Redação Pragmatismo
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Mercado 24/May/2013 às 15:01
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As demissões em massa na Livraria Cultura

Livraria Cultura realiza demissões em massa. Funcionários reclamam das condições de trabalho dentro da empresa e criam uma página no Facebook para manifestar seu descontentamento

Uma série de demissões em massa tem acontecido na Livraria Cultura durante os últimos meses. Só em São Paulo foram 43 funcionários dispensados de uma só vez, sob a alegação de que está realizando uma reestruturação em sua rede. Há duas semanas, a ação se repetiu em Curitiba.

livraria cultura demissões

Livraria Cultura realiza demissões em massa; funcionários protestam (Foto: Livraria Cultura)

No dia oito de abril, uma funcionária da sede da capital paranaense, Elisa Carvalho, enviou um e-mail interno endereçado ao presidente da empresa e a todos os colaboradores da rede, com reclamações recorrentes dos funcionários em relação às condições de emprego. Elisa explica que o intuito era expor o que estava acontecendo naquela loja e apontar para esses problemas de maneira que eles não pudessem mais ser ignorados. “Todas as reivindicações eram legítimas, um direito nosso”. No mesmo dia, algumas horas depois, Elisa foi desligada da empresa.

Segundo o ex-vendedor André Lima, que também foi dispensado, o ocorrido foi o estopim para tudo que aconteceu depois. A demissão de Elisa causou mais revolta entre os colaboradores que, assim como ela, também começaram a compartilhar seus pensamentos através de e-mails para toda a rede. A partir de então, ocorreu um efeito dominó e quase todos que se manifestaram foram demitidos. “No início o clima era muito agradável, apesar dos problemas que existem em qualquer empresa. A equipe em sua grande maioria se ajudava, se dava bem, e trabalhar no meio de tantos livros, CDs e DVDs, convivendo com tanta gente bacana e inteligente era muito prazeroso. Fiz amizades que acredito que levarei até o fim da vida”, conta André.¨Mas nesses últimos meses o clima estava horrível, me sentia em plena ditadura militar¨, completa.

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A carta escrita por Elisa manifestava as principais revindicações feitas pelos funcionários da Livraria e que, segundo ela, não costumavam ser ouvidas. “Na Loja de Curitiba nos reunimos várias vezes com nossa liderança para discutir esses e outros problemas, mas não surtiu efeito”, afirma.

Os principais problemas apontados na carta se referiam ao salário, considerado baixo demais pelos funcionários. Salário que, segundo Elisa, não correspondia com as exaustivas horas de trabalho e todas as exigências feitas aos funcionários. “Além disso, em nossa carteira de trabalho constava que ganhávamos por faturamento e, apesar de inúmeros pedidos, esse faturamento nunca nos foi mostrado. Tínhamos também problemas relacionados ao banco de horas. Muitas pessoas tinham muitas horas em haver, mas havia uma dificuldade grande para conseguir utilizá-las e os critérios nunca foram claros. Era um direito nosso, mas na hora de concretizar parecia que estávamos pedindo um favor¨, considera .

Já desligada da loja, Elisa critica a relação entre o discurso e a realidade que encontrou na empresa. “A Livraria Cultura foi construída em cima de um discurso que valoriza o ‘poder transformador da informação e da cultura’ e destaca a transparência e moral com que conduzem suas relações comerciais e com seus colaboradores. No entanto, apesar da insistência da empresa em afirmar que seus colaboradores são valorizados, isso não condiz com a prática. Pode ser que isso tenha acontecido, e inúmeros funcionários mais antigos são testemunhas desse tempo, mas isso não acontece mais e o discurso não foi atualizado. No entanto, a imagem da empresa continua intacta”, comenta.

Outros funcionários da loja de Curitiba, também incomodados com a situação, criaram uma página no Facebook para manifestar seu descontentamento. Elisa acredita que compartilhar essas informações é uma questão de cidadania, na medida que faz o público consumidor conhecer de fato as empresas com as quais faz negócio.

Jornal Comunicação (Ana Carolina Maoski) e Valor Econômico

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Comentários

  1. Rubens Costa Postado em 24/May/2013 às 17:20

    É inacreditável que a Livraria Cultura tenha sido para o Banco Itaú. É inacreditável que o Banco Itaú ainda não tenha percebido que os vendedores da Cultura são o seu diferencial, super bem treinados e atenciosos. Vender livro não é como vender empréstimo, pois no primeiro caso somos clientes e, no segundo, pedintes.

  2. Rodrigo Postado em 24/May/2013 às 17:59

    Ué, censura no pragmatismo? Que feio! Liberdade de expressão passa longe e nova mídia também...

  3. João Alberto Postado em 24/May/2013 às 18:25

    Censura no pragmatismo onde Rodrigo???

  4. Richard Postado em 24/May/2013 às 19:10

    Enviar um email ao presidente da empresa com cópia a todos os colaboradores contendo reinvindicações realmente constitui mal uso da ferramenta de correio eletronico e é passível de demissão em qualquer empresa. Existem os métodos e meios corretos para faze-lo.

  5. thiago Postado em 24/May/2013 às 19:47

    Que péssimo isso. E eu quis trabalhar lá.

  6. renato Postado em 24/May/2013 às 19:53

    PROCESSA, ORAS!!!!!

  7. Antonio Lins de Vasconcellos Postado em 24/May/2013 às 20:45

    A cultura e a informação fazem parte da construção de nossa cidadania e a venda para um banco ( o maior entre os bancos privados ) da que foi, talvez, a Livraria de maior envergadura do país. significa o pouco-caso com a preservação do patrimônio intelectual de nossa sociedade. Especuladores, agiotas e urubus gananciosos, rejubilei-vos. O livro por uma duplicata ou por uma carta de (des ) crédito. Que horror!

  8. Gunogueira Postado em 24/May/2013 às 22:05

    Pensei que pragmatismo definia como verdade o conjunto de todas as suas consequências práticas relativas a determinado contexto. Logo aqui analisamos somente um dos lados,seria bom que este site,que acompanho a um bom tempo (embora já algum tempo tem se tornado tão tendêncioso quanto a veja),obtivesse uma resposta do lado da empresa e tivesse uma conclusão imparcial ao publicar algo.

  9. Gustavo Postado em 24/May/2013 às 23:27

    Trabalhei na LC Curitiba e conheci muita gente que foi mandada embora por tentar melhor a loja. Adorava ir lá para bater um papo com os vendedores e também pelo ambiente qu era sempre muito agradável. Hoje o clima é de tensão. O último que sair apague a luz!

  10. Gustavo Radamés Postado em 24/May/2013 às 23:55

    É o começo do fim da livraria cultura, livraria não é banco...

  11. Nana Postado em 25/May/2013 às 01:19

    Minha namorada trabalha na Cultura e é cada coisa que eu escuto... Não vale a pena.

  12. Jacilene Silva Postado em 25/May/2013 às 01:52

    Hummm agora entendi porque a qualiadde no atendimento da Livraria Cultura caiu tanto. É insatisfação. Parece que TODA empresa que o Itaú compra tende a tornar-se um péssimo ambiente de trabalho, já que a política dessa instituição é otimizar os lucros em detrimento de qualquer bem estar dos trabalhadores. Foi assim com os funionário do Hiper Card também.

  13. [email protected] Postado em 25/May/2013 às 06:19

    Esse povo não tem sindicato não?

  14. Daniel Manzano Postado em 25/May/2013 às 14:01

    Ao site Pragmatismo político. Meu nome é Daniel Manzano. Sou funcionário da Livraria Cultura hà 10 anos. Trabalho as mesmas horas de trabalho,e tenho as mesmas exigências da empresa que qualquer outro funcionário. Porém, sem desmerecer o trabalho de ninguém,acredito que pragmatismo seja avaliar toda a informação e chegar a verdade. O site levou em consideração apenas uma das verdades.Acredito que cada um tenha a sua,eu e diversos outros funcionários que ainda optam por trabalhar na livraria temos outra. Ao expor uma página do Facebook, criada por ex funcionários que sairam se sentindo prejudicados da empresa,e dando voz a apenas um dos lados o site que deveria ser imparcial exclui uma terceira parte interessada. A dos também trabalhadores que optaram por continuar na empresa,como eu. Ví diversas pessoas no facebook que não eram funcionários,tomando parte de uma realidade individual daquelas pessoas.Porém pergunto,onde está a cidadania que dizem ter, para com os trabalhadores da livraria cultura que continuam lá?Uma exposição que visa atacar uma imagem,ataca também as pessoas que dependem da remuneração ainda desta empresa e de seus clientes. Portanto acredito que ao publicar uma matéria como esta sem dar devida importância a todas as partes envolvidas é no mínimo leviano. Saibam que eu assim como diversos outros que ainda continuam na livraria cultura e estaremos aqui para darmos o mesmo atendimento,a mesma atenção e mesmo valor que damos ao cliente e a cultura em geral. Obrigado,

  15. Junior Postado em 25/May/2013 às 16:18

    Trabalhei na Livrarias Curitiba, rede com vinte lojas no sul do Brasil, e um dia o dono reuniu vários colaboradores e disse: - As grandes livrarias do Brasil estão indo para as mãos de grandes grupos economicos brasileiros e estrangeiros. - Eu quero falar à vocês, que comigo no comando, enquanto eu estiver vivo, a Livrarias Curitiba será comandada por brasileiros especializados em cultura.

  16. Bruno Postado em 25/May/2013 às 16:38

    Todo apoio ao Pragmatismo Político! Sr. Daniel, sua defesa da LC tem prazo de validade. Num certo momento, nem seu baba-ovismo vai funcionar e você será expurgado, apesar de suas qualidades de manter-se calado frente às adversidades e de vociferar para ex-colaboradores frente a suas denúncias. Não tente achar motivos para sua permanência em uma empresa que vem deteriorando sistematicamente a qualidade de vida de seus funcionários e estragando seu atendimento. Seja pragmático com suas convicções e não leia este site. Pra você, ficam os jornais de grande circulação.

  17. Marcelo magalhães Postado em 25/May/2013 às 16:52

    A história se repete, próximo passo é contratar a salários menores ainda e substituir algumas muitas prateleiraa de livros e discos por Tvs de Led e Macs reluzentes.

  18. ANDRE GIALLUISI Postado em 25/May/2013 às 17:51

    ENQUANTO VIRMOS CULTURA TAMBEM COMO NEGOCIO HAVERÃO SITUAÇÕES COMO ESSAS. É O DESCASO COM O SABER.NÃO É À TOA QUE SÓ EM BUENOS AIRES EXISTEM MAIS BIBLIOTECAS DO QUE TODO O BRASIL

  19. Escrava nunca mais Postado em 25/May/2013 às 17:57

    Daniel Manzano, vc é um puxa-saco. Não te condeno porque sei que o desespero (medo de perder emprego) faz isso com as pessoas. Seu comentário parece ter sido ditado pela chefia com uma arma na sua cabeça. Seu banco de horas vai bem ou vc nao precisa pq é um robô? Beijos.

  20. Matheus Bernardes Postado em 25/May/2013 às 18:15

    Hoje em dia as pessoas estão cada vez mais consumindo uma ideologia do que um produto. A Cultura utilizando um discurso e não o colocando na prática põe em risco a marca... Pelo jeito foram 43 demissões e agora 43 novos processos contra a livraria, cheio de irregularidades com os funcionários! Haha Na França e em alguns outros países da Europa essa política de demissão em massa já é proibida...

  21. Joaquim Postado em 25/May/2013 às 18:35

    Paus mandados da livraria também tem direito de se manifestar. Sr. Daniel Manzano, não sei o que andam dizendo nos "treinamentos modernos" da empresa, mas o site apenas mostrou um fato: que há demissões em massa e que pessoas insatisfeitas criaram uma página no Facebook. Oras, imparcialidade? Isso aqui não é um site de notícias que fingem ser "imparciais" com o Globo, Veja, etc, que só dão voz aos patrões e nunca aos sindicatos que exigem seus DIREITOS (o senhor sabe o que isso, né?). Aliás, já que o senhor queria ter "seu lado" ouvido, então, fale. Diga o que o senhor acha que deve ser dito sobre essas demissões. Aqui no PP existe parte e é ao lado do trabalhador. Mas fique tranquilo que sua média com os patrões ficou bem emocionante. Quase me comovi com essa choradeira hipócrita e pelega da sua parte. Enfim, capachos também tem direito de se manifestar. E a manifestação está aqui.

  22. Gorette Postado em 25/May/2013 às 19:14

    pronto. Aceite o que lhe damos e cale a boca. se reclamar, tá na rua. burrice pura. funcionários insatisfeitos dão muito menos lucro, isto se n derem prejuizo. e agora, a cultura finalmente na boca do povo, que vem a saber do clima tenso em que trabalham seus "colaboradores". meu namorado trabalhou lá e foi um alivio quando saiu. muita pressão. muito mau coleguismo, entreguismo, competição. mas enfim. em breve serão contratarão pessoas de nivel fundamental pra poderem pagar ainda menos e quem quiser q procure seus livros na prateleira.

  23. Rafael Legramandi do Prado Postado em 25/May/2013 às 19:51

    Que coisa feia funcionários e ex-funcionários ficarem fazendo picuinha contra a empresa, depois o cara se queima para o mercado de trabalho. Se a coisa não está boa, rapa fora e fica quieto.

  24. Aquele que não pode ser nomeado Postado em 26/May/2013 às 12:55

    Daniel, meu estimado Daniel. És tu ingênuo ou apenas mais um sabujo? Como muitos; diria eu, com confiança, como 99%, continuo na Livraria Cultura. Optei? Talvez. Talvez por ser minha única liberdade vender meu corpo e suas funções para quem fingir pagar. Talvez por não ser real a diversidade de oportunidade que louvam por todos os cantos. Pobre Daniel. Melhor, rico Daniel.

  25. Israel Silva Postado em 27/May/2013 às 10:26

    Fiquei intrigado com o comentário do Daniel Manzano. Pois só li relatos de ex-funcionários que estão insatisfeitos. Quais seriam as vantagens de permanecer na LC? Gostaria de ler o lado de quem permanece na empresa mesmo. Mas uma coisa é perceptível nas lojas, a qualidade de atendimento caiu mesmo.

  26. Elaine P. Postado em 27/May/2013 às 10:55

    Daniel Manzano: concordo que o jornalismo é composto pelos dois lados da história. Gostaria então de saber porque a Livraria Cultura, até o momento, dispondo de todos os mecanismos para tal, não se pronunciou sobre o assunto. Sua página no Facebook e seu perfil no Twitter estão bombardeados de perguntas de clientes querendo saber a veracidade das informações. Como pode imaginar, nenhum desses questionamentos foi respondido.

  27. Marcio Postado em 27/May/2013 às 12:54

    Resposta ao Daniel Manzano: Eu trabalhei lá por 3 anos e te digo: o salário um dia foi bom - não é mais - as exigencias são exorbitantes, o stress e a depressão acompanham o pacote, as punhaladas são incentivadas ao extremo e o faturamento nunca foi revelado. Pobres comissionados (ou seja, todos os vendedores), não é verdade? Te desafio a dizer que eu postei alguma mentira. Acho que isso basta. Conselho aos demais: se um dia pensou em trabalhar por lá, desista, procure algo melhor (o que é fácil). Sem mais, Marcio.

  28. Cleverson Postado em 27/May/2013 às 17:05

    Os demitidos eram uns vagabundos... só isso.

  29. Mauricio Postado em 27/May/2013 às 18:03

    Falam muita bobagem por aqui. Se a Livraria Cultura foi vendida é porque seus donos não souberem admisnistrá-la como se deveria. A primeira coisa que acontece nesse caso de compra de uma empresa, é saneá-la, leia-se demissóes e depois consertar as cagadas de quem levou a empresa a quase falir. Do contrário, a empresa não teria que mudar de mãos.

  30. Sergio Postado em 27/May/2013 às 18:08

    Caros, É preciso conferir qualquer informação com fontes diversas e livres antes de comentar ou passar simplesmente para a frente. Como dizi o sociólogo Domenico de Masi, só teremos um importante avanço social quando aprendermos a nos informar com diversas fontes antes de formar opinião. As informações desta reportagem são FALSAS. A Livraria Cultura contrata muito mais do que demite, portanto não houve demisão em massa. Estes funcionarios simplesmente nao se adaptaram as normas da empresa. Mais de 200 pessoas estão sendo contratadas nos proximos meses para a abertura de nova livrarias, onde são realizados mais de 3 mil eventos gratuitos e, de qualidade, ao ano.

  31. Henrique Postado em 27/May/2013 às 23:15

    a empresa estava inchada, recheada de incompetentes e vendo seu lucro diminuir. Uma estratégia é redução o quadro assim melhorar as condições de trabalho reonhecer e premiar os melhores funcionários. Creio que a LC vai durar mais tempo assim. Aos que saíram, se tava ruim...porque nao saíram antes?

  32. Tatiana Postado em 29/May/2013 às 15:49

    Henrique Indiferente se eram ou não competentes, não dá o direito dos gestores desrespeitar seus funcionários. Que pensamento é esse? Muito Idade Média, vc, não?

  33. Victoria Postado em 29/May/2013 às 18:58

    Vcs acham 43 muito? A minha, ex-empresa, a maior incorporadora da América Latina, a PDG', demitiu no dia 16 , mais150 pessoas, tudo também pautado teoriicamente da redução de custos! Estou entre rsses demitidos, sei da dificuldade que estão passando, força pessoal!

  34. Ex funcionário Campinas Postado em 02/Jun/2013 às 18:31

    Sergio ? Será que é o Herz diretor da empresa ? Pelo discursinho pronto, é provável. Bom... Trabalhei 3 anos neste lugar. Sem mais...