Redação Pragmatismo
Compartilhar
Racismo não 05/Jun/2013 às 14:57
48
Comentários

Como lidar com o racismo?

Professora negra, nascida em Salvador e que atualmente mora em Bremen, revela de modo impecável como são diferentes as maneiras de encarar, debater e lidar com o racismo aqui no Brasil e na Alemanha

Por Cris Oliveira*

“Como você lida com o racismo lá?” Essa era a pergunta que eu mais tive de responder ao voltar ao Brasil depois de meu primeiro ano de Alemanha. A minha resposta, que na época surpreendia à todos – inclusive a mim mesma, era sempre :”Nunca tive de lidar com racismo lá”. Deixa eu explicar direito o porque de minha surpresa e de minha resposta.

Há onze anos eu tinha acabado de terminar a faculdade e queria ter uma experiência no exterior antes de cair de cabeça no mercado de trabalho e de ter de me assumir adulta de uma vez por todas. Como professora de inglês, minha primeira escolha tinha sido a Inglaterra, mas como as coisas graças à Deus nem sempre saem do jeito que a gente planeja, eu acabei conhecendo uma pessoa maravilhosa, que é a tampa de meu balaio, com quem eu decidi dividir minha vida. E ele morava na Alemanha. Resolvi fazer uma pequena adaptação nos meus planos e mudei o destino de minha minha viagem. O amor enche a gente de coragem pra fazer meio mundo de maluquice, mas no fundo, na época eu estava morrendo de medo do que iria encontrar aqui. É que naquele tempo eu não sabia quase nada sobre a Alemanha e o que sabia vinha de livros de história, ou seja, um passado macabro e sangrento. Quando não era isso era uma notícia aqui outra ali, no geral bem limitadinhas e estereotipadas do tipo Oktoberfest e neonazistas. Claro que eu tive medo e claro que estava tensa a respeito do que me esperava.

Quando cheguei o que me impressionou foi perceber o quanto a imagem que se vende deste país é equivocada. Aqui tem sim Oktoberfest e neonazistas. Tem uma série de outros problemas e preconceitos também contra a mulher e contra estrangeiros além de ainda terem dificuldade em lidar com todas as questões que a multiculturalidade traz consigo. A diferença é que os limitados e racistas daqui se escondem muito bem, e quando se mostram, são muito bem punidos. A sociedade debate constantemente sobre a intolerância e a mídia não dá trégua sobre esse tema. As pessoas no geral são cuidadosas com essas questões, são cautelosas nas escolhas das palavras quando não tem certeza se certo termo pode ser ofensivo e pedem desculpas imediatamente quando, sem querer, ofendem. Eu já passei por várias situações em que a pessoa com quem eu estava falando dizia alguma coisa sobre o cabelo ou cor da pele de alguém e logo em seguida me falava “Desculpa que eu falei assim, não sei se isso ofende. Como é o certo?” Eu sempre me emociono em situações como essas porque nelas eu vejo seres humanos, que apesar de não sofrerem a mesma dor do outro, mostram empatia, humildade e vontade de mudar para o bem estar geral.

Teve uma vez que eu estava em um trem e um outro passageiro estava muito incomodado com minha presença. Não estava entendendo bem qual era o problema dele comigo até que ele fez um comentário racista se referindo a mim. Me levantei com a intenção de dizer umas poucas e boas a ele, mas antes de poder abrir minha boca, TODOS os passageiros do vagão (umas 15 pessoas ) se revoltaram e tomaram a frente, discutindo com ele de uma forma que me surpreendeu. A estória terminou com uma mulher que exigia que ele se desculpasse comigo e como ele se recusou os demais passageiros chamaram a polícia. Quem me conhece sabe que eu choro por tudo e claro que chorei no meio daquele fuzuê. Os passageiros me consolavam achando que minhas lágrimas eram por ter sido vítima de racismo. Mal sabiam eles que eram lágrimas de emoção por causa da reação deles. Foi um sentimento muito especial me ver sendo defendida e aparada por um grupo de pessoas desconhecidas. Fiquei pensando que todas elas eram muito diferentes, mas que uma coisa tinham em comum: o senso de justiça e a certeza de que um problema social é um problema de cada um deles. Cada um resolveu por si só levantar a voz e no final das contas eles formavam um grupo que se indignava com o comportamento racista do homem que me ofendeu. Vários passageiros me pediram desculpas depois da confusão. Um senhor me disse “Não deixe esse idiota interferir no que você veio fazer aqui, não. Aqui tem muita coisa boa.” Essa atitude com certeza é uma delas.

cris oliveira racismo

*Cris Oliveira é mestra em linguística e professora de inglês (Foto: Blogueiras Negras)

Não são somente as pessoas à caminho do trabalho nos transportes públicos, que se preocupam em mudar a percepção de alguns de que a Alemanha é um país injusto. O governo daqui também investe constantemente em medidas sócio-educativas e reparadoras. Aqui existe cota pra mulher, estrangeiros, portadores de deficiência. Tem benefício pra quem tem filho na escola, pra quem é estudante universitário, pra ajudar a pagar o aluguel, pra ajudar a pagar atividades culturais e educativas se a família tem filho, pra comprar livros, pra comprar remédios e por aí vai. Judeus tem direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam. A sociedade entende que isso tudo é normal. É raro ver alguém questionando essas medidas. Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável. Se existe discrepância social, todo mundo sai perdendo então é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter. Infelizmente eu percebo que as coisas andam piorando aqui também, mas o povo questiona tudo sem parar e isso atrasa as mudanças negativas, o que é bom.

Leia também

Aí eu fico pensando no Brasil e de como a gente se orgulha de dizer que somos o país mais tolerante do mundo. A gente se interessa em saber como é a questão do racismo em outras partes do mundo e adora ficar repetindo essa de que somos um povo que não sabe o que é racismo porque é todo mundo misturado. Pra muita gente no Brasil, ativista de movimento negro é paranóico e ações afirmativas é racismo às avessas. Tem um monte de gente que fala como se tivessem sido pessoalmente ofendidas com toda e qualquer iniciativa que busca melhorar a situação social de um grupo que não goza dos mesmo benefícios que o resto da sociedade.

Me choca o fato de que em Salvador, cidade onde eu nasci, apesar de mais de cinquenta por cento da população ser negra, ainda é possível ser a única negra no restaurante, na aula de ballet, na sala de espera de consultório chique, na sala dos professores da escola particular. Fico especialmente triste quando eu percebo que muita gente passa a vida inteira sem nem se dar conta dessas coisas, achando super normal que outros tenham a vida mais difícil que a sua baseado em um detalhe que não se pode escolher, como gênero, cor da pele, origem. Infelizmente, em nosso país tem gente que acha que quem sofre discriminação deve sofrer calado, sem questionar nada, sem exigir mudanças. Deixa quieto que assim tá bom. Pra alguns.

Hoje em dia quando volto ao Brasil e alguém me pergunta como lido com o racismo aqui, minha resposta passou a ser “muito melhor do que eu lido com ele no Brasil”. Aqui se entende que discutir e questionar os preconceitos é trocar idéias e evoluir, já em meu país quem é engajado em alguma causa tem sempre de primeiro explicar que não é nem paranóico nem radical. É triste, mas na verdade sabem como é que eu lido mesmo com o racismo aqui? Guardando minhas forças pra enfrentar ele quando chego em meu país.

Publicado originalmente em Blogueiras Negras Edição: Pragmatismo Politico

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook.

Recomendados para você

Comentários

  1. Rodrigo Postado em 05/Jun/2013 às 16:13

    "Judeus tem direito de imigrar pra cá sem a burocracia que pessoas de outras confissões enfrentam". E como isso pode ser uma vantagem? Parece mais algum tipo de complexo de culpa.

    • Jaqueline Postado em 21/Dec/2013 às 12:52

      quase isso Rodrigo, há uma parte no texto mesmo que explica: `Mesmo os alemães medianos parecem entender que se houve um erro histórico, uma retratação é inevitável`

    • Joelma Schur Postado em 22/Dec/2013 às 11:02

      Nao eh complexo de culpa Rodrigo mas uma reparacao por tudo que os Nazistas fizeram contra os judeus, inclusive os judeus que tinham descendencia alema por terem nascido aqui, ou por terem pais que era alemaes mas Judeus. Reparar o erro nao eh se sentir culpado, mas reconhecer o erro cometido e procurar corrigir, melhorar. As atrocidades cometidas estao registradas na historia, mas eh possivel mostrar ao mundo que um pais pode aprender com seus erros.

      • Marcial Postado em 08/Apr/2014 às 12:54

        Joelma e os Judeus vão reparar o erro que fazem com os palestinos e toda manipulação do sistema financeiro e guerras? Ou somente eles são vitimas?

  2. Felippe Capistrano Postado em 05/Jun/2013 às 16:30

    Ótimo artigo para ilustrar o que é, de fato, lidar com o racismo. O governo alemão, depois da postura sombria que teve perante os negros, reconheceu a opressão, a discriminação e tomou medidas governamentais amplamente reconhecidas para combater o racismo. Já no Brasil, onde há menos de um século negros eram legalmente segregados, ações afirmativas e antidiscriminatórias ainda geram reações negativas por boa parte da sociedade. O Brasil é, sim, infelizmente, um país racista.

  3. Léo Postado em 05/Jun/2013 às 16:36

    Baita texto! Força Cris Oliveira!

  4. Waly Postado em 05/Jun/2013 às 16:44

    O Brasil não é um país sem racismo. O Brasil é um país onde nem o racismo supera a putaria. Por isso é tudo misturado.

  5. Maria Helena Rocha Postado em 05/Jun/2013 às 16:48

    Se tu tivesse prestado atenção no que estavas lendo, Rodrigo, não estarias fazendo essa pergunta!!!

  6. Marcos Abraxas Postado em 05/Jun/2013 às 16:53

    País q ainda tem uma ""aristocracia"" se declarando quatrocentã, feita pisando em cristãos "novos", negros e índios...ia querer o quê, prr?!?!

  7. Naiara Postado em 05/Jun/2013 às 18:41

    "...é melhor ter menos pra ter mais, dividir pra que ninguém deixe de ter." Eu me emocionei quando cheguei nessa frase. Não é bem o foco do texto (que eu adorei, aliás), mas me chamou mto a atenção.

  8. Valdenir Vanalli Filho Postado em 05/Jun/2013 às 19:51

    Sou muito branco. Branquelaço mesmo. E adorei seu texto. Sou 50% ítalo descendente, 50% pernambucano. Me orgulho demais das duas metades que me compõem, e me corta o coração ver os italianos jogando bananas nos estádios de futebol quando tem um brasileiro em campo. Já estive na Alemanha e pude comprovar o povo fantástico que vive aí. Ainda tenho planos de viver algum tempo aí, para aprender a falar a língua. Seu texto me aguçou muito a intenção. Parabéns!

  9. Andréa Carvalho Postado em 05/Jun/2013 às 22:49

    Parabéns pelo belo texto! Fiquei imaginando a emoção que você sentiu no episódio do trem... Lindo! Infelizmente aqui no Brasil o racismo é uma verdade, e, escrachada! Nossa Constituição diz que a prática do racismo é crime inafiançável, porém, não é o que acontece, basta pagar fiança e está tudo certo. Isso é humilhante, uma vergonha, um insulto! É triste dizer que ainda falta muito, muito mesmo para construirmos uma sociedade mais justa, igualitária e menos preconceituosa. Sucesso!

  10. Roberto Postado em 06/Jun/2013 às 01:40

    "...graças à Deus...", "...pessoas à caminho..."; nada a ver com o conteúdo, eu sei, mas a Mestre em Linguística aí não sabe usar crase.

    • Jordana Noury Postado em 12/Sep/2013 às 15:27

      Nossa o texto é tao lindo e sincero que nem me dei conta disso.

    • Van Souza Postado em 08/Apr/2014 às 12:38

      Roberto, sinceramente.. um texto desses e você se fixou nesse detalhe? Foi a única coisa que você consegue comentar? Não viu nada de mais interessante? Todos temos que saber que você sabe usar crase? Cara... vai se tratar.

  11. Jean Postado em 06/Jun/2013 às 06:25

    Texto incrivel!

  12. Neneco Postado em 06/Jun/2013 às 09:32

    Moro na Italia,vim de Salvador também, hoje tenho a cidadania Italiana...mais infelizmente aqui existe o racismo e de forma bem visível, aqui se vc è negro è jogador de futebol, artista conhecido, diminue essa ofensa em 60% pq atè eles sofrem com isso aqui...ve o caso de Ballotelli que foi adotado superou toda a vida na escola , fora dela, è uma pessoa integra e inteligente, mesmo assim è muito controlado por meios de comunicação publicando sò as coisas ruins que ele expressa , causada por Italianos...as ultimas partidas foram quase canceladas por isso, gritos e palavrões..., Bem! se eu descrevi de Ballotelli que tem fama , imaginem eu!? Adorei o testo sou um testimunho que na Alemanha as coisas sao bem diferentes para o melhor!!!

  13. Gustavo Postado em 06/Jun/2013 às 09:39

    A pessoa pode ser mestre em linguística em outras línguas que não o Português.

  14. MOISES Postado em 06/Jun/2013 às 10:00

    Parabéns pelo artigo! Através de sua história os alemães aprenderam o real significado da palavra altruísmo. Algo que vem com a maturidade derivada do questionamento e da compreensão de que para conquistar o direito de ser respeitado, primeiro eu preciso respeitar o próximo, independende de sua raça, religião, condição social ou econômica.

  15. Rodrigo Postado em 06/Jun/2013 às 10:01

    Aí eu a elogio porque ela soube aproveitar as oportunidades que teve, não se julgando uma coitada, instando os demais cidadãos brasileiros, seres humanos todos que são, independentemente de "raça", a fazerem o mesmo. Sou "pardo", baiano, descendente de negros, índios e brancos. Cursei graduação em Ribeirão Preto-SP, na qual fiz muitos amigos e também lamentei a postura de muitos - pais de namoradas que ficavam com o pé atrás por eu ser nordestino. Já fui chamado de "baiano" por quem quis me atingir, já vi pessoas reagirem de forma diferenciada ao ouvirem um sotaque diferente do delas. Nem por isso generalizei, nem por isso abaixei a cabeça. E nem teria porquê. Ainda, chegando do interior (aonde resido) a Salvador (aonde nasci), vejo tratamento diferenciado com pessoas do interior. A culpa é de quem? Ao vermos notícias como a do assassinato de cachorros por crianças, jovens e adultos, das mais diversas "classes" sociais, cruelmente, tendo por mote único o vil metal (http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/06/prefeito-oferece-ate-r-10-por-exterminio-de-caes-no-para.html). Vemos pessoas de classe baixa e alta, que, no NE, entram indiscriminadamente em pirâmides financeiras, arrastando tantos outros, miseráveis ou não, para a ruína, em busca do lucro fácil em pirâmides financeiras (https://www.youtube.com/watch?v=wmsNX-UFOGU e https://www.youtube.com/watch?v=iV8SNkINAPM). É, meus amigos, o inferno não são os outros. O inferno somos nós, os homens, lobos dos próprios homens!

  16. Gessival Postado em 06/Jun/2013 às 10:16

    Ótimo texto. Desejo sucesso constante pra você!!

  17. sonia Postado em 06/Jun/2013 às 12:29

    Parabéns, Cris, voce descobriu que a geografia separa os preconceitos! O que dói mesmo é i tal...DEIXA QUIETO QUE ASSIM TÁ BOM!

  18. Beto (eu mesmo) Postado em 06/Jun/2013 às 14:21

    Obrigado por compartilhar conosco suas extraordinarias experiencias!

  19. Adriana Sachs Cera Postado em 06/Jun/2013 às 14:50

    Isso não tem que ser considerado um fato e ponto.O racismo no Brasil existe e tem que ser questionado ,debatido ,condenado,como na Alemanha,como relata nossa amiga Cris. Eu sempre questionei,quando conversava com alguém a questão do racismo no Brasil, quantos amigos pretos você tem ,quantos sentam no mesmo restaurante que você,frequentam a mesmas festas?????Nós também temos uma divida histórica com esse povo,Africano,que veio à força pra ser escravo.não basta só cotas nas universidades ,a inclusão como povo de fato e de direito ,de igual para igual sem distinção,ser apenas... oque significa ser preto ou ser branco?

  20. Bruno .R (@bruno_rms) Postado em 06/Jun/2013 às 15:18

    Muito legal mesmo. Morei na França por 1 ano e também experienciei muitas coisas curiosas. Lá na França existem muitos árabes e africanos, a diferença de cor é muito grande entre o povo europeu que normalmente é branco clarinho e as demais culturas e todas no mesmo espaço. Quando você entra em diversos ambientes, você vê com uma grande normalidade os árabes, africanos e franceses, dividindo a mesma mesa e tomando uma cerveja. O racismo na Europa em si em bem limitado, até interessante estudar. Apesar de eles serem bem xenofóbicos em relação a sua cultura, aos demais pontos sociais eles são muito abertos e respeitosos. Deixo aqui meu mero ponto de vista sócio-cultural europeu. Abraços

  21. Cris Oliveira Postado em 06/Jun/2013 às 17:31

    Obrigada a todos pelos comentários. Isso mantém o debate, muito bom mesmo. Nenhum texto é acabado e essa discussão é o que acaba completando. Rodrigo, quanto a sua primeiríssima pergunta e comentário lá em cima “E como isso pode ser uma vantagem? Parece mais algum tipo de complexo de culpa”, na minha opinião é uma vantagem porque é uma forma de retratação. Eu acho que se os governos e sociedades mundo afora assumissem suas culpas, muitas minorias não seriam tão oprimidas. Roberto, poxa... eu não sei usar crase mesmo. E não é só crase não. Sou um desastre com as vírgulas e com um milhão de outras coisas da língua portuguesa. E não dou desculpas, não. É puro desleixo mesmo. A linguística é uma área de conhecimento tão ampla, mas a gente insiste em resumí-la a gramática normativa, né? Você me deu uma excelente ideia pra um post no meu blog. Valeu!

  22. Priscilla Postado em 06/Jun/2013 às 18:50

    Muito bom o seu texto! Vivo também há 14 anos na Alemanha, na regiao de Stuttgart e posso dizer que concordo com tudo o que você disse sobre a sociedade alema e brasileira! É exatamente isto!

  23. Veit Stumpenhausen Postado em 06/Jun/2013 às 23:48

    adorei lendo o seu texto, Cris. Certamente também porque sou alemão e fiz a sua viagem no sentido contrário. Claro que tenho alguns acréscimos de fazer quanto aos nazistas e racistas burguês de lá e como a Alemanha trata do assunto. O tipo de racismo lá é com certeza menos frequente e omnipresente, dependendo do lugar onde se vive, mas um bando de neonazistas bêbados desocupados no caminho para casa não é brincadeira, não é só bate-boca.. e eu acuso o meu país, principalmente o governo atual conservador-neoliberal da Angela Merkel, de agirem com muita moleza, como no passado tb sempre se fechava os olhos. Bom, mas poderia escrever um livro sobre isso, e sem ter tempo.. gostei da sua experiencia no trem, isto é, o desfecho.. e posso confirmar que o povo na maioria é assim e parte para a defesa. No Brasil me falaram daquele racismo "chucre", "social" etc. que nego não corre perigo aqui, que é só "esportivo".. bom, continuo mais tarde, ackelln abrassn do alemónn! :)

  24. Rogério Cosme Postado em 07/Jun/2013 às 00:51

    O preconceito existe, mas não o de racismo, este é estúpido e idiota (o preconceito), o pior preconceito, na minha opinião, é quando estabelecem quotas (para qualquer tipo de raça, credo , etc...) todos somos iguais, independente de cor, religião, ou qualquer outra coisa que nos faça diferente do esteriótipo definido como padrão de beleza. A beleza física é efêmera, com o tempo ela acaba, a beleza interior, o ser humano espiritual (não de religião) capaz de entender o que se passa no coração do próximo, este sim, é digno de ser idolatrado pelo que ele é realmente (não confunda idolatrado com idolatria religiosa, tenho a minha opção religiosa, que muitas vezes vem de encontro com pessoas que convivem religiosamente comigo, não vim falar de religião), este ser humano espiritual, que respeita a individualidade dos outros, sejam negros, amarelos, vermelhos ou qualquer outra descendência, este sim merece ser honrado pelos seus atos. Posso afirmar que tenho preconceito, porém contra estes que fazem questão de demonstrar o seu preconceito mesquinho. Quando estabelecemos quotas para raças, religiões e outras tantas, estamos demonstrando o quanto somos preconceituosos e acabamos de desenvolver novos preconceitos, pois aqueles que se valendo das cotas criadas para estas pessoas, elas acabarão sendo descriminadas nos setores em que entraram, por causa das cotas, e não pela sua capacidade de produtividade e criatividade. Houve no passado alguém que disse, " Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir." (Mateus 5:17). Este mesmo foi descriminado pelos seus pares, disse ainda que não há honra em profeta em sua própria terra. por causa do preconceito contra ele, foi torturado, sacrificado e por fim, crucificado. Sabem o que resultou disto, a criação da Igreja Católica. Creio que já falei muito. Obrigado e parabéns pela demonstração de coragem em se expor desta forma Cris Oliveira, gostaria que tivéssemos mais pessoas com o mesmo tipo de ombridade.

  25. Viviane Lange Postado em 07/Jun/2013 às 05:19

    Cris, amei o seu texto. Como é bom ler e se questionarar sobre esse tema. Principalmente qdo se conhece os 2 paises. Bjs Vi

  26. Radazz Kiol Postado em 07/Jun/2013 às 11:15

    ÓTIMO POST MAS... ..O Brasil é MUITO mais um pais de preconceito classicista do que de preconceito racista, veja desta forma coloque a Alemanha numa posição de 3º Mundo no rank mundial e como pais emergente com vários políticos roubando descaradamente e um povo com baixa cultura com mentalidade de colônia exploratória ai sim vc vera coisas como não ter negros em Ballet ou restaurantes mas vc também não vê índios lá vê? Mas se eles possuíssem dinheiro e posses independente da sua cultura poderiam estar ali. Acho que isso é classicismo nada mais que isso. No geral racismo vai existir em qualquer lugar do mundo enquanto não transcendermos certas coisas e certos valores em um sentido amplo mas eu garanto q ao falarmos em racismo todos tem em mente a ideia algo ligado aos NEGROS, ninguém pensa no ÍNDIO ou nos ABORÍGENES na Austrália certo? Se aqui você por exemplo colocar um negro bem vestido, cheiroso e educado num carro ou loja não vão achar que é um ladrão certo? Agora coloque um garoto Loiro, mal vestido, fedendo e sujo num carro e pronto BLITZ certa!!! Isso é puro classicismo, o Brasil tem muito mais isso do que o dito racismo que apesar de existir e bem menor do que se imagina sim, a Política trabalha as palavras de modo a instruir erroneamente o indivíduo um exemplo disso é q hoje em dia se usa o termo MORADOR DE COMUNIDADE ao invés de FAVELADO pq assim é fácil iludir o povo de classe baixa fazendo-o achar q tem alguma chance na estrutura social...

  27. Bosco Postado em 08/Jun/2013 às 13:08

    Na Europa, muito do racismo deve-se ao nacionalismo em seus varios disfarces. No Brasil, se analisarmos com cuidado, veremos que a raiz eh a ignorancia simples, basica; oriunda da baixa escolaridade e, escolas ruins e, curriculum ainda pior. Elimine-se esses fatores e, ai sim, veremos quem sao os racistas convictos. Eh ridiculo vermos skin-heads brasileiros, mulatos. Alem da "incosistencia racial", nossos skin-heads nao se dao conta da falha ao se vestirem de negro, debixo de um sol tropical de derreter carateres e intencoes... simplesmente ridiculos pobre diabos... Aos amantes da boa gramatica, sugeriria que olhassem para as estrelas e, nao para o dedo que as aponta... Considerem que nem todos os teclados permitem boa escrita; nem todo mundo que escreve eh versado na lingua portuguesa com tal profundidade... Parabens aos que o sao!

  28. Sebastião Pereira dos Santos Postado em 08/Jun/2013 às 19:11

    Quando pensamos não ter solução surge uma esperança, parabéns pelo texto.

  29. Cris Postado em 09/Jun/2013 às 10:40

    Radazz, obrigada pelo seu comentário e concordo com você disse MAS... Nao acho que no Brasil o preconceito seja APENAS uma questao de classe. Assim também nao é. É classe e algo mais mesmo.O negócio é que como é tudo muito misturado fica difícil de separar uma coisa da outra. Se a questao fosse somente econômica, você nao teria situacoes como a do menino que foi retirado de restaurante em Sao Paulo por ser confundido com um garotod e rua http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/01/garoto-negro-e-expulso-de-restaurante.html. Nao se confunde um menino branco com garto de rua, né? Nao se vê manchetes assim na quais os protagonistas sao brancos? Nem ninguém vê notíca de branco sendo queimado - é índio a vítima. Claro que o negro indío ou seja lá quem for de classe média, vai ter acesso a situacoes, lugares etc, que uma pessoa branca com condicao social inferior nao teria, mas isso ainda assim nao significa que essa pessoa JAMAIS enfrentará exclusao simplesmente por sua cor. Converse com qualquer negro de classe média, pergunte se ele já enferentou alguma situcao de racismo e você vai entender do que eu estou falando. O acesso a determinados meios no Brasil, nao está apenas condicionado a situaco econômica. A questao da mudanca dos termos é outra coisa complexa também. As palavras tem forca e evocam certos tipos de associacoes nas mentes das pessoas.A mudanca do vocabulário em sim nao garante a melhoria da situacao social, mas faz um convite á discussao e muitas veszes a mudanca de atitude. Existem inúmeras pesquisas que demonstram o poder das palavras na construcao da realidade. Ess aqui é só um exemplo: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0016782. No final das contas se alguém cresce ouvindo que é "favelado" é difícil nao se tornar um. Ser "morador de comunidade" por outro lado, apenas descreve a situacao, sem atribuir valor a ela, ao meu ver, isso é sim um pouco melhor melhor.

  30. Guilherme Postado em 15/Jul/2013 às 11:20

    Descobri q mulheres brancas e negras se comportam de maneira diversas nesses sites de relacionamento. As negras lhe escrevem do nada, tomam mais iniciativas. As brancas nunca puxam assunto e raramente respondem. As negras sempre respondem. Será q umas são mais carentes q as outras?

  31. Karol Nasci Postado em 02/Aug/2013 às 12:31

    Já tinha lido seu texto e fiquei realmente emocionada, mas vim contar sobre uma experiencia que vivi ontem na minha escola. Mesmo sendo classe média como você disse é verdade sofro muito preconceito. Estudo em uma das melhores escolas de meu estado e não é facil pois sou praticamente uma dos poucos alunos negros na escola. Digo isso pois já contei e chega em torno de dez numa escola de mais de 2.000 alunos. Ontem durante o intervalo conversava numa mesinha com uma amiga normalmente e tinham alguns outros alunos que me pareciam ser do 1° ano do ensino médio ou do d=fundamental pois eram mais novos. No meio da conversa deles escutei eles dizerem "uma 'nêga', kkkkkkkk" e perguntaram para uma das meninas na roda "imagine você chegando em casa com um negão" ela:"acho que minha mãe me matava kkkkkk" um outro"credo não gosto de negâ não" ai uma menina "ei se lige a tem uma aqui do lado" falou num tom que era p todo mundo tomar cuidado com o que estava falando e senti todos olhando para mim e eu outro continuou " credo não gosto não quero é uma galega, uma loira" e passou por nossa essa e gritou "quero é uma gaucha!!!!" e saiu rindo. Um outro garoto levantou se da mesa e disse "bom eu vou saindo que não gosto dessas coisas não" e outro foi junto e ficaram todos rindo. Minha amiga percebeu mas não demonstrou nada, ambas ficamos constrangidas, mas fingimos que nada tinha acontecido e continuamos conversando. Me pergunto se quem tem condições melhores não sofre com racismo mesmo, estudar em uma boa escola muitas vezes me mostra o quanto o racismo é pior nas classes superiores. É como se eu estivesse onde não era para estar. E o racismo não está só nisso é quase constrangedor ver como minhas amigas são paqueradas e desejadas por outros garotos e eu não sou apenas "gente boa". É meio óbvio o motivo de ninguém querer ficar comigo. Imagina algum garoto da minha escola chegar e me apresentar para os pais???

    • Andre Postado em 14/Nov/2013 às 01:20

      Fica tranquila Karol. Um dia alguem que te ama de verdade vai te encontrar, e sem preconceitos babacas. Muito melhor uma pessoa assim, nao ?

  32. Dinho Postado em 14/Aug/2013 às 03:02

    Eu já tive a oportunidade de conhecer alguns paises e sempre digo que, como negro, já fui muito mais discriminado aqui em meu pais do que fora. Quando estive na alemanha meu pai ficou morrendo de medo por causa da discriminação e foi uma das mais fantasticas experiências de minha vida, porém vale pontuar que o povo alemão é muito culto nos dois sentidos, acadêmicamente e culturalmente,como pessoas, e isso na prática faz muita diferença pois é um povo com uma visão social muito forte. Para eles não basta dizer que não é racista eles respeitam e sustentam publicamente suas posições como ela colocou no texto. Aqui as pessoas além de terem uma opinião inconsistente, quando tem, se omitem quando tem que manifesta-la publicamente. Como ela colocou lá as pessoas debatem os temas como algo positivo e aqui sempre querem acreditar que os problemas não são tão serios, é uma posição da cultura Brasileira. A pergunta que deveriamos fazer é se queremos um país sem discriminação DE VERDADE e se estamos dispostos a lutar para isto se tornar realidade ou se vamos continuar FINGINDO que o Brasil é o melhor país do mundo nesse aspecto. Aqui existe um racismo velado que permanece em forma de cliches e frases feitas que precisam ser destruidos da mente das pessoas e uma delas é a de que aqui existe a maior tolerância do mundo, essa idéia faz com que nada seja feito de concreto para mudar uma vez que somos os melhores mas será que somos mesmos? acorda Brasil.

  33. Marcos Postado em 20/Aug/2013 às 23:10

    Como lidar com o racismo? Escrevendo textos no blog Boqueiras Negras =P, genial essa maneira da esquerda lutar contra o racismo, dia do negro, dia da África, dia da cultura negra, dia da musica negra e por ai vai, só eu que acho extremamente bizarro, vc combatem o racismo com racismo?

    • Andre Postado em 14/Nov/2013 às 01:22

      ué, se existe "Dia do Descobrimento do Brasil"....

  34. Celso Postado em 22/Aug/2013 às 23:14

    Oi Cris, Parabéns pelo texto! Sou negro, residi na Alemanha por dois anos e confirmo tudo o que escreveu. Existe também preconceito por lá, contra estrangeiros, mulheres, Turcos; mas a história os ensinou a discutir e mostrar aos errados (neste caso, racistas) o que é correto e a pagar pelo que fizeram. Eles têm plena consciência que pagarão pelos atos errados que cometerem. O Brasil peca pela impunidade e apadrinhamento…

  35. deoclecio Postado em 21/Dec/2013 às 14:25

    *E aqui tá cada dia pior.uma grande verdade. e tem preconceito de negros com negros ,gays e gays,pobres e pobres .terrível é a situação em nosso país .para todos .texto lindo .embora saiba que na frança e Italia as coisas sejam bem pesada*

  36. Milla Postado em 23/Dec/2013 às 14:14

    Engraçado ler esse texto hoje. Ontem fui no Subway com a família lanchar, estava lotado, e não tinha reparado até então que isso acontecia. Foi quando vi uma família negra. Cinco pessoas. E vê-los lá me causou estranhamento. Fiquei me perguntando pq o meu estranhamento. Até que percebi q não era comum ver pessoas negras frequentando "lugar de branco". Eu ver pessoas negras nas ruas do centro da cidade, ok. Nos ônibus, ok. Mas percebi, com essa cena, como é difícil vê-los em lugares menos "do povão".

  37. eu daqui Postado em 27/Feb/2014 às 14:04

    Na Alemanha a discriminação negativa é menor porque o critério, principal e mais valorizado, é a capacidade produtiva da pessoa, assim como o respeito Às leis.