Redação Pragmatismo
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Revista Veja 18/Sep/2012 às 14:27
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Farsa desmontada: revista Veja mentiu em reportagem contra Lula

Não é a primeira vez que Veja é pega na mentira, que tem sido a norma da revista nos últimos anos e não apenas em matérias políticas mas também em outras áreas

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Capa da última revista Veja apresentou reportagem inventada. Foto: Capa / Veja / Reprodução

O objetivo do artigo mentiroso publicado por Veja não é a moralidade ou a ética, mas criar condições jurídicas para afastar Lula das eleições de 2014 e 2018.

Aqueles que, credulamente, ainda pensam que os jornais e revistas conservadores têm o objetivo de informar e debater questões públicas relevantes, podem encontrar, na edição desta semana do panfleto chamado Veja, um desmentido para estas esperanças e farto material pedagógico sobre a maneira como agem. São instrumentos da luta de classes dos ricos contra os pobres, onde os cães de guarda dos interesses dominantes investem contra os setores progressistas, democráticos e nacionalistas num combate político cuja arma é a mentira e a difamação.

O repórter, autor da matéria, e o diretor da revista afirmam ali, candidamente, que as graves denúncias feitas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão baseadas no ouvir dizer, em “revelações de parentes, amigos e associados” do empresário Marcos Valério, que extravasaria a eles seu inconformismo por sua condenação no processo do chamado “mensalão”.

Acusação ouvida do próprio Marcos Valério – e esse é o critério não só do bom jornalismo, mas também da boa investigação criminal – nenhuma! Aliás, o próprio advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, prontamente desmentiu as mentiras da revista da família Civita e afirmou que seu cliente não conversou com nenhum jornalista.

O artigo calunioso sustenta que Lula teria se encontrado com o publicitário Marcos Valério, quando presidente da República, para acertar detalhes do chamado “mensalão”, que envolveria uma quantia muito maior do que a atribuída no julgamento que ocorre no Supremo Tribunal Federal, alcançando R$ 350 milhões.

Não é a primeira vez que Veja é pega na mentira, que tem sido a norma da revista nos últimos anos e não apenas em matérias políticas mas também em outras áreas. Há um ano, no início de setembro de 2011, ela divulgou uma matéria de capa sobre um medicamento para diabetes que, assegurava, levaria seus usuários a emagrecimento em tempo recorde; foi um escândalo tamanho, de repercussões negativas sobre a saúde pública, que a Anvisa precisou intervir e obrigar a revista a se desmentir. Os ecos da matéria mentirosa e da intervenção da Anvisa foram ouvidos inclusive em academias de ginástica onde pessoas ainda crédulas se manifestavam indignadas com a irresponsabilidade e as mentiras da revista.

A série de mentiras é longa; ela envolve, só para lembrar algumas, o acolhimento das acusações feitas por um bandido contra o ministro do Esporte Orlando Silva Jr (e, em consequência, contra o PCdoB) ou a fantasiosa “revelação” de que Lula teria pressionado o ministro Gilmar Mendes, do STF, pelo adiamento do julgamento do chamado “mensalão”, que foi imediatamente desmentida pela terceira pessoa que participou do encontro durante o qual a pressão, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim.

São antecedentes mentirosos que não contam para os paladinos do conservadorismo e do neoliberalismo na mídia comercial. Um dos mais notáveis deles, o comentarista Merval Pereira, de O Globo, foi logo para o ataque afirmando a possibilidade de uma denúncia contra Lula, com base nas acusações falsas de Veja. Outros – como Ricardo Noblat – foram na esteira dele, e no mesmo tom.

É a volta do coro conservador e neoliberal, com um objetivo muito claro e definido. Desde a crise de 2005 estes comentaristas sabem que não conseguem enganar o povo. Foram derrotados pelo voto popular nas eleições de 2006 e depois em 2010, e seus partidos e candidatos enfrentam dificuldades imensas nas eleições municipais desde então. O PSDB minguou e a voz de seus caciques, ouvidas nos salões chiques de São Paulo, Rio de Janeiro, Londres ou Nova York, não repercutem mais ali onde de fato interessa: no meio do povo, que vota e escolhe os governantes.

A tática que parecem adotar, perante este quadro de dificuldades eleitorais para seu renegado programa neoliberal e para aqueles que o representam, é tentar inviabilizar juridicamente uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República, em 2014 ou 2018. Para aqueles que aceitavam apenas um mandato para Lula – o primeiro, de 2003 a 2006 – o quadro que se apresenta é politicamente aterrador ao indicar a quase inexorável perspectiva de um domínio de mais de vinte anos das forças democráticas, progressistas e patrióticas sobre a Presidência da República.

Daí a ideia “genial”: condenar Lula como o chefe do chamado “mensalão” e ganhar, no tapetão, aquilo que não conseguem alcançar no voto, a exclusão do líder sindical e operário de futuras disputas eleitorais.

É difícil que tenham êxito, como mostra a reticência dos presidentes dos dois principais partidos da direita neoliberal — o PSDB e o DEM –, Sérgio Guerra e José Agripino, diante de qualquer iniciativa jurídica contra Lula a partir de bases tão frágeis quanto a mentira relatada por Veja.

A luta é política; é luta de classes, e a direita (com seus cães de guarda da mídia) investe – nunca é demais repetir – na única e esfarrapada bandeira que alega sustentar, a defesa da moral e da ética. O caráter mentiroso dessa defesa fica claramente exposto quando se vê o comportamento dessa mesma mídia diante de acusações mais graves e sólidas contra o tucanato e seus governos, como se viu no eloquente silêncio a respeito das denúncias feitas no livro A Privataria Tucana, no qual o jornalista Amaury Ribeiro Júnior denuncia as falcatruas do governo de Fernando Henrique Cardoso, ou diante do acúmulo de denúncias do envolvimento do jornalista Policarpo Jr, diretor de Veja em Brasília, com a quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Para a mídia e para os tucanos o objetivo não é alegada moralidade, mas a criação de condições para sua volta ao poder. Como se fosse possível no Brasil de hoje!

O poder da mídia conservadora é inegável, e grande. É o poder da classe dominante brasileira, fortalecido inclusive com contribuições do próprio governo federal. Dados divulgados na semana passada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República mostram que, dos R$ 161 milhões gastos em publicidade desde o início do governo de Dilma Rousseff, R$ 50 milhões foram apenas para a TV Globo; a Editora Abril recebeu R$ 1,6 milhão (R$ 1,3 milhão para publicidade em revistas e R$ 300 mil na internet).

Esse poder se defronta hoje com um protagonismo popular mais acentuado; os velhos “formadores de opinião” claudicam ante o despertar do povo brasileiro e, sem propostas claras e objetivas, amparam-se em mentiras e na calúnia. Precisam olhar a história: em batalha semelhante, na década de 1950, a mídia conservadora e antidemocrática investiu contra o presidente Getúlio Vargas com a mesma fúria com que hoje ataca as mesmas forças democráticas, progressistas e patrióticas que dirigem o governo federal.

O fracasso daquela investida ficou clara na derrocada da principal revista da época, O Cruzeiro, notável pela mesma capacidade de mentir e caluniar hoje protagonizada por Veja. Em outubro de 1954, logo depois do suicídio de Vargas, a tiragem de O Cruzeiro ainda era de 700 mil exemplares; poucos meses depois, em fevereiro de 1955, caiu para 660 mil e seguiu em queda livre até 1965, quando ficou na faixa dos 400 mil exemplares, e continuou caindo (os dados estão num livro cujo título é apropriado: Cobras Criadas: David Nasser e O Cruzeiro, do jornalista Luiz Maklouf Carvalho).

A direita e os conservadores precisaram de um golpe militar, em 1964, para impor suas teses e massacrar a democracia que se fortalecia.

Os tempos mudaram e a direita, hoje, mantém o poder do dinheiro e da mídia mas perdeu a capacidade de mobilização popular e de respaldo dos quartéis para seus projetos anacrônicos, antidemocráticos e antipatrióticos. Restam a ela, como armas, a mentira e a mistificação.

Por José Carlos Ruy

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Comentários

  1. Leandro Postado em 19/Sep/2012 às 17:38

    Quando comecei a acompanhar, achei que esse site tinha a intenção de trazer esclarecimentos, debates, críticas, enfim, traria algo de útil e sem qualquer vinculação política. O que vemos aqui é um órgão de defesa do PT, somente. Após o maior escândalo político do Brasil ser desmascarado e estar sendo julgado, vejo no site, dia após dia, tentativas de justificar o que aconteceu, falácias sobre a inocência de tipos como José Genuíno, José Dirceu e outros do PT. Quando não há o que justificar, mudam o foco pra revista Veja, Rede Globo, Record e etc. Não sei o que é pior: dar crédito aos artigos aqui publicados ou assistir o Jornal Nacional.

  2. Georges Postado em 20/Sep/2012 às 10:36

    Eu não tenho dúvida que o Lula sabia de tudo, aprendeu tudo ao longo da sua vida política, vejam seus filhos como se tornaram "grandes empresários'" de sucesso? Vide a disputa pelo patrimônio do Quércia entre os filhos, como um homem público pode acumular tanto dinheiro, que mágica é essa? Em verdade são todos iguais, e nós que nos ferramos com esses políticos mequetrefes.

  3. dino Postado em 23/Sep/2012 às 15:40

    vejamos os comentários de Leandro e Georges acima, esta quase evidente que fazem parte dos cães raivosos da matilha do conservadorismo, do poder da oligarquia, e não será surpresa se forem pagos por capatazes do DEM ou PSDB e afiliados.... a questão medus caros não é a inocência de uns, mas a falsidade e a mentira deslavada de outros, de vários aliás oriundos da classe escravocrata, da oligarquias que assolaram este país por 500 anos, que ainda sangram as riquezas em benefício próprio

  4. Ivo Cocco Postado em 25/Sep/2012 às 09:29

    Fato: quem pregou durante décadas o combate aos lucros dos bancos, os roubos nos cofres públicos, a recuperação do valor das aposentadorias, a auditoria da dívida interna e do FMI, e o fortalecimento das leis trabalhistas, entre outras?. Fato: quem considerava o PMDB como partido inimigo, juntamente com o PSDB e outros, com os quais dizia ser impossível se fazer coligação?. Fato: quem fez coligação com o partido de José Alencar, banqueiro, tirando o enfoque dos bancos e aliou-se igualmente ao PMDB, tratando-o de amigo? Fato:quem deixou de fazer das auditorias prometidas, mas ao contrário, direcionou as reservas para o FMI e, ao invés de recuperar as aposentadorias, evidenciou o salário mínimo como ponto para servir de garoto propaganda, pois atingiria um público muito maior, o povão, sendo os aposentados definitivamente alijados da política econômica do governo?. Fato: quem apadrinhou o Real, de quem era contrário, nomeou ministros e economistas oriundos da bolsa de mercadorias e dos bancos, e adotou práticas sociais, privilegiando o que antes chamava de esmolas, como as famosas bolsa-família, bolsa-escola etc., e reforçou a discriminação geral, criando as quotas disso e daquilo?. Fato: quem negou saber dos escândalos envolvendo o governo, mas aliou-se a Maluf, a quem antes chamava de ladrão?. Fato: a Lei de Responsabilidade Fiscal não se aplica no caso de abrir mão de receita do INSS a favor de empresas, e contra os recursos da Previdência?

  5. Alessandro Postado em 19/Oct/2012 às 16:23

    Aos ilustres Ivo, Leandro e Georges, algumas lembranças: 1) Maior escândalo de corrupção da história? Nada... é café pequeno diante de SIVAM, Banco Econômico/ Banco Nacional, compra de votos para emenda da reeleição, privatização das empresas de telefonia, Gustavo Franco - Daniel Dantas e a crise cambial de 1999, quebra do sigilo do painel do Senado... e olha que nem lembrei de todos os podres dos que hoje são os defensores da ética e moralidade. 2) Se você, Georges, não tem dúvida de que Lula sabia do suposto mensalão, o que dizer de Fernando Henrique Cardoso? Enfim, trata-se do mesmo "mimimi" queixoso, rancoroso e estúpido que tomou conta de tantos nos últimos anos.

  6. Cesar Postado em 30/Oct/2012 às 22:45

    Infelizmente, não dá pra acreditar em nada que seja politico. nem PSDB, PT , DEM ou qq coisa que o valha. A veja é tendenciosa, assim como a globo......ainda bem que hoje tem a internet....