Luis Soares
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Racismo não 21/Mar/2013 às 13:09
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Professor chama aluno de 'macaco' em escola da UFMG

Professor chama estudante de macaco dentro de sala no Centro Pedagógico da UFMG. A Universidade abriu um processo administrativo para apurar o caso. De acordo com diretora, professor assumiu que chamou o menino de macaco, mas não em tom racista

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) abriu processo administrativo nesta quarta-feira (20) para apurar denúncia de racismo feita por uma mãe de aluno do Centro Pedagógico da Escola de Educação e Profissionalização, unidade especial de ensino fundamental da universidade, que funciona no Campus Pampulha, em Belo Horizonte.

O estudante negro de 14 anos foi chamado de “macaco” pelo professor de português, de 49 anos, cujo nome não foi divulgado, ao término da aula na segunda-feira (18).

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Diretora Tânia Lima Costa afirmou que um processo administrativo

Segundo a diretora do Centro Pedagógico, Tânia Lima Costa, nesse dia, o professor passou para os alunos o filme “À Procura da Felicidade” (2006). Após a transmissão, como o aluno “brincava” e “conversava” em sala de aula, o professor o chamou de “macaco”.

“Conversei com todos os envolvidos, o aluno, o professor, o monitor, os pais do estudante e os outros alunos. O professor confirmou o fato, mas diz que não quis ofender. Para ele, sua fala foi tirada de contexto. O aluno, por sua vez, se sentiu ofendido e reclamou para os pais. É uma situação nova, que nunca experimentamos. Assim, a UFMG optou por abrir o processo administrativo para que o caso seja melhor avaliado”, afirmou a diretora, professora há 30 anos na escola.

Segundo a diretora, o professor pode sofrer uma advertência verbal ou mesmo ser expulso dos quadros da UFMG. A comissão que vai avaliar o fato, formada por três professores da universidade, tem 60 dias para investigar os fatos e emitir seu parecer.

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A mãe do aluno afirmou que vai registrar um Boletim de Ocorrência na Polícia Militar. “O meu filho está muito chateado. Eu não sei o que vai ser daqui pra frente. Acho que ele [professor] é que precisa voltar para a escola. Vou mandar um e-mail para a universidade que ele vai ser transferido. Acho que tenho que alertar”.

O professor é doutor em linguística, leciona há 20 anos no Centro Pedagógico e trata-se da primeira questão administrativa que enfrenta na UFMG, explica a diretora.

Polêmica na faculdade de direito

Um outro caso de racismo ganhou repercussão nacional nessa semana na Faculdade de Direito da UFMG. Fotos de um trote polêmico realizado por veteranos do curso foram divulgadas em um perfil no Facebook e mostram uma estudante com o corpo pintado com tinta preta, acorrentada e puxada por um universitário “veterano”. A menina ostenta uma placa com os dizeres “caloura Chica da Silva”, em referência à famosa escrava que viveu em Diamantina no século 18, liberta após se envolver com um contratador de diamantes.

Em outra imagem, um calouro está amarrado a uma pilastra enquanto outros três estudantes fazem uma saudação nazista. Um deles pintou um bigode semelhante ao do ditador alemão Adolf Hitler.

Centro pedagógico

Com 68 anos de existência. O Centro Pedagógico é um “laboratório” para os professores que se formam na UFMG. São somente duas turmas de 50 alunos em cada período, da 1° ao 9° ano do ensino fundamental. A escola funciona em período integral e os alunos são acompanhados, em cada disciplina, por um professor e um monitor, da Faculdade de Educação da UFMG. A seleção dos alunos, a maioria com renda familiar per capita inferior a um salário mínimo, é feita por sorteio.

Agências, e Estado de Minas

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Comentários

  1. Alex Postado em 21/Mar/2013 às 16:36

    A mãe deveria procurar um defensor público na Defensoria Pública da União e processar a universidade pra pedir reparação por danos morais. Tb pode processar o professor criminalmente por injúria.

  2. Cristiano Postado em 21/Mar/2013 às 21:39

    Não que minha opinião faça diferença, eu não estava lá, não sei quem é o professor ou nem mesmo o aluno e absolutamente não me importo com nenhum dos dois. Entretanto, acredito que o "Macaco" tenha vindo da ideia do aluno ficar fazendo baderna na aula, ou seja, macaquices, nos dias de hoje poucos são estúpidos a ponto de soltar ao vivo algum insulto racista, não é que as pessoas não sejam mais racistas, eles existem, porém o medo das consequências fazem com que eles não demonstrem isso em público, exceto claro, pelas pessoas mais estúpidas, coisa que um professor da língua portuguesa dificilmente é, existem exceções, mas não acredito que seja um desses casos.

    • Mira Postado em 23/Sep/2014 às 19:30

      claro que não foi racismo, vivemos numa democracia racial...

  3. Thiago Postado em 22/Mar/2013 às 16:37

    Tudo a ver com lingua portuguesa esse filme. Excelente aula professor. E tem mais, se o moleque estava zuando na sala de aula merece ser advertido, mas as palavras foram infelizes.

  4. Zeca Postado em 22/Mar/2013 às 23:06

    Isso mesmo, não pode deixar passar batido, quem sofrer ato de racismo não pode se calar mesmo não.

  5. Michelle Postado em 25/Mar/2013 às 14:47

    As pessoas tiram uma frase e querem analisar, como aprendi no curso de Letras da UFMG, tem que se analizar o contexto! Estão crucificando o professor sem olhar as questões que o envolve!

  6. marco Postado em 26/Mar/2013 às 17:43

    Mais um professor que ganhará medalha de honra ao mérito do Feliciano!

  7. Marcio Postado em 11/Apr/2013 às 18:18

    - Esse professor é um idiota, fala o que quer. Agora tem que ouvir (Ou ler) o que não quer. Marco Feliciano não tem nada com isso. A sua acusação até agora é contra os homossexuais. Toleremos

  8. Juliana Postado em 08/May/2013 às 18:01

    Como se macaco não fosse por si só racista

  9. Carlos Postado em 27/May/2013 às 22:19

    é um macaco por fazer macaquices em aula e não pela sua cor

  10. eve Postado em 30/May/2013 às 01:55

    Concordo com Carlos, sou branca , uma professora me chamou de macaquinha, pq estava conversando em sala. Não vi nada demais! X

    • Mira Postado em 23/Sep/2014 às 19:33

      será que é pq vc é branca, assim como seus antepassados nunca foi acorrentada, estuprada, submetida a humilhações e a trabalho forçado pq a ciência te acusava de ser inferior aos brancos e com capacidade intelectual limitada, assim como a de um macaco? será???