Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 25/Oct/2013 às 12:53
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Parto humanizado: amor sem dor

O Brasil é hoje o campeão de cesáreas no mundo. O modelo obstétrico atual criminaliza profissionais que transferem para a mãe o poder de parir

parto humanizado
Parto humanizado: protagonismo e amor sem dor (Reprodução)

Bruna Bernacchio, Outras Palavras

No último sábado, centenas de mulheres, homens e crianças foram às ruas do país para falar de algo que, como tantas outras lutas sociais, permaneceu silenciado e criminalizado pelo Estado: a humanização do parto. Barrigas pintadas, sorrisos desmaquiados e peitos amamentando revelavam mulheres-mães que não tinham medo de mostrar uma íntima escolha, o ato e o poder de dar a luz.

As manifestações ocorreram no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Curitiba, Brasília, Campinas (SP), Santo André (SP) Juiz de Fora (MG), e em mais 26 cidades. Além de estampar nas barrigas e nos rostos as qualidades do parto humanizado natural (veja infográficos abaixo), as ativistas também queriam denunciar a perseguição que profissionais do parto humanizado — como doulas, obstetrizes e enfermeiras obstetras estão sofrendo em maternidades do país.

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“O nosso ato é para apoiar todos os profissionais que lutam para que a mulher seja protagonista do seu trabalho de parto e, isso faz com que as cesáreas feitas por conveniências médicas não aconteçam”, destacou a funcionária pública Paula Inara, de 38 anos, uma das coordenadoras do Movimento pela Humanização do Parto.

Isso não significa, porém, ser contra a realização de cesarianas. As ativistas reivindicam que a escolha seja, acima de tudo, da mulher; e que se limitem estas intervenções aos casos em que há risco real para mãe ou para o bebê – e não sejam adotadas de forma indiscriminada, como se faz no país.

O Brasil é hoje o campeão de cesáreas no mundo. A taxa chega a 90% no setor privado e quase 50% no setor público. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é um índice de até 15%. Reportagem da APública deste ano sintetizou uma série de denúncias e números de casos de violência nos partos medicalizados. Uma pesquisa destaca: uma em cada quatro mulheres sofre violência no parto.

O coletivo Marcha Pela Humanização é formado por mulheres, famílias, organizações e profissionais da área que se unem desde o ano passado em movimento único. O objetivo, escrevem em página do Facebook, é “levar informação de qualidade às mulheres; criar demanda por uma assistência ao nascimento digna e baseada em evidências científicas; pressionar autoridades a tomarem medidas para cumprir leis que só estão no papel; e criar outras diretrizes que favoreçam mulheres e profissionais que acreditam na humanização do cuidado a gestantes e recém-nascidos”.

O assunto suscita polêmica. O filme Renascimento do Parto, em cartaz há mais de dez semanas em diversas cidades do país, retrata a realidade obstétrica mundial contrapondo diversos depoimentos. A obra promove também uma reflexão sobre o futuro de uma civilização nascida sem os chamados “hormônios do amor” — liberados apenas em condições de trabalho de parto humanizado.

Há pouco, o movimento alcançou vitória pequena mas importante. O Projeto de Lei do Senado (PLS) 8/2013, de autoria do senador Gim (PTB-DF), foi aprovado no final do mês de setembro. Está desde dia 10 de outubro tramitando na Câmara. O projeto altera a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/1990) para incluir a obrigatoriedade de obediência às diretrizes e orientações técnicas e a criação de condições que possibilitem a realização do parto humanizado nos estabelecimentos de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre humanização do parto:

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Comentários

  1. renato Postado em 25/Oct/2013 às 15:10

    Maravilha, viu é só procurar que tem coisas boas acontecendo. CLIC!..

  2. Carlos Prado Postado em 25/Oct/2013 às 19:06

    Parece que este pessoal está meio perdido, apesar da boa intenção. Falar em criminalização do parto natural é exagero. Não sei se a cesária é praticada por ser mais rápida, mas as mulheres geralmente não são instruídas de que o parto normal é uma melhor opção. Isto deveria ser mais divulgado.

  3. Antônio Carlos Postado em 25/Oct/2013 às 22:33

    Acredito que a escolha da mulher deveria ser completa. Não apenas parto natural, se ela porventura escolher por parto cesárea ela deveria ter a escolha e deveria ter isso como aceito. Hoje em dia, no serviço público, é o que menos acontece, a mulher é quase que obrigada a ter parto normal mesmo ela querendo cesárea.

  4. Danilo Postado em 28/Oct/2013 às 22:12

    Independente da escolha, faça em um hospital, não vão arriscar a vida a toa. Um único problema e pode ser tarde demais para o Bebê e a mãe.

  5. Verônica Postado em 29/Oct/2013 às 08:45

    Excelente! A semente da mudança está sendo plantada: há 10 anos, qdo falava em parto humanizado me olhavam com espanto e pensavam em incensos, meia luz e indígenas. Hoje já existe menos mitos em torno do tema e dúzias de mulheres estão se informando e fazendo suas escolhas de forma consciente, e não por medo de serem maltratadas. Logo serão milhares! Eu fiz cesariana eletiva sem necessidade médica e depois um parto domiciliar e posso falar: a mulher merece parir com dignidade. Não tem nem como comparar cuidar de um RN estando inteira e eufórica com estando cesareada: 7 camadas de tecidos cortados e costurados, muitas drogas no organismo, falta de ocitocina (e de vínculo com o bb).