Redação Pragmatismo
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Desigualdade Social 26/Jul/2013 às 15:38
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Cadê Amarildo?

O grito das ruas em busca de respostas sobre o destino de um pedreiro. Amarildo desapareceu após ser abordado por policiais da "Unidade de Polícia Pacificadora"

Kiko Nogueira, diario do centro do mundo

O destino do governador Sérgio Cabral se cruzou com o de um pedreiro.

No último dia 14, Amarildo de Souza, morador da Rocinha, desapareceu depois de ser levado por policiais para uma UPP. Implantadas pelo secretário José Mariano Beltrame, as Unidades de Polícia Pacificadora eram a solução para o crime no Rio. Três anos mais tarde, a polícia continua a polícia e a possível candidatura de Beltrame a governador ficou para as calendas.

Cadê o Amarildo?

Da favela, essa pergunta passou a ser gritada pelos manifestantes acampados na frente da casa de Cabral. Do acampamento, foi para a cidade.

cadê amarildo

Cadê Amarildo? desapareceu no dia 14, após ser abordado por policiais de UPP. Mutirão de moradores e amigos realiza buscas para tentar encontrá-lo (Foto: Agência Brasil)

A mulher dele, Elisabete Gomes da Silva, não crê na possibilidade de seu marido ser encontrado com vida. “Tenho certeza de que meu marido está morto. Já procuramos em todos os lugares e nada”, disse.

O governo ofereceu proteção e apoio. Mas ela tem consciência de que isso é, basicamente, uma ficção.

“Não recebi nenhuma ameaça, mas estou com medo de que, quando a poeira baixar, os policiais possam fazer uma maldade contra mim e minha família. Não estou dormindo nem na minha casa, com medo de chegar à noite e me matarem”, afirmou.

Amarildo ganhava 300 reais por mês numa obra em Copacabana. Tem seis filhos. Seu apelido, “Boi”, se devia ao fato de ser forte e capaz de carregar nos ombros quem precisasse descer ao asfalto. Voltava de uma pescaria quando foi abordado por quatro PMs. Na 15ª DP, após a “averiguação”, teria sido liberado.

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Não faz sentido. Ele era conhecido na comunidade. “Dávamos bom dia, boa tarde. Os policiais passavam na minha porta”, diz Elizabete. A Polícia Civil está investigando uma suposta rixa entre Amarildo e um soldado da UPP. Os quatro homens estão afastados e podem passar por uma “reciclagem”.

Histórias como a de Amarildo são antigas e frequentes na periferia e têm um desfecho parecido. Desta vez, porém, o pedido de justiça de uma mulher ecoou na montanha de insatisfação das ruas, está sendo ouvido e repetido.

Amarildo pode estar morto. Mas assombrará Sérgio Cabral por um bom tempo.

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Comentários

  1. renato Postado em 26/Jul/2013 às 17:07

    Onde esta o Amarildo?

  2. mkl Postado em 26/Jul/2013 às 18:32

    Cabra assassino onde esta Amarildo? Beltrame assassino onde esta Amarildo?

  3. Dinio Postado em 27/Jul/2013 às 12:27

    E se ao invés de sumir um "AMARILDO" . . . sumisse um "MARINHO" ?. . . Fala . . . Cabral . . .

  4. Sala Fério Postado em 02/Aug/2013 às 14:01

    Tem que ser averiguado mesmo com todo rigor, doa a quem doer, mas reparo que nas muitas décadas em que o tráfico dominava absoluto e sumiam dezenas ou centenas de pessoas por ano, não se via partido emergente algum exigindo saber dos seus paradeiros. Ética seletiva ou oportunismo político? Ainda hoje somem dezenas de pessoas pobres nas mãos das ‘policias mineiras’ e dos 'esquadrões da morte' das periferias, a todo momento, mas não se vê um movimento sério em campanha contra isso. Então, fica parecendo puro oportunismo político mesmo ... infelizmente.

  5. Jadiel Postado em 12/Aug/2013 às 19:51

    A estória do Amarildo é um pretexto. Quem acusa tem que provar o que diz e não o contrário. Não há prova alguma contra a PM, além do fato de dizerem que ele teria sido visto por último em companhia de PMs. É usado por partidos emergentes para tentar criar uma situação desconfortável para o governador (imagina se um governador teria que dar conta da incolumidade de cada cidadão, em uma cidade com 10 milhões de pessoas?). Milhares de pessoas sumiram durante décadas de domínio do tráfico e das polícias de aluguel, como continuam sumindo no Brasil inteiro e os partidos que agora movem essa campanha não davam e nem dão a mínima. É um pretexto político, difícil de ser rechaçado porque você não tem como provar que não fez algo - quem acusa é que teria que provar o fato. Não há fato, há indícios que não provam nada, já que não há comprovação de delito, autoria e nexo causal. E se ele estiver escondido, em troca de grana? E se tiver sido morto pelo tráfico? Quem acusa é que detêm o ônus da prova

  6. Marcelo Postado em 20/Aug/2013 às 14:47

    Reparo que alguns anos atrás também desapareceu um pedreiro em Salvador e tentaram culpar o governador Waldir Pires. O nome do pedreiro era Floquet, se não me engano, um nome também curioso e marcante. A história se repete ... quem sabe mesmo quem matou o Amarildo? Pode ter sido o tráfico, como diz o Jadiel acima. Culpar antecipadamente a PM é leviano.