Luis Soares
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Educação 30/Aug/2013 às 14:20
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Curso de medicina no Brasil: só 2,6% dos formandos são negros

Negros são minoria significativa entre os formados no ensino superior no Brasil, e no curso de medicina a diferença é ainda maior. Confira a relação

Apesar de formarem 50,7% da população brasileira, os autodeclarados negros ainda são minoria entre os formados no ensino superior. Na carreira de medicina, apenas 2,66% dos concluintes em 2010 eram pardos ou pretos. O estudo foi feito pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

médicos negros universidade

Fonte: Dados do Enade (Inep)

Dos universitários que fizeram Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2010, apenas 6,13% se declaravam pretos ou pardos. Em 2009, o índice foi ainda menor: 5,41%.

Em 2010, somente 16.418 estudantes concluintes que prestaram o Enade se declararam negros, de um total de 267.823 universitários. No ano de 2009, foram 35.958 alunos concluintes negros entre 663.943 estudantes que prestaram o exame.

“Ainda temos o negro vítima de situações sociais que são resultado de um histórico da escravatura. Dos excluídos nossos, os negros são aqueles que precisam de maior amparo da sociedade”, afirma Luiz Cláudio Costa, presidente do Inep.

A pequena presença de estudantes negros no ensino superior é o resultado de diferentes gargalos, que vão da exclusão material, passam pela baixa qualidade do ensino público e chegam à autoexclusão.

“O percentual de estudantes negros que terminam o ensino médio é muito aquém do índice de brancos. A exclusão vem muito antes do ensino superior”, comenta o antropólogo Jocélio Teles, professor da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

Para ele, não pode ser também descartado o processo de introjeção da exclusão que leva o aluno a não ver a universidade como uma trilha possível para ele. “Chega ao ponto de possíveis estudantes nem se inscreverem no vestibular”, pontua.

Segundo Teles, um estudo feito nos anos 2000 mostrava que a maioria dos estudantes de cursos prestigiados, como medicina ou odontologia, em universidades públicas tinham pais com ensino superior incompleto ou completo.

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Desempenho

Quando analisado o desempenho dos estudantes no exame nacional, os estudantes negros têm nota 1,7% menor do que os alunos não negros. “O desempenho é muito próximo, mostrando que eles superam as dificuldades que tiveram no ensino básico com muita dedicação”, considera Luiz Cláudio.

De acordo com o presidente do Inep, a diferença entre alunos negros e não negros é maior na educação básica, mas tem diminuído. “Isso se explica por uma série de razões. Há uma grande correlação entre alunos negros e escola pública. Às vezes a educação é de baixa qualidade, existe a defasagem idade série, muitas vezes esse estudante tem que trabalhar e estudar”, lista o presidente do Inep.

No caso das universidades públicas que adotam cotas, o antropólogo Jocélio Teles salienta que é preciso um trabalho paralelo da instituição para que o estudante possa superar completamente as diferenças em relação a alunos de boas escolas particulares.

“O que as universidades precisam pensar, e parece que poucas pensaram, é o que se chamou de permanência dos estudantes. É preciso que eles tenham cursos de línguas, que haja programa de monitoria e de tutoria para esses estudantes”, afirma Teles.

Acesso

O Censo 2010 mostrou que na população de faixa etária entre 15 e 24 anos, 31,1% dos brasileiros brancos frequentavam a universidade. Entre a população parda e preta, os índices são muito menores: 13,4% e 12,8%, respectivamente.

Em 2012 foi assinada a Lei de Cotas, que criou a reserva de 50% das vagas em universidades federais para estudantes de escolas públicas a partir de 2016. Em respostas aos pedidos de políticas afirmativas raciais, a distribuição das reservas se dará de maneira equivalente à representação demográfica das raças no Estado.

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Para o antropólogo, a Lei de Cotas não resolve o problema de acesso dos negros no ensino superior, apenas democratiza o ingresso em universidades públicas. “Ainda estamos falando de selecionar uma pequena parte dos estudantes que têm condições de ingressar na universidade. Há muito mais alunos na escola pública do que essas vagas disponíveis.”

Cristiane Capuchinho, UOL

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Comentários

  1. Vinícius Postado em 31/Aug/2013 às 16:00

    O que prejudica o negro que vive em situações miseráveis? A nossa lei do salário mínimo e a CLT. Pois uma grande parte dos negros aqui no Brasil não tem condições de vida tão boas. Com uma quantidade grande de empregos, salários relativamente baixos, os negros podem entrar nessas vagas, ganhar produtividade, aumentar seus salários e melhorar suas condições de vida (E as universidades públicas são exclusivas para quem vive em situações boas). Mas o que impede isso? A lei que temos da CLT e do salário mínimo, que não tem nenhum objetivo de melhorar a qualidade de vida de todos (são leis fascistas e não socializadoras), essas leis beneficiam uma parcela de operários (não todos), os camponeses pobres (onde trabalha muito negro aqui no Brasil), os feirantes (muitos negros trabalhando em feiras e o lumpemproletário em geral (negro demais). Para piorar tudo, as empresas que se submetem a essas leis vão querer reduzir o número de empregados, exigindo mais experiências acadêmicas e as instituições de ensino de qualidade e públicos têm poucos negros, logo a maioria dos negros perdem seu lugar nos meios sociais e econômicos.

  2. Vinícius Postado em 31/Aug/2013 às 16:28

    Correção: Esqueci que donos de feiras não tem nenhuma condições de garantir esses direitos, afinal já trabalhei em feira.

  3. Luiz Postado em 31/Aug/2013 às 16:50

    Vinícius, a acrobacia retórica que você usou pra dizer que eliminar direitos trabalhistas melhoraria a vida dos mais pobres é interessante, hahaha. Como você diz que trabalou em feira imagino que você tem intenções honestas em sua argumentação, então peço que considere o que eu digo. Os EUA e Europa estão num processo de eliminação de direitos trabalhistas e benefícios desde os anos 70. Como está a situação por lá? DESIGUALDADE SOCIAL jamais vista e cada vez MENOS ACESSO DOS POBRES AO ENSINO SUPERIOR. Não sei como te convenceram, mas economia e história ensinam que SE O ESTADO NÃO INTERVIR EM FAVOR DO TRABALHADOR, O DINHEIRO TODO ACABA NA MÃO DAS ELITES E DO MERCADO FINANCEIRO. Essa é uma verdade que antecede até as ideias socialistas, até os antigos romanos limitavam a quantidade de riqueza porque perceberam que concentração demasiada leva a rebeliões. A única coisa que melhorará a vida dos mais pobres e dos empresários é distribuição de renda. Imagine que o número de pessoas comprando em sua barraca aumente, pois a renda de seus clientes aumentou. Você sentirá a necessidade de contratar alguém para te auxiliar no serviço, não vai? O fato de você ser obrigado a pagar um sálario estabelecido pelo governo vai inibir você de contratar, mesmo quando você tem um volume maior de negócios? Pense nisso...

  4. Rafael Postado em 31/Aug/2013 às 21:50

    Luiz, discordo de você em apenas um ponto: o malabarismo retórico do Vinicius não foi "interessante"; foi patético.

  5. Antônio Carlos Postado em 01/Sep/2013 às 09:48

    De nada vai adiantar o negro fazer Medicina se vai sair da faculdade ganhando "bolsa-salário" do governo federal no atual programa. Vai fazer residência e abrir consultório particular.