Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 05/Nov/2013 às 17:23
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Homenagem a Marighella no local onde foi assassinado pela ditadura

Marighella ganha homenagem no local onde foi assassinado pela ditadura. De acordo com a versão oficial, Marighella foi morto em um tiroteio entre agentes do Dops e membros da ALN

marighella homenagem
De acordo com a versão oficial, Marighella foi morto em um tiroteio entre agentes policiais do Dops de São Paulo e membros da ALN, organização que liderava (Foto: ABr)

A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva e a viúva de Carlos Marighella, Clara Charf, fizeram na última semana um ato na Alameda Casa Branca, na região da Avenida Paulista, para lembrar a data do assassinato do militante, ocorrido nessa rua há 44 anos, durante uma emboscada da polícia. De acordo com a versão oficial, Marighella foi morto em um tiroteio entre agentes policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e membros da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização que liderava.

De acordo com Clara Charf, o importante da homenagem é marcar uma posição perante a história, porque muitas pessoas não sabem que Marighella foi morto naquela rua, em 4 de novembro de 1969. “Ele veio se encontrar com os padres [frades dominicanos que simpatizavam com a causa] porque queria que ajudassem a tirar os perseguidos políticos do país pela fronteira. A polícia montou todo um esquema e transformou essa rua em um horror. Ele entrou de peito aberto como sempre, sem saber que aquilo tudo o que havia na rua era apenas um cenário.”

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Clara Charf assinalou ainda que há uma coisa nova no cenário político brasileiro, com o surgimento de novos movimentos políticos que estão levantando bandeiras e chamando a atenção para as injustiças da sociedade. “Ninguém pode ficar de braços cruzados achando que vivemos em uma democracia e que está tudo no bem-bom. Não é nada disso, existe um regime, claro que comparando hoje com a democracia que nós conquistamos com o que era no passado, está muito diferente, mas as bandeiras continuam de pé, apesar de se ter conquistado muito.”

O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, Adriano Diogo, ressaltou que Marighella foi um grande vulto da história que pode ser comparado a personalidades da humanidade que influenciaram a sociedade. “No Brasil, se Marighella não tivesse sido morto, teria a importância de diversos personagens que foram marco na história da civilização e organização dos povos.”

Para Adriano Diogo, atos como este tinham de contar com mais mais participação. “Todos os jovens que se beneficiaram da luta pela democracia deviam reconhecer a biografia de Marighella. Nós fizemos um ato singelo em frente a um monumento quase abandonado e quais desses jovens vultos que sucederam Marighella estava aqui? Nenhum. Nem municipal, estadual ou federal.”

Membro do Comitê Paulista pela Verdade e Justiça e do Fórum de Ex-Presos Políticos e Perseguidos do Estado de São Paulo, Clóvis de Castro destacou que a homenagem ao militante é justa porque é importante lembrar sempre das pessoas que lutaram pela democracia. “Nesta data e neste local, onde há 44 anos Marighella foi assassinado, nós homenageamos todos os combatentes que participaram da luta contra a ditadura militar.”

Gregório Gomes da Silva, filho de Virgílio Gomes da Silva, desaparecido durante a ditadura, disse que o dia 4 de novembro está se tornando um marco nas homenagens à resistência da juventude nas décadas de 60 e 70, durante a ditadura, e à retomada da democracia do Brasil. “No contexto em que está a sociedade atualmente, esta data também se torna um marco de reencontro e reforço dos compromissos que eles firmaram no passado e nós reassumimos agora”.

Laura Petit da Silva, irmã de três desaparecidos, e representante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, disse que homenagens como esta servem para manter viva a memória de pessoas consideradas heróis na luta pela democracia. “Não só [preservar] a memória, mas buscar a verdade e a justiça. Marighella serve como exemplo para as novas gerações, para que esses fatos nunca mais ocorram.”

Agência Brasil

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 05/Nov/2013 às 18:53

    "assassinado pela ditadura" ... Novamente deparo com uma formação de opinião tendenciosa como se a época da Ditadura tudo era um lixo. Bom é hoje, vivemos numa democracia e ninguém mais é assassinado pela polícia. Então hoje seriam "mortos pela democracia". O cara estava fazendo revolução contra o sistema, bateu de frente, o resultado só poderia ser este. Naquele exato momento muitos brasileiros estavam catando lixo na rua para arremessar no caminhão, cortando cana, dando aula, estudando, trocando turno nas fábricas ... e nenhum destes foi zuado pela "ditadura", pode ter certeza.

    • Marcos Postado em 05/Nov/2013 às 19:31

      Perfeito o comentário, quem morre nas mão da polícia geralmente é trocando tiro, bater palmas para um assassino? Por isso que desprezo a esquerda é a unica ideologia que admira assassinos confessos e o mais estranho que se auto intitulam defensores dos "direitos humanos", paredões Cubanos por exemplo não expressavam essa defesa do ser humano, são hipócritas defendem criminosos mas não as vitimas, defendem assassinos confessos mas não aqueles que vivem sem matar, sinceramente é desanimador este país.

  2. Maria Amaral (RJ) Postado em 06/Nov/2013 às 10:44

    Dá arrepios de medo ler este tipo de comentários.

  3. Luciana Coelho Postado em 06/Nov/2013 às 16:44

    "Carlos Mariguella, um dos sete filhos de um operário imigrante italiano e de uma baiana negra e filha de escravos africanos trazidos do Sudão. Em 1934 abandonou o curso de Engenharia Civil para ingressar no PCB. Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Em 1º de maio de 1936, durante a ditadura na Era Vargas, foi preso por subversão e torturado pela polícia. Permaneceu encarcerado por um ano. Ao sair da prisão entrou para a clandestinidade, até ser recapturado, em 1939. Novamente foi torturado e ficou na prisão até 1945, quando foi beneficiado com a anistia pelo processo de redemocratização do país. Elegeu-se deputado federal constituinte pelo PCB baiano em 1946. Dois anos depois lhe retiraram o mandato, em virtude da nova proscrição do partido. Viveu na clandestinidade e esteve na China em 1953 e 1954. Em maio de 1964, logo após o golpe militar, foi baleado e preso por agentes do DOPS dentro de um cinema, no Rio. Libertado em 1965 por decisão judicial, no ano seguinte optou pela luta armada contra a ditadura. Em fevereiro de 1968 fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional. Em setembro de 1969, a ALN participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em uma ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR8. Com o recrudescimento do regime militar, os órgãos de repressão concentraram esforços em sua captura. Na noite de 4 de novembro de 1969 Marighella foi surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista. Ele foi morto a tiros por agentes do DOPS. A ALN continuou em atividade até o ano de 1974. O sucessor de Marighella no comando da ALN foi Joaquim Câmara Ferreira, que também foi morto por Fleury no ano seguinte. Os militantes mais atuantes em São Paulo eram Yuri Xavier Ferreira, Ana Maria Nacinovic, Marco Antonio Valmont e Gian Mercer que continuaram fazendo panfletagem contra a ditadura até meados de 1972, quando também foram mortos numa emboscada no bairro da Mooca, ao saírem de um restaurante. Dezoito de seus militantes foram mortos e cinco foram considerados desaparecidos. O último líder da ALN foi Carlos Eugênio Sarmento da Paz, que sobreviveu autoexilando-se na França, voltando ao Brasil após a anistia." Wikipédia. Essa é a história de um herói brasileiro, um homem que lutou por um Brasil mais justo e fraterno. Assassinos covardes o mataram, como matavam a todos que se opunham aos seus pensamentos. Invadiam lares e, na frente dos filhos de suas vítimas, levavam os ditos subversivos para a prisão, a tortura e a morte. Tudo porque esses seres humanos defendiam suas próprias ideias e, ao serem eliminados um a um, partiram para a luta armada contra o inimigo poderoso financiado pelos EUA. Não existe nenhuma morte imputada a Mariguella e ele nunca foi assassino confesso. Já o regime militar foi responsável por milhares de mortos e desaparecidos e foi tão bandido quanto os criminosos que são mortos hoje pela polícia por razões muito diferentes das defendidas pelos militantes daquela época. Meu consolo é que os reacionários, os milicos recalcados defensores da ultra direita, os que detestam ver os pobres cada vez mais com oportunidades, NUNCA VERÃO O REGIME MILITAR VOLTAR AO BRASIL e o que lhes resta é tentar desesperadamente comparar o Brasil atual a Cuba, como tentaram os generais por longos anos que envergonham a nossa história. Já o outro lado se contenta em ver quantos avanços sociais brotaram nos últimos dez anos e que, pelo jeito, vai durar muito mais. MARIGUELLA VIVE!

  4. Jackson Postado em 11/Nov/2013 às 19:37

    Vendo determinados comentários, me pergunto: Será que vale a pena morrer por esse tipo de gente?

  5. luiz carlos ubaldo Postado em 13/Nov/2013 às 10:36

    Mariguella é um revolucionário que lutou contra os desmandos dessa ditadura cruel, que depos um presidente legitimado pelo voto popular, ser de esquerda, é ser contrário a essa gente que só ve a face de alguém quando se olha no espelho, é contra esse direitismo fdp que Mariguella lutou e morereu, Viva Mariguella!