Luis Soares
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Direita 18/Jun/2013 às 12:42
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"Não podemos nos alinhar aos Jabores e Datenas"

Membro do Movimento Passe Livre alerta para a tentativa da direita de ‘adotar o movimento’ com interesses escusos. “O grito dos jovens está longe de bradar contra políticas de transferência de renda. O movimento é progressista por natureza”

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“Somos progressistas”, diz militante do MPL em crítica à adesão de representantes dos setores conservadores ao movimento (Reprodução / Protesto em SP)

Desde o ato da última quinta-feira contra o aumento da passagem do transporte público em São Paulo, em que a violência e a repressão policial viraram notícia em todo o planeta, mais uma ameaça ronda o sucesso das manifestações organizadas pelo Movimento Passe Livre: a instrumentalização do povo.

A evidente mudança de postura da imprensa em relação aos protestos deve ser motivo de desconfiança, não de festa. Isso porque nos últimos dias imperou o comentário: “Agora até a grande mídia defende as manifestações”. Como se isso fosse algo positivo.

Por um lado, a máxima “não é só pelos 20 centavos” conseguiu convencer diversos setores da população a ir às ruas. Por outro, abriu uma questão polêmica: se o aumento da passagem foi só o estopim, o que mais nos incomoda? Quais são os reais motivos do fim da letargia política em São Paulo?

É fato, o reajuste do preço transporte só provocou a revolta necessária para que o paulistano percebesse o óbvio: política se faz nas ruas. No entanto, a recusa ao modelo de sociedade atual tem de ser deixada clara. Isso porque os perigos da apropriação do movimento são reais.

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Na sua última edição, Veja contrariou sua linha editorial e se posicionou a favor das manifestações. Quando um veículo que representa o que há de mais reacionário na sociedade apoia movimentos sociais, há no mínimo um ponto de extrema relevância para refletir.

Mas as páginas de Veja só revelam a nova postura dos veículos da imprensa dominante: já que não podem mais controlar ou evitar a multidão, manipulam seus objetivos. De acordo com a revista, o descontentamento dos manifestantes se deve também à corrupção, à criminalidade…Falácia.

É evidente que essas questões também são importantes, mas os jovens que estão nas ruas estão preocupados com questões muito mais profundas. A juventude está mostrando que não quer compartilhar dos valores individualistas, consumistas e utilitaristas da geração de seus pais.

O grito dos jovens está longe de bradar contra os “mensaleiros”, contra a inflação, contra as políticas sociais de transferência de renda. O movimento é progressista por natureza e agora tem de saber lidar com uma ameaça feroz: a direitização.

O aparelho midiático que serve a esses interesses já foi acionado. A grande imprensa já está mobilizada para maquiar o movimento de acordo com um ideário conservador, por isso o povo precisa fazer seu recado ser entendido.

Sob hipótese nenhuma podemos nos alinhar aos Datenas, Jabores e Pondés.

O que queremos é derrubar as barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas. Nada mais. E nada menos.

Vamos à luta!

Por Paulo Motoryn, militante do MPL. Publicado na revista Vaidapé e republicado no site Diário do Centro do Mundo

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Comentários

  1. Guilherme Postado em 18/Jun/2013 às 13:02

    "De acordo com a revista, o descontentamento dos manifestantes se deve também à corrupção, à criminalidade". Nem sei o que a rede Bobo ou a Veja dizem, mas sei o que mostram as redes sociais e o que o povo grita nas ruas, e há muita manifestação contra corrupção e criminalidade, sim. Os protestos tomaram proporções enormes e Occupy Brasil / Anonymous tomaram conta. Esses gritam contra corrupção e pela idade da maioria dos que protestam, os acompanham. Quase que já se esqueceu o aumento da passagem. Isso e relato do que vejo, e não opinião. Acompanho exclusivamente via twitter e facebook, além de ir as ruas. Na TV, a unica que apresentou o motivo original do protesto foi a Cultura, que convidou o pessoal do MPL no Roda Viva ontem.

  2. caio Postado em 18/Jun/2013 às 13:41

    O brasileiro não tem percepcão para entender essa situacão, embora a faisca comecou com o transporte, as injusticas do sistema é que alimentam a chama do protesto: eles pedem mudanca ideologica, palavras de ordem pedindo reforma politica e tributaria deveriam estar ecoando pela imprensa que finge não entender oque o povo quer. É normal que revoltas populares comecem com motivos aparentemente levianos Guilherme, pesquise sobre os motivos dos protestos na Turquia, eles comecaram com protestos tentando impedir que o governo destruísse uma praca icone da cidade, governo respondeu com violencia...

  3. Mauro Postado em 18/Jun/2013 às 20:02

    E outra, o movimento passe livre tem as suas metas e estão lutando por elas, deixaram isto bem claro no roda viva de ontem, o que o povo tem que fazer é tentar se organizar e fazer pautas de reivindicações, primeiro deveria-mos ficar de olhos bem abertos para esta votação da PEC 37 dia 26/06 depois melhorias na saúde pública e educação, nossos impostos de volta em forma de serviços de qualidade!

  4. Lobo Pasolini Postado em 18/Jun/2013 às 23:58

    Esse artigo deve ter sido escrito por petista.

  5. Barillo Postado em 19/Jun/2013 às 02:03

    "O que queremos é derrubar as barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas. Nada mais. E nada menos." Aí é utopia demais... Típica da extrema-esquerda. Acho que o povo só deveria se preocupar com o aumento da passagem de 3,00 para 3,20,(e o aumento dos demais Estados). Esse papo de "passe livre" não vai sequer ser levado a sério,só o PT que decidiu dar voz à eles como um ato político de apaziguamento de ânimos. Agora as outras reinvindicações de "faz de contas socialistas",como mudanças radicais na sociedade,justiça social,igualdade social,derrubar o capitalismo,fim da miséria total,mundo feliz e colorido,paz eterna,MClanche feliz para todos..... Aí já começam a sonhar demais,complica tudo. E é justamente ai que aparecem os anarquistas e baderneiros malucos querendo quebrar tudo(que é dos outros claro,e não deles)achando que são os revolucionários amados pelo povo,os Che's da vida,sendo que estão criando raiva em outra parcela da população... Parem com isso... O ideal seria que o povo se focasse só na redução do valor da passagem,nem mais e nem menos.

  6. Maria de Lourdes Cardoso Postado em 20/Jun/2013 às 18:10

    Barillo, o que tu gostas mesmo é de uam diferença social, és a favor de um capitalismo, gostas de uma plusvalia. Bem se é assim, vai morar na favela, no esgoto a céu aberto. Na casa feita de lata, vai jogar pepel higiênico no rio TietÊ ou no penico da Baia de Guanabara. Sobe morro com lata dágua na cabeça e desce na hora chuva escorregando na lama. Para ti o povo quer demais, o povo descruzou os braços e isto te parece ruim. Cara só existe uma solução para ti. Cai fora, vai beber e esquece que o Brasil existe.