Luis Soares
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Juristas 07/Aug/2012 às 23:57
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Ayres Britto Senador e Joaquim Barbosa presidente da República?

Ayres Britto terá de se aposentar em novembro e prepara, em segredo, sua candidatura ao Senado por Sergipe. Joaquim Barbosa, relator do mensalão, é cortejado por diversas siglas para ser o primeiro negro a disputar a Presidência da República em 2014. Se eles podem morder a mosca azul, fica a dúvida: o julgamento será técnico ou político?

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Joaquim Barbosa conversa com Ayres Britto durante julgamento do mensalão. Ambos têm chances de seguir carreira na política partidária.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto, já demonstrou que tem pressa em julgar a Ação Penal 470, popularmente conhecida como mensalão. Em novembro, ele se aposenta, mas a sorte lhe sorriu. Quis o destino que ele fosse o presidente da mais alta corte do País durante o “julgamento do século”, que começou na semana passada e deverá ser concluído em setembro.

No dia 18 de novembro, quando completar 70 anos, o sergipano Ayres Britto, que é vaidoso a ponto de declamar seus poemas nos salões do STF, poderá estar no ponto mais alto de sua popularidade, depois de conduzir um julgamento acompanhado por milhões de brasileiros.

O que ele fará com todo esse capital político? Vestirá o pijama e irá passear pela orla de Aracaju? Certamente, não. Interlocutores do ministro garantem que ele prepara, em segredo, uma candidatura ao Senado Federal por Sergipe – o que não seria novidade, uma vez que Ayres Britto já tentou ser deputado federal.

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Assim como ele, outro ministro da corte também flerta com o poder. É Joaquim Barbosa, que pode vir a ser o primeiro negro a disputar a presidência da República – e já há até comunidades nas redes sociais, como o Orkut, que defendem que isso aconteça.

Pouco antes de ser internado para a retirada de um tumor, Roberto Jefferson disse que Barbosa age como político e não como juiz, jogando para a torcida. E até ironizou sua conduta, sugerindo que se filiasse ao PTB, onde seria recebido “de braços abertos” para concorrer à Presidência.

Joaquim Barbosa não se sente bem no STF. Criticado pelos colegas pela suposta falta de “urbanidade”, ele já brigou em público com Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Cesar Peluso e, mais recentemente, com Marco Aurélio Mello. Em Brasília e no Rio de Janeiro, as duas cidades que mais frequenta, ele gosta de ser aplaudido em restaurantes.

Se dois dos ministros mais importantes do STF, o presidente da corte e o relator da Ação Penal 470 podem vir a ser candidatos, fica a dúvida: o julgamento é técnico ou político?

Não há dúvida. Vivemos num mundo político, habitado por animais políticos.

Ricardo Cascais, Brasil 247

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Comentários

  1. Luis Santana Postado em 10/Aug/2012 às 20:25

    Se o julgamento do mensalão é técnico ou político eu diria que são os dois, até porque, a política sempre teve envolvido nas ações dos poderes de acordo com as circunstâncias de momento, e esse é um momento propício para quem almeja ingressar no mundo da política, porque a si é dado todas as condições necessárias para visibilidade nacional e regional e, certamente ficará mais fácil num futuro bem próximo alcançar o sucesso na política nacional. Mas também devo afirmar que o Supremo Tribunal Federal (STF), vai julgar o caso mensalão também de forma técnica e responsável de acordo com as provas que cada ministro tem a sua disposição e de acordo com juízo de valor de cada um deles. Certamente deverá ser condenado quem merecer a condenação e absolvido aquele que merecer absolvição. Essa é a nossa expectativa, esse é o desejo de todos nós brasileiros. Luis Santana

  2. ricck Postado em 25/Aug/2012 às 23:59

    Luis, um julgamento como este tem que ser estritamente técnico

  3. Guilherme Postado em 02/Sep/2012 às 19:53

    O que é estritamente técnico para vocês que falam em julgamento técnico. Quero dizer, eu sou estudante de direito, também entendo o que quer dizer julgamento estritamente técnico no meio jurídico. Mas concordo com Luis quando ele diz que algo desta proporção não deixa de ser político, é público, é a Ágora, a democracia sendo debatida com fervorosidade no Senado romano! Não é por que muitos esquerdistas hoje amam icondiconalmente a figura de Lula que ele não pode ter tido relações e assessores, colegas, gente próxima, que fossem sujos. Ele mesmo se sujou com o poder. Lula, como diz Chico de Oliveira, não tem caráter. Este culto à figura do líder é perigoso. Qualquer um que faça críticas, como eu, já é instantâneamente jogado para o fundo da caçamba neoliberal e direitista. Por que não chutam pra lá também o Chico de Oliveira, o Plinio de Arruda Sampaio? Eu não vi qualquer excesso ali na atitude do relator, não enquanto ele expôs seu voto, ou proferiu seu julgamento. Talvez o excesso tenha sido quando ele se distanciou da técnica jurídica para ser estrela frente às câmeras de TV, mas vai me dizer que tudo o que ele falou para Gilmar Mendes ou Peluzo, por exemplo, não têm um fundo de verdade? Ele é combativo ali dentro, ele é um tribuno da plebe, ele provoca, ele faz a população querer estar ali no lugar dele fazendo o que ele faz frente a outros "Doutos Magistrados", gente importante, engravatada. Ele mesmo foi colocado ali por intermédio de Lula, por que estaria sendo midiático o apelo dele? Por que estaria faltando com a técnica? Por favor, hein... por favor... Se ele se candidatasse, eu só votaria se não fosse candidatura pelo PSDB, porque certamente dariam um jeito de moldá-lo dentro do partido. De resto, todos os outros partidos são sujos em maior ou menor medida. Na minha opinião, um bom partido para ele seria o PSOL, o que daria visibilidade à sigla tal qual Freixo, hoje, no Rio de Janeiro faz.

  4. Sergio Silva Postado em 04/Oct/2012 às 18:36

    O Ministro Joaquim Barbosa é um ser humano e portanto político, porém tecnico, político e competente merece o nosso voto para Presidente da República, JÁ TEM O MEU VOTO. Parabens Ministro, o Brasil precisa de homens como o Sr.