 19/Mar/2014 às 20:20

      Primeiro: em que universo o PT é um partido comunista? Nem toda esquerda é comunismo, por favor estude os conceitos antes de inventar coisas assim... Segundo: governos anteriores ao PT também tinham verba para publicidade destinada a televisão. É completamente normal em qualquer governo do planeta! Não tem nada a ver com "repassar verba", é campanha publicitária.

      • Carlos Postado em 19/Mar/2014 às 21:29

        Em que momento foi citado PT mesmo como a culpa de tudo?

    • Rafael Postado em 19/Mar/2014 às 21:26

      Cara, e desde quando ir contra apologia ao crime é ser comunista? Além disso, vê-se que você não entende nada de política, por dois motivos: 1) fica latindo coisas contra o comunismo, mas nem sabe o que ele REALMENTE prega (e eu não to falando de burrices que você ouve na TV); 2) O PCdoB não é mais um partido comunista nem aqui, nem na China...

    • Gilberto Madeira Postado em 20/Mar/2014 às 19:55

      Com isso só vai ter tv a cabo.

  3. Victor Garcez Postado em 19/Mar/2014 às 20:17

    A rache sheherazade já até foi demitida! Deixem o sbt em paz

  4. paula Postado em 19/Mar/2014 às 21:21

    Liberdade de expressão?Balela. Tá aí como se compra opiniões "livres" da imprensa

  5. Densibaldo Postado em 19/Mar/2014 às 21:34

    bonitinha mas ordinária

  6. Diário da Notícia Postado em 19/Mar/2014 às 21:39

    Cabeça rolando a vista!!!

  7. Priscila Postado em 19/Mar/2014 às 21:57

    liberdade de expressão é uma coisa, liberdade para ofender e incitar a violência é outra bem diferente. Está mais do que na hora de termos uma midia mais democrática onde os civitas, marinho e saad não possam mandar e desmandar, até a Argentina tem uma lei de meios e muita gente ainda pensa que lá é horrivel, que pena deveriamos nos mirar nos hermanos não só nesse quesito midia mas no quesito memoria e historia

  8. renato Postado em 19/Mar/2014 às 22:00

    Por que o governo dá dinheiro, além das concessões?

  9. lindolfo santos Postado em 20/Mar/2014 às 10:17

    a Sheherazade apenas expressou a opinião de todo brasileiro referente aos bandidos que matam,roubam e não são punidos, porque esse pc do b não muda a legislação penal afim de punir os criminosos, políticos brasileiros são todos iguais, desonestos.

  10. Ely Justo Pimentel Postado em 20/Mar/2014 às 13:12

    Quando a heroína Sheherazade disse que era "compreensível" a ação de um grupo de pessoa, ela quis dizer que: A população não aguenta mais a insensibilidade e o descaso de nossos representantes que não se preocupam mais com o cidadão de bem que contribui com o pib ( riqueza da nação). Analisem o texto pela hermenêutica e verão que a SHEHERAZADE nos representou falando; O que na prática, no mínimo, a deputada deveria estar fazendo.

    • Conrado G. Neto Postado em 21/Mar/2014 às 09:46

      SHEHERAZADE propaga desde muito tempo uma doutrina de preconceito e ideias ignorantes que parecem defender certos "anseios" da população mas não passam de um texto ignorante e panfletário. Ela não nos representou falando.

  11. José Postado em 20/Mar/2014 às 14:21

    Por mim, pode tirar do ar esses TVs todas.. Não há absolutamente nada de aproveitável na programação do SBT, da Record, da Globo, etc.... A única coisa que poderíamos dizer ser importante seriam os telejornais. Apenas seriam, se não fossem tendenciosos. Não irão fazer falta alguma ao pleno desenvolvimento intelectual da população.

  12. mozaniel Postado em 20/Mar/2014 às 15:25

    tão querendo acabar com os comentarios da jornalista pq ofende eles,todos esses politicos são sujos,um bando de vagabundos.E esse dinheiro q dão pras emissoras sai é do bouso da gente pra ta fazendo anuncio deles.Raquel continue com suas opinioes,eu te apoio.

    • Conrado G. Neto Postado em 21/Mar/2014 às 09:51

      Primeiramente, bolso*. Não se quer acabar ou reprimir comentários de jornalistas, muito menos o da referida Raquel. O que se tenta evitar nessa situação é um evidente incentivo a violência em rede nacional. Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime: Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

  13. Luiz Postado em 20/Mar/2014 às 15:35

    Financiar uma emissora que sustenta uma ideologia com transfundo violento e preconceituoso, é absurdo. O governo deveria colocar parâmetros para os meios de comunicação. Eu sou a favor da liberdade de expressão com inteligência, isso que o SBT promove é para criar uma mentalidade tacanha, assassina.

  14. Rudney Postado em 20/Mar/2014 às 16:49

    É assim que o governo censura a imprensa. Se falar contra a linha de pensamento deles, cortam as propagandas e passam a fazê-las em outra emissora.

    • Luiz Postado em 24/Mar/2014 às 00:51

      Deveria ter uma cláusula que as emissoras com maior numero de audiência teriam que fazer propagandas de utilidade pública, gratuitamente. Isso é dever dos meios de comunicação para com a população.