Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 28/Feb/2013 às 21:59
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O Facebook tem algum problema com as mulheres?

Facebook garante que não dá espaço para discurso odioso ou para conteúdos que sejam ameaçadores ou incitem à violência. Então por que imagens que parecem glorificar o estupro e a violência doméstica continuam aparecendo?

Por Laura Bates, The Guardian

Será que o Facebook tem algum problema com as mulheres? A pergunta é feita desde 2011, quando Eve Ensler e a revista “Ms” chamaram a atenção para o fracasso dessa rede social em retirar imagens misóginas que pareciam glorificar o estupro e a violência doméstica.

Aí a questão foi retomada semanas atrás, quando usuários usaram o Twitter para manifestar sua raiva contra a recusa do Facebook em remover imagens que tentavam fazer piada com o estupro. Duas em particular circularam amplamente. Uma mostrava uma mulher amarrada e amordaçada em um sofá, com uma legenda que dizia: “Não é estupro. Se ela realmente não quisesse, teria dito alguma coisa”. A segunda mostrava uma camisinha, sob as palavras “Plano A”; uma pílula anticoncepcional de emergência, o “Plano B”, e aí vinha o “Plano C”, um homem empurrando escada abaixo uma mulher de rosto ensanguentado.

facebook mulheres

Facebook fracassa em retirar imagens que incitem a violência.

Os “padrões da comunidade” do site declaram que “o Facebook não permite discurso de ódio, mas faz distinção entre um discurso sério e um discurso de humor”. O que não fica claro, apesar de várias campanhas de grande repercussão e de uma petição do Change.org que angariou mais de 200 mil assinaturas, é como o site estabelece tal distinção. Nos últimos anos, mulheres dizem ter sido banidas do site e viram suas páginas serem removidas por postarem imagens de cupcakes glaceados como lábios vaginais, fotos de mães amamentando e retratos de mulheres após mastectomias.

Mas as imagens que atualmente aparecem no site incluem uma piada sobre o estupro de uma criança deficiente, uma piada sobre sexo com uma menor de idade e imagens e mais imagens de mulheres agredidas, ensanguentadas e de olhos roxos, em “piadas” explícitas sobre violência doméstica.

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Há incontáveis grupos com nomes como “Algumas vadias precisam ter suas gargantas cortadas”, ou “Não é ‘estupro’ se elas estão mortas, e se elas estão vivas é sexo-surpresa”. Uma das piores imagens que encontrei numa breve busca mostra a carne de uma mulher com as palavras “papai me f… e eu adorei” entalhadas em ferimentos recém-abertos.

Um porta-voz do Facebook insistiu: “Não há lugar no Facebook para discurso de ódio ou conteúdo que seja ameaçador ou incite à violência”.

Jules Hillier, diretora-executiva de políticas e comunicações da ONG Brook, voltada para a saúde sexual juvenil, diz que “as mídias sociais podem ser brilhantes, dando às moças e rapazes um espaço para o debate e a discussão, e dando a organizações como a nossa uma rota para oferecer informações e conselhos. Mas é uma faca de dois gumes. Eu só queria que os fatos e o apoio circulassem com metade da rapidez dos mitos, da desinformação, do bullying e do abuso, coisas para as quais as mídias sociais também abrem oportunidades”.

Quando contatei o Facebook atrás de um comentário sobre duas imagens que circulam no Twitter, a página toda (charmosamente batizada de “Magoou? Tá bom. CAI FORA, PORRA”) já havia sido tirada do ar quando eles me retornaram a ligação. Um porta-voz disse que isso não tinha ocorrido porque as imagens violassem os termos, mas porque o administrador havia deixado de associar publicamente seu perfil à página. Não consigo encontrar nenhuma menção a tal exigência nos “padrões da comunidade” do Facebook, e, seja como for, dificilmente isso mitiga a publicação desse tipo de material.

Quando perguntei se as imagens dos cupcakes proibidos haviam sido retiradas por erro de um scanner automatizado, o porta-voz disse que isso era improvável. Então foi uma decisão humana proibir a imagem daquele cupcake. Assim como é uma decisão humana permitir que páginas como “Teen SLUT pics” (“fotos de adolescentes VADIAS”) continuem publicando imagens de garotas de aspecto muito jovem, sem provas de que elas tenham dado consentimento para o uso das suas fotos.

“Levamos muito a sério os relatos sobre conteúdo questionável e ofensivo”, disse o porta-voz do Facebook. “No entanto, também queremos que o Facebook seja um lugar onde as pessoas possam discutir questões abertamente e expressar suas opiniões, sempre respeitando os direitos e sentimentos dos outros. Grupos ou páginas que expressem uma opinião sobre um Estado, instituição ou conjunto de crenças – mesmo que essa opinião seja ultrajante ou ofensiva para alguns – não violam por si sós nossas políticas.”

Há um argumento comum de que essas páginas são “inofensivas”, e que quem não gosta delas pode simplesmente não olhá-las. Mas alguém que tenha um amigo que “curta” uma dessas imagens pode encontrá-las pulando sem aviso prévio na sua timeline. Cada imagem normaliza a violência de gênero, passando às vítimas e perpetradores a mensagem de que na nossa cultura isso não é levado a sério.

A escritora feminista Soraya Chemaly afirmou: “Afinal, não se trata de censura. Trata-se de optar por definir o que é aceitável. O Facebook claramente aceita representações de algumas formas de violência, especialmente a violência contra as mulheres, como sendo qualitativamente diferentes de outras”.

O porta-voz do Facebook disse: “Não é tarefa do Facebook definir o que é aceitável. Trabalhamos muito para poupar nossos usuários de danos diretos, mas, no final das contas, a censura não é a solução para o mau comportamento on-line ou para crenças ofensivas. Ter a liberdade de debater questões sérias como essa é a forma pela qual combatemos o preconceito”.

Para quem acredita que não há relação entre o tratamento e a percepção das mulheres no mundo real e as normas culturais promovidas pela mais usada rede social do planeta, eis uma seleção de comentários. Alguns são dessas páginas “inofensivas” do Facebook. Outros são de experiências de mulheres reais, relatadas ao projeto Sexismo Cotidiano. E alguns são exemplos dos abusos que sofri, como uma mulher ousando escrever sobre as mulheres on-line:

“Você tem a opção de transar, eu tenho a opção de estuprá-la.”

“Se você não parar de cagar para mim, vou pagar quatro amigos meus para estuprarem você.”

“Vai lá, chama a polícia – eles não podem desestuprar você.”

“A única razão pela qual vocês foram colocadas neste planeta é para podermos foder vocês. Morra, por favor.”

Você consegue dizer a diferença?

Tradução: Rodrigo Leite

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Comentários

  1. Paulo Nagyidai Postado em 01/Mar/2013 às 07:51

    Acho difícil excluir babacas e criminosos do face ou qualquer outra rede social. Afinal eles conseguem embutir suas ofensas e atrocidades mesmo em imagens inocentes, já vi o caso de um pai ou mãe, que postou uma foto de sua filha, foto de família, roupas normais, nem a desculpa abjeta de que ela estaria "sensualizando" poderia se aplicar. A menina teria uns 13 ou 14 anos, e algum bandido posta um comentário do tipo: "gostosinha hein sogrão!". Esse é um tipo de comportamento que tem que ser eliminado pelos usuários sãos, bloqueando, excluindo sei lá. Mas existem perfis e páginas que são explícitas nesse sentido, incitação à violência é crime e o facebook pode e deve ser punido legalmente se permitir a manutenção desses perfis.

  2. Lourdes maria Postado em 02/Mar/2013 às 15:41

    bom,não sei o que dizer porque tenhoa impresão que é apropria vulgaridade feminina que tem alimentado tal ódio.Li no blog da tal LOla um post alegando que é moralismno censurar fotos de mulheres nuas e as da passetadas das vadias..bem,se nós mulheres achamos normal termos nossa imagem de mercadoria sexual( e lutamos para sermos chamadas de vadias),por que reclamamos quando os homens nos tratam como uma?As proprias feministas exaltam a reitificação feminina,ainda mais quando é feita pelas proprias mulheres,não reagiram contra auqele promoção de cultura do estupor chamada "50 tons de cinza",francamente,o que poderíamos esperar??Quem transformou etes comportamentos bizarros em "liberdade de expressão" fomos nós mulheres,chega de hipocrisia!

  3. Marlus Romero Postado em 04/Mar/2013 às 21:59

    O Facebook se preocupa com o que é rentável pra eles. Só isso. Se, de alguma forma, conteúdos que seriam impróprios gerarem receita, está valendo.

  4. Isabelle Postado em 14/Mar/2013 às 09:37

    Existe uma página no facebook que eu me recuso a citar o nome para não ajudar a divulgar trogloditas mentecaptos, em que eles se referem a mulheres da maneira mais depreciativa e desumana possível. É só isso que tem lá: piadas e textos grosseiros chamando mulheres de promíscuas, indignas e interesseiras. O Facebook já recebeu centenas de denúncias e os organizadores parecem não terem sido sequer incomodados. Se ao invés de mulheres, falassem de judeus da mesma forma, teria sido o maior escândalo e a página estaria fora do ar com certeza.

  5. Alexsandro Postado em 27/Apr/2013 às 02:08

    O pessoal que rege a rede social, não faz minima questão de distinguir o que o aceitável ou não aceitável, pelo menos é essa impressão que dá. Qual tipo de discernimento eles tem, pra dizer o que é certo ou errado, o conveniente ou inconveniente e. Eles negligencia os pedidos das pessoas, que se sentem ofendido com tal conteúdo. Falta bom senso da parte dos diretores do Facebook. Eu Ojerizo qualquer forma de ofensa a mulher. Aqui fica o meu manifesto de repúdio sobre isso. Nada de machismo. Vivemos num país que a cada dia, aumenta os índices de violência contra a mulher e, Essas páginas misóginas, devem ser banidas ou no minimo, serem melhores monitorados.

  6. Amaral Postado em 19/May/2013 às 11:28

    Cultura abrâamica, meus caros. Onde que na história dessa cultura, as mulheres já foram devidamente valorizadas?! Leiam os "livros sagrados" dessa cultura para confirmarem o "óbvio", na visão deles: "mulher é inferior ao homem e deve ser submissa". E MZ, CEO do Facebook é de qual cultura?! Quem aí já leu a bio não autorizada dele (mas que ele não se opôs)? Ele foi o primeiro a esculachar a ex-namorada ("que não quis ser submissa") nessa rede social. PS.: Evidente que existem exceções, nessa cultura, mas são exceções, mesmo.

  7. Sonia Frei Postado em 27/May/2013 às 09:12

    Bom dia a todos! Eu não tenho muita certeza se uma rede social qualquer pode ser responsabilizada pelas coisas que eu tenho na minha cabeça. Se eu sou homofóbica, racista, misógina, extrema direita, extrema esquerda, estrupadora, assassina, raptora, o que a rede social tem com isso? Acho que, se tal página do facebook está contra meus princípios, eu devo banir aquele sujeito que postou na minha página. Aliás, só entra na minha página quem eu quero, não é assim? Eu tenho uma página no facebook e, lembro-me de ter colocado, nas ferramentas que, tudo o que eu postasse seria público. E que, somente pessoas das minhas relações, é que poderiam postar coisas na minha página. Até digo que, eu só soube destas "piadas do estrupo" através de notícias que li. Em minha página, nunca entraram coisa horríveis deste tipo! E, se entrarem, vou nas ferramentas e, bloqueio, proíbo, impeço, por todos os meios que eu tiver, desse sujeito postar de novo, em minha página. Claro está que, eu entraria em contato com o administrador do face. Se não conseguisse que eles tomassem uma atitude, então, encerraria a página. Obviamente, processaria o face, sim, se eu tivesse condição financeira. Como não tenho, ficaria como está. Mas, minha página seria encerrada! Sonia Frei, clarinetista

  8. Kahina Postado em 30/Jun/2013 às 14:08

    Sonia, esse não é a questão. O problema não é "não querer ver tais imagens", mas sim ter noção do tipo de mensagem que está sendo transmitida como se fosse normal e aceitável rir de mulheres agredidas ou violentadas. É esse tipo de coisa que deixa a sociedade (já machista) ainda mais insensível ao sofrimento feminino. Devemos sempre ter em mente que qualquer mensagem que transmitimos na Internet possui, sim, impacto sobre alguém. Imagine o tanto de crianças, adolescentes... tendo acesso a esse tipo de "humor" e o tomando como algo sem importância. Fechar os nossos olhos a esse tipo de mensagem não vai impedi-las de causarem danos. E esses danos são muito - MUITO - mais graves do que os causados pela foto de uma mulher amamentando ou de uma mulher pós-mastectomia. Não feche seus olhos, Sonia! Não se omita!

  9. Cristiane Postado em 16/Jul/2013 às 16:27

    Ninguém é inocente e já tive alguns amigos suspensos por bobeira sendo que allguns expressaram suas opiniões políticas... O engraçado é que comunidades nazistas (logicamente racistas, homofóbicas, sexistas e violentas) espalham memes livremente um pós outro.