Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Direita 21/Dec/2012 às 17:06
10
Comentários

Marco Antonio Villa, o professor aloprado

O Professor Aloprado: a triunfal ascensão à base de asneiras de Marco Antônio Villa

*Paulo Nogueira, em seu sítio

Não tenho grandes expectativas em relação à academia brasileira, mas mesmo assim me surpreendi ao ler um artigo sem nexo na Folha, nas eleições de 2010, e ver que o autor era professor da Universidade Federal de São Carlos.

Pobres alunos, na hora pensei.

Marco Antônio Villa revista veja

Marco Antônio Villa (Foto: Reprodução)

Não conhecia o professor Marco Antonio Villa (foto), historiador não sei de que obras. No artigo, depois de ter entrado na mente de Lula, ele contava aos brasileiros que a escolha de Dilma se dera apenas para que em 2014 Lula voltasse ao poder, nos braços da “oligarquia financeira”. Villa, com as asas de suas teorias conspiratórias, voara até 2014 para prestar um serviço à Folha e seus leitores.

Não sei se Villa conhece a história inglesa, mas deveria ler uma frase de Wellington, o general de Waterloo: “Quem acredita nisso, acredita em tudo”.

Minha surpresa não pararia ali. Saberia depois que, graças a seu direitismo estridente e embalado numa prosa com as vírgulas no lugar, Villa virou presença frequente em programas de televisão cujo objetivo era ajudar Serra, notadamente na Globonews sob William Waack.

Mais recentemente, ele tem participado de animadas mesas redondas no site da Veja sobre o Mensalão. Vá ao YouTube e veja quantas pessoas vêem as espetaculares discussões de que Villa participa ao lado de Augusto Nunes e Reinaldo Azevedo. O recorde de Psy pode ser batido antes do que imaginamos.

Leia também

Soube também que ele lançou um livro sobre o Mensalão. Abominei sem ler. Zero estrela de um a cinco.

Minha única surpresa em relação a Villa derivou de uma chancela importante de Elio Gaspari, um dos melhores jornalistas que vi em ação como diretor adjunto da Veja nos anos 1980. Ele fez parte da equipe de Elio na elaboração de seu livro “A Ditadura Derrotada”.

Villa, conta Elio, “conferiu cada citação de livro ou documento. Foi um leitor atento e pesquisador obsessivo. Villa tem uma prodigiosa capacidade de lembrar de um fato e de saber onde está o documento que comprova sua afirmação. Ajuda como a dele é motivo de tranqüilidade para quem tem o prazer de recebê-la. Além disso, dá a impressão de saber de memória todos os resultados de jogos de futebol”. Foi o que escreveu Elio.

Uau.

Villa trabalhou com Elio, portanto. Não aprendeu nada?

Não parece. Elio tem uma independência intelectual perante os partidos e os políticos que passa completamente ao largo de Villa e congêneres. Isso lhe dá autoridade para criticar e elogiar situação e oposição, e credibilidade para ser levado a sério.

Villa, em compensação, é fruto de uma circunstância em que se procura desesperadamente dar legimitidade acadêmica a um direitismo malufista. Em outros tempos, Villa – caso acredite mesmo nas coisas que escreve e fala — seria um extravagante, um bizarro, imerso num mundo que é só só seu. Você poderia imaginá-lo jogando dardos num pôster de Lula.

Nestes dias de confronto, é um símbolo de como alguém pode chegar aos holofotes e virar “referência” falando apenas o que interesses poderosos querem ouvir.

*Paulo Nogueira é jornalista, foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

Recomendados para você

Comentários

  1. Priscila Postado em 24/Dec/2012 às 21:50

    incrivel, tive a mesma impressão. Aliás assisti a entrevista dele na tv, não me recordo em qual emissora, e fiquei louca da vida quando o vi falando que o mensalão foi o maior roubo dos 500 anos de Brasil, quem é esse ser que consegue falar uma asneira dessa? até pensei em procurar suas obras mas como historiadora preferi deixa-lo de lado para não ter um colapso nervoso lendo o que ele escreve. Que decepção, quanta babaquice esse senhor Villa conseguiu expressar em tão pouco tempo na tv e ainda se diz defensor da nova história, da história imparcial(se é que isso existe) é lamentável a postura dele

  2. CLEUCIO Postado em 18/Jan/2013 às 04:34

    O MAR CO ANTONIO VILLA E TAO BAIXO QUE DE CERTA VEZ ESCREVEU QUE O COMICIO DO LULA NA CINELANDIA(RIO) SO TINHA, NO MAXIMO, 6000 PESSOAS E QUE ESSAS GANHARAM UMA GRANA PARA COMPARECER. BEM, O COMICIO NAO TINHA SO 6000 PESSOAS, ATE PORQUE LULA TEM , FORA DO GOVERNO, UMA POPULARIDADE DE MAIS DE 80%, SENDO ASSIM, NEM DE LONGE PRECISARIA PAGAR AS PESSOAS PARA IREM AO SEU COMICIO. ISSO E UM ABUSO. E ELE E UM BABACA. QUE CARA SUJO. CRIA VILIPENDIOS INTELECTUAIS. DA PENA.

  3. Roberto D'avilla Postado em 22/Jan/2013 às 23:02

    Mas que engraçado, Lula tem sua trupe de ferrenhos defensores, alguns são historiadores esquerdistas como a maioria, outros sao ignorantes a ponto de não entenderem o que vem sendo feito com o país, não só Lula, o problematico modelo de gestão baseado em interesses proprios não é exclusivo do PT, o que é exclusivo a este partido é a mania de se esconder atras de um golpe que a esquerda não conseguiu dar e condena a direita estranhamente. Tem gente precisando ler mais.

  4. Nelson Postado em 13/Feb/2013 às 14:52

    Nelson - Engº - 62 Concordo com o Paulo Nogueira. Sou funcionário concursado de Empresa Pública do RS, onde atuo sem cores partidárias. Mas é justo que se diga que, por onde Dilma passou, seja como Presidente da Companhia de Energia ou pela Secretaria de Minas e Energia, deixou sua marca de gestora eficiente, séria e comprometida com a coisa pública. O sr. Villa tem gosto pela ficção e pela distorção.

  5. Rodrigo Postado em 19/Mar/2013 às 16:17

    Cleucio, me explique esse comício em Salvador: https://www.youtube.com/watch?v=WKkfgG3yefQ Ao final, por que tantos pedidos de silêncio? Por que tantos não queriam ouvir o comício? E, Pricila, com certeza não foi o maior. O de Cabral supera e muito, bem como tantos outros de que temos notícia. Mas foi um ato ilícito, não? Quando buscaremos separar o joio do trigo, em vez de ficarmos a tentar justificar o injustificável? A oportunidade é para ser dado exemplo, mas não para se igualar aos demais partidos.

  6. Jose Eller Postado em 29/Mar/2013 às 20:39

    Villa apenas conta a história como é, e já criticou e muito FHC. Comentários de partidários da atual política e principalmente por odiar sem ter lido... chega a ser ridículo. Ele mostra a história como é, e não inventa como gostariam outros.

  7. leonardo Postado em 25/Jan/2014 às 20:23

    O jornalista autor deste artigo, trabalha na GLOBO....e vem falar do VILLA?????...Caro amigo....vc não entende bulhufas de nada....e pelo visto não faz ideia de quem realmente seja Marco Villa...

  8. ANTÔNIO RIBEIRO DA COSTA Postado em 17/Mar/2014 às 22:30

    Tá certo que já estamos em março. Mas tenho tido muita raiva de ver esse Villa falar. Como é que a Cultura, com o conceito que tem, coloca uma figura destas para fazer comentários de jornal. Absurdo

  9. Enio J. Faria Postado em 28/Mar/2014 às 01:49

    Todo aquele que se sente capaz de criar um destino, com o seu talento e com o seu esforço, está inclinado a admirar o esforço e o talento nos demais. Aquele que tem méritos sabe o que eles custam, e os respeita; estima, nos outros, o que desejaria que os outros estimassem nele. Está consciente em que o mérito importa, e os faz respeitar. O medíocre ignora esta admiração franca: vê o resultado a que os outros chegam e ele não, muitas vezes se resigna e aceita o triunfo, ultrapassando as restrições da sua inveja.

  10. Marcos Freitas Postado em 31/Mar/2014 às 12:12

    Será que esse Marco Antonio Villa é formado, mesmo? Sinto vergonha de alguns comentários que ele faz.