Luis Soares
Colunista
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Geral 28/Aug/2012 às 01:38
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Anders Breivik: assassino que matou 77 pessoas cumpre pena em prisão de luxo

A prisão moderna tem 12 alas e capacidade para 124 prisioneiros que são vigiados por 230 carcereiros, que utilizam câmeras de segurança. A última vez que um homem escapou de lá foi em 2004

prisão luxo noruega

Dormitório de Breivik na prisão tem oito metros quadrados e televisor. Foto: AFP

O assassino norueguês Anders Behring Breivik deve cumprir sua sentença de prisão em uma penitenciária perto de Oslo.

Breivik, de 33 anos, foi mantido por mais de um ano na penitenciária de Ila em seu Regime Particular de Alta Segurança – que é o regime penitenciário mais rigoroso do país.

A instituição afirmou em uma nota antes do veredito de Breivik, na sexta-feira, que ele inicialmente seria mantido isolado dos outros prisioneiros.

Em vez disso, seu contato com outras pessoas seria restrito aos funcionários da prisão. Exceto durante a visita semanal a que tem direito.

Ila é uma penitenciária masculina que abriga os homens mais perigosos do país, segundo seu site na internet.

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Entre os ex-detentos está Varg Greven Vikernes, um músico do estilo black metal que matou um colega de banda e incendiou igrejas na década de 1960. Ele cumpriu uma pena de 16 anos.

Porém, a prisão de Breivik difere bastante de outras prisões de segurança máxima da Europa: a equipe de carcereiros é formada por homens e mulheres, que trabalham desarmados.

Cartas

Algumas fotos das instalações disponíveis para Breivik foram divulgadas.

Ele atualmente tem três celas uma compensação por não ter tido acesso a atividades disponíveis para outros presos, segundo a porta-voz da instituição Ellen Bjercke.

Cada cela tem oito metros quadrados. Uma funciona como dormitório, outra tem equipamentos de ginástica e a terceira é um escritório – com um laptop fixo em uma mesa.

O computador não está conectado à internet, para evitar que ele faça contato com o mundo exterior. Bjercke disse à BBC que enquanto ele estiver lá nunca terá acesso à internet.

Mesmo se qualificar-se para atividades educacionais, ele só poderá usar um servidor especial criado pela prisão com muitos filtros, afirmou a porta-voz.

Os advogados de defesa de Breivik afirmaram que ele pretende divulgar seus manifestos por meio da publicação de livros.

Como prisioneiro, ele tem o direito de escrever quantas cartas quiser e enviá-las para qualquer lugar.

– Mas nós analisaremos tudo e se encontrarmos qualquer coisa que viole leis ou encoraje a atividade criminosa, por exemplo, nós a confiscaremos – disse ela.

Para ter contato com o ar fresco, Breivik tem acesso a uma área externa cercada por paredes de concreto e arame farpado.

Para se entreter, ele pode usar um aparelho de TV e pode solicitar livros da biblioteca da prisão – que faz parte da rede pública de bibliotecas. Em tese, ele pode ler o livro que quiser, a menos que a publicação não se adapte aos critérios de segurança “sem manuais para fazer bombas”, disse Bjercke.

Contudo, ele não terá acesso a seus antigos passa-tempos – jogos de tiro no video-game e também jogos do tipo RPG (role-playing games).

Isolamento

Autoridades da prisão de Ila afirmaram que em seu regime de confinamento, Breivik não pode encontrar detentos de outras alas.
Porém, ele poderá encontrar prisioneiros da mesma ala, se o encontro for considerado seguro.

A instituição diz preferir que Breivik tenha contato com carcereiros, supostamente qualificados para lhe proporcionar oportunidades de trabalho, educação e outras atividades.

– A ideia é aumentar o contato dele com funcionários da prisão, que têm a tarefa de mantê-lo ativo, fazer exercícios físicos e falar com ele – afirmou Bjercke à Associated Press. Isolamento é tortura.

Após a oficialização da sentença, a rotina de Breivik se torna mais rígida.

Enquanto estava preso aguardando o julgamento, Breivik podia usar seu tempo como bem entendesse. Agora ele é sempre acordado às 7h. Pode, porém, decidir a que horas vai dormir, pois as luzes não são apagadas em horário específico.
Segurança

Criada para ser uma prisão feminina, Ila chegou a ser usada como campo de concentração durante a invasão nazista da Noruega na década de 1940.

A prisão moderna tem 12 alas e capacidade para 124 prisioneiros que são vigiados por 230 carcereiros, que utilizam câmeras de segurança.

A última vez que um homem escapou de lá foi em 2004. Ele teria sido recapturado minutos depois, segundo o diretor da instituição, Knut Bjarkeid.

Apesar dos agentes penitenciários não usarem armas de fogo, eles têm acesso a cassetetes e gás lacrimogênio.

– Estou no negócio há 30 anos e nunca ví o gás ser usado – disse Bjercke.

Ela afirmou ainda que se ocorrer uma situação na qual armas de fogo sejam necessárias, a prisão pode chamar a polícia.

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Comentários

  1. Rafael da Guia Sousa Postado em 28/Aug/2012 às 02:58

    Um presidiário ainda é um ser humano. Ao menos os noruegueses entendem isso. As prisões de lá não são para PUNIR, mas para ressocializar pessoas. Mas bem, como nem tudo é perfeito, prevejo gente vindo falar besteira sobre impunidade em 3... 2... 1...

  2. Diogo Postado em 28/Aug/2012 às 08:22

    Convenhamos que para o que ele fez,23 anos num ''hotel'' é impunidade.Se voce acha que isso é justo....

  3. Mateus Postado em 28/Aug/2012 às 15:51

    Varg incendiou e matou o colega dela na década de 90. Década de 60 sequer existia Black Metal.

  4. Ivan Postado em 28/Aug/2012 às 16:33

    Diogo, um hotel muito bom, pra falar a verdade. Há erros na matéria, nada realmente importante, mas Varg Vikernes assassinou Oystein Arseth (Euronymous) em 93, e visto que ele nasceu em 1973, não poderia incendiar uma igreja na década de 60. Como disse, apenas erros em dados que não influenciam diretamente a matéria.

  5. Ricardo Postado em 09/Nov/2012 às 10:41

    Podem chamar de impunidade, mas esse é um método que recupera criminosos e psicopatas. No Brasil, nossas prisões transformam pequenos marginais em criminosos e criminosos em psicopatas. São escolas do crime, seu principal resultado é tornar o criminoso mais especializado e mais irrecuperável. Talvez esse seja o conceito de justiça de Diogo e alguns.