Redação Pragmatismo
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Direita 10/Dec/2013 às 15:25
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Matheus Pichonelli: Não penso, logo relincho

Não penso, logo relincho. Um glossário com os 15 principais clichês repetidos pelas redes sociais para justificar, no discurso, um mundo de violência e exclusão

charge burro relincha

Matheus Pichonelli, CartaCapital

Dizem que uma mentira repetida à exaustão se transforma em verdade. Pura mentira. Uma mentira repetida à exaustão é só uma mentira, que descamba para o clichê, que descamba para o discurso. E o discurso, quando mal calibrado, é o terreno para legitimar ofensas, preconceitos, perseguições e exclusões ao longo da História. Nem sempre é resultado da má-fé. Por estranho que pareça, é na maioria das vezes fruto da indigência mental – uma indigência mental que assola as escolas, a imprensa, as tribunas, as mesas de bares, as redes sociais. Com os anos, a liberdade dos leitores para se manifestar sobre qualquer assunto e o exercício de moderação de comentários nos levam a reconhecer um clichê pelo cheiro. Listamos alguns deles abaixo com um apelo humanitário: ao replicar, você não está sendo original; está apenas repetindo uma fórmula pronta sem precisar pensar sobre tema algum. E um clichê repetido à exaustão, vale lembrar, não é debate. É apenas relincho*.

“Negros têm preconceitos contra eles mesmos”

Tentativa clássica de terceirizar o próprio racismo, é a frase mais falada das redes sociais durante o Dia da Consciência Negra. É propagada justamente por quem mais precisa colocar a mão na consciência em datas como esta: pessoas que nunca tomaram enquadro na rua nem foram preteridas em entrevistas de emprego sem motivos aparentes. O discurso é recorrente na boca de quem jamais se questionou por que a maioria da população brasileira não circula em ambientes frequentados pela elite financeira e intelectual do País, como universidades, centros culturais, restaurantes, shows e centros de compra. Tem a sua variação homofóbica aplicada durante a Parada Gay. O sujeito tende a imaginar que Dia Branco e Dia Hétero são equivalentes porque ignora os processos históricos de dominação e exclusão de seu próprio país.

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“Não precisamos de consciência preta, parda ou branca. Precisamos de consciência humana”

Eis uma verdade fatiada que deixa algumas perguntas no contrapé: o manifestante a exigir direitos iguais não é gente? O que mais se busca, nessas datas, se não a consciência humana? Ou ela seria necessária, com ou sem feriado, caso a cor da pele (ou o gênero ou a sexualidade) não fosse, ainda hoje, fatores de exclusão e agressão? (leia mais aqui sobre Consciência Humana)

“Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis”

É o mesmo que medir o volume de um açude com uma régua escolar. Crimes como homicídio, latrocínio, roubo ou furto têm causas diversas: rouba-se ou mata-se por uma carteira, por ciúmes, por fome, por motivo fútil, por futebol, mas não necessariamente por causa da orientação sexual da vítima. O argumento é utilizado por quem nunca se perguntou por que ninguém acorda em um belo dia e decide estourar uma barra de ferro na cabeça de alguém só porque este alguém gosta e anda de mãos dadas com alguém do sexo oposto. O crime motivado por ódio contra heterossexuais é tão plausível quanto ser engolido por uma jaguatirica em plena Avenida Paulista.

“Estamos criando uma ditadura gay (ou racial) no Brasil. O que essas pessoas querem é privilégio”

Frase utilizada por quem jamais imaginou a seguinte cena: o sujeito acorda, vê na tevê sempre os mesmos apresentadores, sempre as mesmas pautas, sempre as mesmas gracinhas. No caminho do trabalho, ouve ofensas de pedestres, motoristas e para constantemente em uma mesma blitz que em tese serviria para todos. Mostra documento, RG. Ouve risada às suas costas. Precisa o tempo todo provar que trabalha e paga imposto (além, é claro, de trabalhar e pagar imposto). Chega ao trabalho e é recebido com deferência: “oi boneca”; “oi negão”; “veio sem camisa hoje?”. Quando joga futebol, vê a torcida imitando um macaco, jogando bananas ao campo, ou imitando gazelas. E engasga toda vez que vira as costas e se descobre alvo de algum comentário. Um dia diz: “apenas parem”. E ouve como resposta que ele tem preconceito contra a própria condição ou está em busca de privilégio. Resultado: precisamos de um novo glossário sobre privilégios.

“A mulher deve se dar o valor”

Repetida tanto por homens como por mulheres, é a confissão do recalque, em um caso, e da incompetência, no outro: o homem recorre ao mantra para terceirizar a culpa de não controlar seus próprios instintos; a mulher, por pura assimilação dos mandamentos do pai, do marido e dos irmãos. Nos dois casos o interlocutor acredita que, ao não se dar o valor, a menina assume por sua conta e risco toda e qualquer violência contra sua pretensão. Para se vestir como quer, andar como quer, dizer e fazer o que quer com quem bem quiser, ouvirá, na melhor das hipóteses, que não é a moça certa para casar; na pior, que foi ela quem provocou a agressão.

“Os homens também precisam ser protegidos da violência feminina”

Na Lua, é possível que a violência entre gêneros seja equivalente. Na Terra, ainda está para aparecer o homem que apanhou em casa porque foi chamado de gostoso na rua, levou mão na bunda, ouviu assobios ou ruídos com a língua sem pedir a opinião da mulher. Também não há relevância estatística para os homens que tiveram os corpos rasgados e invadidos por grupos de mulheres que dominam as delegacias do País e minimizam os crimes ao perguntar: “Quem mandou tirar a camisa?”.

“Se ela se deixou ser filmada, é porque quis se exibir”.

Verdade. Mas não leva em conta um detalhe: existe alguém do outro lado da tela, ou da câmera. Este alguém tem um colchão de conforto a seu favor. Se um dia o vídeo vazar, será carregado nos braços como comedor. Ela, enquanto isso, vai ser sempre a exibida. A puta. A idiota que deixou ser flagrada. A vergonha da família. A piada na escola. Parece uma relação bastante equilibrada, não?

“O humor politicamente correto é sacal”

É a mais pura verdade em um mundo no qual o politicamente incorreto serve para manter as posições originais: ricos rindo de pobres, paulistas ridicularizando nordestinos, brancos ricos fazendo troça de mulatos pobres, machões buscando graça na vulnerabilidade de gays e mulheres. As provocações são brincadeiras saudáveis à medida que a plateia não se identifica com elas: a graça de uma piada sobre português é proporcional à distância do primeiro português daquele salão. Via de regra, a frase é usada por quem jura se ofender quando chamado de girafa branca tanto quanto um negro ao ser chamado de macaco. Só não vale perguntar se o interlocutor já foi chamado de “elemento suspeito”, com tapas e humilhações, pelo simples fato de ser alto como o artiodátilo.

“Bolsa Família incentiva a vagabundagem. Pegar na enxada e trabalhar ninguém quer”

Há duas origens para a sentença. Uma advém da bronca – manifestada, ironicamente, por quem jamais pegou em enxada – por não se encontrar hoje em dia uma boa empregada doméstica pelo mesmo preço e a mesma facilidade. A outra origem é da turma do “pegar o jornal e ler além do horóscopo ninguém quer”; se quisesse, o autor da frase saberia que o Bolsa Empreiteiro (que também dispensa a enxada) consome muito mais o orçamento público do que programa de transferência de renda. Ou que a maioria dos beneficiários de Bolsa Família não só trabalha como é obrigada a vacinar os filhos, manter a regularidade na escola e atravessar as portas de saída do programa. Mas a ojeriza sobre números e fatos é a mesma que consagrou a enxada como símbolo do nojo ao trabalho.

“Na ditadura as coisas funcionavam”

Frase geralmente acolhida por pacientes com síndrome de Estocolmo. Entre 1964 e 1985, a economia nacional crescia para poucos, às custas de endividamento externo e da subserviência a Washington; universalização do ensino e da saúde era piada pronta, ninguém podia escolher os seus representantes, a imprensa não podia criticar os generais e a sensação de segurança e honestidade era construída à base da omissão porque ninguém investigava ninguém. Em todo caso, qualquer desvio identificado era prontamente ofuscado com receitas de bolo na primeira página (os bolos eram de fato melhores).

“Você defende direito de presos porque ele não agrediu ninguém da sua família”.

É o sofisma usado geralmente contra quem defende o uso das leis para que a lei seja garantida. Para o sujeito, aplicação de penas e encarceramentos são privilégios bancados às custas dele, o contribuinte. Em sua lógica, o Estado só seria efetivo se garantisse a sua segurança e instituísse a vingança como base constitucional. Assim, a eventual agressão contra um integrante de uma família seria compensada com a agressão a um integrante da família do acusado. O acúmulo de experiência, aperfeiçoamento de leis e instituições, para ele, são papo de intelectual: bons eram os tempos dos linchamentos, dos apedrejamentos públicos, da Lei de Talião. Falta perguntar se o defensor do fuzilamento está disposto a dar a cara a tapa, ou a tiro, quando o filho dirigir bêbado, atropelar, agredir e violentar a família de quem, como ele, defende penas mais duras para crimes inafiançáveis.

“A criminalidade só vai diminuir quando tiver pena de morte no Brasil”

Frase repetida por quem admira o modelo prisional e o corredor da morte dos EUA, o país mais rico do mundo e ao mesmo tempo o mais violento entre as nações desenvolvidas. Lá o crime pode não compensar (em algum lugar compensa?), mas está longe de ser varrido junto com seus meliantes.

“Político deveria ser tratado por médico cubano”

Tradução: “não gosto de política nem de cubano”. Pelo raciocínio, todo paciente tratado por cubanos VAI morrer e todo político que precisa de tratamento médico DEVE morrer. Para o autor da frase, bons eram os tempos em que, na falta de médico brasileiro, deixava-se o paciente morrer – ou quando as leis eram criadas não pelo Legislativo, mas pelo humor de quem governa na canetada.

“Deveriam fazer testes de medicamento em presidiários, não em animais”

Também conhecida como “não aprendemos nada com a parábola do filho Pródigo que tantas vezes rezamos na catequese”. É citada por quem não aceita tratamento desumano contra os bichos, mas não liga para o tratamento desumano contra humanos. É repetida também por quem se imagina livre de todo pecado e das grandes ironias da vida, como um certo fiscal da prefeitura de São Paulo que um certo dia criticou o direito ao indulto de presidiários e, no outro, estava preso acusado de participação na máfia do ISS. É como dizem: teste de laboratório na cela dos outros é refresco.

“Por que você não vai para Cuba?”

Também conhecida como “acabou meu estoque de argumentos. Estou andando na banguela”.

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Comentários

  1. Rafael Postado em 10/Dec/2013 às 15:49

    Sensacional o texto. Expõe bem todos as constatações/soluções que encontramos nas redes sociais. Os comentários dos portais também têm um nível de ignorância assustador. Essas pessoas, adeptas de filosofias como Datenismo (onde o fim é iminente e a família está sendo destruída), poderiam ler o Artigo 5º da CF e a Declaração Universal dos D.H. antes de brindar-nos com suas pérolas.

  2. Joyce Postado em 10/Dec/2013 às 15:57

    Muito bom

  3. Caio Postado em 10/Dec/2013 às 16:28

    Sei não, as vezes me pergunto se seria necessário toda atenção que damos a esses retardadocionismos, as vezes são apenas adolescentes babacas falando coisas que adolescente babacas dizem.

  4. Leandro Postado em 10/Dec/2013 às 16:35

    Bacana! Só faltou lembrar que é de bom tom respeitar a opinião de todos! Ainda mais que pareça absurda. Tem muita raiva nesse texto. Concordo em alguns pontos (quase a maioria) mas respeito é necessário. Talvez, os errados somos nós mesmo, mas nosso egocentrismo e arrogância fala mais alto.

    • Marcos Vinicius Postado em 30/May/2014 às 13:12

      Não dá para respeitar certas "opiniões" dos outros meu caro, quando essas mesmas "opiniões" desrespeitam os outros! Cada uma!!

  5. Marcio Postado em 10/Dec/2013 às 17:41

    Perfeito o texto...e concordo com o Caio, damos muita atenção a essas pessoas de mente atrasadas, o melhor que temos que fazer é ignorar(quando possível) e em redes sociais excluir ou bloquear...antes ainda perdia meu tempo, hoje não mais

  6. luis Postado em 10/Dec/2013 às 22:43

    Eu ia mandar você escrever esse texto em Cuba, mas já tem uma resposta pra isso no final... :(

  7. Adriana Postado em 11/Dec/2013 às 00:12

    Irretocável ....

  8. Ingrid Postado em 12/Dec/2013 às 12:27

    Não é o caso de concordar ou não com as frases citadas, mas usar esse titulo e concluir dessa forma que sua verdade é absoluta não te coloca igual a eles? Tenho quase certeza que deve você também usar clichês para defender suas opiniões que seriam vistos da mesma forma por outras pessoas

  9. Amanda Postado em 12/Dec/2013 às 20:52

    "Héteros morrem mais do que homossexuais. Portanto, somos mais vulneráveis" foi a melhor...

  10. Amanda Postado em 12/Dec/2013 às 20:53

    Pena de morte não é solução... mas as vezes dá vontade de brincar de jogos mortais com algumas figuras dessa sociedade...

  11. Rodrigo Postado em 04/Jan/2014 às 19:59

    Como dizemos na BA: "rai ai"... Vamos lá: 1- o negro covardemente "comprado", como se mercadoria fosse, o foi vendido por quem? De tribos rivais vencedoras? Que escravizaram e venderam seu semelhante a outro semelhante? O racismo é do ser humano, contra índios, negros, brancos (o que acontece com albinos na África mesmo?) etc. Quer me dizer que um negro não discrimina um negro e também um branco? Um índio no mesmo sentido? Um cigano, quanto a quem não pertence à sua etnia? Apenas o branco discrimina a todos? Tá "serto"... É como alguns paulistas, que acham que todos os demais cidadãos brasileiros, nascidos nos demais Estados, é que têm sotaque, menos ele! Estudos científicos, embasados (não os do Pastor Psicólogo Silas Malafaia), por favor; 2- Não precisamos de uma consciência humana? De semelhantes? O sectarismo e o arianismo começaram assim... 3- Concordo, pois há crimes ligados à homofobia, mas temos de ter cuidado com distorções, manipulações, héteros e homo merecendo o mesmo respeito e proteção, da sociedade e do Estado; 4- o homossexual tem todo o direito à diversidade, à identidade, à liberdade, assim como todos da sociedade, havendo de ser buscada a harmonização de direitos, mas não a colisão - creio que as paradas Gay poderiam ter melhor uso ao serem aliadas a ações de informação, divulgação, em vez de muitos apenas tentarem ocultar o orgulho, em substituição a ao carnaval de alguns muitos, ao exagero (imaginem uma parada do orgulho "ogro", com: homens urinando em postes e na porta da casa de muitos, como alguns fazem em carnavais e festas; arrotando; agarrando mulheres à força, como em festas de peão, micaretas e carnavai; expelindo gases; brigando, também como em muitas festas e micaretas - uma "parada" mostrando tudo isso será ridicularizada, assim como muitos buscam ridicularizar uma "parada" que mostra apenas beijaços, indivíduos com roupas espalhafatosas etc. Novamente, o intuito deveria ser de afirmação de um direito à orientação sexual, à adoção, ao casamento, ao gozo de benefícios previdenciários, se afastando dos excessos de um carnaval; 5- a mulher e o homem devem se valorizar. Valorizar seu caráter racional, humano, mas não um buscando repetir o erro do outro, afirmando a irracionalidade como liberdade (introduzir a cabeça de uma imagem na vagina e um crucifixo no ânus, frente àqueles reunidos para recepcionar o Papa, é algo digno do feminismo? Invadir igrejas para agredir fiéis em oração? Se InFeliciano expulsa duas jovens que foram fazer beijaço em meio ao culto dele, celebrado em uma praia, é digno de crítica, assim como as mesmas por buscar o confronto direto, mas não inteligente, que se dirá desses rumos atuais do feminismo). À mulher, todos os direitos que lhes são assegurados, todo o respeito que lhe é devido, como igual que é ao homem, mas buscar se igualar ao homem no que este tem de pior, é sofrível; 6- a culpa é do divulgador e que pague severamente pelo seu crime, mas, pelo amor de Deus, tenham um pouco de juízo na cabeça e se imponham frente ao desmiolado ou mal-intencionado que queira filmá-las em momento tal de intimidade. Melhor, mande-o pastar; 7- O humor "politicamente correto" precisa ser definido por quem? O humor dos Trapalhões é errado. De Ary Toledo, também o é, Piadas de Bocage, da Playboy e, da Mad, então... De Danilo Gentili, Rafinha Bastos, CQC, também há críticas. Quem pode definir o humor, do que se pode rir? Como alternativa, os vídeos no youtube de "Caquinho Big Dog", no "Quem Chega Lá", do Faustão, sem palavrões, sem discriminações, ao menos por mim não percebidas; Cabe muita discussão... 8- procurem profissionais de seleção e vejam a busca por profissionais, vão a localidades mais pobres e vejam famílias sustentadas por avós aposentados ou mães que sustentam um sem-número de filhos, aptos ao estudo e ao trabalho - não é a imensa maioria, mas o número é muito expressivo e eu já presenciei isso em diversas localidades rurais em que estive a trabalho; 9- na ditadura serviços públicos não tinham o alcance de hoje, mas funcionavam. Então, basta ver os erros de hoje, os acertos de ontem, os acertos de hoje e os erros de ontem e conjugá-los (meus pais, avós e os de muitos brasileiros cursaram escolas públicas, que tinham qualidade, ou estou mentindo?) - quem afirma isso não ama ditadura, mas apenas questiona o por que de o serviço hoje ter maior alcance e pior qualidade; 10- o ódio do ser humano contra quem lhe faz mal é natural, mas intriga o porquê de tanto amor para com criminosos, ao que abandono e desprezo, por parte dos defensores dos direitos humanos, para com aqueles que sofreram a agressão, a perda de um ente querido - não são vistos tais defensores em tragédias, em enchentes, em deslizamentos de terra, visitando familiares de policiais assassinados, especialmente os que morreram em socorro a vítimas de criminosos; E o sistema carcerário tem de ser reformulado, pois hoje não dá oportunidade de reinserção social a ninguém; 11- Pena de morte não funcionou nos EUA, no Brasil, nos Gulags, na China, no Camboja, em lugar algum, não sendo alternativa válida; 12- político esquerdista, direitista etc. deveria sentir o que sente o povo ao ter filhos matriculados em escolas sem estrutura ou caindo os pedaços, com falta de merenda, material escolar, de professores e de atualização e capacitação de professores, frequentar hospitais sem estrutura, higiene, material e aparelhos médico-hospitalares, mas não apenas o Sírio Libanês, com o brasileiro pagando a conta, ou há alternativa outra a instá-los à correção de todos esses problemas? Sugestões racionais, por favor. 13- Aí até a pessoa ser presa ou ter um parente encarcerado. A partir de então, mudará de opinião; 14- "Por que você não vai pra Cuba?" em verdade corresponde a: "você profere um mar de ilusões, maior ainda do que aquele que separa a ilha de Fidel da Flórida, mar este transporto por milhões que fogem de um regime ditatorial no qual apenas o ditador chefe, perpetuado no poder, não sofre com o embargo, tendo fortuna divulgada na Forbes, desfrutando de relógios Rolex e caras vestimentas da Adidas e Lacoste. Um ditador que tem presos políticos e que já exterminou muitos em "paredóns". Um ditador que enriquece ao exportar médicos. Médicos que ganham R$ 60,00 na ilha, ganhando mais que isso no exterior, mas menos que os médicos de nacionalidades outras, restando a discriminação. Um ditador que, em sua ilha particular, já teve medicina de ótima qualidade. Mas fatos recentes demonstram que a "escala industrial" de graduação fez cair muito a qualidade... Ou seja, ao menos no meu caso: vá para Cuba "no jatinho emprestado por Chávez, para repatriar à força os boxeadores cubanos que queriam vida melhor" e me diga que maravilha de lugar é esse em que não tem papel higiênico, internet, muita comida, condições de melhorar de vida, de desfrutar de mais conforto. Pode ficar tranquilo. Vá a Cuba visitar. Não é uma expulsão, uma "carona" marota no jatinho chavista, condenação ao cerceamento eterno à sua liberdade de ir e vir e de expressão. Apenas uma visitinha, para ampliar horizontes e acabar com ilusões.