Redação Pragmatismo
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Mundo 03/Mar/2014 às 20:27
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População da Crimeia celebra chegada dos russos

Com "selfie" e bandeiras, população da Crimeia comemora presença militar da Rússia. Maioria da região de fronteira com Ucrânia é favorável a Vladimir Putin, evidenciando diferenças com capital Kiev

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Maioria da população da Crimeia aprova presença militar russa (Reuters)

O júbilo é grande, entre parte da população da Crimeia. Carreatas transportando a bandeira da Rússia, pessoas festejando nas ruas das cidades de Sevastopol e Simferopol, capital da República Autônoma. Elas comemoram a aprovação, pelo Parlamento russo, de um pedido do presidente Vladimir Putin para enviar tropas militares à península pertencente à Ucrânia.

O entusiasmo dos grupos de origem russa, que respondem por aproximadamente 60% da população da Crimeia, já havia sido despertado antes, com a antecipação de um referendo sobre o status da península do dia 25 de maio para 30 de março. Este poderá ser o primeiro passo para uma maior independência da península em relação à Ucrânia, culminando com sua separação total do país, ou até mesmo com uma anexação à Rússia.

Símbolo de bravura

Após o anúncio do envio de tropas russas, houve manifestações nas duas maiores cidades da Crimeia. Estima-se que mais de 5 mil pessoas se reuniram na maior praça de Sevastopol, a pouca distância dos edifícios da administração pública. “Rússia! Rússia!” era a palavra de ordem.

Muitos manifestantes traziam a fita de São George – um símbolo de bravura militar, sobretudo para os russos, e lembrança de sua vitória sobre os nazistas. Entre 1941 e 1942 ocorreu no porto de Sevastopol uma das batalhas mais difíceis na Segunda Guerra Mundial. Atualmente, é lá que a frota russa no Mar Negro se encontra estacionada.

A maioria dos manifestantes quer uma aproximação à Rússia. “Esta é nossa escolha. Por que a imprensa internacional não fala isso?”, questiona a escriturária Svetlana Konycheva. Ela se diz chocada com o fato de a imprensa ucraniana só informar sobre “medo e pânico entre as pessoas na Crimeia”. Contudo, se trata exatamente do contrário, garante.

Intolerância com novo governo em Kiev

Poucas vezes o clima na Crimeia esteve tão politizado. Nos cafés, mercados e ruas só se fala em política. Há pouco tempo, a situação era bem diferente. “Geralmente vivemos com bastante tranquilidade. Mesmo durante os protestos em Kiev, tudo esteve bem calmo por aqui, até o novo governo ucraniano alterar a lei do idioma”, conta Galina, proprietária de uma pequena loja. “Essa foi a gota d’água. De repente, 30 mil pessoas vieram para esta praça protestar”, lembra.

A maioria dos cidadãos de Sevastopol tem dificuldade em entender e aceitar a revolução em Kiev – embora sejam poucos os que viam no presidente deposto Viktor Yanukovytch um bom chefe de Estado. Mas os que assumiram agora o poder na Ucrânia assustam boa parte da população da Crimeia.

“Não queremos uma Maidan aqui”, mostra um cartaz, referindo-se à Praça da Independência de Kiev, foco dos protestos pró-europeus. Os russos que vivem em Sevastopol e Simferopol lutam, sobretudo, pelo direito de ter sua língua materna reconhecida como idioma regional. A lei nesse sentido fora aprovada sob Yanukovytch, mas o novo presidente interino, Oleksander Turchinov, vetou a decisão do Parlamento de suspender a lei do idioma.

crimeia rússia

A população de origem russa espera que a fraca economia da Crimeia possa ganhar novo impulso sob orientação do Kremlin. “Vivemos há mais de 20 anos sob regime da Ucrânia. E o que eles fizeram pela Crimeia? Temos uma dívida pública de 130 bilhões de dólares, que os meus netos precisarão quitar. E nossa economia está no chão”, critica o pintor Oleg Tanzüra, inspirado pelo que ele chama de “energia dos protestos”.

Preocupações do outro lado

Mas muita gente na Crimeia não está feliz de que a crise na Ucrânia tenha chegado a este ponto; entre eles, alguns russos que vivem na península. Não são todos os que apoiam os últimos movimentos de Moscou. “Tenho medo de que isso vire uma guerra”, desabafa Pavel, um executivo de Simferopol.

Profundamente preocupada estão as minorias que vivem na península – entre eles os tártaros, que respondem por 15% da população, e os ucranianos, que somam 10%. “Estamos a apenas meio passo de uma catástrofe”, avalia Refat Tchubarov, presidente de uma importante associação de tártaros da Crimeia.

Sua etnia não tem boas lembranças da política do Kremlin. Na Segunda Guerra, o ditador soviético Josef Stalin mandou deportar os tártaros da Crimeia para a Ásia Central. Hoje, eles defendem que a integridade territorial da Ucrânia não seja ferida – por isso são contrários à separação da Crimeia. Tchubarov conclamou os cidadãos a não entrar em pânico e a manterem-se unidos. “Devemos manter tudo tranquilo”, afirmou o tártaro na televisão.

Para os ucranianos que vivem na península e que apoiaram integralmente a revolução em Kiev, o anúncio sobre a ocupação pela Rússia fez o mundo vir abaixo. “Estamos chocados”, afirma o coordenador do movimento Euromaidan Crimeia, Andrei Chekun: “Temos medo de protestar. Hoje, eu fui atacado na rua.”

DW.DE

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Comentários

  1. carlos Postado em 03/Mar/2014 às 20:34

    olhem o que encontrei!! ficha de cadastramento para resistencia civil ucraniana . Tomara que o dialogo vença a ignorância! https://docs.google.com/forms/d/1eMNvs7OM27tb5Yq-1PwsPYCrz7tZeUaK3aBYobKmnyU/viewform

  2. Carlos Prado Postado em 03/Mar/2014 às 20:36

    Muito bem, como a população gosta de um autoritarismo, de alguém que a pegue pela mão e mostre quem é que manda. Solucionemos o problema do estado com a intervenção de outro estado, pois o estado existe para solucionar problemas causados pelo estado e por isso é necessário sempre mais estado. Bem, pelo menos até que haja tanto estado que quando em tudo ele estiver não fará mais sentido em falar em estado. Então seja ele crescendo pela esquerda, pela direita ou pelo centro, teremos a situação idealizada por Marx de comunismo, onde não há estado de tanto estado que há.

  3. Vinícius Postado em 03/Mar/2014 às 21:12

    O oeste da Ucrânia é pró-Europa, quer o país na UE e fala ucraniano. Já no leste, a maioria fala russo, quer aproximação com a Rússia, e lugares como Crimeia pedem ate anexação à Moscou. O melhor a fazer é dividir o país, isso pode ser feito de forma mais democrática e por meio de plebiscitos e com o governo ajudando famílias a mudar para o estado que bem entenderem antes da divisão. O que aconteceu durante os protestos foi gravíssimo e espero que não ocorra mais, o Estado usando armas letais... uma coisa é inegável: o antigo presidente é um criminoso homicida e mesmo o lado leste não deveria aceita-lo.

  4. Rodrigo Postado em 03/Mar/2014 às 21:15

    Ahn??????? A invasão está sendo celebrada???? Entendi... É porque estou acostumado a recriminar atitudes tais, a exemplo de quando os EUA invadem Vietnã, Iraque e Afeganistão, por isso achei que, também no caso vertente, seria devida a crítica... Só não contava com a astúcia dos colorados, os que sempre têm salvo-conduto para reiterar erros daqueles que são por eles criticados...

  5. Antonio Palhares Postado em 04/Mar/2014 às 12:35

    Rodrigo. Quem estão comemorando são os russos que são maioria na Criméia. Que desde Catarina a grande pertenceu aos Russos. Os comunistas a doaram para a Ucrânia em 54. A frota do mar negro sempre esteve ancorada lá. O que o presidente Putin esta fazendo é nada mais do que defender os direitos estratégicos do seu País.Ao contrario de um presidente que tivemos que assinou o tratado de não proliferação de armas nucleares e o tratado de não proliferação de tecnologias de mísseis balísticos, tínhamos condições de fabricar mísseis de alcance de até dois mil quilômetros e foi assinado que o máximo tem de ser 300 km. Isto sem nenhuma contra partida. Ou seja o Brasil não ganhou nada aceitando isto. Eles podem ter, nós não. E tem mais coisas.

    • Rodrigo Postado em 05/Mar/2014 às 22:09

      Aquela velha história do "quanto pior, melhor". "Se FHC fez, se Collor fez, se Itamar, Militares, Sarney, Dom Pedro, Mem de Sá e Nero fizeram, por que também nós não faremos?" Repito: o norte é a melhoria, a correção, mas não a eterna justificativa, comparação de erros crassos. No mais, prezado, é melhor os homossexuais da Criméia arrumarem novo endereço, não? O camarada Putin não "curte" muito essa de "liberdade sexual" e tal, né? Mas aí você pode, novamente, justificar: "Mas fulaninho fez, beltraninho não fez por falta de oportunidade, então agora é nossa hora".

  6. renato Postado em 04/Mar/2014 às 12:54

    Se eles vão ser invadidos, prefiro que seja pelos que falam sua lingua. E não a lingua americana ou inglesa ou francesa, ou alemã. Ficou claro...ou dá para desenhar, o que acontece lá.. Não...para mim também não ....não moro lá.

  7. Guilherme Postado em 04/Mar/2014 às 15:42

    Isso tudo para construção de um gasoduto e uma base naval ? Eles 'recuaram' simplesmente porque a bolsa caiu 11% sem um tiro disparado imagina se invadem ? Muita inocencia pensar que estão se importando para algum russo da Crimeia. E assim continua daqui uns dias vamos estar na mira ou misteriosamente a população vai precisar de ajuda internacional e por ai vai.

  8. Maurício Palhano Postado em 05/Mar/2014 às 00:56

    Eu já esperava um texto completamente favorável a Rússia. Independente de EUA e outros países, a Rússia foi de fato o império que mais massacrou civis e inocentes, parece que as pessoas esquecem da Tchecoslovaquia, Hungria, Estônia, Letônia e tantos outros que foram massacrados impiedosamente pela pesada mão de ferro soviética. Não cabe aqui auto-determinação dos povos. Ao invadir e conquistar a Ucrânia, a Rússia sabia que a Crimeia era a região mais fértil do país e sabiamente expulsou milhares de ucranianos e povoou a região com russos. Não cabe aqui de forma alguma um plebiscito, como e válido nas Ilhas Malvinas. A marionete russa, aguardando o momento propício para ressucitar a URSS, usa de pretextos ridículos como "defender o seu povo", apenas para impedir a aproximação da Ucrânia com a UE e naturalmente o estreitamento dos laços com a OTAN. Gangster da combalida e extinta KGB, Putin jamais permitirá que sua zona de influencia fique sob as mãos ocidentais, mesmo que para isso tenha que cometer tal atrocidade. Vai pagar caro. Um bloqueio continental é mais do que merecido...Esse blog tem excelentes textos, mas será que poderiam ser imparciais? Essa modinha de demonizar os EUA já está ficando ultrapassada...

  9. Junior Postado em 05/Mar/2014 às 10:32

    Já que a matéria foi copiada de outro site, deveria ter mantido o Título original: Presença militar russa divide população da Crimeia. Inclusive, acho um título mais coerente.

  10. renato Postado em 05/Mar/2014 às 19:08

    A Russia espera passar o Carnaval no BRASIL para continuar as ações. Até lá, o Pragmatismo já voltou de Férias...Diz um porta voz de PUTINH.. --- "Não posso dar continuidade nesta Gerra se O Prag. não retornar"..

  11. Thiago Teixeira Postado em 06/Mar/2014 às 11:26

    É um rolo essa história da Ucrânia, UE, USA e URSS ... tudo U. Não vejo saída a não ser a separação.