Redação Pragmatismo
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Esquerda 13/Nov/2013 às 10:56
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A "ameaça socialista" nos EUA

Dois candidatos conduzem as campanhas eleitorais socialistas mais fortes em grandes cidades dos Estados Unidos em décadas e ameaçam a hegemonia republicana/democrata

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(Imagem / Reprodução)

Dois candidatos da Alternativa Socialista (Socialist Alternative), Kshama Sawant, em Seattle, e Ty Moore, em Minneapolis, conduzem as campanhas eleitorais socialistas mais fortes em grandes cidades dos Estados Unidos em décadas. Os dois concorrem a assentos no conselho municipal, a câmara municipal estadunidense, onde as eleições são realizadas distritalmente. Os resultados ainda são apenas parciais, mas o desempenho em uma campanha socialista e basicamente feita com voluntários tem feito a dupla ser tema de notícias e análises.

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O socialista Ty Moore está somente 130 votos atrás de seu adversário. Já Sawant, uma conhecida ativista, que participou ativamente do Occupy Seattle, está somente 7% atrás do candidato democrata – na contagem inicial, ela tinha cerca de 38% do total de cédulas, sendo que o restante dos votos a serem apurados tendem mais para ela.

Independentemente do resultado final, afirmam alguns analistas de jornais locais e sites de esquerda, os votos para esses ativistas socialistas ilustram claramente o vácuo na política dos EUA e a raiva contra o establishment controlado pelas grandes empresas. As duas campanhas se fortaleceram com a enorme desconfiança que existe em relação ao sistema político, enraizada na crise de 2008 e na lenta recuperação econômica. A recente paralisação do governo federal, quando não havia acordo sobre o orçamento, também alimentou a ira popular que permitiu que as campanhas socialistas tivessem um eco entre os trabalhadores.

Durante a paralisação do governo, o índice de aprovação do Congresso caiu para um mínimo histórico de 5%. Segundo a pesquisa Gallup, um recorde de 60% das pessoas disseram que é necessário um novo partido nos EUA, e apenas 26% disseram que os dois partidos estavam fazendo um trabalho adequado.

As campanhas demonstram que os candidatos independentes da classe trabalhadora podem desafiar o establishment sem receber dinheiro das empresas. Ty Moore arrecadou mais dinheiro do que seu principal adversário apoiado pelas empresas, apenas em doações individuais, e Kshama Sawant levantou cerca de 110 mil dólares, em comparação com os 238 mil dólares de seu oponente.

Ideias socialistas em ascensão

Muitos, na esquerda, argumentam que as ideias socialistas não podem ganhar o apoio das massas nos EUA, mas essas campanhas mostram o contrário. Pesquisas do Pew Research Center mostram repetidamente que a maioria dos jovens e negros agora preferem o “socialismo” ao “capitalismo”. Obviamente, essa consciência é confusa, mas ilustra que as pessoas estão de saco cheio com a desigualdade crescente e com os aumentos insuportáveis no custo de vida e do próprio capitalismo.

Os adversários de Sawant e Moore se preocuparam em recorrer a um “anticomunismo” contra as ideias socialistas. Richard Conlin, que defendia seu cargo em Seattle, usou argumentos anti-imigrantes e sexistas pouco disfarçados contra Sawant, enquanto Alondra Cano, em Minneapolis, se esquivava de fazer campanha negativa, preferindo contar com seu apoio no setor imobiliário e do establishment político.

Construindo movimentos

A campanha de Ty Moore no Distrito 9 de Minneapolis foi construída ao lado de uma campanha importante e com grande visibilidade por justiça habitacional liderada pelo “Ocupe Casas Minnesota”. Moore e a Alternativa Socialista ajudou a lançar esta organização, que defendeu com sucesso muitas famílias de serem despejadas pelos grandes bancos e pela polícia. O centro “Zona livre de despejos” do Ocupe Casa foi no Distrito 9, bairro etnicamente misto habitado por trabalhadores. O “Ocupe Casas” e a campanha de Moore reforçaram mutuamente um ao outro.

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(Cartaz da campanha de Swant / Reprodução)

Da mesma forma, em Seattle, a campanha de Sawant ajudou a colocar a “Luta por 15” – as greves e protestos de trabalhadores de baixa renda pelo salário mínimo de 15 dólares por hora – no centro do debate político. A candidata construiu energicamente este movimento, auxiliando grevistas criminalizados e combatendo os argumentos contra o aumento do salário mínimo. Quando as organizações de trabalhadores conseguiram incluir um plebiscito sobre o aumento do salário mínimo a 15 dólares na votação no subúrbio de Seattle de SeaTac, a campanha de Sawant energicamente apoiou este movimento, contribuindo para a vitória histórica no plebiscito.

Os dois candidatos a prefeito, que não tinha mencionado o salário mínimo no início de suas campanhas, saíram vagamente em apoio de um salário mínimo 15 dólares por hora. O sucesso da Sawant em deslocar o debate político levou o Seattle Times, o maior jornal de Seattle, a dizer antes da eleição que “o vencedor da eleição de Seattle já é a socialista Kshama Sawant”.

Caros Amigos, com informações da Liberdade, Socialismo e Revolução, Socialist Worker e Seattle Times

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Comentários

  1. Isaac Postado em 13/Nov/2013 às 11:46

    Eles jamais teriam espaço por lá, a mínima chance de saírem vencedores já poderia significar prisão ou morte por motivos obscuros, se eles não toleram essas idéias na América Latina desde o início da guerra fria até hoje, imagine dentro do próprio território? Sem chance.

    • Roberto Moraes Postado em 13/Nov/2013 às 19:16

      Volta pra israel Isaac, lá as tuas idéias fazem sentido.

    • Thiago Teixeira Postado em 14/Nov/2013 às 13:41

      Cara, as pessoas mudam ...

  2. Adalberto Postado em 13/Nov/2013 às 18:06

    Pelo menos é um começo.

  3. Marcos Postado em 14/Nov/2013 às 00:09

    É triste essa realidade atual é a latinização dos USA, a grande nação americana foi construída por ideias contrários a tudo que a esquerda representa.

    • Rodrigo Postado em 14/Nov/2013 às 11:05

      Marcos, você quer dizer, construída sobre sangue indígena?

      • Marcos Postado em 03/Dec/2013 às 21:08

        Qualquer cultura do mundo foi construída pelo processo de dominação inclusive o Brasil, espero que a direita acorde nos USA antes que o vírus se espalhe.

    • Rodrigo Postado em 14/Nov/2013 às 11:07

      Eu torço para alguém muito doidão de direita, como o Paul Ryan, vencer as eleições presidenciais lá. Assim terminará o banho-maria de sustentação institucional e veremos a guerra de classes lá atingir a assíntota. Os conflitos, mais abertos e explosivos. E aí sim veremos mobilização social organizada contra a xenofobia racista e a demofobia, instrumentalizadas por Wll St. Surgirão movimentos de esquerda criativos que incentivarão muitos no mundo todo.

  4. Rodrigo Postado em 14/Nov/2013 às 11:05

    Marcos, você quer dizer, construída sobre sangue indígena?

  5. Alexandre Postado em 17/Nov/2013 às 18:27

    Latinização? Me poupe, metade do que é hoje os EUA era terras espanholas/ mexicanas roubadas pelos ingleses/ estadunidenses, até os nomes espanhóis foram mantidos, não precisa ser muito inteligente para perceber isso.