Luis Soares
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Saúde 09/Jul/2013 às 20:53
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Os médicos brasileiros têm medo de quê?

Médico colombiano e com diploma devidamente revalidado no Brasil escreve sobre a postura reativa da categoria à vinda de profissionais cubanos

Por Ricardo Palascios*

A exploração por parte do capital é uma novidade para o grêmio médico no Brasil. Recentemente um dos setores mais conservadores da sociedade viu sua condição de profissão liberal ser extinta pelos operadores dos planos de saúde que exploram a mais-valia obtida através da prestação dos serviços. Assim, aqueles que foram selecionados através de provas excludentes nas escolas de medicina e que sonham algum dia virar burgueses estão hoje na rua para lutar por reivindicações trabalhistas. Sim, os médicos agora fazem parte da classe trabalhadora, mesmo que não tenham consciência dessa nova relação com os meios sociais da produção.

No site dos Conselhos Regionais e do Conselho Federal de Medicina aparecem destacados apelos mais apropriados para sindicatos que para órgãos fiscalizadores de uma profissão, hipertrofiando sua função secundária de zelar “pela valorização do profissional médico”.

protesto médicos brasileiros

Protesto de médicos brasileiros (Foto: Divulgação)

Mobilizações para exigir aumento dos honorários pagos pelos planos de saúde e campanhas para promover carreira de Estado são pautas frequentes nesses órgãos durante os últimos meses. Isso demonstra que os temas trabalhistas ganharam uma notoriedade insuspeita dentre os médicos.

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Mas a última dessas batalhas do grêmio médico é, de longe, a mais complexa: o convite a médicos estrangeiros para trabalhar no território nacional. Esse assunto é particularmente sensível porque atinge ao mesmo tempo o status outorgado pelo ingresso às escolas médicas, posturas políticas, questionamento da liderança e o temor de concorrentes novos no mercado de trabalho.

O ingresso às escolas médicas no Brasil acontece através de um penoso processo que visa excluir aqueles provenientes de camadas com menores recursos e oportunidades. Na visão oposta, trata-se da seleção dos “melhores”, como se nessa lógica inversa a qualidade de um médico fosse garantida pela seleção que teve para entrar, e não pela formação adquirida dentro da escola médica.

Os médicos estrangeiros representam um desafio a esse paradigma: muitos países têm processos de seleção muito mais acessíveis para o ingresso. A seleção real acontece dentro da escola de medicina. Os alunos são constantemente avaliados, reprovados e jubilados, se necessário, durante o processo de formação médica. Diferentemente do que acontece no Brasil, entrar na escola de medicina não significa que o aluno será médico seis ou sete anos mais tarde.

A ênfase em outras latitudes é dada ao resultado final da educação; mais que o exame de ingresso, a avaliação crucial está na saída. Aqui, só o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, CREMESP, avaliou os formandos de forma obrigatória em 2012. Menos da metade dos médicos foi aprovada nesse exame.

Mas não há consequências. O exame documentou a falsidade do mito de seleção dos “melhores”, inclusive com um terço dos egressos de faculdades públicas reprovados, mas o mito permanece intacto. As paixões exacerbadas contra médicos brasileiros formados no exterior, particularmente em Cuba, estão relacionadas ao fato de eles encontrarem um atalho para ultrapassar a barreira de entrada nas faculdades de medicina.

A seleção de candidatos brasileiros para ingressar nas escolas de medicina para estrangeiros em Cuba foi canalizada no Brasil por movimentos sociais e partidos políticos ligados à esquerda. A ascensão do governo comandado por Luiz Inácio Lula da Silva foi a esperança dos egressos de Cuba que queriam regularizar sua situação no país.

A resposta dos médicos não se fez esperar: as portas desses que não foram submetidos à seleção das faculdades brasileiras foram fechadas pelas próprias faculdades via revalidação.

Com algumas exceções, as universidades públicas, obrigadas por lei a atender essas revalidações, se omitiram, não respondiam ou criavam penosas vias sacras para quem ousasse seguir em frente com o processo.

Os médicos formados no exterior formaram um curioso bando de peregrinos que se encontravam em cada estado que finalmente voltava a receber a documentação ou realizava uma prova. A pressão dentro dos próprios aliados de esquerda do governo fez com que os ministérios da Saúde e da Educação criassem uma alternativa à qual podiam se adequar às universidades públicas para padronizar a revalidação.

O viés da primeira edição do exame, em 2010, foi vergonhoso. Chamado de Revalida, o exame acontece em duas etapas, uma teórica e outra prática. O nível de dificuldade foi tão grande que só dois, entre mais de 600 inscritos, formados em diferentes escolas médicas do mundo, foram chamados para a segunda fase. Os organizadores reconheceram que o nível de exigência foi além do necessário e prometeram reformular o exame.

Não existe nenhum critério para estabelecer algum grau de isonomia, como testar previamente o nível de dificuldade das perguntas em formandos de escolas brasileiras ou fazer um exame de igual teor ao realizado pelo CREMESP em 2012.

Cabe anotar que a peregrinação para os que queiram fazer o Revalida continua: por exemplo, o exame não é oferecido no estado de São Paulo porque nenhuma universidade pública paulista aderiu a ele, mas o CREMESP obriga ao formado no exterior a ter seu diploma revalidado por esse exame numa norma prescrita para atender o clamor de seus fiscalizados nas ruas.

Nesse panorama, aparece um novo elemento: a distribuição desigual dos médicos na geografia nacional atinge níveis insustentáveis e se transforma em elemento político. Os médicos do Brasil, assim como os dos Estados Unidos ou outros países, se desinteressam pelo serviço nas cidades do interior e nas periferias das grandes cidades.

Há muitas razões para esse desinteresse: a formação médica acontece em ambientes tecnologicamente complexos muito diferentes da realidade desses locais carentes de recursos; as possibilidades de retorno financeiro parecem ligadas a especialidades que demandam mais recursos técnicos; e o atrativo natural que exercem as grandes cidades em sociedades individualistas em detrimento da vida bucólica do interior pode ser contada entre outras causas.

Mas a realidade da falta de atendimento médico fala mais alto. Os prefeitos se organizaram para pressionar por uma solução que trouxesse dividendos eleitorais e finalmente o governo comprou a causa.

Houve várias tentativas. Inicialmente o governo ofereceu aos médicos recém-formados dinheiro e pontos a mais para os disputados exames de acesso à residência médica no programa Provab.

O estamento médico criticou a iniciativa, colocando argumentos como o de que o uso de pontos no exame seria uma chantagem para deixar um médico recém-formado abandonado à sorte no interior e sem nenhum tipo de supervisão.

Talvez estejam certos.

O problema pode ser deixar os pacientes abandonados a um médico recém-formado que não tem capacitação adequada para esses locais de atenção básica de baixa tecnologia. Locais em que a medicina cubana é especialista.

A medicina em Cuba usa um modelo diferente ao brasileiro. Está fundamentado em atenção básica e prevenção, com médicos acessíveis morando nas mesmas comunidades e um avanço tecnológico quase congelado após a queda da Cortina de Ferro.

Combinação contrastante que consegue atender a maioria de pacientes e obter excelentes estatísticas de saúde, comparáveis a qualquer país desenvolvido, a custo muito mais baixo. Mas, para a minoria dos pacientes, aqueles casos que requerem maior tecnologia, a receita pode ser insuficiente. A formação em grande escala de médicos permitiu que o país criasse as chamadas “Missiones” internacionais, que levaram atendimento médico a regiões carentes e remotas em dezenas de países.

Nos últimos anos, a exportação de serviços médicos se tornou a primeira fonte de divisas da ilha, principalmente pelas ações na vizinha Venezuela. A solução parece conveniente para todas as partes, médicos cubanos que estão dispostos a trabalhar no interior do Brasil e nas periferias para ajudar seu país e a população, que veria fim em sua espera por atendimento médico e estaria disposta a votar por quem fez isso acontecer. Mas há um obstáculo a vencer: a resistência do grêmio médico brasileiro.

Como vimos antes, os médicos brasileiros estavam ocupados em questões trabalhistas com seus principais empregadores, os planos de saúde e o governo. Em sua nova condição de classe trabalhadora, relativamente bem paga, mas trabalhadora, sua condição de fonte de ideias e de liderança dos tempos de classe média se extinguiram sob sua nova classe.

Em papel reativo, os médicos não conseguem elaborar contrapropostas para solucionar os problemas de falta de atendimento de saúde que sofre a maior parte da população.

A sua única resposta é que não trabalham no interior porque não tem plano de carreira nem condições de trabalhar. Uma continuação do repertório trabalhista anterior. Nenhuma proposta real para contrastar com as ideias do governo, que continua na liderança através de uma organizada campanha de mídia para angariar apoios e anunciando que estenderá os convites também a médicos espanhóis, portugueses e argentinos.

A própria presidenta empenha sua palavra de trazer os médios como parte de sua estratégia para melhorar a saúde e acalmar as manifestações que tomaram conta do país.

O ministro da Saúde promete que as vagas só serão oferecidas a estrangeiros após serem recusadas por médicos brasileiros, promessa de quem tem certeza da recusa. As vagas, há tempos, aguardam por médicos brasileiros que as ocupem. Nesse cenário saem os médicos às ruas para protestar.

Os médicos estrangeiros a serem importados são o principal alvo em um protesto com pesado caráter trabalhista, de proteção de mercado. Porque a pior ameaça que os cubanos representam é que podem dar certo. Porque os cubanos podem demonstrar que a população não necessita de grandes hospitais de alta tecnologia, mas de médicos acessíveis que estejam ao seu lado.

*Ricardo Palacios é médico, formado no exterior com o diploma devidamente revalidado no Brasil, foi consultor temporário para projetos de pesquisa da Organização Mundial da Saúde e agora estuda Ciências Sociais na Universidade de São Paulo

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Comentários

  1. Jean Postado em 09/Jul/2013 às 20:57

    Eu acho que eu li esse texto em algum lugar, ele é da carta?

    • Marajuara Postado em 09/Jul/2013 às 21:11

      Boa pergunta. To achando que é medo de pobre...

  2. Eduardo Postado em 09/Jul/2013 às 21:14

    ...que matéria explendida..."Em papel reativo, os médicos não conseguem elaborar contrapropostas para solucionar os problemas de falta de atendimento de saúde que sofre a maior parte da população. A sua única resposta é que não trabalham no interior porque não tem plano de carreira nem condições de trabalhar." enquanto isto milhares de brasileiros, rico e pobres ficam a própia sorte, pois só os ricos de saúde é que não precisam de médicos.

  3. Gislaine Gavazzi Gibertoni Postado em 09/Jul/2013 às 21:23

    Uma ideia excelente de um médico brasileiro que trabalha na Austrália e que conhece o sistema de saúde de vários lugares do mundo onde trabalhou. "Vossa excelência Presidenta Sra. Dilma Rousseff Gostaria primeiro de me apresentar. Meu nome é Rodrigo Teixeira e sou um médico brasileiro, de Itapetininga, especializado em cirurgia plástica reconstrutora atualmente exercendo a profissão na Austrália. Eu já tive a oportunidade de conhecer os sistemas de saúde da Austrália, Estado Unidos, Inglaterra, Nova Zelândia e Malásia. Recentemente eu vi que o Sr. Ministro anunciou propostas de mudanças na medicina e gostaria de sugerir algumas idéias que talvez possam contribuir com a melhor distribuição dos médicos no Brasil e melhor atendimento nas áreas mais remotas e carentes. Atualmente após 6 anos de faculdade o estudante de medicina recebe o diploma que lhe permite exercer a profissão de maneira ilimitada e independente. A maioria dos médicos fazem residência procurando se especializar e há pouca atenção e procura da medicina de família. Minhas sugestões: - Curso de medicina com duração de 5 ou 6 anos e ao final diploma de Bacharel, pode seguir carreira acadêmica e pesquisa, mas não pode clinicar. - Estágio profissionalizante "Internship" - para os médicos que quiserem clinicar, com duração de 1, 2 ou mais anos (depende da aprovação no exame nacional de qualificação), com enfoque na medicina de família, clínica geral e procedimentos cirúrgicos básicos (pequenas cirurgias). - Exame nacional de qualificação profissional - assim como o exame da OAB. Com o plano de expandir as vagas nos cursos de medicina seria interessante garantir a formação de qualidade e os maus profissionais teriam que continuar fazendo o estágio até passarem na prova. Isso também permitiria ao MEC ter uma ferramenta poderosa para avaliar os cursos e implementar mudanças onde necessário. As faculdades com maiores índices de aprovação poderiam ser premiadas com mais recursos e reconhecimento. - Candidato aprovado poderia seguir 3 carreiras: 1 Continuar como médico de família e prestar concurso público para acesso a um plano de carreira (muito importante para estimular os médicos a seguirem essa opção) 2 Aprofundar seus conhecimentos cursando uma residência de médico de família, medicina tropical, clinica geral, etc (cursos de interesse público/em demanda) e terem ingresso garantido ou maior pontuação no currículo para prestar o concurso para o plano de carreira ao término da residência. Também teriam melhor remuneração que os médicos da opção 1 que cursaram apenas o estágio. 3 Cursar outras residências que não são consideradas de interesse público ou em demanda (isso seria definido pelo ministério da saúde e ministério da educação de acordo com as necessidades da população) e seria similar aos programas de residência atuais no Brasil. Com essas mudanças, asseguraríamos a presença de médicos nas áreas mais carentes, a boa formação profissional, a volta da medicina de família e o estímulo governamental com os planos de carreira. Estou à disposição para debater o assunto, conte comigo. Desejo que o Brasil aproveite esse momento tão importante para fazer uma mudança histórica! Atenciosamente, Rodrigo Plens Teixeira, MD, SBCP. Plastic and Reconstructive Surgery"

  4. renato Postado em 09/Jul/2013 às 21:50

    Eu quero médicos de profissão, gente engajada na Medicina. Quero o Governo reabastecendo de saber os Médicos. Quero um Orgão fiscalizador de cada um deles, como qualquer profissional. Quero eles fazendo consultas que vejam a Saúde do páis. Quero um Sistema integrado de Laudos. Quero que alguem verifique amostra de laudos. Quero que prendam os Médicos que assassinam pessoas por comprovada ineficiência. Quero que paguem bem os Médicos. Quero que dem férias forçadas para médicos. Quero assistência Homerica para os Médicos que atendem acidentes. Quero que todos tenham acesso a médicos. Quero que percam o Diploma os picaretas.

  5. renato Postado em 09/Jul/2013 às 21:52

    Médico picareta existe? Ou não?

  6. Rejane Lima Postado em 09/Jul/2013 às 21:54

    Acho q o estágio na rede pública deveria ser de graça, pois eles custam muito para os cofres públicos e ñ dão nada em troca..pelo contrário, ñ querem nem ver a cara de pobres. Profissões como publicidade, pedagogia, faz estágio por vale-transporte, meio salário e, na melhor das hipóteses, um salário mínimo.

  7. Pablo K S Queiroga Postado em 09/Jul/2013 às 22:11

    Um pouco de coerência no meio de tanta hipocrisia.

  8. Peterson Roberto da Silva Postado em 09/Jul/2013 às 22:21

    "A sua única resposta é que não trabalham no interior porque não tem plano de carreira nem condições de trabalhar." Eu não estou tão por dentro do assunto pra opinar de forma decisiva, mas esse texto parece rápido demais em desconsiderar essa resposta como sem sentido ou infrutífera. Entende-se que ela não é propositiva, mas não seria no mínimo verdadeira? Há condições estruturais no sistema de saúde brasileiro ou não? Não me parece que foi dada uma boa contrarresposta nesse texto.

  9. elaine silva Postado em 09/Jul/2013 às 23:12

    o problema da saúde não está só no interior, está em todos os lugares, até no estado de são paulo tem pacientes nos corredores, há muitos anos lutamos por 10% do pib para a saúde e condições dignas para atuar em locais remotos e grandes centros também. Mas a solução do governo é esta aí, aproveita também para colocar a população contra os médicos. Pelo jeito desse jornal acho que não vão publicar o que estou escrevendo. Espero que todos vocês tenham bons médicos para atendê-los, mas acho que vão preferir os estrangeiros, não é mesmo? Porque todo médico brasileiro é desumano e mercenário....

  10. Pedro Postado em 10/Jul/2013 às 04:14

    Peterson, o problema é dizer que "não tem condições de trabalhar", enquanto tem gente morrendo por falta de médicos. A pergunta é: salvar vidas ou querer um salário alto pra ficar num consultório com ar condicionado o dia inteiro? Não há médicos que se ponham o objetivo da medicina em primeiro lugar e aceitem ir para os lugares isolados sob condições precárias. Óbvio que temos que melhorar, mas enquanto está assim, trazemos gente de fora para ocupar essa lacuna.

  11. ANGELA MARIA DA FONSECA Postado em 10/Jul/2013 às 09:51

    CONCORDO COM O COMENTÁRIO DE GISLAINE GAVAZZI GIBERTONI. RENATO , EU QUERO MÉDICO DE PROFISSÃO GENTE ENGAJADA NA MEDICINA. PEDRO , SALVAR VIDAS OU SALÁRIO ALTO.

  12. Rafael P. Postado em 10/Jul/2013 às 14:35

    ESSE SITE É MUITO ESQUERODPATA !!!! PARECE ATÉ GOZAÇÃO

  13. Rafael P. Postado em 10/Jul/2013 às 14:45

    Caro Peterson . Venho de família Evangélica e o pessoal desse site é de uma "esquerdopatia" radical , entro aqui pra ler os posts deles , xingamentos e ofensas contra cristãos é como mato , eles nunca olham o contraponto o contradiotórioe tudo mais. Os mesmos que lutam pelo direito a vida e contra os preconceitos ,são os mesmos que são a favor de liberação de aborto por qualquer motivo como gravidez indesejada e ainda tentam atingir os evangélicos com preconceitos à flor da pele. Coisas como : "as mulheres têm o direito a seu corpo" como se os fetos abortados do sexo feminino não tivessem o mesmo direito. têm ativista gay aqui que generaliza todos os crentes e chamam de "crentalhada burra" . Em fim esse site não tem nenhum critério de debate apenas vêem o querem ver .

  14. MArcos Garcia Neto Postado em 31/Jul/2013 às 16:35

    Ideologia pesada estragou o excelente texto. "Burgueses", meu amigo? São as pessoas que viviam nos burgos há 500 anos atrás. Acorde para a vida. Vocês realmente acham que a classe média é dona de alguma coisa? Donos dos tais "meios de produção" são milionários desconhecidos cujas decisões movimentam mercados e vidas. As únicas classes que não são trabalhadoras são as minorias do 1% que só administram. Me criei na classe média e a vida inteira meus pais trabalham no mínimo 10 horas por dia (geralmente 12, das 8 às 20h). Ah, e Rafael, "crentalhada burra" não é tão injusto não... preste atenção nas coisas que os religiosos falam. Já vi um casal de homens de mãos dadas na rua serem ferozmente xingados por um suposto "evangélico". Esse preconceito e essa ideologia ensandecida gera muita mágoa e rancor. E convenhamos né, baseado em que? No homem invisível que um escrito de 2 mil anos atrás diz que existe. História para boi dormir.