Eric Gil
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Direita 01/Sep/2013 às 15:57
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Rede Sustentabilidade: uma nova política, ou uma nova direita?

Nem de direita, nem de esquerda, nem de centro. A Rede se traveste de uma “nova política”, mas parece que o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, começou esta prática antes de Marina Silva.

As jornadas de junho mudaram totalmente a conjuntura política do Brasil. A reeleição de Dilma Rousseff, que já era dada como certa, ficou em xeque com a queda de sua popularidade, que segundo pesquisa da Datafolha caiu de 65%, em março deste ano, para 36% em agosto. Até já circula pelos meios políticos um suposto “Volta Lula!”.

Mas o privilégio não foi apenas da atual presidente. Ocorreu uma queda quase que sincronizada de todos os governadores e prefeitos dos principais estados e cidades, além disto, o congresso nacional também assistiu sua avaliação (já não muito) positiva cair de 21%, em março, para 13% em agosto.

Marina Silva
Marina Silva

No entanto, um nome despontou junto a este período conturbado, o da ex-senadora Marina Silva. Na pesquisa da Datafolha, Marina foi a única pré-candidata a presidência que permaneceu em ascendência nas pesquisas, passando de 14% em março para 22% em agosto (maior pontuação entre a oposição).

Marina Silva conta com a construção de uma nova estrutura partidária para a disputa eleitoral do próximo ano, a Rede Sustentabilidade. O novo partido ainda está em fase de legalização, e já conta, segundo seu site oficial, com 859 mil assinaturas de eleitores brasileiros, número que contrasta com o que os cartórios registraram como aptos a serem considerados legais, que está muito abaixo das 500 mil assinaturas necessárias, problema que está emperrando o registro do seu partido, mas que provavelmente não será problema até outubro.

Nem de direita, nem de esquerda, nem de centro

A Rede se traveste de uma “nova política”, mas parece que o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, começou esta prática antes da “ambientalista”, ao dizer, enquanto legalizava seu partido, o PSD, que “não será de direita, não será de esquerda, nem de centro”. Marina acrescentou mais um elemento em seu discurso: “nem situação, nem oposição”.

Ela pega carona no que o dramaturgo alemão, Bertolt Brecht, chamaria de “tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada” para convencer seus eleitores de que não há mais diferença entre esquerda e direita, praticamente mais uma alusão ao fim da história, como Fukuyama já havia feito pós-queda do muro de Berlim.

Apesar da tentativa de se colocar acima do bem e do mal, o que não falta são contradições entre a sua política e o seu discurso.

Não sou contra e nem a favor. O projeto deve ser objetivo. Do ponto de vista cultural, social e ambiental, o empreendimento deve ser ético e respeitar a diversas culturas da regiãoMarina Silva

Quem não se lembra da campanha de 2010? Ao ser questionada sobre uma das principais pautas dos movimentos ambientalistas internacionais – a construção de Belo Monte –, a ex-Partido Verde se colocou em cima do muro ao dizer: “Não sou contra e nem a favor. O projeto deve ser objetivo. Do ponto de vista cultural, social e ambiental, o empreendimento deve ser ético e respeitar a diversas culturas da região”.

Outro ponto é a diversidade, que a pré-candidata afirma ser uma das características do seu novo partido. Mas e a defesa ao principal símbolo de intolerância – seja homofobia, racismo ou machismo – da atual política nacional, o pastor Marco Feliciano (PSC)? Marina declarou, em maio deste ano, no auge do debate sobre a presidência da comissão de direitos humanos, que o parlamentar estava sendo hostilizado “mais por ser evangélico do que por suas posições políticas equivocadas”, tentando blindá-lo das críticas.

E a transparência? Segundo reportagem do Estadão, o processo de legalização do partido já consumiu R$800 mil, e até o prazo final a estimativa dos gastos é que aumente ainda mais 15%. E quem paga esta conta? Sobre isto, a REDE apenas declarou ao mesmo jornal que “são centenas de doadores financeiros que contribuíram com os gastos até o momento e milhares de pessoas que doaram seu tempo, em coleta de assinaturas, em processamento e relação com cartórios”. Mas entre eles estão nomes ligados às maiores empresas do País, como Neca Setubal, herdeira do banco Itaú, e o bilionário Guilherme Leal, um dos donos da Natura, que foi candidato à vice na chapa de Marina, pelo PV, nas eleições presidenciais de 2010.

Como já diria um ditado popular, “quem paga, escolhe a música!”, e na política não é diferente. Este é o padrão já seguido por outras grandes candidaturas, principalmente o PSDB e o PT na empreitada à presidência da república, que são bancados pelas maiores empresas do país, como o Bradesco e o Itaú, que investem milhões nas suas campanhas.

O que esperar, então, de um partido que já nasce com tantas contradições? Eu apostaria em mais do mesmo! Talvez pior do que isto, pois segue a tendência criada, neste país, pelo PMDB, e que agora é seguida pelo PSD, onde se constrói a imagem de que está todo mundo junto e misturado, não existe esquerda, nem existe direita, somos todos brasileiros prontos para ajudar o nosso glorioso país!

*Eric Gil é economista formado pela Universidade Federal da Paraíba, mestrando no Programa de Pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Paraná; escreve quinzenalmente para Pragmatismo Político

contato: [email protected]

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Comentários

  1. Luis Postado em 01/Sep/2013 às 22:15

    Então acho que o melhor é a gente continuar com o PT e o PSDB mesmo, né? Tudo está indo tão bem...

  2. Marcos Postado em 02/Sep/2013 às 01:18

    A esquerda treme, com a net ela vai cair, a mentira não vai durar é impossível, " Oque a esquerda não quer que vc saiba" pesquisem.

    • marcos Postado em 02/Sep/2013 às 11:37

      A net está justamente acabando com as falcatruas dos conservadores, assim como vc, acho que a net favoreceu muito a esquerda e vc precisa deixar de ser burrinho.

      • Alex Postado em 18/Sep/2013 às 22:02

        No brasil nem tem partido conservador meu amigo, a esuqerda ja domina td, por isso que esta essa m...

    • poisé Postado em 02/Sep/2013 às 13:36

      Coxinha, vcs são bem tolinhos né?! bem fáceis de manipular.

  3. Pedro Postado em 02/Sep/2013 às 01:22

    A desinformação nessa postagem está gritante, a começar pela manchete manipulada.

    • Karolina Mattos Postado em 02/Sep/2013 às 15:22

      Pedro, porque desinformação? Diga aqui então, qual seria a 'informação'. Não compreendi seu comentário.

  4. Caio Henrique Postado em 02/Sep/2013 às 01:26

    Não acho que nasce uma nova direita, tenho o mesmo posicionamento que ela em relação a política. Direita e esquerda se anulam, ambas fizeram merda com o Brasil. Muito o texto desse economista.

  5. Samuel Postado em 02/Sep/2013 às 09:39

    Este artigo está cheio de desinformação. Pragamatismo sempre peca por defender a esquerda falida do Brasil.

    • poisé Postado em 02/Sep/2013 às 13:34

      quase 12 anos no govern odo país e vc chama a esquerda de falida? vcs coxinhas adorariam ser "falidos" dessa maneira né?!..rs ... zé mané

      • Diogo Postado em 02/Sep/2013 às 14:13

        PT é esquerda??

      • Tati Postado em 07/Sep/2013 às 11:16

        É incrível como as posições reacionárias no país são tão sedimentadas que, nesse cenário, até a conjuntura atual do PT, que acertou no ato médico mas tem errado feio com os índios, vira esquerda

  6. luiz carlos ubaldo gonçal Postado em 02/Sep/2013 às 11:30

    Marina esta que nem bebado na segunda feira,e só ressaca, confusão pura

  7. Mayra House Postado em 02/Sep/2013 às 12:38

    Queremos mudança mas não queremos mudar....criticar é fácil,afinal é que todos fazem mesmo,anormal na verdade é fazer o que a Marina Silva e a rede tem feito,por isso que ninguem quer acreditar.

  8. Fernando Postado em 02/Sep/2013 às 12:54

    Cadê o resto da matéria? As fontes, os argumentos?

  9. Raony Postado em 02/Sep/2013 às 13:15

    Aquela velha alfinetada?! Mas e ai Eric Gil, o que você quis dizer com esse texto?

  10. Théo Postado em 02/Sep/2013 às 14:00

    Não tem essa de não é centro,não é direita,não é esquerda!

  11. Sílvio Rangel Postado em 02/Sep/2013 às 15:52

    Esse partido tá querendo ser o que não é, não é de direita, não é de esquerda, e não é de centro, então ele é o que? É só mais um partido que diz que não é mais é igualzinho aos outros, desse discurso falso e moralista eu to cheio...

  12. Ivo MOreira Postado em 02/Sep/2013 às 15:57

    POr que se precisa de tanto dinheiro pra criar um partido (800 mil reais) ??? Essa burrocracia na nossa política só atrai interesses de empresários que vêem nos partidos uma válvula de escape para se promover e parasitar nas receitas públicas a nosso custo .. Tem que se desbaratar essa máfia !!! REforma Política JÁ !!!!

  13. Marcus V. Ribeiro Postado em 02/Sep/2013 às 16:56

    Nem de esquerda, nem de direita, nem oposição e nem situação... Sem posicionamentos também? Essa rede é uma piada.

  14. Denia Postado em 02/Sep/2013 às 21:32

    essa defesa acrítica do PT é que o levou a aprofundar nos erros.

  15. Pedro Postado em 02/Sep/2013 às 21:51

    Vocês estão mesmo desesperados em boicotar a rede, eim? Me pergunto de onde veio todo esse medo... logo de um blog que eu curto tanto... O problema aqui é que a desinformação nessa postagem está gritante, a começar pela manchete manipulada. Sim, Marina Silva, que já esteve no PRC, PT, e PSOL, com certeza fundaria um partido de direita! Tão de direita que é apoiado até por Heloísa Helena! Opa, será que estou trocando as cartas? Agora senti minha inteligência ofendida quando se acusa a Marina de apoiar o Feliciano e traz logo em seguida uma citação em que ela diz exatamente que ele tem posições políticas equivocadas. Marina sempre foi contra o Feliciano. Tudo o que ela disse foi que a religião não torna alguém mais ou menos apto para a política, mas sim as ideias equivocadas. Um exemplo é ela própria. Tanto ela quanto o Feliciano são evangélicos, mas ela é a favor da união civil homossexual, ele não.

  16. davi Postado em 02/Sep/2013 às 22:18

    hj no brasil nao existe direita. será que alguém sabe o q significa pSdb? tampouco existe esquerda, ja q o proprio pt deixou de ser qdo lula subiu a rampa pela primeira vez como presidente. foi preciso q ele vestisse uma roupa menos radical para subir ao poder. logo o que se ve, é quem brasileiros nao gostam do radicalismo de esquerda. fosse tao bom ser assim, o pcdob ou o psol teriam emplacado varios prefeitos e nao apenas 1 em itaocara-rj. o de macapá nao conta, pois era do pt antes de ir pro psol e ja tinha sido prefeito. cria psolista radical mesmo so esse prefeito de itaocara. veja q nem no Rio, terra q acreditam ter virado de esquerda, querem um radical no poder. preferiram a maravilha que nao é o paes, ao freixo.

  17. Tony Montana Postado em 04/Sep/2013 às 13:46

    calma aí Olavete.

  18. renato Postado em 04/Sep/2013 às 18:22

    É uma esquerda na garganta, com cérebro de direita,e coração evangélico. Ninguém consegue servir a dois quanto mais a três. È um monte de espertos querendo abocanhar os milhões de votos supostos. É um demônio sem inferno, um santo sem cèu. Um perigo para qualquer país. Não um perigo que se faça presente, mas um perigo se for eleito, não saberá o que fazer. Mas deleitam-se no Status de "olha vou ameaçar as bases", coisa de bandido. Qualquer partido como PT, PMDB,PSDB tem estrutura para governar. Este não....seria um caos, pelos parasitas que lá perambulam.

  19. Lee Postado em 02/Oct/2013 às 07:46

    Não existe isso de não ser de esquerda nem de direita. Pelo menos não se faz política de forma ética desta forma. Já temos m partido sem lados, e ele se chama PMDB, a mais prostituída das legendas. No mundo capitalista, ou você está do lado do oprimido, ou do opressor. Além disso, não se governa pelo povo quando a maior parte de seu financiamento vem do grande empresariado, que também nunca se importou com as causas ambientais. Marina Silva é o mais novo engodo em matéria de política nacional.