Redação Pragmatismo
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Copa do Mundo 28/Nov/2012 às 11:39
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Obras da Copa: Metrô detona favela e deixa 200 famílias entre lixo e escombros

Moradores que ainda não entraram em acordo com o Metrô vivem em meio a escombros de casas demolidas em favela da zona sul de SP

Cerca de 200 famílias estão vivendo há pouco mais de dois meses entre escombros de casas demolidas, entulho e lixo gerados pela derrubada de casas desapropriadas na zona sul de São Paulo pelo Metrô. As demolições estão sendo feitas na margem da avenida Jornalista Roberto Marinho, para limpar um terreno que será ocupado pela Linha 17-Ouro do Metrô, obra que faz parte do planejamento do governo paulista para a Copa do Mundo de 2014.

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200 famílias das favelas Buraco Quente e Comando, na zona sul de São Paulo, convivem com escombros de casas desapropriadas. Foto: Leandro Moraes

De acordo com o plano de trabalho da obra, serão removidas do local cerca de 400 famílias das favelas Buraco Quente, Comando e Buté. O terreno, ocupado por seus residentes há 40 anos, é público. Por se tratar de famílias em condição de vulnerabilidade social, o governo paulista oferece uma indenização para quem for removido. O valor vai de R$ 43 mil a R$ 85 mil, de acordo com o Metrô.

Para quem preferir, há, ainda, a opção de inserção no programa de habitação de interesse social da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), em que a família ou o indivíduo, mediante participação no financiamento do imóvel em percentual calculado de acordo com a renda mensal, recebe uma unidade habitacional, na mesma região de onde está sendo removido (neste caso, serão construídas unidades na confluência da av. Jornalista Roberto Marinho e av. Washington Luís, para fins de reassentamento dessa população, informa o Metrô).

As desapropriações começaram há pouco mais de dois meses. Cerca de metade daqueles que serão desapropriados já deixaram suas casas. Assim que uma casa é desabitada, o Metrô promove a demolição parcial do imóvel, para evitar nova ocupação. Os escombros, porém, não são removidos.

Assim, as cerca de 200 famílias que ainda habitam o local, ou por não terem concordado com a indenização proposta, ou por aguardarem a sua vez no processo de desapropriação, estão vivendo entre escombros que remetem a um bairro sob bombardeio. Na região, crianças estão circulando entre vigas metálicas retorcidas e paredes parcialmente demolidas.

É o caso da aposentada Teresinha Alves dos Santos, 63, que mora em um pequeno cômodo com seus três netos. Todas as casas em volta da sua foram demolidas. Teresinha ainda não deixou o imóvel onde mora há 30 anos porque, apesar de ser separada há 25 anos, ainda é oficialmente casada, e seu (ex-) marido, com quem não tem qualquer contato, possui um imóvel no Estado de Pernambuco.

Então, quando vieram aqui falar para as pessoas saírem, me disseram que eu não teria direito a indenização, porque eu tenho uma casa em Pernambuco, mas eu nem sei que casa é essa”, conta a aposentada, que recebe um salário mínimo por mês após trabalhar no setor de limpeza por 30 anos. “Então, quem morava do meu lado foi embora, e quebraram todas as casas. Eu fiquei sozinha, com as crianças”.

Teresinha não teria outra alternativa a não ser ir morar na rua com seus três netos, não fosse a atuação do líder comunitário Geílson Sampaio, que nasceu e cresceu no Buraco Quente, e está ajudando a aposentada a concretizar oficialmente seu divórcio para, assim, poder pleitear a indenização. “Estamos tentando ajudar as pessoas nessa e em outras condições semelhantes, porque quem não souber quais são seus direitos vai acabar na rua, sem nada”, diz Sampaio.

Outro que ainda não abandonou sua casa é o vigilante Josivaldo José da Silva, 35, pai de um menino de 10 anos. Segundo ele, a indenização que foi oferecida à família não é suficiente para adquirir um imóvel na região, “mas meu filho estuda aqui, como que eu vou sair e ir pra outro lugar da cidade no meio do ano escolar dele?”, indaga o vigilante, que mora no Buraco Quente há 15 anos.

O Metrô informa que a Coordenadoria de Atendimento à Comunidade-CAC está à disposição das famílias que necessitarem de acompanhamento ou apoio durante o processo de desapropriação.. A Coordenadoria atende nos telefones 11 3111-8555/ 8559/ 8742 e 8565, no horário comercial, e pelo site www.metro.sp.gov.br/fale conosco.

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Comentários

  1. marcio Postado em 02/Dec/2012 às 23:57

    Invadem, vivem 40 anos sem pensar em legalizar a situação ou adquirir legalmente um terreno e ainda querem reclamar valor melhor de indenização? O mamata!

  2. Lucia Postado em 04/Dec/2012 às 14:09

    Quem me dera poder invadir um terreno e receber R$80 mil