Redação Pragmatismo
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Cinema 07/Jan/2014 às 16:39
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'12 Anos de Escravidão' é o melhor filme em muitos anos

12 anos de escravidão fiilme

Só mesmo a bilheteria modesta e o tema indigesto para plateias adormecidas com pipoca fazem “12 Anos de Escravidão” ter que competir com “Gravidade” pelo Oscar de melhor filme. Seria como pôr Meryl Streep e Sandra Bullock no mesmo patamar.

“12 Anos…”, dirigido pelo britânico Steve McQueen (“Shame”), é o melhor filme de Hollywood, e o mais necessário, em muitos anos.

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“É o primeiro filme que torna impossível continuar vendendo mentiras e mistificações sobre escravidão por mais de um século”, escreveu a crítica de cinema do “New York Times” Manohla Dargis.

“Levou um século para vermos o impacto do chicote em um corpo nu”, redigiu David Thomson, da revista “New Republic”, lembrando a condescendência com os negros desde “E o Vento Levou”.

O longa é baseado na autobiografia publicada em 1853 do violinista Solomon Northup (interpretado por Chiwetel Ejiofor), negro livre em Saratoga, Estado de Nova York, que é sequestrado enquanto se apresenta em Washington e vendido como escravo na Louisiana.

Não há senhores de escravos bonzinhos, epifania de personagem branco que descobre que a escravidão (ou o racismo) é algo errado, nem flerte entre o homem branco e a escrava negra. Mostra, sem meio tom, os estupros constantes do senhor de escravos Epps (Michael Fassbender) contra sua favorita, Patsey (Lupita Nyong’o).

A mulher de Epps, com ciúmes de Patsey, agride repetidamente a “rival”, nessa nada romantizada “Casa Grande e Senzala” americana.

Northup aprende cedo que a submissão é requisito para se viver e a esconder que é alfabetizado. Tampouco vira melodrama — o intelectualizado Northup quer realmente entender o sistema que permitiu a lógica da escravidão.

A autobiografia levou 160 anos para chegar às telas e custou apenas US$ 20 milhões, equivalente ao cachê de um único astro hollywoodiano. A participação de Brad Pitt abriu bolsos.

“12 Anos de Escravidão” pode render o primeiro Oscar já dado a um diretor negro. Até pode perder para a linguagem new age no concorrente “Gravidade”, mas já é o filme imperdível do ano.

Assista ao trailer:

Raul Juste Lores, Folhapress

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Comentários

  1. Peterson Silva Postado em 07/Jan/2014 às 20:31

    Tá, mas só tem dois competidores de melhor filme? Não eram tipo 4 ou 5?

  2. Marlon DeMello Postado em 07/Jan/2014 às 22:48

    Comparar "Gravidade" à "12 anos de escravidão" é de uma falta de senso absurda. Ainda mais de forma jocosa. Totalmente desnecessário.

  3. Clayton Fernandes Postado em 07/Jan/2014 às 23:19

    Pra defender 12 Anos de Escravidão precisa diminuir Gravidade? Realmente.desnecessário, como disse Marlon DeMello.

  4. Sarah Postado em 08/Jan/2014 às 02:19

    Comparação estúpida entre dois filmes com propostas e (inclusive) linguagens muito diferentes. Pior foi ainda a metáfora (mais estúpida) comparando a carreira (ou o trabalho, não ficou claro no texto) de duas atrizes de gerações diferentes. Enfim, 12 Anos de Escravidão deve ser um excelente filme e com um excelente elenco (ainda não assisti), mas isso não quer dizer Gravidade não seja um bom filme e Sandra Bullock não seja uma boa atriz (porque tanto ela quanto o filme do Alfonso Cuarón são bons, na minha opinião). Além disso 12 anos... é uma produção independente (anglo-americana) e não uma produção de algum grande estúdio de Hollywood(CA); poucos filmes produzidos nos Estados Unidos são, na verdade, "hollywoodianos". O autor da matéria deveria se informar melhor.

    • Flavio Postado em 08/Jan/2014 às 11:49

      Desculpe, mas a comparação é da comissão do Oscar, e não do autor do texto.

  5. Fabricia Postado em 08/Jan/2014 às 07:46

    Acredito que a proposta deste texto em comparar os dois filmes é apontar a relevância do 12 anos de Escravidão, dado o contexto histórico de uma sociedade preconceituosa e racista, especialmente na indústria cinematográfica. Aqui não é uma página de crítica de cinema, e sim de debate de assuntos sob o aspecto socioeconômico. Lendo um pouco mais sobre o assunto... http://www.geledes.org.br/esquecer-jamais/179-esquecer-jamais/22640-hollywood-fala-muito-sobre-holocausto-mas-ignora-a-escravidao-acusa-steve-mcqueen

  6. Juniperos Postado em 08/Jan/2014 às 08:32

    Acho muito plausível mostrar esses horrores que o cinema atual gosta de maquiar e disfarçar. O negro do ocidente, em especial o brasileiro, atualmente parece estar comparando um falso passado vendido em novelinhas e musicas de funk, se tornando um sub-humano, utilizado como peões no tabuleiro de xadrez politico, a troco de dinheiro e cotas. Mas não há uma gota de interesse real de políticos seja na verdadeira historia afro por parte de políticos ou mesmo dos nossos magistrados: nas escolas mal se arranha a vasta cultura herdada, agora asfixiada através da demonização por parte de grupos religiosos maquinistas e multimilionários. Verei este filme, e desde já, recomendo a todo negro, branco, amarelo, vermelho, mestiço, ou seja lá como as pessoas costumam categorizar-se por cor de pele hoje em dia. Feche os olhos no meio da multidão, e alguém logo esbarrará em você: outro humano.

    • joana Postado em 08/Jan/2014 às 12:08

      concordo plenamente Juniperos, falou sabiamente a verdade.

  7. Guilherme H L Nunes Postado em 08/Jan/2014 às 11:08

    Quando estreia no Brasil? A materia nao citou, acho importante, quero ver

    • Administrador
      Moderação Postado em 08/Jan/2014 às 11:28

      Olá, Guilherme. A estreia no Brasil é no dia 28 de Fevereiro.

  8. Reinaldo Postado em 08/Jan/2014 às 11:10

    O que eu não entendo é que pra defender 12 anos de escravidão o sujeito tem q baixar o pau em Gravidade ( que por sinal também é um bom filme) e sem levar em conta que a lista ainda deve ter outros títulos bastante forte, como: O mordomo da Casa Branca e Capitão Philips esse último por sinal acredito deverá ser a escolha da academia , Tom Hanks e os Piratas da Somália são igualmente chocantes a 12 anos de escravidão. O filme é realmente muito bom, mas esse estilo de fazer crítica , comparando uma coisa com a outra , terrível comparar Meryl Streep com Sandra Bullock , tentando desmerecer a última como se por acaso Sandra Bullock fosse uma atriz de segunda categoria , atriz que tem um Oscar e Globo de ouro no currículo.

  9. Pollyana Sousa Postado em 08/Jan/2014 às 11:29

    Quem esta absurdamente "ofendido" pela comparação que o autor fez entre os dois filmes não entendeu sua proposta. Não se trata de qual filme teve maior bilheteria, investimento, artistas "pesados". Para o autor , pelo menos eu penso assim, 12 anos de escravidão, traz uma ideia de BOM FILME tanto quanto ou mais do que GRAVIDADE. E isso vai além das das primeiras impressões. Espero que na escolha do Oscar os pensamentos sigam a tendência do autor do texto. Por mais filmes que nos estimule a lutar e compreender as lutas alheias. Parabéns pela crítica.

  10. Marcos Postado em 09/Jan/2014 às 01:00

    Deveria existir algum filme mostrando os escravocratas negros da Africa, não precisa basta ver o jornal de todo dia, erro meu.

  11. Gabriel Postado em 14/Jan/2014 às 14:27

    não se esqueçam o medíocre titanic ganhou mais de 10 prêmios, hollywood é pura forma e em conteúdo é um lixo.

  12. Ari Kailash Postado em 16/Jan/2014 às 00:56

    Assisti hoje. E certamente uns dos filmes mais importantes dos últimos vinte anos.