Luis Soares
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Direita 13/Dec/2012 às 19:23
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"No Brasil, capitalismo tem nome e sobrenome"

Quem são as famílias? Quem são as pessoas? Estudo aponta quais os principais grupos econômicos que concentram o poder no Brasil

Em levantamento inédito, o Instituto Mais Democracia (IMD) revelou na pesquisa “Quem são os proprietários do Brasil?” os grupos econômicos que são recordistas em concentração de poder no país. O estudo identifica todas as empresas que se articulam com as grandes corporações brasileiras: Vale, Gerdau, Votarantim, JBS, Grupo Ultra, entre outras. Além disso, um ranking explicita nomes e sobrenomes dos proprietários finais dessa intricada rede de poder empresarial.

concentração renda brasil

Capitalismo tem nome e sobrenome no Brasil.

Ao mesmo tempo, o instituto mostra que essas empresas recebem dinheiro público de estatais brasileiras sem a necessária transparência e controle social. A pesquisa completa será divulgada no próximo dia 12 de dezembro.

“Quem são as famílias? Quem são as pessoas? Normalmente se diz que o capitalismo não tem rosto, não tem nome. Pelo contrário, na maioria dos casos tem nome, sobrenome e endereço. São pessoas que se beneficiam de toda essa estrutura vigente e inclusive de todo o recurso público que é carreado através das estatais e do financiamento público”, explicou um dos coordenadores da pesquisa, o cientista político e professor universitário João Roberto Lopes Pinto.

Diferentemente de outros rankings divulgados pelo jornal Valor Econômico e revista Exame, o foco do Mais Democracia não é mostrar os maiores faturamentos, mas analisar a estrutura de poder por trás das empresas que se articulam com esses grandes grupos. “Com outra perspectiva, o ranking da concentração de poder econômico é um paralelo a esses rankings convencionais, é um ‘contra-ranking’. A primeira diferença é que vamos explicitar, renomear e colocar novos nomes no debate público com base no Índice de Poder Acumulado (IPA). E todas as empresas que estão no topo do ranking são irrigadas pelo dinheiro público”, explicou Pinto.

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Geralmente difusas e de difícil acesso, as informações analisadas pelos pesquisadores constam em uma base de dados que está sendo construída por uma cooperativa de jovens desenvolvedores, a Eita – Educação, Informação e Tecnologia para a Autogestão. O ranking está sendo elaborado com base nos dados de 400 empresas de sociedade de capital aberto que foram fornecidas para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado acionário brasileiro. Além disso, informações disponíveis nas bases de dados Economática e Econoinfo também serão incorporadas. Dessas 400 empresas iniciais, os pesquisadores já estão monitorando mais de 5 mil empresas que atuam no interior delas. O instituto tem como referência uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Zurich que realiza o cruzamento do faturamento líquido dessas empresas com dados sobre a participação acionária dos proprietários.

O pesquisador revelou algumas empresas que controlam alguns grupos econômicos brasileiros, cujos nomes não costumam ser divulgados. “Não é Odebrecht é Kieppe, não é Vale é Bradesco e Previ, não é JBS é FB Participações, que também controla a Vigor Foods, empresa que controla todo o setor lácteo no Brasil, não é Camargo Corrêa é a Morro Vermelho”, antecipou Pinto. O pesquisador também revelou que no ranking dos maiores proprietários, ao lado do homem mais rico do Brasil, o empresário Eike Batista, está uma das controladoras da Camargo Corrêa, a empresária Dirce Navarro Camargo, com patrimônio de 13,1 bilhões de dólares.

O instituto costuma utilizar o caso da Odebrecht para mostrar o emaranhado de articulações empresariais que compõem os grandes grupos econômicos no modelo capitalista contemporâneo. “A Braskem e a construtora Odebrecht são controladas pela Odebrecht Participações, que por sua vez é controlada pela Odebrecht Sociedade Anônima, que por sua vez é controlada pela Odebrecht Investimento, que por sua vez é controlada Kieppe Participações, depois Kieppe Patrimonial. Ou seja, Kieppe Patrimonial é o nome da Odebrecht e por trás da Kieppe está a família Odebrechet”, explicou João Roberto.

Participação

“O enfrentamento das corporações é um debate necessário, isto está no limite da democracia contemporânea. Com este grau de concentração, não se pode mais tratar essas empresas como se fossem atores individuais. São atores complexos que envolvem atores públicos. E essa rede complexa ninguém conhece ou discute”, afirmou o cientista político.

Em 2013, o Instituto Mais Democracia pretende cruzar o ranking dos proprietários com os dados oficiais sobre financiamento de campanha das últimas eleições. A ideia é analisar o retorno que essas empresas têm com a eleição dos políticos. Além disso, uma plataforma colaborativa com todas as informações utilizadas pelos pesquisadores serão disponibilizadas para a sociedade.

Brasil de Fato

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 14/Dec/2012 às 10:19

    Excelente Matéria.

  2. Fonseca Postado em 14/Dec/2012 às 10:36

    Excelente também. Essa ideia de Estado mínimo é para os desavisados. Na prática, o mercado liberal serviu para tirar do Estado o controle sobre o dinheiro público que é lavado e transformado em dinheiro privado por meio de empréstimos com juros negativos. Ou seja, tomo emprestado e amanhã não te devo nada, nem você vai receber nada. Essa é a maravilha criada pelo capitalismo dos juros reais negativos. Ou você consome hoje, ou você não vai ver mais seu dinheiro de volta. Não é o objetivo incentivar o consumismo, mas nas mãos de quem vai parar a poupança do povo?

    • Ingrid Postado em 14/Dec/2012 às 10:54

      Fonseca, perfeito!

  3. João Postado em 14/Dec/2012 às 19:33

    São todas financiadas pelo governo que esse blog tanto defende. Num Estado Mínimo não haveria esse tipo de economia fascista. Leia Hayek.

  4. Rivaldo Postado em 15/Dec/2012 às 11:44

    Friedrich Hayek (No livro, o caminho da servidão) defendia o Estado mínimo de recursos sociais para os pobres e o máximo de benefícios para a grande burguesia. Essa é a logica que está atrás do pensamento neoliberal.

  5. João Carlos Postado em 26/Feb/2013 às 07:07

    "Essa ideia de Estado mínimo é para os desavisados." Lembrando que APENAS ESTADOS INCHADOS, COM MUITO PODER E CORRUPTO INTRINSECAMENTE são capazes de articular uma rede de apoio do setor privado, tal qual é demonstrado pela matéria original. Na prática, o mercado liberal serviu para tirar do Estado o controle sobre o dinheiro público que é lavado e transformado em dinheiro privado por meio de empréstimos com juros negativos. Errado, o mercado liberal gerou capital o suficiente para alavancar obras públicas (superfaturadas ou não), aumentar astronomicamente a receita com impostos (mesmo com a vista grossa para os grandes sonegadores), e os juros negativos são a base do lastro econômico de TODOS os governos atuais (inclusive a China 'comunista', o maior especulador do mundo). Ou seja, tomo emprestado e amanhã não te devo nada, nem você vai receber nada. Essa é a maravilha criada pelo capitalismo dos juros reais negativos. Ou você consome hoje, ou você não vai ver mais seu dinheiro de volta. Não é o objetivo incentivar o consumismo, mas nas mãos de quem vai parar a poupança do povo? E aí é o problema - a poupança do povo é vilipendiada tanto pelo medonho 'mercado livre' (que não o é), como pelo governo, seja ele mínimo (como em alguns países europeus), seja pelo máximo (como no Brasil). Normalmente pensam que o estado mínimo é a causa para um capitalismo selvagem; na verdade, o estado mínimo pode vir a ser consequência, mas nunca causa. Somente um estado forte (como eram todos os estados pré-industriais europeus, e mesmo o ianque) é capaz de gerar um sistema de trocas de serviços e bens que se perpetra com uma fachada de mercado liberal, quando na verdade, longe de uma meritocracia, só sobrevivem as empresas que eficientemente acordam, conchavam e lucram com tanto a conivência, quanto a ingerência direta do estado. Em tempo - no Brasil, façam uma pesquisa de senadores/deputados/ministros DIRETAMENTE ligados às empresas citadas, e os INDIRETAMENTE ligados à estas mesmas empresas.

  6. Karen Sá Postado em 27/Feb/2013 às 17:17

    Quando será disponibilizada? Onde?

  7. Gustavo Postado em 27/Feb/2013 às 19:19

    na verdade o que importa mesmo é se estes empresário pagam todos seus impostos em dias e geram riquesa para a sociedade, o resto é liberdade para ser feliz. o empeendedorismo só progride com a capitalismo e o lucro, e gera empregos e impostos a sociedade.o resto é conversa de marxista utópico .

  8. LUIZ Postado em 02/Mar/2013 às 10:19

    Ainda que difusas as informações das empresas sao bem mais fáceis de se obter que as relativas aos governos. No site da Odebrecht as informações estao quase todas disponíveis. Agora, tente achar algo parecido no site do Senado ou da Camara ou da presidência.

  9. Marcelo Pereira Postado em 11/Apr/2013 às 19:17

    Gustavo, gera empregos pagando salário de fome, não é? Capitalismo é sempre ruim porque ele prega a felicidade da minoria. Afinal, é necessário que uma única pessoa, como qualquer empresário, ganhe só para si, um PIB de um país inteiro? Tenha consciencia!

  10. Adalberto F. de Sousa Postado em 12/Jun/2013 às 16:32

    Aliás, em cada estado há um sobrenome para o capitalismo, diga-se mandantes; aqui no Ceará o sobrenome da vez atende por Gomes, Ciro e Cid, donos de 3 canais de tv e rádio e outros que não sabemos.

  11. MARIA DE LOURDES CARDOSO Postado em 11/Jul/2013 às 15:50

    Caro Gustavo diante da situção em que se encontra o país, perante o texto em questão, ninguém com um pouquinho de estudo se leu a matéria e sabe muito pouco de capitalismo, mesmo assim entendem que estes donos do capital não geram riquesas para a sociedade. Angariam um aqui outro acolá aqueles que os beneficiam e eles também saem beneficiados. Quem estudou um pouquinho sobre esta questão aprendeu que eles são sustentados pelo povo. Exploram seus empregados desde que o mundo é mundo, exatamente porque eles se encontram numa sociedade de pessoas que lutam por um emprego, onde o governo não devolve ao cidadão as necessidades básicas para o seu bem estar e ainda arrancam os olhos do povo com imposto acima do que o cidadão tem condições de pagar. Eles são mestres em cálculos de como fazer o capital crescer. Leia em http://mexendocomlivros.blogspot.com - El capital de Carl Marx.

  12. FAGNER Postado em 28/Jul/2013 às 12:15

    Somos escravo modernos, na atualidade recebemos míseros salários, enquanto o donos do poder lucram cada vez mais com dinheiro publico. O mínimo que deveria ser feito nesse mundo cão, seria repartir uma parte dos lucros das empresas com seus funcionários.