Redação Pragmatismo
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Capitalismo 03/Oct/2013 às 15:39
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Novo Iphone5 e a "devastadora modernidade"

Suspeita de comprar estanho que é extraído por crianças e arrasa um paraíso ambiental, Apple reage tratando usuários como otários

Vinicius Gomes, CartaCapital

Toda vez que um novo iPhone está para ser lançado, produz-se um frisson mundial. No caso do novo Iphone 5S, não foi diferente. Pessoas acamparam por semanas em frente à loja da Apple em Nova York, esperando que suas portas se abrissem. Quando isso finalmente ocorreu, foram saudadas pelos funcionários como se tivessem acabado de conquistar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Mas por trás de toda a fanfarra de marketing, existe uma realidade que quase nunca é acompanhada pela mídia com tanta empolgação como as filas em frente das lojas.

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O jornalista britânico George Monbiot começou a revelá-la esta semana, em seu blog. A Apple, demonstrou ele, participa de um dos crimes ambientais que melhor expõem a desigualdade das relações Norte-Sul e a irracionalidade contemporânea. Ela provavelmente compra estanho produzido, na Indonésia, em relações sociais e de desprezo pela natureza que lembram as do século 19. Pior: convidada por ativistas a corrigir esta prática, a empresa esquiva-se – destoando inclusive de suas concorrentes. E, ao fazê-lo, usa argumentos que sugerem: trata o público s seus consumidores como se fossem incapazes de outra atitude mental além do ímpeto de consumo.

Monbiot refere-se ao uso, pelos fabricantes de celulares, do estanho extraído da ilha de Bangka, na Indonésia. O metal é indispensável para a soldagem interna dos smartphones. Cerca de 30% da produção global concentra-se na Indonésia – mais precisamente, em Bangka. O problema são as condições de extração.

O jornalista as descreve: “Uma orgia de mineração sem regras está reduzindo um sistema complexo de florestas tropicais e campos a uma paisagem pós-holocausto de areia e subsolo ácido. Dragas de estanho, nas águas costeiras, também estão varrendo os corais, os manguezais, os mariscos gigantes, a pesca e as praias usadas como ninhos pelas tartarugas”.

A cobiça pelo estanho barato não poupa nem a natureza, nem o ser humano. Monbiot prossegue: “Crianças são empregadas, em condições chocantes. Em média, um mineiro morre, em acidente de trabalho, a cada semana. A água limpa está desaparacendo. A malária espalha-se e os mosquitos proliferam nas minas abandonadas. Pequenos agricultores são removidos de suas terras”

Estas condições desesperadoras desencadearam reação de ativistas. A organização internacional Amigos da Terra articulou o movimento. Não se trata de algo conduzido por rebeldes sem causa. A campanha reconhece que eliminar a mineração seria uma proposta inviável, por desempregar milhares de pessoas. Propõe, ao contrário, um pacto. Todo o estanho produzido em Bangka é adquirido pelas corporações que fabricam celulares. Se elas concordarem em respeitar condições sociais e ambientais decentes, a exploração de gente e da natureza não poderá prosseguir.

iphone5 apple exploração
Imagem / Reprodução

Sete fabricantes transnacionais abriram diálogo com a campanha: Samsung, Philips, Nokia, Sony, Blackberry, Motorola e LG. A única das grandes fabricantes a se recusar foi a Apple – também conhecida por encomendar a fabricação de seus aparelhos às indústrias de ultra-exploração do trabalho humano da Foxconn.

O mais bizarro, conta Monbiot, são os estratagemas primitivos usados pela Apple para evitar um compromisso de respeito aos direitos e à natureza. O jornalista procurou por duas vezes, nos últimos dias, o diretor de Relações Públicas da empresa. Propôs, em nome da transparência, um diálogo gravado. Sugestão negada. Na conversa reservada, relata, não obteve informação alguma, exceto uma sugestão: dirija-se a nosso site.

Mas é lá, diverte-se Monbiot, que a Apple mais zomba da inteligência dos consumidores. A corporação informa, placidamente, que “a Ilha de Bangka, na Indonésia, é uma das principais regiões produtoras de estanho no mundo. Preocupações recentes sobre a mineração ilegal de estanho na região levaram a Apple a uma visitas de inspeção, para saber mais”. Mas a Apple não reconhece que compra o metal produzido em Bangka – provavelmente para não se comprometer com a campanha contra a exploração devastadora. O jornalista, então, pergunta: “Por que dar-se ao trabalho de uma visita de inspeção, se você não usa o estanho da ilha? E se você usa, por que não admiti-lo?”

Tudo isso sugeriria renunciar a um celular? Claro que não, diz Monbiot. Trata-se de exigir das empresas respeito a normas sociais e ambientais. Pressionadas, sete corporações transnacionais ao menos admitiram debater o tema. A Apple destoou. Quem tem respeito pelos direitos sociais e pela natureza deveria evitar os aparelhos da empresa, recomenda o jornalista.

Quem quer ir além pode, por exemplo, optar pelo Fairphone, celular produzido por empreendedores expressamente interessados em proteger direitos e ambiente. Estará disponível a partir de dezembro. Porém, mais de 15 mil unidades já foram vendidas, nos últimos meses a consumidores conscientes.

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Comentários

  1. Marcos Freybert Postado em 03/Oct/2013 às 19:20

    É pro isso que eu digo: Eu NÃO PRECISO da p0##@ de um IPhone, IPod, IPad, nem de nenhum IC@[email protected] da Apple pra ser feliz.

  2. Tiago Postado em 03/Oct/2013 às 19:54

    E Steve Jobs se dizia budista.

    • Guilherme Augusto Postado em 05/Oct/2013 às 01:28

      Bundista. Só se for... e na nossa ainda...

  3. Marcelo Postado em 03/Oct/2013 às 19:55

    Imputar à uma empresa, qualquer que seja, a responsabilidade de um país, é um erro. A empresa compra o produto mais barato, isso é fato. Ela deve zelar pelo respeito às leis dos países em que estão instituídas. A responsabilidade pelas condições de extração é dos países, no caso a Indonésia.

  4. Yury Postado em 03/Oct/2013 às 23:50

    Lembrando que não é apenas o Iphone o único produto da Apple a usar estanho.

  5. Gabriel Postado em 04/Oct/2013 às 06:31

    Nunca tive (acho o preço cobrado um ultraje, se querem saber) e nem pretendo. Os aparelhos de outras marcas fazem o mesmo e são bem mais acessíveis.

    • leonardo Postado em 04/Oct/2013 às 10:08

      eu já tive um itouch e cara, acho que o comprei lá pra 2008.. hoje tenho um android, mas não tem nem comparação. o touch do itocuh (rs) não falhava, é resposta imediata, não travava, tudo funciona mto bem, fora que parece que o sistema é bem mais simples e completo. já o meu sansumg é uma porcaria, sempre da problema, no touch e no sistema. eu não to entrando no mérito do caso reportado aí em cima, mas que a qualidade dos produtos da apple é indiscutível, isso eu não tenho dúvida

    • Roni Postado em 04/Oct/2013 às 11:37

      Verdade. Eu dou valor ao meu dinheiro e me recuso comprar de uma empresa que arrogantemente não concorre em preços dos produtos.

  6. marcello Postado em 04/Oct/2013 às 07:49

    TODAS as empresas fazem o mesmo. A Samsung é acusada de praticas que beiram campos de concentração. Materia oportunista, que mostra apenas um lado negro da força, aproveita do grande chamariz que a Apple se tornou. Vinicius Gomes mostra o grande lixo de jornalistas temos. Sensacionalista e tendencioso.

    • Roni Postado em 04/Oct/2013 às 11:39

      Leu o texto? Viu qual foi a única empresa a não se manifestar a respeito?

  7. Thiago Postado em 04/Oct/2013 às 11:25

    É a apple que compra ou os fornecedores da apple que compram?

  8. Rodrigo Postado em 07/Oct/2013 às 09:54

    Isso é um problema um pouco mais complexo. A ideologia do livre mercado no seu discurso, sempre pregou a necessidade do ESTADO não interferir em suas negociações, e ao longo da história foi ganhando, nem sempre honestamente, o direito de se abster das regulações e tributos estatais, sempre se apoiando no signo do progresso, coisa que é mentira. Então eu pergunto: de que progresso que estamos falando? Se buscamos na história encontramos vários países que foram, literalmente, saqueados - como é o caso da Argentina em 2001 - pela ideologia que visa a centralização, neocolonialismos e se apoia na desigualdade social. Isso tudo faz parte de uma grande estrutura macabra que é sustentada por uma meia dúzia de famílias... e que se apoiam, para fazer mais dinheiro, em países que carecem de ajuda social, de investimento para solucionar necessidades prioritárias, como acesso a agua potável, luz elétrica e etc... Explorar e coisificar seres humanos em outros continentes, dizendo-se passar por investidores e blá blá blá... é uma manipulação que faz "merda" se tornar "mel".