Redação Pragmatismo
Compartilhar
Documentário 16/Aug/2013 às 09:46
20
Comentários

Documentário: a violenta realidade dos partos no Brasil

Documentário trata da violenta realidade dos partos no Brasil e revela a importância da humanização do nascimento

parto humanizado brasil renascimento
Imagem / Divulgação / Documentário O Renascimento do Parto

“Até pouco tempo atrás, o amor era assunto para poetas, filósofos e romancistas. Mas hoje em dia, também é estudado por cientistas. Hoje podemos entender que a capacidade de amar é, em grande parte, organizada e construída durante o período em torno do nascimento.” A constatação é do cientista francês Michel Odent no documentário O Renascimento do Parto, que estreia nesta sexta-feira (9) nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras 17 cidades.

O filme dirigido por Eduardo Chauvet, com pesquisa e roteiro de Érica Paula, é um retrato da realidade obstétrica no Brasil e no mundo por meio de entrevistas com médicos, obstetras, doulas e pais que viveram os mais diversos tipos de situação na hora do nascimento dos filhos.

No Brasil, o panorama é alarmante: 50% dos partos são cesarianas, podendo chegar a 90% em alguns hospitais da rede privada. Número bem distante do máximo de 10% a 15% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Leia também:

“Na hora de fazer, não gritou”
“Sou fruto de estupro e a favor do aborto”
“A adolescente que deu à luz na porta da maternidade”

Um dos questionamentos que o filme propõe é: o que será do futuro da humanidade se as pessoas continuarem nascendo sem a ocitocina? Há estudos que afirmam que os chamados “hormônios do amor”, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto, são importantes não apenas para conduzir naturalmente a fisiologia do parto, mas também para consolidar o vínculo entre mãe e bebê, o que influi na capacidade deste de amar.

Renascimento do Parto não questiona, porém, a importância da cesariana que, quando indicada corretamente, é responsável por salvar vidas de mães e filhos. A crítica diz respeito ao número excessivo de cesarianas ou partos feitos com intervenções traumáticas e desnecessárias, especialmente em nome de interesses econômicos – o famoso “tempo é dinheiro” na “linha de produção” de médicos e hospitais.

Assista AQUI à reportagem da TVT sobre o filme e o tema

Outro tema abordado é o protagonismo cada vez menor das mulheres. “O médico, homem, tornou-se o ator principal do parto. O produto desse nascimento é o bebê e a mulher é o subproduto, secundário. Para o surgimento do modelo obstétrico contemporâneo, era fundamental que se criasse a ideia de que as mulheres são essencialmente incompetentes e incapazes de dar conta do processo de nascimento por si mesmas”, afirma o obstetra Ricardo Jones.

O ator Marcio Garcia e sua mulher Andréa Santa Rosa contam as suas dolorosas experiências nos partos de cesariana dos dois primeiros filhos e a alegria de verem Felipe, o terceiro, vir ao mundo por meio do parto normal domiciliar. Também participam do filme a antropóloga norte-americana Robbie Davis-Floyd e a parteira mexicana Naoli Vivaner.

Apesar (ou talvez em consequência) do número sem precedentes de intervenções cirúrgicas desnecessárias na hora do nascimento, o documentário mostra o “movimento de retorno”, ou seja, as casas de parto incentivadas pelo governo, a criação de suítes de parto normal pela iniciativa privada e o aumento dos partos domiciliares acompanhados por parteiras treinadas e com formação acadêmica.

O casal Eduardo Chauvet e Érica Paula consegue equilíbrio entre a emoção e a informação médica pura e simples. É tão aflitivo assistir na tela grande a uma episiotomia (corte na região entre a vagina e o ânus) quanto emocionante ver nascer com os bebês os laços afetivos entre mães e filhos.

O filme selecionado pelo Los Angeles Brazilian Film Festival e pelo DocBrasil Festival China deste ano foi feito com recursos dos próprios realizadores e com mais de R$ 142 mil, fruto do maior financiamento coletivo no Brasil feito até hoje.

Filme O Renascimento do Parto
Pesquisa, roteiro e produção: Érica de Paula
Direção de fotografia, som direto e mídias digitais: Rafael Morbeck
Planejamento de som: Marcello Dalla
Trilha sonora original: Charles Tôrres
Montagem, direção e produção executiva: Eduardo Chauvet

Recomendados para você

Comentários

  1. carolina Postado em 16/Aug/2013 às 14:05

    so uma correcao para o texo Apenas o 1 filho do casal Marcio Garcia e Andrea que nasceu de parto cesária. A Nina nasceu de parto normal no hospital e o Felipe de parto normal em casa.

  2. Renascimento do Parto Postado em 16/Aug/2013 às 14:48

    Acessem o site do filme: www.orenascimentodoparto.com.br

  3. Semírames Postado em 16/Aug/2013 às 15:19

    Correção: 1º filho do casal nasceu de cesariana, o 2º foi normal hospitalar e o 3º foi domiciliar. Outra coisa, a parteira mexicana chama-se NAOLI VINAVER

  4. Flavio Postado em 16/Aug/2013 às 15:52

    Parteira com formação acadêmica é igual enfermeiro com especialização em obstetrícia, profissão esta que faz uma verdadeira luta de Davi contra Golias lutando em favor da humanização e desospitalização do parto.

  5. LiRos Postado em 16/Aug/2013 às 20:50

    Eu sou mãe e minha filha nasceu de parto normal, me orgulho disso! Ela escolheu o dia que queria vir ao mundo, isso é significativo e bonito. Quando descobri que estava grávida, comecei a ler sobre o assunto e procurei uma médica indicada por uma amiga, que incentivava as mães a terem parto normal, eu indiquei mais uma amiga que também teve sua filhinha de parto normal. É possível sim, as mulheres precisam de informação e bons profissionais.

  6. Verônica Postado em 19/Aug/2013 às 11:17

    Filme imperdível! Muito emocionante, esclarecedor e pertinente num país onde se tem um dos maiores índices de cesarianas do mundo, e onde as mulheres são maltratadas num momento em que só precisam ser acompanhadas, já que parto é um evento fisiológico, e não patológico. E fiz um parto normal domiciliar depois de uma cesárea agendada e sei que parto bem atendido é um momento de intensidade, prazer e proporciona muita maturidade à mulher, bem como um forte vínculo com o filho, uma sensação de poder: posso gestar, posso parir, posso cuidar (bem diferente da cesariana eletiva). Sem falar no bebê, que nasce feliz e é acolhido por sua família, numa verdadeira celebração.

  7. raimunda souza Postado em 19/Aug/2013 às 14:51

    imagine o quanto ECONOMIZARIA o COFRE PÚBLICO se caso o GOVERNO FEDERAL investissem sim mas na ENFERMAGEM BRASILEIRA CURSO SUPERIOR-etc-COMO O É A ENFERMAGEM LÁ NOS EUA-etc-dando lhes AUTONOMIA INDEPENDENCIA-etc-mas em certas situaçõ es-procedimentos-etc-pois por exemplo na INGLATERRA a maioria dos PARTOS são PARTOS NORMAIS e são feitas por PARTEIRAS UNI VERSITÁRIAS-etc-inclusive os PARTOS da FAMÍLIA REAL INGLESA são todos PARTOS NATURAIS inclusive o atual-etc-e isto foi mostrado no programa da REDE GLOBO DE TELEVISÃO no programa”””ENCONTROS”””da FÁTIMA BERNARDES-entre dia-10/15-AGOSTO-2013-etc-aliás o GOVERNO FEDERAL devem deveriam investir mais e fazer daqui prá frente com que a ENFERMAGEM BRASILEIRA seja como nos EUA só CURSO SUPERIOR-etc-os tais-PRÓ-MÉDICOS-etc-e os mesmos tem PROCEDIMENTOS AUTONOMIAS-INDEPENDENTES-etc-ao contrário do BRASIL-etc- - -pois por exem plo numa EMERGENCIA UTI-etc-a ENFERMAGEM CURSO SUPERIOR mesmo sendo VETERANA e excepcional profissional e com os devidos preparos-precauções-etc-tem que ali ficar esperando o MÉDICO quando chegam um cliente com-PCR-bronqui te-etc-e ou com a algum tipo de PROBLEMA que qualquer uma VETERANA aescntiga atendente enfermagem já sabe tudo que tem que fazer mas NÃO tem que ficar ali esperan do a boa vontade do MÉDICO-etc-mesmo sendo uma excepcio nal preparada antecipadamente-CURSO SUPERIOR-ENFERMAGEM-etc-e até mesmo em simples-SUTURA-etc-pois tem MÉDICOS que tem ENORMES DIFICULDADES até mesmo para uma simplezizinha-SUTURA-e ou mesmo-ENTUBAR-etc-etc-e vemos excepcionais profissionais enfermagens-etc-que sabem muito bem fazer todos estes procedimentos mas fica ali de mãos atadas-etc- - -todas as outras 17 ÁREAS DA SAÚDE-ficam sempre de-MÃOS-completamente-ATADAS-etc-tudo graças ao-MONOPÓLIO -OLIGOPÕLIO-CARTÉL-RESERVA-DE-MERCADO-etc-FAVORITISMO-PRIVILÉGIO-etc-e como também uma ULTRA SUPER CONCENTRAÇÃO DE RENDAS-INFORMAÇÕES-CONHECIMENTOS-etc-e em referencia ás atividades das 17 ÁREAS DA SA ÚDE-etc-tudo fica só nas mãos dos MÉDICOS-mas ao mesmo tempo tudo é 1000% VEDADO FECHADO-NEGADO-algo-PROIBITIVO-e-OCULTADO-DIFICULTA DO-AO-MÁXIMO-etc por exemplo de todas as outras 17 ÁREAS DA SAÚDE etc aonde se criam BUROCRACIAS-absurdas-para favorecer beneficiar privilegiar -etc-só-os-MÉDICOS-e aonde tudo é DIFI CULTADO AO GRAU MÁXIMO-etc-mas para todas as outras 17 ÁREAS DA SAÚDE-etc- - -e isto é tão verdade que tem-MÉDICOS mas em todos os PARLAMENTOS PODER EXECUTIVO-LEGISLATIVO-e em todas os seus MINISTÉRIOS-SE CRETÁRIAS-etc-aliás-deve ter mais MÉDICOS em tudo que é POLÍTICA do que lá nos seus CONSULTÓRIOS PÚBLICOS-PARTICULARES-etc-fora isto conforme o próprio MINISTRO DA SAÚDE-etc-quase todos os médicos-mesmos-os-PIORES-PÉSSIMOS-PROFISSIONAIS-etc-ganham em MÉDIA R$ 40.000,00 por mês e além de que na sua maioria trabalham só-12 horas semanais e na sua maioria destas 12 horas só cumprem umas 03 horas-localmente-etc-)-etc-mas do outro lado tudo mas tudo mesmo é negado oculta do vedado proibido-etc-á todas as outras 17 ÁREAS DA SAÚDE mas principalmente para toda a CATEGORIA PROFISSIONAL-PROFISSÃO- ENFERMAGEM BRASILEIRA-etc-mas em todos os sentidos- - -pois além de por exemplo a ENFERMAGEM BRASILEIRA mesmo sendo a PRIMEIRA no UNIVERSO á REINVINDICAR 30 HORAS SEMANAIS-etc-mas isto sempre NEGADO á enfermagem brasileira e ainda por cima enquanto localmente tratam todos médicos como SEMIDEUSES-SERES-SUPERIO RES-etc-localmente tratam a enfermagem como uma-ÂMEBA-RASTEJANTE-SERES-INFERIORES-etc-pior que os ANTIGOS ESCRAVOS-etc-e ainda por cima com-SALÁRIOS-PÍFIOS-MISERÁVEIS-etc-e ainda por cima-localmente ás obrigam á cumprirem ESCRAVAS JORNADAS DE TRABALHO-etc-mais muito mais de 44 HORAS SEMANAIS-etc-se localmente fizerem as contas certinhas-etc-vejam que enquanto é LEI FEDERAL-etc-aonde tem-MÉDICOS ali tem que ter CONFORTO MÉDICO-etc-mas no mesmo local a enfermagem para descansar nas MADRUGADAS-GÉLIDAS-etc-para fechar os OLHOS por MEIA HORA tem que viver se escondendo da mesma forma como os RATOS NO PORÃO no SUBSOLO-ESCURO-etc-principalmente lá nas tais que dizem serem SEGUIDORAS DE JESUS CRISTO-lá nas tais-SANTAS ISTO-SANTAS-ÁQUILO-etc-pesquisem-mas-sem as tais enferma gens se identificar-etc-senão mandarão CORTAR AS CABEÇAS das mesmas-etc-por ordem das próprias SANTAS ISTO SANTAS ÁQUILO-etc- -

    • jurandyr Postado em 06/Sep/2013 às 13:39

      sou medico e quero saber onde se ganha 40mil por mes...quero ir pra la agora...

  8. Celso Postado em 22/Aug/2013 às 23:20

    Excelente saber que existe esse documentário! Espero sinceramente que seja possível revertermos o triste quadro de cesárias eletivas e "produção seriada" de partos nos hospitais particulares das grandes cidades brasileiras, como São Paulo. Parabéns a todos os que participaram dessa iniciativa. Desconhecia o documentário, mas uma semana antes do lançamento, coincidentemente, escrevi sobre o tema em meu blog. http://opinioesemsintoniapirata.com/2013/08/02/parto-cesariana-normal/

  9. Gabriel Postado em 24/Aug/2013 às 22:54

    SOU OBSTETRA E FAÇO PREDOMINANTEMENTE CESARIANAS. Sabem por que? Primeiro: um procedimento extremamente seguro, tanto para a mãe, quanto para o bebê. Estatiisticamente está provado que há menos riscos para o bebê. Os riscos para a mãe são de sangramento, infecção e anestésicos. Hoje infinitamente menores do que antigamente. Segundo: há que se fazer uma divisão. Pelo SUS: risco muito elevado de processo médico. Obstetrícia é a especialidade que é mais processada. Os processos são sempre por decorrência de um parto normal com desfecho desfavorável. Eu já fui processado uma vez. Após um parto normal em que tive que usar um fórcipe porque o bebê estáva com período expulsivo prolongado em com sofrimento fetal. Houve laceração de períneo (comum com fórcipe). A paciente estava bem após o parto. Terminado meu plantão (no SUS), a apaciente ficou sob os cuidados dos outros colegas. Dois dias depois, quando ela estava tendo alta, teve um mal súbito e rapidamente evoluiu para o óbito. Diagnóstico: infecção fulminante por germe extremamente agressivo. Ou seja, fui processado por um caso de evolução atípica e que tinha ficado sob os cuidados de outros colegas. Outro caso: privado, hospital com excelentes condições. Boa evolução do parto, monitorização fetal contínua. Na fase final do trabalho de parto, desacelaração dos batimentos fetais. Bebê nasceu com hipóxia (falta de oxigênio), pois tinho o cordão enrolado no pescoço. Ficou com deficit neurológico severo, hoje tem retardo mental importante. O risco de processo é muito grande no SUS e qualquer complicação é atribuída a "passou da hora e o doutor não fez uma cesariana". Na rede privada ( convênios, na verdade), um parto normal demanda 3, 4, 6h, de noite, em fim de semans, no horário comercial. Quanto o obstetra é remunerado por iso? Veja bem " 3, 4, 6h, de noite, em fim de semans, no horário comercial "... 300, 400 reais. Mais, correndo mais risco de desfecho desfavorável, como relatei acima. Vale a pena? Não, claro que não. Por que que o médico faz cesarianas se ganha pouco e não quer esperar todo esse tempo? Porque tem que pagar as contas. Ao contrário do que estão dizendo atualmente, demonizando os médicos no Brasil várias especialidades são muito mal remuneradas especialmente nos grandes centros (onde vive 80% da população brasileira) e a obstetrícia é das mais mal pagas, com grande concorrência (há muitos médicos, senhores), tem que se submeter a estes valores. Digo mais, tive uma formação técnica e ética excelente, residência médica na Santa Casa de Porto Alegre, onde o índice de cesarianas era de 19% e éramos severamente questionados pelos preceptores quando indicávamos a cirurgia. Então, não é discurso maniqueísta demonizando os médicos que vai resolver esta situação, que também considero inadequada, que vai resolver este problema. É preciso pagar bem e dar segurança oa obstetra.

    • Dennys Postado em 31/May/2014 às 22:53

      Sim, e daí, escolheu a profissão errada, é tudo que vc comprovou aqui. Exatamente como o filme expôs, vc tá preocupado com seus problemas, com quanto vc vai ganhar, se o parto demora muito, se vc vai ser processado e etc... A mãe e o bebê que se encaixem dentro dos seus horários e conveniência, do valor que vc quer receber. É por isso que devemos investir nas casas de partos, com parteiras. Os obstetras poderiam ficar de plantão para aqueles casos onde houver real necessidade. Vc diz "é preciso pagar bem e dar segurança ao obstetra", senão o quê !? Vai fazer de mal vontade... vira essa epidemia de cesárea... Entendeu porque tá tudo errado ! Quem deveria vir em 1º lugar é a mãe e o bebê... Mais segurança para o médico !? Depende, uma mulher morreu e vc acha que não cabe processo... Vcs mesmos se encarregam de encobrir sempre que podem seus erros... Já pensou em dermatologia !?