Redação Pragmatismo
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Polícia Militar 18/Oct/2013 às 09:31
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O relato de um fotógrafo espancado por 13 policiais

Yan Boechat foi violentamente agredido. Fotógrafo, Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez um impressionante relato em sua página do Facebook

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O fotógrafo Boechat dialoga com os PMs (Foto: Gabriela Batista)

Um aumento de 172% nos casos de agressões, censura judicial e até assassinatos contra jornalistas é o que acusa o relatório para a Liberdade de Imprensa 2012-2013 da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão). O período mensurado vai de outubro de 2012 a setembro de 2013.

Evidentemente as manifestações têm muito a ver com isso e o despreparo da polícia está registrado em centenas de vídeos na internet, com seus abusos de autoridade quase sempre acompanhados de agressão física contra repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Já entramos portanto no próximo período e outubro dá mostras que o relatório 2013-2014 poderá não ser muito animador.

Yan Boechat é mais um que engordará a estatística ainda a ser retratada. Parceiro de rua desde junho, encontrei Boechat novamente nesta última terça-feira, durante a manifestação pela educação. O clima estava tenso desde a saída e ainda na avenida Rebouças. Boechat me disse: “A vibe está estranha hoje.”

Pouco tempo depois a batalha campal começou e não o encontrei mais, nem mesmo na apoteose (o que não é raro, a violência se espalha pelas ruas e muitas vezes termina-se com quilometros de distância, nem todos voltam). No dia seguinte soube que seu pressentimento havia se confirmado. Boechat foi violentamente agredido. Jornalista experiente, colaborador de veículos como Valor, GQ e IstoÉ, ele fez seu relato em sua página do Facebook:

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“Neste ano estive em diversos confrontos entre a população civil e as forças de segurança, em diferentes países. As mais violentas que acompanhei, inclusive, não se deram no Brasil. Quando estive na Tunísia, em fevereiro, fazendo uma reportagem sobre os dois anos do início da Primavera Árabe, o líder da oposição local, Cokri Belaid, foi assassinado. Sua morte mergulhou o país em uma semana de protestos, os mais violentos desde a queda do ditador Ben Ali. Foram dias e dias de embates ferozes pelas ruas de Túnis. Lá, como aqui, fotografei todos os acontecimentos, de perto, e nenhum policial fez, sequer, menção de me agredir.

Poucas semanas depois, já no Egito, a absolvição de policiais, que mataram dezenas de manifestantes em Alexandria um ano antes, fez com que a população voltasse às ruas para protestar contra o presidente Mursi. Foram noites e noites de confrontos extremamente violentos entre centenas de jovens e as forças de segurança nas imediações da Praça Tahrir. Em Alexandria e em outras cidades, naquela semana, mais de uma dezena de manifestantes foram mortos. Novamente, nenhum policial me agrediu.

É óbvio ser incorreto afirmar que nesses dois países que mal conhecem a democracia e não compreendem a noção que temos do Estado de Direito, a polícia não seja violenta. Ela é, e muito. Mas foi aqui, no Brasil, no meu país, onde existem leis que me protegem, em que a minha profissão é defendida por quem está no poder, onde a imprensa, em menor ou maior grau, é, sim, livre, que fui agredido por tirar uma fotografia.

Ontem fui espancado por um grupo de 13 policiais. Me agrediram com chutes, socos e cassetetes porque fotografei-os batendo de forma covarde em um dos voluntários do GAPP (Grupo de Apoio aos Protestos Populares). Foi uma agressão gratuita, que tinha como único objetivo me intimidar e impedir que eu praticasse o saudável e fundamental ato de registrar as coisas que acontecem em uma manifestação pública. Sou jornalista com mais de 15 anos de carreira. Já atuei em alguns dos principais veículos de comunicação do país. Já estive a trabalho em países que não prezam exatamente pela liberdade de imprensa, como Irã, Afeganistão ou Angola. Já fui intimidado, mas nunca espancado por forças de segurança do Estado.

Sempre pautei meu trabalho pela seriedade e pela ética que rege minha profissão. Em todas as manifestações assumo única e exclusivamente o papel de observador, de repórter, mesmo, em algumas circunstâncias, tendo a certeza de que injustiças são praticadas diante de mim, seja pelo lado da polícia, seja pelo lado dos manifestantes que, como os policiais, muitas vezes também se excedem. Seja aqui, seja em qualquer lugar do mundo. E, sim, gosto de estar perto da ação, tenho prazer em assistir ao vivo, com meus olhos, o desenrolar da história. (…). Fui agredido pela única razão de estar com uma câmera na mão diante do abuso de poder de um representante das forças de segurança. Minha carteira da Federação Nacional dos Jornalistas, que ampliei e colei em uma antiga credencial para expor ainda mais minha condição, não foi nenhum impedimento para que o soldado da Polícia Militar iniciasse a agressão. Foi tudo rápido. Ele bateu no rapaz, me viu fotografando e disse:

‘Não me fotografa, filho da puta’

Tentei mostrar minha carteira da Fenaj e gritei:

‘Estou trabalhando’

Ele levantou o cassetete e, antes de me acertar pela primeira vez, disse:

‘Eu também’ ”

Sou dos poucos que ainda saem sem máscaras contra gás (o capacete já faz parte dos acessórios básicos) mas preciso repensar isso. O futuro não parece promissor, como disse Yan Boechat, “a vibe está estranha”. Imagina na Copa.

Mauro Donato, DCM

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 18/Oct/2013 às 10:32

    E os policiais mortos em operação? Suicidas? Seus familiares assassinados por vingança? Interessa a alguém estas estatísticas?

    • Guilherme Cunha Postado em 18/Oct/2013 às 10:49

      Eu não entendi muito bem. Vc está dizendo que se por acaso a minha família for morta eu tenho o direito de espancar vc mesmo se vc não tiver nada a ver com o caso e que o fato de eu ter sofrido uma violência me livraria da responsabilidade de ter sido covarde com vc?

    • guilherme santos Postado em 18/Oct/2013 às 10:53

      Um erro não justifica outro, ou: Quem abre mão da liberdade por um pouco de segurança acaba perdendo tanto a liberdade quanto a segurança.

    • Andre Postado em 18/Oct/2013 às 10:55

      Thiago, quantos policiais foram mortos durante os protestos populares? Eu realmente me interesso por essas estatísticas.

    • Rafael Lopes Postado em 18/Oct/2013 às 10:58

      Thiago, tenho quase certeza que os policiais que foram mortos em operação não foi pela mãos da imprensa e provavelmente não pelas mãos professores que também. Não crie o embate polícia VS população, não é salutar pra ninguém. O problema não é o cachorro mordendo é o dono que solta a coleira.

    • neto Postado em 18/Oct/2013 às 11:13

      um erro não justifica o outro...qual arma um jornalista usa, policiais usam cassetetes e balas de borracha e gás lacrimogênio e tudo na base da FORÇA! Liberdade de expressão é parte da DEMICRACIA e enquanto policiais acharem que fazem seu trabalho intimidando e espancando não viveremos em um estado de direito...AUTORIDADE é o JUÍZ e a JUSTIÇA...TORTURA é crime e não existirá nenhuma lei que tirará este direito da população, não haverá novamente uma ANISTIA AMPLA E IRRESTRITA...senão não teremos estado de direito e sim uma ditadura mal disfarçada de LEI!

    • Leandro Postado em 18/Oct/2013 às 14:56

      Thiago, você tem algum problema cognitivo, só pode.

  2. julio Postado em 18/Oct/2013 às 10:49

    a PM tem que ser extinta thiago. instituição corrupta.

  3. Thiago Araújo Postado em 18/Oct/2013 às 10:50

    Thiago Teixeira, duvido que algum policial foi morto por estar batendo em manifestantes. A propósito, nem sequer foram punidos..

  4. Wilson Alves Postado em 18/Oct/2013 às 10:52

    Em toda organização seja ela qualquer haverá corrupção e mals profissionais, porém temos de enxergar os dois lados, são casos e casos. O problema é que o Brasil está ficando esquerdista demais.

    • Jackson Postado em 18/Oct/2013 às 11:09

      Tem sempre um Retardado pra levantar bandeira disso e daquilo...

    • Netun Postado em 18/Oct/2013 às 11:14

      Tem sempre um Retardado pra levantar bandeira disso e daquilo...(2)

    • Roni Postado em 18/Oct/2013 às 11:15

      Brasil esquerdista? Que piada, cara. E o que isto teria em relação com a notícia? Estamos nos preocupando só porque somos de esquerda? Então a direita não vê problema em violência gratuita!?

    • Rodrigo Postado em 18/Oct/2013 às 11:23

      Bem, chamar de esquerdista quem se indigna com o que viu nesta notícia é um altissonante elogio à esquerda.

    • Modesto Postado em 18/Oct/2013 às 12:17

      Fiquei em dúvida, Wilson Alves. Quem é o "esquerdista" nessa história? O policial que bateu ou o jornalista que apanhou? Estás dizendo que gente direita (de direita) não faz maldade, é tudo culpa desses policiais "esquerdistas" que batem em inocentes? Ou "mau profissional" foi o jornalista que estava na rua àquela hora, onde já se viu?

  5. Juniperos Postado em 18/Oct/2013 às 12:24

    Falta bem pouco, mas logo teremos policiais disparando contra manifestantes, e haverá óbitos. Isso é visível. Primeiramente contra vândalos, e depois que isso for comum, haverá revide e por fim os inocentes. Não demorará, e o que falaremos disso? As pessoas serão literalmente caladas a ferro? Não estou sendo sensacionalista, mas parece que nosso governo não gosta mesmo de brasileiros e estão dispostos a matar para proteger o que eles realmente gostam. Ser corruptos e cheios de dinheiro.

  6. Thiago Teixeira Postado em 18/Oct/2013 às 14:38

    Parece que só tem retardado aqui. Policial é pago para dar cassetada pois foi isso que a população reivindicou durante as últimas eleições: SEGURANÇA. Agora vem com essa? "Ah, não foi bem isso que a gente queria, cassetada é só na cabeça de pobre".

    • sandro Postado em 18/Oct/2013 às 16:14

      Policial é pago pelo povo para protegê-lo de bandidos e não para bater no povo quando este protesta em favor de melhorias. Se vc for policial, acho que está satisfeito com o salário que ganha e disposto a mantê-lo como está.

  7. Fábio de Oliveira Ribeiro Postado em 18/Oct/2013 às 14:49

    Apesar desta tragédia anunciada, vários telejornalistas tem dito que vivemos numa democracia exageradamente tolerante. E vociferam no horário nobre contra a baderna e a suposta impunidade dos vândalos. Alguns deles exigem nos seus telejornais e programinhas (inclusive esportivos) mais repressão policial e maior rigor na aplicação da Lei. E a violência policial que os telejornalistas sádicos exigem vai fazendo vítimas nas ruas, inclusive entre seus colegas jornalistas. Mas quando estas e outras vítimas da violência policial exigem indenizações, quem paga as mesmas é o Estado e não as empresas de comunicação que fomentam a barbárie policial ou os "bocas moles" da imprensa televisada que dizem que gostam de ver a polícia descendo o cacete nos baderneiros.

    • Marcos Postado em 20/Oct/2013 às 02:46

      Baderneiro não é manifestante, tem que apanhar, ou seja se filmarem um policial batendo em um baderneiro não existe absolutamente nada de errado nisso, se o policial permitir que o baderneiro destrua bens públicos e privados por lei isso é crime alem de imoral.

      • Thaís Postado em 21/Oct/2013 às 09:33

        Dizer que baderneiro não é manifestante é tão Rede Globo...