Redação Pragmatismo
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Racismo não 05/Nov/2013 às 16:45
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"Fantástico é o racismo da Rede Globo"

Quadro do programa Fantástico exibiu episódio cujo tema é muito caro para a história da população negra no Brasil

racismo fantástico rede globo
(Captura de tela / quadro O Baú do Baú do Fantástico)

Por Douglas Belchior, em seu blog

“A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil“, deveras sentenciou Joaquim Nabuco. Mas na versão global, ironicamente “inteligente”, ele diz: “O Brasil já é um país mestiço! E não vamos tolerar preconceito!”.

Nas últimas semanas escrevi dois textos sobre a relação entre meios de comunicação, publicidade e humor e a prática de racismo, o primeiro provocado por uma peça publicitária de divulgação do vestibular da PUC-PR e o segundo por conta de um programa de humor que ridicularizava as religiões de matriz africana. Hoje, graças a Rede Globo de televisão, retorno ao tema.

Neste domingo 3 de novembro o programa Fantástico, em seu quadro humorístico “O Baú do Baú do Fantástico”, exibiu um episódio cujo tema é muito caro para a história da população negra no Brasil.

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Passado mais da metade do programa, eis que de repente surge a simpática Renata Vasconcellos. Sorriso estonteante ainda embriagado pela repentina promoção: “Vamos voltar no tempo agora, mas voltar muito: 13 de maio de 1888, no dia em que a Princesa Isabel aboliu a escravidão. Adivinha quem tava lá? Ele, o repórter da história, Bruno Mazzeo!”

O quadro, assinado por Bruno Mazzeo, Elisa Palatnik e Rosana Ferrão, faz uma sátira do momento histórico da abolição da escravidão no Brasil. Na “brincadeira” o repórter entrevista Joaquim Nabuco, importante abolicionista, apresentado como líder do movimento “NMS – Negros, mulatos e simpatizantes”!

Princesa Isabel também entrevistada, diz que os ex-escravos serão amparados pelo governo com programas como o “Bolsa Família Afrodescendente”, o “Bolsa Escola – o Senzalão da Educação” e com Palhoças Populares do programa “Minha Palhoça, minha vida”!

“Mas por enquanto a hora é de comemorar! Por isso eles (os ex-escravos) fazem festa e prometem dançar e cantar a noite inteira…” registra o repórter, quando o microfone é tomado por um homem negro que, festejando, passa a gritar: “É carnaval! É carnaval!”

O contexto

Não acredito que qualquer conteúdo seja veiculado por um dos maiores conglomerados de comunicação do mundo apenas por um acaso ou sem alguma intencionalidade para além da nobre missão de “informar” os milhões de telespectadores, ora com seus corpos e cérebros entregues aos prazeres educativos da TV brasileira em suas últimas horas de descanso antes da segunda feira – “dia de branco”.

E me perguntei: Por que – cargas d’água, a Rede Globo exibiria um conteúdo tão politicamente questionável? O que teria a ganhar com isso? Sequer estamos em maio! Que “gancho” ou motivação conjuntural haveria para justificar esse conteúdo?

Bom, estamos em novembro. Este é o mês reconhecido oficialmente como de celebração da Consciência Negra. É o mês em que a população a f r o d e s c e n d e n t e rememora, no dia 20, Zumbi dos Palmares, líder do mais famoso quilombo e personagem que figura no Livro de Aço como um dos Heróis Nacionais, no Panteão da Pátria. Relevante não?

Estamos também na véspera da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, que começa nesta terça, dia 5 e segue até dia 7 de Novembro, em Brasília, momento ímpar de reflexão e debates sobre os rumos das ações governamentais relacionadas a busca de uma igualdade entre brancos e negros que jamais existiu no Brasil. Isso somado à conjuntura de denúncia de violência e assassinatos que tem como principais vítimas os jovens negros, essa Conferência se torna ainda mais importante.

Voltando ao Fantástico, evidente que há quem leia as cenas apenas como um mero quadro humorístico e como exagero de “nossa” parte. Mas daí surge novas perguntas:

Um regime de escravidão que durou 388 anos; Que custou o sequestro e o assassinato de aproximadamente 7 milhões de seres humanos africanos e outros tantos milhões de seus descendentes; e que fora amplamente denunciado como um dos maiores crimes de lesa-humanidade já vistos, deve/pode ser motivo de piadas?

Quantas cenas de “humor inteligente” relacionado ao holocausto; Ou às vítimas de Hiroshima e Nagasaki; Ou às vítimas do Word Trade Center ou – para ficar no Brasil – às vítimas do incêndio na Boate Kiss, assistiremos em nossas noites de domingo?

Ah, mas ex-escravizados festejando em carnaval a “liberdade” concebida pela áurea princesa boazinha, isso pode! E ainda com status de humor crítico e inteligente.

Minha professora Conceição Oliveira diria: “Racismo meu filho. Racismo!”.

A democratização dos meios de comunicação como forma de combate ao racismo

Uma das tarefas fundamentais dos meios de comunicação dirigidos pelas oligarquias e elites brasileiras tem sido a propagação direta e indireta – muitas vezes subliminar, do racismo. É preciso perceber o que está por trás da permanente degradação da imagem da população negra nesses espaços. Há um pensamento racista que é, ao mesmo tempo, reformulado, naturalizado e divulgado para a coletividade.

A arte em forma de publicidade, teledramaturgia, cinema e programas humorísticos são poderosos instrumentos de formação da mentalidade. O que vemos no Brasil, infelizmente, é esse poder a serviço do fomento a valores racistas e preconceituosos que, por sua vez, gera muita violência. A democratização dos meios de comunicação é fundamental para combater essa realidade. No mais, deixo duas perguntas ao governo federal e ao congresso nacional, dos quais devemos cobrar:

O uso de concessão pública para fins de depreciação, desvalorização da população negra e da prática do racismo, machismo, sexismo, homofobia e todos os tipos de discriminação e violência não são suficientes para colocar em risco a concessão destes veículos?

Por que Venezuela, Bolívia e Argentina, vizinhos latino-americanos, avançam no sentido de diminuir a concentração de poder de certos grupos de comunicação e no Brasil os privilégios para este setor só aumentam?

Tantas perguntas…

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Comentários

  1. cristina Postado em 05/Nov/2013 às 18:00

    só mais uma brincadeira humorística, daqui a pouco vão estar fazendo programa de humor sobre o holocausto.

    • Gustavo Postado em 05/Nov/2013 às 22:56

      Nunca fariam. Os afetados pelo holocausto estão no controle da própria globo e de boa parte da economia global. Mas fazer brincadeira coma escravidão... pra que eles teriam pudor? Eles não tem medo da "ralé"... Globo me da vontade de vomitar.

    • Robson Postado em 05/Nov/2013 às 23:25

      Fala mal do holocausto e não ajuda a criança que morre na porta da sua casa ! Os judeus são top em manipulação mental mesmo

    • Rodrigo Postado em 05/Nov/2013 às 23:44

      dúvido que os fdp ju deus da .... irão exibir tal programação

      • Karl Postado em 05/Nov/2013 às 23:58

        Racista.

  2. Rodrigo Postado em 05/Nov/2013 às 18:01

    Por essas e por outras que um diretor de novelas disse que todos os vilões tinham de ser "empresários", pois aí não há uma categoria para se sentir injustiçada. Sempre que se quiser criticar, aprendeu-se, basta a identificação de, enquanto envolvido a qualquer título, cidadão que, por gênero, origem, "raça", opção sexual e equivalentes, permitam ao crítico prontamente gritar: "RACISTA!" "DISCRIMINADOR!"; se a vaia é a um médico cubano, em vez de ser ela afirmada indevida, busquemos então se há, por exemplo, alguém negro dentre eles. Há? Ótimo! E já se pode bradar: "O CRÍTICO É RACISTA" - mais fácil assim contestar, pois pronta e brutalmente será ele calado, pouco importando se algum de seus argumentos tenha ou não razão. Pronta e brutalmente será ele enxovalhado, destroçado, lançado à vala dos "inimigos do regime, que devem ter sua fala censurada", lançado à vala dos "reaças" (ao que muitos desconhecem a etimologia do termo, Hitler afirmando que marcharia contra os reacionários soviéticos...). Coxinhas e pastéis de vento contentam-se com a agressão verbal, com a troça. Mas somente admitem o humor quando é com o outro, pois, quando é para consigo, aí cabe ação judicial e até uso da Polícia Federal... Então, questiono se o raciocínio pode ser usado contra quem vaiou Yaoni, quem censurou a fala dela, invadiu locais de debates e palestras. Podem, estes, serem chamados de agressores de mulheres, com conduta discriminatória, bem como xenófobo, totalitário e facista? O raciocínio contrário ajuda a ver ser ele insustentável? Melhor, pois, seria nos mantermos dentro dos limites da racional e saudável crítica, integrada verdadeiramente por argumentos, como alguns dos poucos usados na matéria. Se não se gosta deste ou daquele veículo de mídia, tanto há para se falar, de forma fundamentada, de todos, quanto à parcialidade em prol deste ou daquele partido, dívidas para com o fisco, por exemplo, mas muitos preferem o brutal porrete verbal e a obediente e preguiçosa claque segue aplaudindo. P.S.: que tal refletirmos quanto, pois, ao pão e circo, ao menos sendo isso que entendi da matéria da Globo, crítica válida a todos os partidos e governantes (copas, obras faraônicas, carnavais, astronauta, futebol, shows em inaugurações até de hospitais e tanto mais que nossos governos patrocinam para desviar nossa atenção do que realmente importa)?

    • Yasmin Postado em 05/Nov/2013 às 19:05

      Felizmente, um comentário sensato.

      • guilherme Postado em 05/Nov/2013 às 20:36

        Infelizmente, dois alienados.

      • Rodrigo Postado em 05/Nov/2013 às 21:28

        Infelizmente outro porrete verbal, por parte do prezado Guilherme. Abaixe o tacape e valha-se de seu raciocínio, exponha sua inteligência, seus argumentos contrários. No aguardo.

    • Daniel Postado em 05/Nov/2013 às 19:25

      Rodrigo são belas palavras, as suas, exemplificam perfeitamente a maneira de pensar do brasileiro de classe média e esclarecido em relação ao racismo. E é essa a maneira de pensar da maioria das pessoas supostamente brancas,(nosso código genético está na quase totalidade das pessoas desde país) maneira essa que nos levou a 380 anos de escravidão e ao honroso titulo de ultimo país do planeta a aboli la, e a muitos "intelectuais" afirmarem que a dita foi a mais branda. O Brasil vem passando por um processo de embranquecimento desde a abolição, com uma pequena pesquisa é possível encontrar documentos sobre o assunto. O lado branco de nossa sociedade reage com vigor em relação ao assunto pois se considera isenta e inocente de qualquer tipo de racismo, mas o "nosso" racismo é o pior de todos como um câncer que nos corrói ele é dissimulado, maligno e mortal.A população negra vem diminuindo drasticamente, não pelas uniões inter raciais que sempre existiram mais pelos jovens que são mortos todos os dias nas favelas desde país pela polícia ou pelas drogas. fruto de um tipo de racismo que destruiu a cultura as religiões(que até hoje servem de chacota)e a família negra, que depois de séculos de escravidão foi jogada nas periferias das grandes cidades para se tornar um problema de polícia.( A maioria dos estrangeiros brancos que chegaram no Brasil tiveram direito a alguns hectares de terra em alguns casos em cima de antigos quilombos.)Eu podia falar por horas mas vou parar por aqui antes que alguém do alto de sua justa indignação mande eu me calar e parar de me fazer de vitima.

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 14:56

        Aí eu me olho no espelho e vejo que sou pardo: negro + branco + índio (tenho ancestrais destas cores e seria feliz, da mesma forma, se assim não o fosse, pois mais ou menos melanina, o fenótipo, não é atestado de idoneidade, nem de inidoneidade). Pergunto: fosse outra minha ascendência e origem (nordestino), qual lei determinaria meu silêncio? Aí fico sem entender o seu tacape: "É MAIS UM BRANCO DE OLHOS AZUIS DA CLASSE MÉDIA"; aliás, qual a sua faixa de renda, para eu saber se seu etiquetamento discriminatório é uma negação de si próprio (melhor perguntar antes de julgar, não?)? Então, amigo, não busque impor pechas, promover agressões, mesmo porque, de certo modo, você demonstra saber conectar ideias, construir um raciocínio. Só precisa ter cuidado com prejulgamentos equivocados e com o etiquetamento discriminatório. No mais, quanto à escravidão, não há adjetivo bastante à delimitação de quão atroz foi. Mas, novamente, fingir esmolas, em vez da efetiva prestação de devidos serviços públicos de qualidade, bem como achar que negro é um vocábulo ofensivo e que há de ser substituído por afrodescendente, a partir de então tudo se tornando rios de deleite, ao menos na minha visão, é promover o sectarismo, a continuidade de uma situação degradante. P.S.: antes que me prejulgue de novo, calma, respire... Não sou tucano (se dissesse, apenas exerceria a liberdade de poder ser diferente e de me auto-determinar), apenas não sou mais petista , depois de tanta desilusão e decepção.

    • Farley Postado em 05/Nov/2013 às 20:30

      Que loucura. Cara vc é burro? Não consegui entender nada do que vc escreveu porque vc escreve de uma maneira burra.

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 15:41

        Farley e se eu replicasse também com um meme: "nem vou responder. Vai que é doença..." É chato agredir, não? Melhor prosseguir na boa discussão.

    • André Lago Postado em 05/Nov/2013 às 22:31

      Só uma curiosidade... você é negro?

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 15:42

        Não. Sou pardo. E se eu fosse apenas branco? Ou apenas negro? E se não tivesse ascendentes indígenas, também? A fim de não te prejulgar, aguardo a exposição do silogismo ao qual você se propõe.

    • Rodrigo Postado em 05/Nov/2013 às 23:47

      o que Yaoni veio trazer de bom para o brasiL?

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 00:15

        No meu entender, veio falar sobre uma ditadura militar de esquerda, aonde vige a censura e, até há bem pouco tempo, a violação ao direito de ir e vir, contando com presos políticos. E, claro, como direita e esquerda fazem, sempre há um aproveitador que se aproxima, afinal, salvo engano, ninguém é perfeito (todos são sujeitos aos mesmos vícios e virtudes). Mas creio que entendi seu raciocínio: se é contra o que eu quero decidir e impor como verdade universal, eu tenho o direito de te agredir, cassar sua fala, invadir locais e impedir a livre manifestação do pensamento. Curioso seu conceito de democracia...

      • Paulo Postado em 06/Nov/2013 às 08:52

        E o que a "democracia" estadunidense faz, Rodrigo? Não é violação de direitos humanos? O que acontece com os presos políticos de Guantanamo? Seria interessante que a Yaoni viesse aqui palestrar sobre a "maior democracia do mundo" também, não é mesmo? Mas como ela é patrocinada por essa "democracia", temos que continuar ouvindo suas baboseiras.

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 15:45

        Paulo: perfeito, na mesma ilha da ditadura cubana, há Guantámo. Não vi em que momento eu a defendi. Não vi em que momento de minha fala eu digo que os milhões mortos em ditaduras de esquerda (URSS, Camboja e China, v.g.) devem ser esquecidos e que devem ser exaltados os assassinatos cometidos nas ditaduras sul-americanas e nas invasões americanas do Iraque, Afeganistão, Vietnã e outras. Seu raciocínio é no sentido de que se um fez, o outro pode fazer? Não entendi.

    • Mme_Luiz Postado em 06/Nov/2013 às 00:14

      Rodrigo, achei sua crítica sensata. Compreendi bem os pressupostos que você usou. Só não compreendo o porquê de sua crítica, pautada numa ideia de que há dois pesos e duas medidas para determinados posicionamentos, não pode ser também aplicada a você. Que tal refletirmos: que é comum esta "fuga" da discussão sobre a sociedade brasileira e sua estratificação racial e social, afirmando ser melhor discutir generalidades, como o pão e circo da mídia, e não como o pão e circo da mídia abordou, em tal momento, a abolição dos escravos, as políticas públicas deste governo e os afro-brasileiros beneficiados por elas. Claro que as pessoas que vaiaram a Yaoni podem ser chamadas de tudo isto que você falou, da mesma forma que pessoas continuarão sendo chamadas de racistas e de discriminatórias por outros motivos, e o serão pois aquele que estigmatiza tem sua própria agenda política. O que me fez comentar aqui foi que em meio a toda a sensatez das suas palavras e com suas razões, você pareceu acreditar que não tinha uma quando tinha, pois pessoas que se incomodam com quem se incomoda com a opressão de grupos é alguém com uma agenda... Da mesma forma que se calam argumentos quando alguém chama o outro de "racista" também se (tenta) calar os argumentos de quem se preocupa com este tipo de questão com palavras com posicionamentos como seu... Deve ser bem confortável ter razão dentro dos "limites da racional e saudável crítica, integrada verdadeiramente por argumentos", sem ter que aceitar que essa matéria tem um teor político considerável de denúncia e que essa crítica faz com que o jornalista se posicione de um dos lados de um muro, coisa que você também faz mas que não admite fazer dentro dos "limites da racional e saudável crítica" de criticar quem fala de discriminação. E isto não te torna um racista, mas falta empatia, Rodrigo, e autopercepção, porque você praticou aquilo que criticou, e falta uma visão de processo histórico ai também.

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 16:08

        Uma distorção comporta a aplicação de qualquer raciocínio a quem quer que seja. Concordo. A diferença é que eu apenas lamento quem parte de um pressuposto equivocado e me lanço ao diálogo. Não parto para a agressão, para a censura, a ridicularização, se muito propondo ao interlocutor que ele se coloque no lugar do outro e pense se, realmente, suas agressões e prejulgamentos não comportariam abandono em prol da racionalidade. Por isso me surpreendi de forma positiva com o seu comentário. Não vi agressões e elogio isso. Ao mesmo tempo, não estou falando de agendas. Talvez você tenha compreendido mal alguma colocação minha. No caso do vídeo em questão, sim, não vislumbrei racismo, mas convite a pensar: atualmente é verdadeiramente uma abolição (seja da escravatura, seja da nossos governantes, de todos os partidos, não persistem louvando o pão e circo, em vez de efetivos serviços públicos de qualidade? A apresentação de um eufemismo desnecessário ("negro" - "afrodescendente" / "menor infrator" - "menor em conflito com a lei"), sua utilização, tem algum efeito prático? Essa é a minha análise. Agora, quanto ao racismo velado (ou não) em nossa sociedade, ele realmente ocorre. Grande é a desproporção entre negros e brancos em novelas de todas as emissoras, em empresas, no serviço público, nas escolas, nas igrejas (aqui, em cargos diretivos/chefia), concordo; eis o resultado de nosso processo histórico-evolutivo. Eu, mesmo, pardo e baiano, já fui discriminado em São Paulo, por pessoas de raciocínio infeliz. A um que achou que o vocábulo "baiano" é ofensivo, respondi: "sim, sou baiano e você é paulista. E?" Nem por isso quero impor a pecha de racistas/discriminadores aos paulistas, pois um número ainda maior de pessoas sempre me recebeu muito bem. Ao mesmo tempo, quem se sentisse ofendido em uma situação tal, todo direito tem de buscar a aplicação da lei em desfavor daquele que a tenha ofendido. Se devemos falar em uma agenda, pois, então que marquemos nas suas páginas as melhorias efetivas. Um exemplo é o caso das cotas (já declaradas constitucionais pelo STF), que não vêm sendo acompanhadas da prometida melhoria nos ensinos médio e fundamental. A Saúde (trazem médicos estrangeiros, mas não há o aparelhamento de hospitais públicos, a reforma/construção e abastecimento de postos de saúde). Assim, apenas falar, tentar amenizar, usar um eufemismo que sequer é necessário, bem como agredindo quem contesta tal situação, em nada resolve a situação, sendo o que eu afirmei de desviar o olhar do que realmente interessa.

      • Mme_Luiz Postado em 06/Nov/2013 às 23:59

        Rodrigo, li sua resposta ao meu comentário, e, mais uma vez, espero ter compreendido seu posicionamento e seu convite à reflexão sobre algumas questões. Realmente, você pode não ter uma agenda política definida, mas convenhamos que ao fazer/falar de política não há como não estar de um dos lados de um muro. Infelizmente, instauram-se antagonismos, e disso ninguém escapa :D. Sobre uma de suas questões, a dos "eufemismos desnecessários", vejo que, na própria formulação da pergunta há um início para minha resposta: mudam-se as terminologias por considerar necessário, uma tentativa de mudar estigmas e dirimir preconceitos, alteram-se também por questões ideológicas e, por vezes, por necessidade de um novo paradigma. Claro que a efetividade dessas mudanças são questionáveis, mas, daí, você só está a valorizar (individualmente) um resultado, sem considerar as causas e os valores de terceiros. Para mim, tem efeito prático, sim. Mas não te ofenderia por que pensamos diferente. Pelo contrário, sua "oposição" amadurece e fortalece a minha "posição". E, se você tiver vontade, gostaria de entender melhor o que te levou a se incomodar com o posicionamento do jornalista, para além de dizer que a rede globo foi racista. Pelo que vi, você é contrário às opressões e injúrias, mas também às políticas públicas, como as ações afirmativas com o critério étnico-racial e como o programa mais médicos. Se você, como eu, entendesse que os meus dois últimos exemplos foram criados para corrigir o que você é contrário, talvez não estaríamos tendo esta discussão. Poderia ter dito apenas: "não foi racismo nem injúria". Veja, então, que mais uma vez aponto para um posicionamento político bem claro por trás dos seus argumentos. Também gostaria de entender o porquê de a defesa do jornalista ter te conduzido à criticá-lo. Poderia ter dito apenas: "não foi racismo, mas há problemas sociais e étnico-raciais no Brasil". Não estou querendo dizer o que você deveria ter feito. Apenas salientando que sua argumentação, sensata, também estava "armada" e, para muitos, crítica à defesa de um grupo oprimido. Por isso falei da empatia. E fica aqui o meu incentivo para que você continue expondo seu ponto te vista.

      • Rodrigo Postado em 07/Nov/2013 às 17:46

        Não terei agenda na hipótese de ela denotar alinhamento necessário e indissociável a este ou àquele partido. Mas, caso revele o conjunto de reclames e propostas tendentes à consecução do bem comum (mas não do bem privado de quem se encontra no poder e dele não quer sair, bem como daqueles que o patrocinaram), a valoração efetiva da prestação de serviços públicos de qualidade, sem ineficiência e viés eleitoreiro, então é certo dizer que não estou em cima do muro, mas pinçando o que de bom há nas propostas dos partidos diversos, com as críticas devidas a todos; não temos muros a dividir uma sociedade, sabemos, de modo que uma visão plural é a que compreende as várias facetas sociais, mesmo a diversidade política. Então, sou contrário a fingimentos, mas não a verdadeiras políticas públicas de combate à pobreza, analfabetismo, precariedade da saúde etc. Em princípio, pois, temos bons programas, mas que o viés eleitoreiro dos governantes o levam a apenas “tampar o sol com a peneira”, conforme segue: 1- o sistema de cotas reclama contrapartida estatal no sentido da melhoria do ensino público, a fim de que não se torne mais necessária, em prol da educação universalizada e de qualidade, mas não vejo ninguém, salvo prova em contrário, lutar pelos interesses de quem hoje tem péssimo ensino básico, médio e fundamental (contentou-se em “chegar junto com os demais”, não havendo a busca pelas condições de partir-se junto), um parâmetro interessante sendo a revolução no ensino sul-coreano (diversas matérias na internet); 2- o “mais médicos” não é acompanhado de reformas e abastecimentos (medicamentos, material médico-hospitalar, meios de transporte de doentes etc.) de unidades de saúde e hospitalares, persistindo a mesma precária situação dos doentes graves; 3- ausência efetiva de fiscalização quanto aos requisitos do bolsa-famíia, levando a muitos o receberem sem que tenham direito ou cumpram os requisitos, com ônus ao erário e desatendimento a muitos que realmente precisem (aqui, em Vitória da Conquista, terceira maior cidade da BA e administrada pelo PT há quase 20 anos, houve grandes melhorias, premiadas, nos primeiros governos, seguidas de acomodação, cumprindo expor a licitação e compra de microchips para controle de frequência escolar, após havendo abandono do projeto, com desperdício do dinheiro público e ausência de conferência – os demais partidos padecem dos mesmos vícios). Critico o uso viciado e deficitário, em momento algum tendo afirmado algo em sentido contrário, prezado, mesmo porque, ainda que quisesse ser contrário, a Constituição da República prevê como objetivo fundamental a dignidade da pessoa humana, trazendo como deveres do Estado a promoção da saúde e educação, por exemplo. Minha severa crítica aqui, pois (ressalvando ter lamentado a agressão de muitos que a mim se sucederam, você sendo excluído de tanto), é em virtude da grande responsabilidade que mesmo este veículo de mídia tem, quanto ao cuidado face a hipóteses que levem ao sectarismo, à ressurreição de teorias como penalista do etiquetamento e a de Lombroso. Eventual uso de meio de comunicação tendente, ainda que não de forma dolosa, consciente, direta, à divisão da sociedade entre de um lado dos amigos do regime, perfeitos e audíveis, de outro lado sendo dispostos os inimigos do regime, criminosos odiosos e censuráveis, é danosa e merece crítica; reflexo danoso de tal vem sendo observado na própria cena política, em que ninguém tem coragem de se dizer de centro-esquerda/direita, de centro ou de direita. Ainda, o uso de termos, pela “direita” e “esquerda”, como “reaça” e “revoluça”, “coxinha” e “pastel de vento” (como apontei). A Constituição nos garante a liberdade de opção e manifestação política (com as restrições previstas, nenhum direito sendo absoluto), o voto em qualquer partido, bem como a crítica que não descambe para a agressão. Consigna, mais, em seu art. 3°, que: Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Não fala em, pois, que devemos nos contentar com projetos eleitoreiros e deficitários, que eles são blindados à crítica, sejam os implantados em governos tucanos, petistas ou de qualquer outro partido; devemos nos contentar quando houver efetiva busca pelo resultado de que você fala. Então não tratamos de “oposição”, ao menos no meu caso. Não me amarro à “situação”, nem à “oposição”, não me limitando ao quanto o mestre FHC ou Lula mandar, determinar como verdade universal. E o mesmo entendo ser válido quanto a você, pois é o que denota sua escrita, em que pese a equivocada análise de minhas críticas. Somos, pois, apenas duas pessoas a exercer a cidadania brasileira, a qual não está vinculada, bem como não o está qualquer dos direitos fundamentais (a crítica está nas entrelinhas), na dependência da adesão indissociável e total a esta ou àquela corrente política. P.S.: aqui consigno meus parabéns ao blog, que permitiu, democraticamente, discussão tão abrangente e extensa, aqui sendo registrado meu elogio, após a crítica inicial.

      • Mme_Luiz Postado em 07/Nov/2013 às 18:14

        Rodrigo, também considero ter sido benéfico esse nosso diálogo. Sobre algumas questões que você levantou, sugiro, por fim, que você considere o "custo de oportunidade", conceito microeconômico que considera também o custo daquilo que se deixou de fazer/produzir/ganhar ao se fazer/produzir/ganhar. É dessa maneira que percebo as políticas públicas que estamos discutindo. Que, embora as reformas que você mencionou sejam ou deveriam ser uma prioridade, o custo de oportunidade de não se instauras políticas de curto e médio prazo é economicamente e socialmente alto. Gerações perdidas... Pessoas adoecendo quando uma mera consulta preventiva resolveria... Populações negligenciadas pelo Estado... E eu realmente deixei passar alguns pontos importantes do seu questionamento, e, por isso, peço desculpas. Obrigada pelo debate!

      • Rodrigo Postado em 07/Nov/2013 às 23:33

        Re-re-re-reiterando e encerrando meu aparte: criticar o mau direcionamento, o uso eleitoral e vinculante, a tentativa de blindagem intransponível à crítica, especialmente à positiva, não implica em ser contra políticas públicas. Basta reformulação, efetiva ação, a fim de que tenham real efeito evolutivo, integrativo, tornando-as desnecessárias em breve futuro, em prol atendimento efetivo de outras distorções, deficiências. O cidadão merece efetivos serviço e política públicos, pois, sempre - também é conceito econômico que a boa prestação serviço é econômica, não demandando refazimento ou reparação/medidas excepcionais, ou demandando-os por menor tempo; as correções por mim apontadas são em tal sentido. Sei que você não fecha os olhos a isso, não é dos que valoram a dependência, a vinculação, apenas tendo entendido incorretamente meu ponto.

    • renato Postado em 06/Nov/2013 às 00:17

      Barbaridade, Rodrigo. Escreves bem prá cacete, gostei. Estou falando na replica ao Guilherme. Ficaremos agora no aguardo do personagem.

    • Hético Silva Postado em 06/Nov/2013 às 10:47

      Meu caro Rodrigo, você vem sobre um discurso com uma aparência de clareza e pureza imparcial. Negar o racismo no Brasil é tentar fingir-se de idiota, é inegável como escamoteia-se tal sentimento por trás de sutilezas. Não venha com esse discurso de imparcialidade e pureza da soberana Rede Globo, seu discurso, Rodrigo, carrega o pensamento alienado, sim, de uma elite programada. Não nego que há uma exacerbação sobre a Globo, como se tudo fosse negativo, porém, convenhamos meu caro olhe os programas transmitidos e faça uma crítica IMPARCIAL. Olhe as novelas e a fomentação do consumo, olhe as empregada domésticas (quando não são negras, são nordestinas)..enfim. Não nos desmereça, como se seu discurso pautado de vocábulos bem escolhidos transparecesse imparcialidade e prudencia, não nos ofenda com seu discurso de um típico conservadorismo de prejuízo a consolidação democrática participativa e de integração nacional.

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 16:14

        Em que ponto neguei a existência de racismo? Negar a existência de racismo em uma matéria singular tem o efeito de negar o racismo em todas as dimensões? Não entendi seu silogismo, partindo de uma premissa específica, direcionada, lançando-a ao mundo em geral, a todas as pessoas e situações. Falei que vi uma crítica no programa, não tendo conectado o programa em si com a emissora, com a desproporção de negros e brancos em novelas e programas, dela e das demais emissoras; com a desproporção entre negros, pardos, índios, brancos, representantes dos mais diversos credos, seja no serviço público, no mercado de trabalho, nas instituições de ensino etc. Novamente, pois, não confunda premissa menor com premissa maior, pois chegará sempre a um silogismo falso.

    • Cristiane Postado em 06/Nov/2013 às 11:24

      Diz aí pra gente, querido, você é branco não é?

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 16:20

        Sou não, Cristiane. E se fosse? Sabia que o racismo/discriminação começa com um grupo se julgando melhor com o outro, o qual não terá direito a se manifestar, havendo de ser censurado, etiquetado? Procure ler sobre a teoria do etiquetamento do direito penal. Sobre a tese de Lombroso. A evolução natural do direito e sociedade, mesmo a necessária crítica dos defensores dos direitos humanos, levou ao entendimento final de que a lei não pode determinar que alguém, por seu fenótipo ou genótipo, não pode ser posto em condição de inferioridade em relação aos demais membros da sociedade. Concluiu-se, pois, que não há "lado negro e lado branco da força", eternos culpados e eternos inocentes. Mas, ao fim, respondendo à sua questão, especificamente, ainda que não valore o conceito de raça, por razões científicas (ao mesmo tempo em que não sou contrário a nenhum grupo étnico e sua rica cultura e tradições) sou o produto da mistura de brancos, negros, índios e muitos pardos. Sou nordestino, nascido na Bahia. E, ante tudo isso, não creio que qualquer desses conceitos, desses fatos, me torne melhor ou pior que qualquer outro ser humano.

  3. Roberto Postado em 05/Nov/2013 às 18:18

    Lembro que na novela Viver a vida, na semana da consciência negra, a personagem principal da novela (Taís Araújo) se ajoelha e é humilhada, levando um tapa, pela personagem da Llília cabral. A desculpa era que ela estava se vingando da "filha" que ficou paraplégica, mas a cena em si o fato quase não é citado, só a personagem branca humilhando a negra, dizendo mais de uma vez "quem vocêr pensa que é?" "saiba onde é seu lugar" "gente como vc não merece subir na vida". A Globo utiliza de muita subjetividade pra atacar os negros, mas a usa sem muita cerimônia. Mas não se enganem, não é só na globo que rola racismo e brincadeiras aos negros. A diferença é que se a globo fizesse piada sobre o holocausto, rapidamente pediriam desculpas a comunidade judaica.

    • JANNA Postado em 05/Nov/2013 às 20:16

      mas foi o q aconteceu recentemente...no programa AMOR & SEXO com a participação da atriz global ...http://br.tv.yahoo.com/blogs/notas-tv/tat%C3%A1-werneck-pede-desculpas-por-piada-com-judeus-113514226.html...

    • gustavo Postado em 05/Nov/2013 às 22:55

      e se fosse uma negra dando um tapa em uma branca? tudo bem?

      • Roberto Postado em 06/Nov/2013 às 15:57

        Na Globo? acho que essa cena não rolaria, pelo menos não na novela das oito...

    • Luiza Postado em 06/Nov/2013 às 02:18

      A Globo só coloca programas pra "inglês vê" , como diz o ditado( inlatados), eles querem a população bem ignorante e limitada, e o que o governo espera também da população, com uma educação paupérrima, e valorização da cultura inútil e banal. Só acredito na solução desses problemas, quando tivermos uma educação de qualidade e literalmente para todos, mas isso e quase uma " utopia", mas quem sabe!? porém preciso acreditar num pais melhor, para continuar sobrevivendo.

  4. José Alberto Postado em 05/Nov/2013 às 18:23

    "Do que realmente importa" cara pálida? Passemos por cima dos desvarios preconceituosos cotidianos e tratemos do problema da corrupção dos políticos, o único e digno problema da nação. A semana nem começou direito e já tenho que ler as típicas acusações sobre uma suposta "paranoia afrodescendente"

    • Amanda Postado em 05/Nov/2013 às 19:51

      típico comentário de branco burguês

      • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 16:21

        Quem é branco, amanda? E burguês? Você? Eu não me enquadro em nenhuma das duas definições, prezada... Cuidado com prejulgamentos e etiquetamentos...

    • Gabriela Oliveira Postado em 05/Nov/2013 às 21:08

      Sim, há muita paranoia, um sentimento de perseguição. Mas, o texto de Douglas tem todo fundamento. Em vez de educar, o bom mesmo é estigmatizar. E assim no programa da Regina Casé, por exemplo. Trabalho numa muiltinacional bem conhecida, onde a diretora geral da area é negra e eu sinto o ESPANTO da galera. Eu sou negra, graduada em boas universidades, tenho uma família de mestres e doutores em diversas áreas e ainda assim causamos espanto. Estao sempre aguardando a idéia que a Rede Globo adora...

    • Rodrigo de Oliveira Postado em 05/Nov/2013 às 21:30

      Isso. Continuemos nos limitando ao discurso quase desgastado contra a corrupção política e esqueçamos das mazelas de nossa sociedade. Muito bom, zé alberto. Muito bom.

    • Rodrigo Postado em 06/Nov/2013 às 10:19

      Prezado, ante o caso concreto e toda a minha análise dele, bastante extensa, novamente afirmo: a crítica do programa foi à forma de, pelo Estado, condução de políticas públicas. Esclareço ainda mais: liberto você de uma situação de violação de direitos humanos, prontamente oferecendo o que uns veem como compensações, outros vendo como meros cala-bocas. Após a liberdade, não há a prestação de qualquer serviço de qualidade e, de brinde, ainda ganha um novo adjetivo, como se a "raça"/cor negra precisasse de um eufemismo (afrodescendente). Do mesmo modo, como se o menor infrator tivesse reparada sua consciência e situação socioeconômica ao ser agora chamado de "menor em conflito com a lei" e por aí vai. Então, para mim, o que realmente importa não é o sectarismo, o uso de palavras mais bonitas, a violação da dignidade pelo próprio Estado. Leia novamente meu comentário é não ponha palavras em minha boca, ok?

  5. Edwy Junior Postado em 05/Nov/2013 às 18:29

    Achei o programa bobo, sem graça, sem criatividade, cansativo, e aquela frase estupida querendo dizer que não se pode dizer Negro, corrigindo toda hora que a palavra era usada por afro-descendente foi uma ironia estúpida descabida e sem graça. Sinceramente acho que foi tão pobre a cena, que nem merece muito comentário. Pobreza de humor e espirito.

  6. Norton Postado em 05/Nov/2013 às 18:34

    Eu sou de esquerda, mas acho deprimente o quão medíocre está se tornando a esquerda brasileira. Não vi racismo algum, a não ser raivinha ideológica de quinta categoria por ser um programa global. A censura stalinista começou assim. É de dar nojo.

  7. Jussara Postado em 05/Nov/2013 às 18:37

    Além do racismo disfarçado em humor, o canal aproveitou para criticar as ações do governo atual com expressões como " “Bolsa Escola – o Senzalão da Educação” e com Palhoças Populares do programa “Minha Palhoça, minha vida”!" expressando mais uma vez seu "não apoio" nas próximas eleições

  8. Reinaldo Postado em 05/Nov/2013 às 18:47

    pseudo-comédia (que de engraçado não tem é nada) preconceituosa e politicamente tendenciosa, e não é de se estranhar, vindo da globo.

  9. Vera Postado em 05/Nov/2013 às 18:53

    O pior dessa história toda (e olha que eu acho que a matéria sim tem cunho racista e não foi ao ar a troco de nada) é que o quadro é de todo sem graça, sem sentido e chato ao absurdo. Não gosto de defender bandeiras mas também não vamos ser idiotas.

  10. Felipe Postado em 05/Nov/2013 às 19:17

    Acho que o escritor Douglas Belchior não percebeu a ironia do quadro de Bruno Mazzeo, interpretando-o de maneira simplista sob o preconceito do já ultrapassado politicamente correto cego. O quadro mostra justamente a crítica ao Brasil atual, afirmando ter, sim, preconceito, e que tentamos camuflá-lo com uma linguagem politicamente correta e mascarar as desigualdades que este período ocasionou, com políticas sociais. Esses artigos, realmente, estão começando a dar preguiça...

    • Marcelo Postado em 06/Nov/2013 às 02:50

      Concordo plenamente com o Felipe. O ponto central não é a abolição mas sim o "preconceito velado" existente na sociedade e a "desigualdade social". A rede globo fez um quadro que leva o público de casa a "pensar", refletir. Não simplesmente ver o que está obvio e dizer "ah, é racismo"! Isso seria muito fácil! Eles não são tolos e possuem jornalistas e pesquisadores inteligentes o suficiente, sabendo o risco que correm ao lidar com um tema delicado.

  11. Thiago Teixeira Postado em 05/Nov/2013 às 19:36

    E tem aberração maior que aquela novela TERRA NOSTRA? Aquilo chegou a beira do ridículo, enaltecia os italianos, criando uma complexo de superioridade na formação social do Brasil e frases pronunciadas pelos próprios personagens Negros, do tipo, "Deus não quis me embranquecer" ou as falas do Thiago Lacerda tipo "Italiano, não se coloca no tronco nunca, morre antes".

    • renato Postado em 06/Nov/2013 às 00:24

      Quando vi isto, ainda comentei em casa, e o pessoal me disse: Relaxa, você só pensa em sacanagem..... Mas parece que não fui só eu...

    • Olivares Rocha Postado em 06/Nov/2013 às 06:27

      Muito bem observado, Thiago, este outro viés do mesmo preconceito descrito pelo autor... Complexo de barata tem explicação...

  12. ThiagoSalgueiro Postado em 05/Nov/2013 às 19:53

    Muitos não sabem , mas existe na nossa sociedade uma escravidão camuflada , em shoppings , supermercados , multinacionais e etc capaz de usar as pessoas em serviços e jornadas de trabalhos humilhantes e absurdamente grandes , pois se não aceitar um emprego de mais de 8h não consegue outro.Não são só afrodescendentes que sofrem com isso , os mestiços também.Quem é branco fica mais nas gerências e administrações , tem direitos mais favorecidos , conseguem mais beneficios e mais favorzinhos de empresas.

  13. Fabio Costa Postado em 05/Nov/2013 às 19:56

    Fantástico foi o seu texto, irmão. Muita sensibilidade, consciência e inteligência. Parabéns pela visão apurada.

  14. Luiz Postado em 05/Nov/2013 às 19:59

    A maior prova de que o racismo velado funciona e é abertamente defendido no brasil são os comentários acima. Os estados unidos tem muitos, mas muitos defeitos, entretanto as ações afirmativas e o sentido de coletividade dos afro-americanos contra o racismo são exemplares. Como dito em uma postagem recente aqui do pragmatismo, no brasil o racismo é estabelecido e o negro o aceita.

  15. claudio pontani Postado em 05/Nov/2013 às 20:23

    Não vi esta cena, mas de qualquer forma não a veria de qualquer forma porque quando vi Eles zombando de Jesus seus discipulos deu para perceber quanto degradante seria o tudo mais desse Humor de amu gosto. Se confirmou! Quando ja superamos grandes etapas do racismo negro vem estes ai querendo retroceder.

  16. Carlos Postado em 05/Nov/2013 às 20:26

    São discursos e comentários xiitas como estes que estimulam uma das maiores bestialidades do ser humano: o radicalismo.

  17. Leonardo Postado em 05/Nov/2013 às 20:55

    Putz...não acredito que isso foi parar no ar....é bizarro demais até pra Globo

  18. Vanessa Postado em 05/Nov/2013 às 22:22

    Vi esse programa como avanço para Globo. Nunca imaginaria ver ela se mostrando contra as ações do governo tão explicitamente. E quanto a questão humorística, envolver pretos em rede nacional ajuda no humor atual. Mostrar que se pode fazer piada a um grupo socialmente discriminado e mostrado pela mídia como "grupo imune ás demostrações de diferenças" mostra o tratamento de igualdade em questões tidas como preconceituosas e indicadores de desigualdades, quando na verdade mostra-se apenas as diferenças.

  19. José Ferreira Postado em 05/Nov/2013 às 23:14

    Eu não sou muito favorável a Globo, mas, se forem observados as entrelinhas, podemos ver críticas em diversos pontos da sociedade brasileira que poderiam, inclusive ser tema de algum artigo acadêmico ou servir como fonte para publicações científicas. A Globo, nesse quadro, fez críticas a questões da sociedade atual, inclusive quando brincou, no mesmo quadro - nas semanas anteriores, outros aspectos da História do Brasil - como a independência, ou da História Geral - com a Santa Ceia. Tem uma passagem que mostra claramente um tom irônico, que mostra a falta de medidas para a inserção da população ex-escrava na sociedade logo após a abolição, com a brincadeira do "minha palhoça, minha vida" ou do "Senzalão", esse último uma crítica ao governo federal. Também é um ponto importante é que a "comemoração" pela libertação talvez não tenha sido bem colocada, mas é um indicador de que o nosso carnaval é, em sua maior parte, de origem negra. Afinal, as semelhanças do carnaval brasileiro com o de Veneza são mínimas. Eu readequaria algumas passagens, por ser um tema delicado de lidar, mas não foi racismo, nem injúria racial. O negro deve parar de querer se vitimar e viver a vida sem remorso, pois, não dá para voltar atrás e fazer um novo começo, mas dá para ir em frente e buscar um novo fim, sem "puxar o tapete" de outras pessoas.

    • Mme_Luiz Postado em 06/Nov/2013 às 00:31

      De que negro você está falando? A sua própria percepção mostra que não se anda para trás mas que, também, não se avança. É uma generalização que preocupa tanto quanto a ideia de que tapetes estão sendo puxados. O que me preocupa são as respostas que seriam dadas a estas perguntas: porque ainda se vê "no negro e no índio" uma postura vitimista quando estes se posicionam ou expressam suas opressões? E que "tapete" seria este se não um privilégio que só essas "outras pessoas" tinham?

    • Paulo Postado em 06/Nov/2013 às 01:37

      Você é um merda

  20. CELSO Postado em 05/Nov/2013 às 23:19

    JUSTAMENTE POR SER GLOBO TEM QUE TER CUIDADO... É UM CANHÃO TUDO QUE ELA FAZ. ACHEI NO MÍNIMO... SEM PROPÓSITO. MAS SINTO-ME TENDENCIOSO A ACREDITAR NOS ARGUMENTOS DO AUTOR DO TEXTO.

  21. Leandro Ebert Postado em 06/Nov/2013 às 00:31

    Não achei desrespeitoso. Sem graça sim, mas também acho a zorra sem graça e ela tem audiência... Achei até que ele faz uma crítica política com a história das bolsas e também aos politicamente chatos com a denominação "afrodescendente" (aí é questão de opinião, conheço muitos negros que não veem mal em serem chamados por "negrão" ou algo do tipo, negro, por si só não é ofensa). Também gostei da crítica com os que não concordavam com a escravidão, sendo que ele mesmo contra-argumentou falando que somos todos iguais... Só não achei graça, mas gostei da crítica, acho uma pena que as pessoas não entendam ironia e sarcasmo.

  22. Mr. Garisson Postado em 06/Nov/2013 às 01:29

    87 anos, o tempo necessário para poder fazer piadas de um tema que foi trágico.

  23. Marcelo Postado em 06/Nov/2013 às 01:59

    Concordo com o comentário de José Ferreira. Não vi o quadro como 100% racista.....mas sim como uma certa "crítica" a situação atual dos negros e aos programas sociais do governo federal. Afinal de contas, a abolição apenas serviu para jogar os negros na periferia das cidades, torna-los responsáveis pela própria sobrevivência e sem mão de obra qualificada. Resultado, trabalhar em subempregos, lutar pela sobrevivência e viver a margem da sociedade. Sinceramente, acredito que essa ABOLIÇÃO aconteceu apenas no papel. A classe trabalhadora, seja BRANCA, NEGRA, AMARELA OU PARDA, é escrava do capitalismo selvagem até os dias atuais. Não importa sua cor de pele, quando você é obrigado a acordar todos os dias, pegar um transporte desumano nas grandes cidades, viajar durante 1 ou 2 horas pra chegar ate o trabalho, trabalhar das 8:00 as 18:00, sofrer novamente pra voltar pra casa e ao final do mês receber o contracheque de R$ 780,00, R$ 1000 ou R$ 1.500,00. Daí vc se pergunta: "Isso não é escravidão?" Deixe de trabalhar 2 ou 3 dias sem justificativa e corra o risco de ser TROCADO por outro. Enfim, vc é OBRIGADO a estar bem todos os dias pra essa rotina louca. Daí eu pergunto: "até que ponto não somos escravos das "CLASSES SOCIAIS DOMINANTES", dos "EMPRESÁRIOS RICOS E PODEROSOS" que nos exploram, têm lucros EXORBITANTES as nossas custas e que nunca deixaram nem deixarão de existir.

    • José Ferreira Postado em 06/Nov/2013 às 08:17

      A escravidão hoje não tem cor. 90% da população é escrava do capitalismo.

      • Paulo Postado em 06/Nov/2013 às 08:52

        Você disse tudo José! Mas se vocês lembram da propaganda que foi vinculada sobre o direito das domésticas? Uma atriz famosa negra falando em linguagem popular sobre as profissões abordadas no tema e os direitos que as pessoas deveriam ter e uma outra atriz branca falando um português correto falando sobre os direitos e deveres dos "patrões". O que isso representa para vocês?????????????

      • Luiza Postado em 07/Nov/2013 às 03:03

        Boa José! Talvez esteja aí a resposta de toda essa discussão. A escravidão do capitalismo.

    • Paulo Postado em 06/Nov/2013 às 08:54

      certamente vc está correto! Mas ponha no papel quantos brancos são "assassinados" pela PM e quantos negros e pardos?????????? A diferença é brutal e não só no Brasil, infelizmente!

  24. Mariana Postado em 06/Nov/2013 às 02:37

    Não assisti este quadro, mas as expressões pejorativas usadas para se referir aos programas sociais, e associá-los à população negra, foi de má fé. As expressões "Bolsa Família Afrodescendente”, o “Bolsa Escola – o Senzalão da Educação”, contribuiu para reforçar o estigma de negro-pobre, tão presente no cotidiano da população negra do Brasil. Afinal, não é estranho uma mulher negra ser confundida com uma empregada doméstica, e logo em seguida ser apontada para a escada da área de serviço do condomínio que ela mora. Além de entrar em uma loja e ser tratada com desdém, porque, obviamente, negro não tem dinheiro, pois sobrevive do "Bolsa Família Afrodescendente”. Aqui se especificou o público alvo do programa: o negro. Que se sustenta pela premissa de que todos os negros são pobres, pois sem essa associação direta, o público alvo seria apenas o pobre, e não o pobre+negro. Por mais que tenha se tratado de uma "piada", a imagem do programa - que já não é muito boa - levará consigo o estigma do negro-pobre, que poderá vir a ser "piada" na boca de muita gente de má fé (leia-se racista).

  25. maria de Lourdes Postado em 06/Nov/2013 às 10:25

    Infelizmente não se pode mudar a natureza maldosa, do ser humano, que busca se satisfazer-se pisando e diminuindo o outro. Quanto as politicas publicas que busca reparar danos por causa do que deveria ser feito ao termino do regime de escravidão, penso que é um reconhecimento louvável, só quem é negro sabe que é passivo de descriminação, erros não reparados de alguma forma tende cada vez mais levar a criminalidade e as desgraças.

  26. ana Silva Postado em 06/Nov/2013 às 10:37

    Todos criticando, mas, pelo que vejo, todos assistindo a Globo.

  27. ana silva Postado em 06/Nov/2013 às 10:40

    Esse papinho de racismo é um saco. Os próprios negros são os verdadeiros racistas. Consciência negra, 100% negro...para que isso? São os primeiros a tentarem se separar, a afirmar que são diferentes. Não somos todos iguais?

  28. Marcio Postado em 06/Nov/2013 às 10:48

    Brasil, o único país onde a escravidão não acabou ainda... Ao ler alguns comentários aqui expressados dá ânsia em dizer que sou "ser humano". Em um mundo tão desigual temos que ver que todos somos iguais, país de tolos.

    • Natália Postado em 06/Nov/2013 às 12:19

      O único país? Sempre tem alguém pra aproveitar e criticar o país com frases clichês como 'é por isso que o país não vai pra frente!', 'isso é Brasil!' com uma ideia de que lá fora fosse tudo perfeito. Reconheço que precisamos melhorar em muitos aspectos, mas dizer que só há racismo aqui é o cúmulo da alienação.

  29. Andre Jurado Postado em 06/Nov/2013 às 11:14

    Concordo e discordo, Douglas... esse quadro tira sarro de momentos históricos, todos sérios e com influências culturais e até mortes envolvidas... A questão racial não é nem menos, nem mais importante que as outras.. portanto, leve o quadro apenas pelo que ele é: uma gozação de fatos históricos. Concordo com a defesa da questão racista em outras instâncias, tanto afro quanto indígena, oriental, bulling contra gordo, magro, gente feia, com síndrome de down, etc. É, não tem só negro sendo desrespeitado. Mas relaxa q nem todo racismo é nocivo na visão de um comediante e de pessoas que se identificam com esse humor sarrista das desgraças e catástrofes do passado e das que virão. Afinal, o ser humano faz muita merda! hahaha

  30. Roberto de Morais Postado em 06/Nov/2013 às 11:30

    Bom... assisti a matéria, sou negro, imaginei q fosse rolar esse tipo de repercussão, mas existe uma linha que divide um fato histórico de uma ofensa. Não estou defendendo a globo, até pq a emissora tem merda na maioria da sua programação, e o pouco q tem de bom eu acompanho... mas vamos analisar uma realidade: A história da matéria se passa na época do fim da escravatura, e negrada não se choquem, façam leiura, os negros SOFRERAM DE DISCRIMINAÇÃO RACIAL E SOCIAL PESADA. a visão dos brancos na época era de extrema diferença até mesmo pelos abolicionistas quanto aos negros, vcs realmente acreditam que eles eram 100% humanistas? não q não fossem, mas pensem bem, haviam diferenças, a sociedade via os negros como porcos, assassinos, feras, e tudo de ruim que se possa imaginar. Eles retrataram a diferença da sociedade na época e os fatos históricos... Vamos falar de OFENSA RACISTA AGORA Em nenhum momento eles trataram o negro dos dias de hoje, mais de um século de abolição depois, com discriminação. Mew, a sociedade evoluiu, o racismo aínda existe sim, mas na matéria não foram levados estes quesitos. Racismo seria tratar da situação em que o negro é tratado como esterco hoje como se fosse antigamente. Pra quem assistiu a matéria, estou aberto a uma troca de opinião para que entremos em um conceito único. Pra quem apenas opinou sem assistir a matéria, parabéns, vc é um PIOLHO, foi pela cabeça dos outros E ACHA QUE SABE DE ALGO. Pra quem tem algo a rebater, estou apto a dar sequencia

  31. Flores Postado em 06/Nov/2013 às 12:29

    Vamos dizer não à Rede Glogo, ao Fantástico desligando a TV!!!! Ouça música, dance sozinha ou acompoanhada, transe, se masturbe mas diga não à TV de merda que nos limita a cidadania. É isso ;-))

    • Thiago Teixeira Postado em 06/Nov/2013 às 14:14

      Estou com você!!!!!!!!!

  32. Miguel Matos Postado em 06/Nov/2013 às 12:57

    O mais incrível nessa história toda é que ainda existe gente que assiste a esse programa e a esse canal de TV (ou a qualquer outro canal brasileiro de TV aberta)