Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 08/Apr/2013 às 18:26
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"Na hora de fazer, não gritou"

Essa frase, ouvida por muitas mulheres na hora do parto, é uma das tantas caras da violência obstétrica que vitima uma em cada quatro mulheres brasileiras. Eu fui uma delas

Por Andrea Dip, Agência Pública

Eu tive meu filho em um esquema conhecido por profissionais da área da saúde como o limbo do parto: um hospital precário, porém maquiado para parecer mais atrativo para a classe média, que atende a muitos convênios baratos, por isso está sempre lotado, não é gratuito, mas o atendimento lembra o pior do SUS, porém sem os profissionais capacitados dos melhores hospitais públicos nem a infraestrutura dos hospitais caros particulares para emergências reais.

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Violência obstétrica vitima uma em cada quatro mulheres no Brasil

Durante o pré-natal, fui atendida por plantonistas sem nome. Também não me lembro do rosto de nenhum deles. O meu nome variava conforme o número escrito no papel de senha da fila de espera: um dia eu era 234, outro 525. Até que, durante um desses “atendimentos” a médica resolveu fazer um descolamento de membrana, através de um exame doloroso de toque, para acelerar meu parto, porque minha barriga “já estava muito grande”. Saí do consultório com muita dor e na mesma noite, em casa, minha bolsa rompeu. Fui para o tal hospital do convênio já em trabalho de parto.

Quando cheguei, me instalaram em uma cadeira de plástico da recepção e informaram meus acompanhantes que eu deveria procurar outro hospital porque aquele estava lotado. Lembro que fazia muito frio e eu estava molhada e gelada, pois minha bolsa continuava a vazar. Fiquei muito doente por causa disso. Minha mãe ameaçou ligar para o advogado, disse que processaria o hospital e que eu não sairia de lá em estágio tão avançado do trabalho de parto. Meu pai quis bater no homem da recepção. Enquanto isso, minhas contrações aumentavam. Antes de ser finalmente internada, passei por um exame de toque coletivo, feito por um médico e seus estudantes, para verificar minha dilatação. “Já dá para ver o cabelo do bebê, quer ver pai?” mostrava o médico para seus alunos e para o pai do meu filho. Consigo me lembrar de poucas situações em que fiquei tão constrangida na vida. Cerca de uma hora depois, me colocaram em uma sala com várias mulheres. Quando uma gritava, a enfermeira dizia: “pare de gritar, você está incomodando as outras mães, não faça escândalo”. Se eu posso considerar que tive alguma sorte neste momento, foi o de terem me esquecido no fim da sala, pois não me colocaram o soro com ocitocina sintética que acelera o parto e aumenta as contrações, intensificando muito a dor. Hoje eu sei que se tivessem feito, provavelmente eu teria implorado por uma cesariana, como a grande maioria das mulheres.

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Não tive direito a acompanhante. O pai do meu filho entrava na sala de vez em quando, mas não podia ficar muito para preservar a privacidade das outras mulheres. A moça que gritava pariu no corredor. Até que uma enfermeira lembrou de mim e me mandou fazer força. Quando eu estava quase dando a luz, ela gritou: “pára!” e me levou para o centro cirúrgico. Lá me deram uma combinação de anestesia peridural com raquidiana, sem me perguntar se eu precisava ou gostaria de ser anestesiada, me deitaram, fizeram uma episotomia (corte na vagina) sem meu consentimento – procedimento desnecessário na grande maioria dos casos, segundo pesquisas da medicina moderna – empurraram a minha barriga e puxaram meu bebê em um parto “normal”. Achei que teria meu filho nos braços, queria ver a carinha dele, mas me mostraram de longe e antes que eu pudesse esticar a mão para tocá-lo, levaram-no para longe de mim. Já no quarto, tentei por três vezes levantar para ir até o berçario e três vezes desmaiei por causa da anestesia. “Descanse um pouco mãezinha” diziam as enfermeiras “Sossega!” Eu não queria descansar, só estaria sossegada com meu filho junto de mim! O fotógrafo do hospital (que eu nem sabia que estava no meu parto) veio nos vender a primeira imagem do bebê, já limpo, vestido e penteado. Foi assim que eu vi pela primeira vez o rostinho dele, que só chegou para mamar cerca de 4 horas depois.

Faz exatamente nove anos que tudo isso aconteceu e hoje é ainda mais doloroso relembrar porque descobri que o que vivi não foi uma fatalidade, ou um pesadelo: eu, como uma a cada quatro mulheres brasileiras, fui vítima de violência obstétrica.

Uma em cada quatro mulheres sofre violência no parto

O conceito internacional de violência obstétrica define qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida, parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências. A pesquisa “Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado”, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, mostrou que uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto. As mais comuns, segundo o estudo, são gritos, procedimentos dolorosos sem consentimento ou informação, falta de analgesia e até negligência.

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(Gráfico – Reprodução)

Mas há outros tipos, diretos ou sutis, como explica a obstetriz e ativista pelo parto humanizado Ana Cristina Duarte: “impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira, ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido, tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas, submeter a mulher a mais de um exame de toque, especialmente por mais de um profissional, dar hormônios para tornar o parto mais rápido, fazer episiotomia sem consentimento”.

“A lista é imensa e muitas nem sabem que podem chamar isso de violência. Se você perguntar se as mulheres já passaram por ao menos uma destas situações, provavelmente chegará a 100% dos partos no Brasil” diz Ana Cristina, que faz parte de um grupo cada vez maior de mulheres que, principalmente através de blogs e redes sociais, têm lutado para denunciar a violência obstétrica tão rotineira e banalizada nos aparelhos de saúde.

“Algumas mulheres até entendem como violência, mas a palavra é mais associada a violência urbana, fisica, sexual” diz a psicóloga Janaína Marques de Aguiar, autora da tese “Violência institucional em maternidades públicas: hostilidade ao invés de acolhimento como uma questão de gênero” que entrevistou puérperas (com até três meses de parto) e profissionais de maternidades públicas de São Paulo. “Quando a gente fala em violência na saúde, isso fica dificil de ser visualizado. Porque há um senso comum de que as mulheres podem ser maltratadas, principalmente em maternidades públicas” acredita. E dá alguns exemplos: “Duas profissionais relataram, uma médica e uma enfermeira, que um colega na hora de fazer um exame de toque em uma paciente, fazia brincadeiras como ‘duvido que você reclame do seu marido’ e ‘Não está gostoso?”

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(Gráfico – Reprodução)

Em março de 2012, um grupo de blogueiras colocou no ar um teste de violência obstétrica, que foi respondido de forma voluntária por duas mil mulheres e confirmou os resultados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo. “Apesar de não terem valor científico, os resultados mostraram que 51% das mulheres estava insatisfeita com seu parto e apenas 45% delas disse ter sido esclarecida sobre os todos os procedimentos obstétricos praticados em seus corpos” lembra a jornalista mestre em ciências Ana Carolina Franzon, uma das coordenadoras da pesquisa. “Nós quisemos mostrar para outras mulheres que aquilo que elas tinham como desconforto do parto era, na verdade, a violação de seus direitos. Hoje nós somos protagonistas das nossas vidas e quando chega no momento do parto, perdemos a condição de sujeito” opina Ana Carolina.

Desse teste nasceu o documentário “Violência Obstétrica – A voz das brasileiras” (que você pode assistir no fim da matéria) com depoimentos gravados pelas próprias mulheres sobre os mais variados tipos de humilhação e procedimentos invasivos vividos por elas no momento do parto. Uma das participantes diz que os profissionais fizeram comentários “sobre o cheiro de churrasco da barriga durante a cesárea”.

Mas talvez o relato mais triste seja o da mineira Ana Paula, que após planejar um parto natural, foi ao hospital com uma complicação e, sem qualquer explicação por parte dos profissionais, foi anestesiada, amarrada na cama, mesmo sob protestos, submetida a episiotomia, separada da filha, largada por várias horas em uma sala sem o marido e sem informações. Seu bebê não resistiu e faleceu por causas obscuras. Ana Paula denunciou o falecimento de sua filha ao Ministério da Saúde pedindo uma investigação e em paralelo denunciou a equipe, convênio médico e o hospital que a atenderam ao CRM de Belo Horizonte. Diante do silêncio do Conselho, que abriu uma sindicância em novembro de 2012 e não forneceu mais informações, a advogada de Ana Paula, Gabriella Sallit, entrou com uma ação na justiça.

“O processo da Ana Paula foi o primeiro que trata a violência obstetrica nestes termos. Não é um processo contra erro médico, ou pelo fim de uma conduta médica. É sobre o procedimento, a violência no tratar. É um marco porque é o primeiro no Brasil” explica a advogada. “É uma ação de indenização por dano moral que lida com atos notoriamente reconhecidos como violência obstétrica. Tudo isso tem respaldo na nossa legislação”, diz.

Para prevenir a violência no parto, infelizmente comum, a advogada aconselha que as mulheres escrevam uma carta de intenções com os procedimentos que aceitam e não aceitam durante a internação. “Faça a equipe assinar assim que chegar ao hospital. E antes de sair do hospital, requisite seu prontuário e o do bebê. É um direito que muitas mulheres desconhecem. Isso é mais importante do que a mala da maternidade, fraldas e roupas. Estamos falando de algo que pode te marcar para o resto da vida”.

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(Gráfico – Reprodução)

Direitos legais desrespeitados nas maternidades

Além do nosso código penal e dos vários tratados internacionais que regulam de forma geral os direitos humanos e direitos das mulheres em especial, a portaria 569 de 2000 do Ministério da Saúde, que institui o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento do SUS,  diz: “toda gestante tem direito a acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério” e “toda gestante tem direito à assistência ao parto e ao puerpério e que esta seja realizada de forma humanizada e segura” e a LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005 garante às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato nos hospitais do SUS. Mas dificilmente essas normas são seguidas, como explica a pesquisadora Simone Diniz (leia entrevista na íntegra), formada em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo, que participou da pesquisa “Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento”, grande e minucioso panorama realizado pela Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde  – ainda sem data para lançamento.

“O parto é muito medicalizado e muito marcado pela hierarquia social da mulher no Brasil. Para algumas questões de saúde, como para quem tem HIV, precisa de um antiretroviral ou de uma cirurgia, você tem o mesmo procedimento público e privado, existe um padrão do que é considerado como aceitável. Para o parto não. A assistência ao parto para as mulheres de menor renda e escolaridade e para aquelas que o IBGE chama de pardas e negras, é muito diferente das mulheres escolarizadas, que estão no setor privado, pagantes. Normalmente as mulheres de renda mais baixa têm uma assistência que não dá nenhum direito a escolha sobre procedimentos. Os serviços atendem essas mulheres para um parto vaginal com várias intervenções que não correspondem ao padrão ouro da assistência, como ficar sem acompanhante e serem submetidas a procedimentos invasivos que não deveriam ser usados a não ser com extrema cautela, como o descolamento das membranas, que é muito agressivo, doloroso, aumenta o risco de lesão de colo e infecções, a ruptura da bolsa, como aceleração do parto. É uma ideia de produtividade que parte do pressuposto que o parto é um evento desagrádavel, degradante, humilhante, repulsivo, sujo e que portanto aquilo deve ser encurtado. No setor público é pior, mas é preciso levar em conta que no setor privado, 70% das mulheres nem entra em trabalho de parto, vão direto para cesarianas eletivas”.

Cesariana desnecessária: mais uma violência contra a mulher

A imposição de uma cesariana desnecessária também tem sido vista pelos pesquisadores e pelas próprias mulheres como uma forma de violência porque além de um procedimento invasivo, oferece mais riscos a curto e longo prazo para a mãe e o bebê. “Hoje nós sabemos que existe muito mais segurança nos partos fisiológicos do que nas cesáreas. Não tenha dúvidas de que elas são um recurso importante que salva vidas quando realmente necessárias. Mas no parto fisiológico o bebê tem menor chance de ir para uma UTI neonatal, de ter problemas respiratórios, metabólicos, infecções, tem o melhor prognóstico de todos” explica Simone Diniz. “O bebê nasce estéril e a medida que ele entra em contato com as bactérias da vagina durante o parto, é colonizado por elas e isso fará com que ele desenvolva um sistema imune muito mais saudável do que se nascer de cesárea e for contaminado por bactérias hospitalares. Esse é conhecimento recente, mas já saíram pesquisas sobre risco diferenciado de asma, diabete, obesidade e uma série de doenças crônicas”.

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(Gráfico – Reprodução)

Apesar do índice máximo de cesarianas aconselhado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) ser o de 15%, o Brasil lidera o ranking na América Latina, segundo a Unicef, com mais de 50% de nascimentos através da cirurgia. O índice sobe consideravelmente quando se olha apenas para os hospitais particulares. Em 2010, 81,83% das crianças que nasceram via convênios médicos, vieram ao mundo por cesarianas. Em 2011, o número aumentou para 83,8%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Há ainda hospitais particulares como o Santa Joana, em São Paulo, que no primeiro trimestre de 2009 apresentou taxa de 93,18% cesarianas, segundo o Sistema de Informações de Nascidos Vivos (SINASC). Questionada a respeito, a ANS declarou por meio de assessoria de imprensa que “vem trabalhando, desde 2005, para a diminuição do número de partos cesáreos, mas o problema é bastante complexo e multifatorial, envolvendo a organização do trabalho do médico, dos hospitais e a própria cultura e informação da população brasileira”. Disse ainda que “não existe limite para a realização de partos cesáreos” e que isso depende da indicação médica.

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(Gráfico – Reprodução)

No filme “O Renascimento do Parto”, ainda sem data de estreia no Brasil, mas que já possui uma versão resumida no Youtube, o pediatra Ricardo Chaves questiona: “Eu quero saber o seguinte: nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira, quatro da tarde? Ele respondeu que tem condição de nascer?”

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(Gráfico – Reprodução)

Nos consultórios, a prática é assustar a mulher

Os profissionais têm opiniões diferentes a respeito do grande volume de cesarianas. Para a médica obstetra representante do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) Silvana Morandini, “a medicina defensiva está indicando mais a cesárea. Se o bebê tem circular de cordão no pescoço, se é um feto muito grande, se tem placenta marginal, qualquer diagnóstico que possa dar problema, aumenta a prescrição”. Ela chama isso de “conduta defensiva”, por “medo de dar errado”. Silvana também acredita que “o grande número de cesáreas é cultural. A mulher brasileira tem a ideia de que com o parto vaginal vai ficar com o perineo mais flácido”.

Já o obstetra especialista em parto humanizado Jorge Kuhn acredita que “a grande culpada pelo boom de cesarianas foi a mudança do modelo obstétrico. Antigamente o modelo era centrado na obstetriz. O médico era chamado nos casos de complicação. A transformação do parto domiciliar em hospitalar, na década de 1970, aumentou a incidência de cesarianas. É lógico que esse índice também cresceu por outras razões, como gravidez múltipla, idade avançada e riscos reais ”. Ele explica que outro fator importante foi a entrada dos convênios médicos nos planos de parto. “Eles perceberam que para vender planos de saúde, um bom argumento era o de que a mulher faria o pré-natal com o mesmo médico que faria o parto e isso é a maior cilada. Porque o médico prefere ficar no consultório a sair para ganhar tão pouco. Dizem que a mulher escolhe a cesariana, mas o parto normal é desconstruído no consultório consulta a consulta. Frases como ‘nossa, mas esse bebê está crescendo muito’ dão a conotação subliminar de que a mulher não poderá ter parto normal. Circular de cordão, bacia estreita, feto grande, feto pequeno, pouco líquido, muito líquido, pressão arterial alta, diabetes, nada disso é indicação de cesariana. Foi se criando o conceito de que o corpo da mulher é defeituoso e requer assistência. Que ela precisa ser cortada em cima ou embaixo para poder parir”.

Um médico obstetra com 15 anos de formação, que atende a convênios e preferiu ter sua identidade preservada, confirma a fala de Jorge Kuhn.

Ele explica que com o valor irrisório pago pelos convênios (cerca de 300 reais por parto normal ou cesárea) não compensa para o profissional largar o consultório cheio ou sair de casa de madrugada para passar 10, 12 horas acompanhando um parto normal. “Eu digo para as minhas pacientes logo nas primeiras consultas que se elas optarem por marcar uma cesariana eu farei, mas se optarem por um parto normal vão ter com plantonista”. Para ele, apesar das pesquisas e das indicações internacionais como a da OMS, a cesariana é a melhor opção para a mãe e o bebê. “No hospital particular eu acho que acontece o real parto humanizado. Porque tem uma assistência muito maior. Com 5 para 6 cm de dilatação a gente instala a anestesia, aí a paciente já não sente dor, faz a tricotomia (raspagem dos pêlos) porque é mais higiênico, rompe a bolsa, acelera o trabalho de parto. Minha filha nasceu por cesárea, minhas sobrinhas também. Se eu achasse tão bom o parto normal teria feito. Claro que se o médico marcar a cirurgia para muito antes, o bebê pode nascer prematuro, com problemas respiratórios, pode complicar sua saúde a longo prazo. Mas no parto normal existe mais risco de asfixia e paralisia cerebral. Se você for perguntar, 90% dos filhos de médicos nascem por cesárea”.

Jorge Kuhn, que foi recentemente denunciado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e responde a processo no CREMESP por ter declarado em um programa de televisão ser favorável ao parto domiciliar para gestantes de baixo risco, lembra que para o hospital também é muito mais lucrativo e conveniente que se façam cesarianas. “Eles sabem quais são os recursos humanos e materiais que têm em vésperas de feriados, principalmente os mais prolongados, e têm os agendamentos da sala certinhos. Fazer uma cesariana em trabalho de parto resulta em maior custo para o hospital. Quando a mulher ficou tantas horas em trabalho de parto e passa para uma cesárea, isso é um problema. Uma vez eu perguntei para um gestor quanto eu custava, fazendo mais partos normais. Ele disse que o problema é quando meus partos normais viravam cesareas, porque já tinha gasto tempo e material naquele parto e gastava com a cirurgia. Mas tanto faz em termos de custo. O agendamento que facilita. Nenhum hospital no Brasil tem condições de atender partos normais como a OMS aceita, com no máximo 15% de cesarianas. Não têm estrutura física para isso, é uma formula difícil de fechar. Mas basicamente é uma tríade: comodidade dos médicos e hospitais, indiferença das mulheres e mercado. Sempre é uma questão de dinheiro”.

Ana Cristina acrescenta que quanto mais complicado for o parto, mais lucro o hospital terá. “anestesia, cirurgia, drogas, antibioticos, compressas, equipamento, equipe de enfermagem. Se rolar uma UTI neonatal por dois dias, já vai mais uma boa grana, quase a de um parto. E esses equipamentos todos da UTI estão pagos, precisam ser usados para gerar lucro. A UTI custa muito caro. Então qual é o problema? É que nós estamos colocando bebês para nascer em uma estrutura muito cara, que precisa se pagar”.

Para incrementar, alguns hospitais particulares oferecem alguns “extras” a seus pacientes, conta Simone Diniz. “Existe uma coisa chamada ‘janela de plasma’, que fica no centro cirúrgico e dá para um pequeno auditório anexo. É uma janela opaca que fica transparente quando o bebê nasce e o médico pode apresentá-lo à plateia. Algumas famílias fazem festas, com serviço de catering etc. Isso não pode acontecer em um parto normal, certo? Precisa ser agendado com antecedência. Aí você vê como hoje o parto fisiológico é subversivo, porque subverte toda essa lógica hospitalocêntrica”.

Alternativa subversiva

O modelo alternativo, hoje conhecido como parto humanizado, se baseia em exemplos usados há muitos anos em países como Holanda e Alemanha, e é centrado na autonomia da mulher, pensando o parto como algo fisiológico, natural, com pouca ou nenhuma intervenção médica. O direito da mulher sobre o seu próprio parto também é uma das principais bandeiras de um movimento feminino que cresce a cada dia no Brasil, principalmente através de blogs e articulações por redes sociais.

No filme inglês Freedom For Birth, que conta a história da parteira húngara Ágnes Geréb, processada criminalmente e condenada a dois anos de prisão porque, até 2011, não havia regulamentação para os profissionais que assistiam partos domiciliares, a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd critica o modelo atual, em que o corpo da mulher é tratado como uma máquina, e o parto como um processo mecânico disfuncional, que precisa das intervenções médicas para trazer o bebê ao mundo porque não confia na fisiologia natural do parto. Em seu estudo “Birth as an American rite of passage (1984)” ela lembra que o parto, até pouco tempo, era vivido como algo exclusivamente feminino e privado, com as mulheres dando a luz em suas casas amparadas por outras mulheres: parteiras, mães, amigas mais experientes. A ideia de “mulher empoderada”, que escolhe onde, como e com quem quer parir, ou no mínimo opina a quais procedimentos quer ou não se submeter é o centro deste pensamento.

O parto humanizado pode acontecer em casas de parto, em casa (somente para gestantes de baixo risco) e até em salas especiais que muitos hospitais estão criando com esta finalidade. A equipe geralmente é reduzida, com uma enfermeira obstetra (ou médico que siga esta filosofia), um neonatologista e uma doula – profissional treinada a dar suporte físico e emocional à mulher desde o pré-natal. Na hora do parto, a doula orienta sobre exercícios e posições, respiração e fornece um arsenal de recursos não farmacológicos para alívio dor, como massagens, bolas, óleos, exercícios e banhos. A mulher pode comer, tomar água, andar e ficar na posição que se sentir mais a vontade para parir. Cada vez mais mulheres têm optado por este modelo, mas nem todas têm acesso. Um parto domiciliar custa de 5 a 10 mil reais (somando os honorários de todos os profissionais). No hospital, além da equipe, é preciso pagar a internação em pacotes de parto, que podem custar em média mais 8 mil reais.

Apesar de em 2011 o governo federal ter lançado a Rede Cegonha, que tem como objetivo humanizar o parto e criar casas de parto normal integradas ao SUS, ainda há poucas opções e somente em grandes centros urbanos – até 2014, segundo o Ministério da Saúde, serão 200 em todo o país. Com pouca ou nenhuma divulgação, sobram leitos em muitas delas. A Casa de Parto de Sapopemba em São Paulo, por exemplo, referência no atendimento a gestantes de baixo risco, não só não é divulgada, como não se consegue entrevistar os profissionais que atendem na Casa. Alertada por colegas jornalistas, eu tentei entrar em contato através da assessoria de imprensa da prefeitura mas não obtive resposta, apesar da insistência. Durante a reportagem, conheci uma enfermeira obstétrica que foi demitida por ter concedido entrevista a um jornal sem autorização. Uma reserva que faz lembrar o que acontece com os programas de redução de danos – cala-se a respeito para evitar polêmica, ou a adesão excessiva em relação às dimensões previstas por essas políticas públicas.

Simone Diniz conta que a própria mulher que resolve esperar o trabalho de parto é hostilizada. “As pesquisas indicam que entrar em trabalho de parto aumentam muito o risco de você sofrer violência. É muito interessante o grau de hostilização da mulher em trabalho de parto. No setor privado, acham o fim da picada que aquela mulher queira dar trabalho para eles. Uma mulher contou que como insistiu muito com o médico que queria parto normal, ele indicou um psicólogo dizendo que ela tinha traços masoquistas!” O Conselho Federal de Medicina é totalmente contra o parto domiciliar. Assim como os conselhos regionais que quiseram caçar o registro de Jorge Kuhn. O Conselho de Enfermagem (COFEN) também tentou por muito tempo fechar o novo curso de obstetricia da USP Leste, mas desde dezembro de 2012, o curso ganhou, através de liminar do Ministério Público, não só o direito ao funcionamento como ao registro específico no COFEN.

Por mim você pode cortar a mulher em quatro…

Essa “caça às bruxas do parto humanizado” não é exclusividade brasileira – vide Àgner Gereb. Jorge Kuhn conta que quando chegou ao Brasil após uma temporada aprendendo sobre parto humanizado na Alemanha, foi procurar os gestores de grandes hospitais para implantar essas técnicas de redução de cesarianas, mas que foi recebido com declarações como “por mim você pode cortar a mulher em quatro desde que me entregue um bebê bom”. Ainda assim, o obstetra é otimista: “O filósofo Schopenhauer dizia que toda verdade passa por três estágios: No primeiro, ela é ridicularizada. No segundo, é rejeitada com violência. No terceiro, é aceita como evidente por si própria. Estamos no segundo estágio”.

Outra alternativa bonita para quem procura por um parto “empoderado” (no sentido de dar poder à mulher sobre o parto) é a Casa Ângela, em São Paulo. Criada pela Associação Comunitária Monte Azul, a Casa de Parto, instalada na periferia da zona sul da cidade, se mantém com financiamentos de parceiros nacionais e internacionais e, desde o começo de 2012, faz uma média de 10 partos por mês, e acompanha mais de 250 mães e bebês. O nome homenageia a parteira alemã Ângela Gehrke, que nas décadas de 1980 e 1990, atendeu a mais de 1500 mulheres da favela Monte Azul e foi referência de parto humanizado no Brasil. Ângela morreu de um câncer em 2001 mas o trabalho com a comunidade foi retomado alguns anos depois.

A casa é linda, iluminada, arejada e no dia que visitei, um cheiro de bolo assando perfumava o ambiente. Nada ali lembrava o ambiente hospitalar. Anke Riedel, obstetra coordenadora do projeto, me conta que por causa da grande procura de mulheres de outras regiões e até outras cidades, a casa criou um plano de sobrevivência, no qual cobra um pequeno valor para quem não é da comunidade. O pacote padrão, que inclui o pré-natal, a triagem para fatores de risco no parto (as regras são rígidas e somente as gestantes que não apresentam riscos podem ser atendidas na casa), o parto e o acompanhamento do puerpério e do bebê por um pediatra, custa 3.500 reais, que pode ser negociado conforme as condições financeiras do casal. “Como não recebemos qualquer ajuda do governo, essa foi a forma que encontramos de manter a casa e poder atender às gestantes, além do apoio dos parceiros”. Na equipe, obstetrizes atendem às gestantes e, em casos de urgência, a casa possui equipamento e ambulância próprios para remoções para hospitais próximos. Segundo Anke, algumas vezes estas remoções acontecem, mas nunca houve uma de urgência.

Em vez de maca e soro, uma leoa com o bebê nos braços

Fui convidada a conhecer Aline, de 26 anos e seu marido Marcos, da mesma idade, moradores da comunidade que tiveram seu bebê na casa na noite anterior. Quando entrei no quarto, a primeira surpresa. Nada de maca ou soro. Apenas um casal deitado em uma cama com o bebê nos braços, com luz baixa e largos sorrisos no rosto. Aline me mostrou a pequena Sofia, que veio ao mundo sem qualquer intervenção médica ou farmacológica. Ela conta que o bebê nasceu na banheira, à luz de velas e música ambiente, com o marido fazendo massagem e ajudando nas posições. Que se apaixonou pela Casa assim que conheceu a proposta e que durante o pré-natal, ela foi bem orientada e tratada pelo nome, ao contrário do atendimento no posto de saúde em que era uma “mãezinha”.

Um nó aperta minha garganta, é impossível não fazer comparações. Marcos diz que estava orgulhoso da mulher, que mais parecia uma leoa poderosa no parto. Compara ao que já tinha visto na televisão ou nas novelas: “Aquelas mulheres gritando, deitadas, aquele desespero. Nada disso aconteceu. Teve hora que a enfermeira abraçava, dava beijo na testa dela, esse afeto fez diferença. No hospital você fica vendo seu parto acontecer.” Flashes do meu parto não param de vir à mente. Sou feliz por Aline e Marcos. E muito revoltada por mim mesma. Vendo e ouvindo essas histórias de amor, assistindo a vídeos de partos humanizados, dignos, nos quais as mulheres foram protagonistas do nascimento dos seus filhos, só posso chegar a uma conclusão: Violaram meu momento. Roubaram meu parto de mim.

* Infográficos de Emídio Pedro

Mapa da Violência obstétrica: denúncias pela internet

Depois de um parto traumático e extremamente violento e um segundo humanizado, empoderado e em casa, Isabella Rusconi e Carlos Pedro Sant’Ana criaram o Mapa da Violência Obstétrica. A ferramenta é inédita no Brasil e permite ao internauta denunciar onde e quais tipos de violência obstétrica sofreu. “Acredito que um dos melhores modos de ter uma leitura real de um problema é mapeando situações, dando uma leitura gráfica do problema para facilitar a sua compreensão” explica Carlos. “Embora seja um problema invisível para muita gente —principalmente para os homens— e silenciado por muitas mulheres —por vergonha ou por desconhecimento de que foi vitima— é necessário mostrar que é uma realidade agressiva no Brasil e mostrar que existem alternativas, que é necessário criar um novo sentido de respeito humano e mudar o modo como lidamos com o parto. Talvez mostrando relatos de vitimas da violência obstétrica, possamos chegar a outras mulheres que passaram por essa violência sem o saber ou sem o reconhecer, e as arrancar de sua Sindrome de Estocolmo”…

https://violenciaobstetrica.crowdmap.com/

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Comentários

  1. Isabelle Postado em 08/Apr/2013 às 23:34

    Olha o mundo que tems, onde as mulheres são subjugadas até no próprio parto..

  2. Isabelle Postado em 08/Apr/2013 às 23:35

    Olha o mundo em que estamos*

  3. Robson Postado em 08/Apr/2013 às 23:46

    Será que não há nada que a ação humana não corrompa? Com certeza não mais que você, Andrea Dip, mas consegui sentir a indignação e revoltada por saber que é comum um momento tão especial quanto o nascimento ser denegrido dessa forma. Realmente lamentável. Revoltante, como falei. Quanto ao texto, excelente! Bastante informativo. Não o li todo, porque estou realmente MUITO OCUPADO nesse momento, mas a página já está salva nos meu favoritos e com certeza eu retornarei para terminar a leitura e divulgar também. Abraço!

  4. Thiago Augusto Maciel Postado em 09/Apr/2013 às 07:09

    Excelente texto. Infelizmente no Brasil há a cultura da cesárea, quer seja por motivos econômicos, quer seja por comodidade. Fato é que ainda falta mais informação quanto às vantagens e desvantagens do parto fisiológico para os médicos e principalmente para as gestantes. Sou a favor do parto fisiológico sempre que possível, e o uso da cesariana em casos de complicação. É uma pena que haja essa desestimulação desde o pré-natal.

    • Gabriela Postado em 05/Jan/2014 às 16:12

      eu nao diria que a cultura da cesaria seja por motivos economicos ou comodidade, pq tenho como exemplo minha mae, que o primeiro parto foi normal e ela sofreu violencia, inclusive o medico quebrou minha clavicula quando me puxou, e ela ficou traumatizada, depois teve minha irma e decidiu fazer cesárea para nao sofrer o mesmo novamente, e sempre diz "se for ter filhos faça cesaria".

  5. jose elias Postado em 09/Apr/2013 às 09:14

    Trabalho em um caso (processo) em que o médico (1981) mandou a enfermeira subir em cima da barriga da grávida para acelerar o parto. Uma barbaridade. O resultado foi que a criança se tornou um adulto tetraplégico. Interessante é que o mundo gasta bilhões com busca a extraterrestres e viagens espaciais, mas relegam ao abandono essas sublimes criaturinhas que são os nascitluros, e, suas mães a tamanha execração. Um aberrante desvio de finalidade da humanidade.

    • Ligia Postado em 12/Sep/2013 às 17:39

      É isso que me dá nojo, José Elias. Gasta-se horrores com projetos absurdos buscando não sei que diabos em outro planeta e não conseguimos cuidar dos habitantes do nosso próprio planeta.. Bando de hipócritas nojentos!!

    • Keila Postado em 03/Nov/2013 às 12:04

      Há vinte anos tive a ponta de uma costela quebrada por que o médico forçou o parto com o joelho

  6. Raquel Drumond Postado em 09/Apr/2013 às 09:35

    omo se a maternidade (e as profundas, e muitas vezes irreversíveis mudanças físicas, sociais e psíquicas que ela acarreta na identidade da mulher, inevitavelmente), juntamente com a responsabilidade injusta e absurda que ela impõe já não fossem cruéis o suficiente, práticas bárbaras, desumanas e irresponsáveis dos ""profissionais"" da ""saúde"" nos setores obstetrícios, pediátricos e psiquiátricos no tratamento das mulheres-mães e bebês ainda vem para dar um bônus de desgosto, sofrimento, horror e violência ao que, infelizmente, já não é tão agradável assim (como 'femistas' e idealistas de plantão de uma insistem em postular.) Outra questão muito importante que as denúncias desta espécie de violência levantam é, sem dúvida, a maldade e a perversa utilização da capacidade mais que plena destes ""profissionais"" - especialmente enfermeiras; predominantemente do sexo feminino - em serem os agentes principais nesta barbárie, mostrando que a violência e a maldade são TAMBÉM obras feminina. A ideia de um "cuidado" de gênero é mais uma das mentiras estapafúrdias que cai por terra diante destes dados, bem com uma tendência vitimista e infantilizadora do sexo feminino. Muito se diz da "violência contra a mulher", como se esta fosse uma exclusividade de agressores masculinos. É de fato muito importante entender e aceitar que ela existe e é algo muito sério a ser combatido, mas é igualmente importante sabermos que há violência e abusos, SIM, cometidos entre mulheres, e por mulheres, especialmente nas áreas em que, predominantemente, elas ocupam a posição de "cuidadoras" - vide estatísticas e dados sobre asilos de idosos, deficientes mentais, creches e a própria violência doméstica.

  7. Larissa Postado em 09/Apr/2013 às 11:13

    Penso em ter um filho, mas o que me deixa receosa é como irei ser tratada no meu pré-natal e parto. Sei como são a maioria dos profissionais da saúde e isso não se restringe à rede pública, pois na rede particular somos maltratados da mesma forma. Falta muita vocação e humanização destes profissionais. Algo que não é cobrado na hora do ingresso nos cursos técnicos e de graduação. O engraçado é que a mídia demoniza a mulher grávida, como ela tivesse cometido um crime. Como o sexo fosse um crime e só praticado por quem fica grávida. Mas ninguém vê as milhares de mulheres que abortam, as outras milhares que se entopem de anticoncepcional, que é altamente tóxico para o organismo, etc. Um absurdo o mundo que vivemos hoje em dia.

  8. Raquel Drumond Postado em 09/Apr/2013 às 11:26

    Editando o comentário anterior: Como se a maternidade (e as profundas, e muitas vezes irreversíveis mudanças físicas, sociais e psíquicas que ela acarreta inevitavelmente na identidade da mulher), juntamente com a responsabilidade injusta e absurda que a sociedade impõe à mulher que torna-se mãe já não fossem cruéis o suficiente, as práticas bárbaras, desumanas e irresponsáveis dos “”profissionais”" da “”saúde”" nos setores obstetrícios, pediátricos e psiquiátricos no tratamento das mulheres-mães e bebês ainda vem para dar um bônus de desgosto, sofrimento, horror e violência ao que, infelizmente, por si só já não é um processo isento de traumas, transformações, medos e tensão, em que uma mulher sai ilesa (como ‘femistas’ e idealistas de plantão insistem em postular, tratando tanto o processo da gravidez quando a infância e a adaptação da família – e principalmente da mãe – como algo idílico e doce.). Outra questão muito importante que as denúncias desta espécie de violência levantam é, sem dúvida, a questão da violência feminina: a maldade e a perversa utilização da capacidade mais que plena destas “”profissionais”" – especialmente enfermeiras; predominantemente do sexo feminino – como sendo os agentes principais nesta barbárie, mostrando que a violência e a maldade são TAMBÉM obras femininas. A ideia de um “cuidado” de gênero é mais uma das mentiras estapafúrdias que cai por terra diante destes dados, e vinculada a ela, uma tendência infantilizadora e “docilizada” da mulheres, muito presente no feminismo mainstream, americano, vitimista e muito bem absorvido nos nossos tempos, em que qualquer crítica ou observação crítica acerca da postura de muitas mulheres é imediata e irrefletidamente taxada de machismo ou até mesmo de misoginia. Muito se diz da “violência contra a mulher”, e é de fato muito importante entender e aceitar que ela infelizmente ainda existe e é algo muito sério a ser combatido, mas é igualmente importante sabermos que há violência e abusos, SIM, cometidos entre mulheres, e por mulheres, independente do gênero dos indivíduos a que eles sejam direcionados. Especialmente nas áreas elas predominantemente ocupam a posição de “cuidadoras” – vide estatísticas e dados sobre asilos de idosos, deficientes mentais, creches e a própria violência doméstica – fica claro que o problema é maior, muito maior, do que a abordagem rasa e o tratamento excessivamente ideológico do problema dado pela maioria dos movimentos ditos “feministas” no Brasil hoje.

  9. Sergio Postado em 19/Apr/2013 às 16:03

    Se não houvesse corporativismo, haveria muitos médicos cassados. O conselho federal de medicina é complacente!!!!!

  10. Juliana Postado em 25/Apr/2013 às 10:29

    Quanto ao assunto principal concordo plenamente, também ouvi uma grande besteria do meu obstetra quando eu já estva deitada e preparada para a cesariana, me deu vontade de levantar mas aí já era tarde. é um absurdo a quantidade de besterias que um médico é capaz de falar num momento tão delicado e frágil para uma mulher, é vergonhoso. Agora essa campanha atual aqui no Brasil pelo tal parto humanizado me parece mais uma vez um simples "vamos imitar o que acontece lá fora que com certeza é melhor" sem nenhuma reflexão crítica a respeito. Primeiro argumento: os médicos faturam mais com a cesareana. é uma questão puramente financeira. Pois bem, voces acham que na europa o super ïncentivo", que nem incentivo é, ao parto natural é em respeito à mulher? Ao corpo da mulher? Tá bom. Pois fiquem sabendo que lá fora é muito mais barato que a criança venha ao mundo de forma natural. Deixar uma mulher 24 horas estribuchando de dor com uma parteira do lado é muito mais barato que pagar anestesista, medicação etc. Portanto lá a opção por parto natural é puramente financeira. O resultado disso é que, nos 9 anos em que morei lá eu perdi as contas de quantas mulheres eu conheci que quase morreram no parto natural ou em cesarianas tardias porque eles só resolvem fazer depois que voce já tá quase morrendo. Outra coisa: parteira não ganha a mesma coisa que um médico, é mais barato pro estado e para os planos de saúde. A cesariana foi uma grande conquista para a ulher que finalmente pode ter um filho sem sentir dor, minha filha nasceu de cesarea, perfeita, nao teve nada desse blabla bla que a criança nascida de cesarea é mais sucetível à doenças, ela tem 1 ano e nunca teve um resfriado desde que nasceu graças a uma ótima alimentação. Antes de olhar para os paises "desenvolvidos"e imitar tudo feito um macaco de circo parem e pensem. A maioria das pessoas que posta essa sopinioes nunca viveu la e nao sabe os reais motivos pelos quais as mulheres sao levadas a extremos por um parto normal. Parto humano para uma mulher é aquele em que ela e a criança terminam bem, em que a mae nao tem que sofrer além da conta. Parto normal é pra quem pode e nem todas as mulheres podem. Direito mesmo deveria ser a mulher optar pelo que ela quer, na europa só aquelas com plano de saude particular podem optar pela cesarea. Outra coisa : la voce passa a gestacao inteira com o seu obstetra mas na hora do parto se tiver que fazer uma cesareana vai ser um eximio plantonista que nunca te viu na vida que vai realizar a cirurgia, olha so que legal! Tao evoluído...

  11. Najma Ahmad Postado em 26/Apr/2013 às 14:28

    Bem colocado Juliana, é bom as pessoas que moram fora nos esclarecerem as coisas e dizer como as coisas realmente são lá, em vez de acreditar em tudo que a mídia diz. Eu morei no Canadá por um ano, cheguei em Janeiro desse ano (2013). E lá predomina a cultura da pobreza, as pessoas preferem comprar marcas baratas, compram roupas usadas, muitas não tem carro, dividem cada andar da casa com pelo menos mais 3 pessoas pra dar conta de pagar o aluguel ou conseguir dinheiro extra, em todo lugar q vc vai as lojas têm placas "x% de desconto", eles são fissurados por desconto e preços baixos, e estão sempre reclamando do custo de vida no país. Saúde lá é muito caro, assim como na Europa, quebrar um braço pode custar 20 mil dólares, uma amiga minha tinha que tratar os dentes, e lá se paga em média 3 mil dólares por cada dente para arrumar (ela não me disse o que era, creio que seja cárie). No Brasil todo mundo arruma dinheiro pra viajar, fazer festa, ter carro, ver os amigos, ter casa própria só pra si mesmo ou pra família, claro que o país ainda tem muito o que mudar mas eu sou mais feliz aqui.

  12. Vania paiva Postado em 27/Apr/2013 às 16:30

    Um médico obstetra com 15 anos de formação, que atende a convênios e preferiu ter sua identidade preservada, confirma a fala de Jorge Kuhn. Ele explica que com o valor irrisório pago pelos convênios (cerca de 300 reais por parto normal ou cesárea) não compensa para o profissional largar o consultório cheio ou sair de casa de madrugada para passar 10, 12 horas acompanhando um parto normal. “Eu digo para as minhas pacientes logo nas primeiras consultas que se elas optarem por marcar uma cesariana eu farei, mas se optarem por um parto normal vão ter com plantonista”. Para ele, apesar das pesquisas e das indicações internacionais como a da OMS, a cesariana é a melhor opção para a mãe e o bebê. “No hospital particular eu acho que acontece o real parto humanizado. Porque tem uma assistência muito maior. Com 5 para 6 cm de dilatação a gente instala a anestesia, aí a paciente já não sente dor, faz a tricotomia (raspagem dos pêlos) porque é mais higiênico, rompe a bolsa, acelera o trabalho de parto. Minha filha nasceu por cesárea, minhas sobrinhas também. Se eu achasse tão bom o parto normal teria feito. Claro que se o médico marcar a cirurgia para muito antes, o bebê pode nascer prematuro, com problemas respiratórios, pode complicar sua saúde a longo prazo. Mas no parto normal existe mais risco de asfixia e paralisia cerebral. Se você for perguntar, 90% dos filhos de médicos nascem por cesárea” . Concordo com o medico do texto acima que o verdadeiro parto humanizado é o por cesária.. Tive filhos há trinta anos por parto normal com meu professor de obstetricia e minhas filhas hj teem parto por cesária e posso comparar e felicitá-las por nao serem tratadas como bicho - leoas ou vacas ou gatas etc. . Também a mim nao interessa e acho que a ninguém estar sentindo muita dor, muita mesmo e ser beijada por enfermeira ou qualquer outra pessoa , como o texto elogia. É mina opinião.

  13. Vania paiva Postado em 27/Apr/2013 às 16:36

    Concordo totalmente com a Juliana, acima. Esse negocio de parto noRmal eh pra cada vez mais sacrificar a mulher e a maioria acredita q só sera mae de verdade se for por parto normal. É mais um poder opressor sobre a mulher..

  14. Juliana Postado em 02/May/2013 às 09:33

    Minha conclusão é uma só: o Brasil, contrariamente ao que estão falando, é suuuuper a favor do parto humanizado. Acha que não? Então é só ir ter seu filho pelo SUS onde todas as mulheres são induzidas ao parto normal, igualzinho na Alemanha e na Holanda. Essas mulheres todas hoje gritando em clamor pelo parto humanizado são aquelas que tem plano particular, no SUS não tem essa frescurada de cesareana não. De novo e mais uma vez: cesareana é mais caro, e envolve mais recursos. As pessoas falam do parto normal e aí citam os bichos e os indios, oh como é linda a natureza. Na história da humanidade o que mais matou mulher foi parto, incluindo as índias. Ïndio morre de infecção no meio da floresta. Eu não sou contra o parto natural, eu só acho que essa campanha toda vai CONTRA as mulheres, contra o bem estar delas, contra um bem histórico que nós adquirimos, nós somos privilegiadas por ter essa possibilidade e agora tem gente lutando contra?! Quer ter filho de parto humanizado? O SUS está de portas abertas.

    • Rosita Postado em 31/Oct/2013 às 11:58

      Induzir parto normal não tem nada a ver com humanização. Que parte você não entendeu que o que se luta é contra a VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA que existe tanto no serviço público quanto no privado? Humanização é respeito, independente da via de parto. E já que você acha que cesariana é melhor, "moderno", vai lá marcar sua cesa eletiva com o GO fofinho da reportagem que não quis se identificar e deixa o parto normal pra quem realmente quer. Como a mãe do herdeiro da família Real inglesa, por exemplo... "coisa de índia".

    • Fabiana' Postado em 31/Dec/2013 às 16:50

      Boa Juliana, concordo muito contigo. Sou contra os abusos psicológicos que o texto mostra, é uma animalidade, mas acho que cabe a mulher escolher.

  15. Estrela Postado em 07/May/2013 às 20:01

    Juliana, muito lucido seu comentario! Parabens! Depois de anos de conquista e ainda não conquistamos nem a metade do que queriamos, somos obrigadas a conviver com esta ditadura do parto normal, como se todas as mulheres do planeta tivessem a obrigação de ter seus filhos desta forma, alias, natural, sem analgesia e com parteira. Lògico que fica muito, mas muito mais barato pro governo!!!! Imagina oferecer pré-natal e parto com médico e analgesia a todas as gestantes que quisessem....ia sair uma fortuna pros cofres publicos. Sem contar que o mundo é machista e quem se importa com a dor e o sofrimento da mulher!!! Ah, ela aguenta, nasceu pra parir, é assim desde que o mundo é mundo!

  16. Fernanda Postado em 13/May/2013 às 00:20

    Deveria fazer parte do estágio médico uma experiência como essa: http://gnt.globo.com/maes-e-filhos/noticias/Homens-participam-de-simulacao-das-dores-do-parto-e----desistem-do-desafio.shtml

  17. Lis Postado em 22/May/2013 às 19:44

    Esta tipo de abordagem é essencial para trazer a luz a discussão acerca de questões que estão enraizadas e consideradas normais e pior naturalizadas. Temos que nos indignar e publicizar tais atitudes desrespeitosas com relação aos direitos humanos ainda mais em um momento tão especial e de anciedade para a mulher. Vamos gritar e exigir que nossos direitos sejam respeitados. Não podemos nos calar diante de qualquer forma de violência.

  18. Maris Postado em 26/May/2013 às 19:49

    Tive 2 partos normais e não aconselho pra ninguém. Pra que tanto sofrimento??? Até hoje sofro as sequelas, vou ter que fazer uma cirurgia para levantar a bexiga. Os médicos me dizem que é devido os partos que tive. Será que vale a pena mesmo?

  19. Marcia S. Nunes Postado em 05/Jun/2013 às 03:13

    Considero muito informativo, e muito interessante tudo o que foi escrito, mas descordo quanto a maneira como está sendo tratando o assunto. Trabalho num hospital, que atende pelo SUS e convênio. Infelizmente a realidade é que nem todos os hospitais dispõe de recursos para proporcionar um parto humanizado, com todo equipamento necessário. Trabalho na área, e observo que o parto normal, é um sofrimento ao qual, somente as mulheres que não dispõem de recursos financeiros se submetem ao mesmo. Posso afirmar que raríssimas vezes as gestantes que têm convênio opta pelo parto normal, que é um sofrimento muito grande, e algo muito desgastante. A mulher fica horas e horas em trabalho de parto, sofre muito com as contrações, (sendo ou não administrado oxitocina diluída no soro), e quando atinge os 10 cm de dilatação, é levada para o Centro Obstétrico para "expulsar" o bebê. Pergunte a algum profissional de saúde, médicos ou profissionais da enfermagem, se os mesmos optariam por um parto normal? Sabemos como ocorre, sabemos que é doloroso, conhecemos o processo, e sabemos que há riscos e que podem acontecer intercorrências durante a evolução do trabalho de parto. Quanto a cesariana, senseo feita com todo o acompanhamento, tudo programado, sem todo aquele trauma. Eu optaria por parto cesáreo! A recuperação é mais lenta? Sim, mas pelo menos tem vantagens que superam o risco do parto normal, em questão de segurança. Tenho visto muitos partos normais, se transformarem em cesáreas, devido a intercorrências na tentativa anterior. Vejo que na realidade, as pacientes imploram por cesárea, que muitas vezes não são feitas, por ter um custo maior para o hospital. Respeito a sua opinião, particularmente, eu jamais tentaria parto normal, por muitas razões além dessas que descreví.

  20. Marcia S. Nunes Postado em 05/Jun/2013 às 03:19

    Considero muito informativo, e muito interessante tudo o que foi escrito, mas discordo quanto a maneira como está sendo tratado o assunto. Trabalho em um hospital, que atende pelo SUS e convênios. Infelizmente a realidade é que nem todos os hospitais dispõem de recursos para proporcionar um parto humanizado, com todo equipamento necessário. Trabalho na área de saúde , e observo que o parto normal, é um sofrimento ao qual, somente as mulheres que não dispõem de recursos financeiros se submetem ao mesmo. Posso afirmar que raríssimas vezes as gestantes que têm convênio opta pelo parto normal, que é um sofrimento muito grande, e algo muito desgastante. A mulher fica horas e horas em trabalho de parto, sofre muito com as contrações, (sendo ou não administrado oxitocina diluída no soro), e quando atinge os 10 cm de dilatação, é levada para o Centro Obstétrico para “expulsar” o bebê. Pergunte a algum profissional de saúde, médicos ou profissionais da enfermagem, se os mesmos optariam por um parto normal? Sabemos como ocorre, sabemos que é doloroso, conhecemos o processo, e sabemos que há riscos e que podem acontecer intercorrências durante a evolução do trabalho de parto. Quanto a cesariana, essa é feita com todo o acompanhamento, tudo programado, sem todo aquele trauma! A recuperação é mais lenta? Sim, mas pelo menos tem vantagens que superam o risco do parto normal, em questão de segurança. Tenho visto muitos partos normais, se transformarem em cesáreas, devido a intercorrências na tentativa anterior. Vejo que na realidade, as pacientes imploram por cesárea, que muitas vezes não são feitas, por ter um custo maior para o hospital. Respeito a sua opinião, particularmente, eu jamais tentaria parto normal, por muitas razões além dessas que descrevi.

    • Andrea Postado em 12/Jul/2014 às 07:54

      É lamentável que profissionais da saúde não saibam os reais benefícios do parto natural humanizado e entendem este processo como um grande sofrimento. Isso sim é preocupante, um parto natural bem conduzido não tem nada de sofrimento o que falta são profissionais capacitados para proporcionar uma experiência de parto baseado em muito conhecimento técnico e científico, além de habilidade e respeito ao fisiológico. Quando isso for sanado nos bancos universitários e na formação profissional de quem assiste os partos, talvez este pensamento equivocado que relaciona parto natural com sofrimento seja sanado. Assim espero. Texto muuuito esclarecedor.

  21. Marcia S. Nunes Postado em 05/Jun/2013 às 03:31

    O interessante é que muitas mulheres não sabem que é garantido por lei o direito de optar pelo tipo de parto, de ter o acompanhante de sua escolha. Muitas vezes, a sala de parto não oferece condições para comportar acompanhantes. As pessoas teriam que conhecer seus direitos, é como diz o ditado: "a assombração sabe pra quem aparece..." Por outro lado, é absurdo o tratamento desumano, espero que já não exista essas violências verbais, uma palavra positiva faz toda diferença, principalmente num momento todo especial e de fragilidade como esse. É lamentável, antiético, podre, muito triste...

  22. William Postado em 07/Jun/2013 às 20:32

    Uma pootah falta de respeito. Quem não sabe lidar com seres humanos nunca deveria ocupar cargos como os de médico e de enfermeiro.

  23. Myriam Postado em 08/Jun/2013 às 18:19

    Eu passei por isso...e conheço inúmeras mulheres q passaram tbm!!!

  24. Isabel Postado em 09/Jun/2013 às 15:47

    Um filme de terror passou inteiro na minha cabeça enquanto lia o texto, no final me dei conta que foi tudo real eu havia passado por isso há dez anos atrás, quando tive meu filho. Eu tinha apenas 17 anos.

  25. Adalberto F. de Sousa Postado em 12/Jun/2013 às 17:09

    É melhor nascer índio e parir de cócoras na beira do rio.

  26. Eduardo Postado em 29/Jun/2013 às 01:14

    será Adalberto que por ser o indigena parte da natureza a forma de parir das indias a correta, o parto de cocoras é para mim que não sou médico o mais correto visto que a posição é ajudada pela gravidade e o peso do bebe se na posição correta, será mais um fator de facilidade no nascimento. Não tem nada de sacrificio para a mulher o parto normal, que o próprio nome já diz "normal", mas se houver complicações por menor que seja que se faça a cesária, o problema é que a cezária é regra e não exceção... chega parecer comodismo...

  27. Joice Postado em 30/Jun/2013 às 02:56

    Bom, meu parto foi uma cesaria. A doutora que me acompanhou do 6º mes em diante e fez meu parto foi excelente. Gostaria de ter feito natural mas as condiçoes fisicas nao permitam. Senti contraçoes mas nada absurdo, minha bolsa rompeu prematura (be pouquinho 34 semana), depois de rompida fiquei 24hrs "em trabalho de parto", tomando alguns medicamentos inclusive pra dor, Tive 2 dedos de dilataçaoo e acabei na cesaria. Minha pequena é muito saudavel. Mas quando olhei uma mulher q havia tido o filho de parto normal morri de inveja, ela estav otima e sem dor e eu com um corte gigante varias camadas de pele a da porra toda "custurada", por fora meu corte era lindo sem pontos maravilhoso. mas a recuparação é dolorida e bem desconfortavel e com mtas restriçoes. Acho valido parto natural sim. Se a mulher, depois de bem informada, assim quiser. Se não houver riscos pras partes. Pra mim cesaria é em ultimo caso. Mas ultimo caso não quando ja tentaram de tdas as formas fazer o bebe sair dai partem pra cesaria. A medicina hj é muito moderna, tudo pode ser previsto, analisado.... Meu deus, fiz uma porrada de exames, fui mto bem tratada. depois de tantos exames se a doutora nao soubesse o q acontece, se mata. |e SUS.... O q podemos falar? So coisas ruins... Não so em termos de partos em tudo.... Pq tudo q o homem (homem em termos de ser humano) coloca a mão da merda. cada um nasce como deve nascer... nao podemos comparar nossas vidas com as dos indios, nem a dos outros animais. Cada u vive, se alimenta, etc de uma forma. Achei lindo o texto.... Achei lindo a moça q teve o bebe com o marido ajudando... Muito forte ela.... Isso é pra poucos... Como faremos partos naturais com pessoas que nao vivem de forma natural?

  28. Joice Postado em 30/Jun/2013 às 03:04

    Mas concordo com muitos aqui que disseram que os profissionais da area da saude na maioria são uns ignorantes, brutos e grossos. A unica coisa q me desagradou foi chegar no ps do hospital onde nasceu minha pequena, com a bolsa rompida e ouvir da primeira enfermeira q me atendeu a seguinte frase " Vc tem certeza que rompeu a bolsa? Pq vc pode estar urinando e nao sabe." Mas como durante minha gravidez eu havia lido milhares de artigos sobre direitos e a porra toda e como sou implacavel com mal atendimento em qualquer comercio q seja (afinal maternidade hj é um otimo comercio p o hospital) perguntei a ela se ela me achava com cara de idiota ou retarda. Pronto resolvi o problema, logo apareceu outra enfermeira pra atender e fazer a triagem. O que falta, como sempre, é informação. Pq se vc estiver bem informada vc nao vai permitir q te tratem como um pedaço de carne rentavel..... Certo?

  29. Kahina Postado em 01/Jul/2013 às 19:09

    Sério que depois de um texto desses as pessoas estão se limitando a um embate "parto normal versus cesariana"? Acham que é só questão de dinheiro? Meus caros, a VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA vai muito além disso. O que se busca é que a mulher tenha informações IMPARCIAIS e seja plenamente RESPEITADA desde o pré-natal até depois do nascimento. Muitos aqui dizendo que a maioria das mulheres na verdade "quer" cesariana. Pois bem, que queiram! O que se busca é que toda mulher tenha o DIREITO de escolher de que forma quer ter seu parto, de acordo com suas ideologias, convicções e receios. E que ela possa escolher isso sem precisar passar pelo "terrorismo" de médicos que tentam sugestioná-la de acordo com suas próprias conveniências. O que se deseja é que tanto a mulher que escolheu parto fisiológico como a que escolheu cirurgia sejam tratadas da mesma forma... como SERES HUMANOS. Sem piadinhas, sem comentários grosseiros, sem repreensões insensíveis, sem constrangimentos. Sem que a gravidez seja tida como algo "errado", um "castigo pelo atrevimento de abrir as pernas". Sem precisar passar por procedimentos desnecessários e dolorosos contra a própria vontade. ESSA é a questão aqui. A opinião de cada um de nós sobre qual parto é melhor ou sobre copiar modelos estrangeiros é totalmente irrelevante. Novamente estamos desviando o foco da maior interessada, a MULHER (enquanto ser humano), para nos preocuparmos com picuinhas e debates sobre motivações econômicas...

  30. Cíntia Postado em 08/Aug/2013 às 23:21

    Meu filho nasceu prematuro, de uma cesariana de emergência pois eu entrei em pré-eclâmpsia. O obstetra - o mesmo que fez meu pré-natal (e acrescento que sim, foi em um hospital particular) me informou das possibilidades (tentar controlar minha pressão arterial ou realizar a cesariana) e eu decidi fazer a cesariana. Até aqui tive sorte. Ele mediu a dilatação e saiu da sala. Meu centro de gravidade estava deslocado por causa da barriga, eu estava assustada, e pedi ajuda da enfermeira para descer dali - e ela disse que não iria me ajudar. Simples assim. Acho que sim, tem uma coisa moral imiscuída aí. Parirás na dor resgata as mulheres do pecado do sexo. Quando o éter começou a ser usado para que as mulheres não sentissem dor (inclusive facilitando o uso de fórceps e salvando vidas de mães e bebês) houve uma reação de cidadãos preocupados com a moral e os bons costumes - a ideia era de que, sem o fantasma das dores do parto, as mulheres fariam mais sexo, e se tornariam incontroláveis - ou simplesmente que, se está na Bíblia, tem que ser obedecido. Até esse momento (era vitoriana), cerca de 25% das mulheres morria de parto. É uma estatística elevada. E as índias não são exceção, afinal, elas tem a mesma anatomia, correm os mesmos riscos. A gravidade ajuda - mas se a bacia da mãe for muito estreita, não tem gravidade que dê jeito. Na minha opinião a questão não é cesariana ou não cesariana (exceto nos casos de risco, aí tem que ser cesariana mesmo - eu, riponga, queria um parto natural...) mas de uma cultura de desrespeito à mulher que evidentemente tem que se manifestar no momento em que uma mulher cumpre seu "destino feminino", ter filhos. O que precisa ocorrer é uma mudança de mentalidade, e deve ser levada em varias frentes, não só da formação dos profissionais de saúde.

  31. cibele Postado em 22/Aug/2013 às 16:20

    Assistam o filme "O renascimento do Parto", sem reservas, pudores, pré-julgamentos e pré-concepções. Vão de coração e mente abertos para a mensagem impressionante desse filme, que vai muito além de uma crítica às "desnecesáreas" e muito além de uma apologia ao parto humanizado. Toda pessoa deveria assitir esse filme. Brasileiras e brasileiros, mexicanos, canadenses, holandeses, indígenas de todas as nações.Todos. Essa obra é uma lição de vida IMPERDÍVEL.

  32. Rosânia Postado em 11/Sep/2013 às 09:44

    Nossa só depois de ler essa reportagem pude entender como sofri violência nos meus partos. Sabe tive uma filha aos 15 anos e passei por toda violência que vocês podem imaginar, depois tive um filho aos 23 anos em um hospital particular e não foi em momento algum diferente do passei dando a luz a 1ª filha. Hoje tenho 44 anos e meus filhos são adultos ela tem 28 anos e ele tem 20 anos e podem ter certeza que não vou deixar que minha filha ou nora tenham meus netos com essa miserável forma desumana violenta..

  33. Livia Postado em 11/Oct/2013 às 00:27

    Cada um pode ter sua opinião, mas toda mulher tinha que ter o direito de escolher o que quer fazer, o que acha melhor e mais seguro, independente de ser cesárea ou parto normal. A luta é pelo direito da mulher ser dona do próprio corpo e não ser induzida através de uma prática puramente econômica, seja ela qual for.

  34. Amebarbosa Postado em 12/Oct/2013 às 08:39

    Muita coisa a se concordar e muita a se discordar, pelo fato de o autor, sm si, ser leigo. Discordo: A imagem mostra uma manobra médica, não uma violência. Manobra esta utilizada para ajudar no parto. Sobre estudantes tocarem pacientes. Se a gestante procura um hospital considerado escola, que apresenta estudantes do internato, tem que saber que receberão toques de , pelo menos, 2 profissionais. Os alunos estão ali para aprender, e é assim que se aprende. Ou alguém tem alguma opção melhor? Episiotomia é sim necessária em alguns casos para evitar a laceração, ou mesmo ajudar na saída do bebê. Bem como a anestesia. O médico não tem como avisar com antecedência certas coisas. As coisas vão acontecendk, e você tem que ir atuando. Claro, temos que orientar. Mas perguntar se pode não rola. Gestantes de baixo risco fazerem parto em casa? Ok. São baixo risco para doenças, mas e para circulares de cordão? E se evolui com circular? Faz cesárea na cozinha? Não são poucos os casos que entram no centro cirúrgico rapidamente para realizar cesárea de urgencia. Portanto diacordo plenamente do parto domiciliar. Haja visto a quantidade de morte de bebê nascido em casa na história. Concordo: Já vi muita obstetriz, muito go, dizendo que pra fazer não gritou. Não sou hipócrita ao dizer que eu mesmo fiquei chateado de ouvir. Mas não podia dizer nada. Concordo que o numero de cesareas é alto. Mas é como o próprio texto diz. Muitos são por opção da própria mulher. Mal sabem elas que o parto normal é muito melhor para a mulher. É isso. Espero que tenha ajudado no debate.

  35. samirah falcao Postado em 15/Oct/2013 às 13:49

    Esse e o brasil em que vivemos um brasil ipocrita mais que muitas mulheres choram e gemem de amargura e sofre com o despreso social,aonde os governos mais se preocupa com varios homens correndo atras de uma bola do que com milhares de mulheres em leitos de hospitais...se sou digna de falar issso sim pois faço parte dessa sociedade mais que tambem sou fruto da descriminaçao e do descaso social.

  36. Rosana Postado em 29/Nov/2013 às 13:41

    Passei por todas as violências relatadas no texto e lembrar do meu parto é muito, muito triste. Se eu tivesse o dinheiro para pagar por um parto humanizado aqui em Manaus, eu o teria feito. Mas o custo de um parto, em uma casa de partos especializada, chega ao dobro de uma cesárea. Quanto aos comentários de "Quer ter normal, vá para um hospital público", bem, existe uma grande diferença. Ter um parto natural, na companhia do seu parceiro, em um ambiente agradável, ou até em casa, cm a possibilidade de caminhar, se esticar, torna tudo suportável. Agora, sofrer em uma maca estreita, sem poder gozar da companhia de alguém que vc ame, pois, apesar de existir a lei do acompanhante, a verdadeira realidade dos hospitais públicos é que a entrada é proibida, ao lado de quinze mulheres na mesma situação, aí não é fácil mesmo.

  37. Eurides L M Cunha Postado em 31/Dec/2013 às 10:55

    Os médicos, as enfermeiras, enfermeiros e atendentes, nesse momento tão sublime e cuidados é que falta- lhes o preparo devido para o atendimento. Independente de ser mulher ou não as pessoas merecem respeito.

  38. Maria Luiza Postado em 03/Feb/2014 às 17:24

    As divergências de opinião devem sempre ser respeitadas. Me surpreende ler opiniões de mulheres que consideram outras menos evoluídas porque optaram pelo parto normal. É claro que num mundo contemporâneo com mulheres sedentárias, com alimentação não balanceada e que ao longo da gestação não quiseram, não puderam e, portanto não se ocuparam em se preparar para um parto normal soe tão retrógrada essa escolha. Discordo que seja porque eu mesma sofri violência obstétrica e hoje me preparo para vivenciar um parto normal. Sim, exige preparação física, emocional e intelectual. A realidade do SUS varia drasticamente de hospital para hospital, assim como no atendimento particular. Tenho amigas que receberam atendimento humano e profissional adequado no acompanhamento de partos normais e inclusive cesáreas, após indicação no desenvolvimento do trabalho de parto em hospital público. Acredito que hajam casos, por escolha da mulher e/ou por razão médica que a cesárea deva ser realizada. O direito de escolha da mulher é que deve ser priorizado. E a ela conservado o direito a ser questionada, informada e respeitada em todo o processo de nascimento, seja ele normal ou cesárea. Pra mim trata-se toda a defesa do empoderamento, não a defesa cega do parto normal a todo custo e com violência, mas sim do que é imprescindível ser respeitado, o direito da mulher. O direito de decidir sobre si, seu corpo e o filho que carrega. Sem ser diminuída, ridicularizada ou infantilizada. No decorrer do parto a mulher não deve ser subjulgada, afinal ela só chegou ali por ser a protagonista, capaz de ter gerado um filho no seu ventre.

  39. Cristina Postado em 04/Feb/2014 às 11:22

    Eu moro em São Paulo, entendo exatamente sobre o texto, pois minha primeira filha, que hoje tem 18 anos, foi de parto normal. Eu tinha tanto medo, que uma vez estava na consulta pré-natal, que na época foi precária, que chegou uma moça em trabalho de parto, eu fiquei apavorada. Quando chegou meu dia, eu sentia dor, mas não dava um pio, porque tinha medo de me deixarem sofrendo de dor, quando dei a luz, a minha episiorrafia, foi feita a sangue frio sem anestesia. Mas com tudo isso ainda queria ter minha segunda filha de parto normal, só não tive devido a complicações. Hoje, ainda tem muito para ser feito, mas o acompanhamento pré-natal, melhorou muito, existem protocolos, que em sua grande maioria são seguidos a risca.

  40. Maruzete Santos Mendes Postado em 21/May/2014 às 14:38

    Dia 19/09/1999 , depois de fazer o pré natal no hospital Presidente Vargas , por ter uma gestação de alto risco , no momento de muito medo e insegurança , pelos atendimentos eu resolvi ter meu Bebe na Sta Casa , e fui,meu 4º filha , traumatizei ,depois de chegar e me faerem exame de toque me mandaram caminhar no patio do hps,caminhei nem sei quantas horas , e muita dor,meu marido me amparava,exames ,dor ,caminhar ,muitas vezes repetindo isso , até que rompeu a bolça e eu estava no patio,já madrugada, meu marido correu e me levou pra dentro da sala de espera , ali exposta tda molhada,eu sentia a bebe nacendo,me colocaram em uma cadeira de rodas e ainda subindo no elevador a atendente gritava segura,segura,não pode nascer,meu Deus como impedi de nacer meu Bebe,me levaram quando deitei na maca nasceu,atendida por residentes sem experiencia ,não sei como as atendentes perderam a placenta que ficou em mim,retiraram só um pq pedaço, e tive alta,20 dias depois um febrão,40graus,subindo , voltei para Sta Casa em Porto Alegre , la me diagnosticaram cancer , me tocaram para o Sta Rita (complexo da Sta Casa) meu BEBE com 20 dias em casa,sofri até descobrirem que nada mais era que a placenta que apodreceu dentro de mim ,resumindo , tomei medicamentos como Zinarte entre outros,sai sem diagnostico e muirtas pessoas me falavam que eu deveria ter processado a Sta casa ,mas eu não o fiz , tive depressão ,medo do meu Bebe , superei sózinha,mas jamais teria um filho pela rede publica novamente , hoje ela tem 14 anos,eu ainda tenho momentos de terror mental quando me falaram que eu estava com cancer.

  41. Deusi Postado em 02/Jun/2014 às 19:41

    Seeeee falar que eu não gritei na hora de fazer eu vou gritar beeeeeeeem altooooo "GRITEEEI SIIIIIIIIIM...E VOU GRITAR DE NOVOOOO"... kk..... É um absurdo !!!!!!!!! Eles conseguem transformar o melhor momento da vida de alguém em algo traumático !!!

  42. Isabel Vilar Postado em 31/Dec/2013 às 00:51

    Porque há um senso comum de que as mulheres podem ser maltratadas, principalmente em maternidades públicas” acredita. E dá alguns exemplos: “Duas profissionais relataram, uma médica e uma enfermeira, que um colega na hora de fazer um exame de toque em uma paciente, fazia brincadeiras como ‘duvido que você reclame do seu marido’ e ‘Não está gostoso?” Acredito piamente que se a pessoa se mostrar desconfortável e o disser, os profissionais pararão de ter essas brincadeiras. A hipocrisia também é um traço indesejável. Não vejo como pode ser um tipo de violência, se tanto é um bocado estúpido, dependendo do sentido de humor, mas se até um descolamento da membrana se dá a entender que seria desnecessariamente doloroso... Não sei, custa-me encaixar.