Redação Pragmatismo
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Senado Federal 10/Aug/2012 às 17:16
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Apenas um senador votou contra cotas para estudantes de escolas públicas

O projeto que reserva 50% das vagas para estudantes de escolas públicas foi aprovado de forma simbólica pelos senadores. O único voto contrário manifestado foi do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP)

aloysio nunes

Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi o único senador a votar contra o sistema de cotas para estudantes do ensino público. Foto: reprodução

A política de cotas para ingresso nas universidades e escolas técnicas federais foi aprovada pelo Plenário do Senado na noite desta terça-feira (8). O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 180/2008, que assegura metade das vagas por curso e turno dessas instituições a estudantes que tenham feito o ensino médio em escolas da rede pública, foi aprovado em votação simbólica e agora segue para sanção presidencial.

Pelo projeto, pelo menos 50% das vagas devem ser reservadas para quem tenha feito o ensino médio integralmente em escola pública. Além disso, para tornar obrigatórios e uniformizar modelos de políticas de cotas já aplicados na maioria das universidades federais, o projeto também estabelece critérios complementares de renda familiar e étnico-raciais.

Dentro da cota mínima de 50%, haverá a distribuição entre negros, pardos e indígenas, proporcional à composição da população em cada estado, tendo como base as estatísticas mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Leia mais

A política de cotas tem validade de dez anos a contar de sua publicação

A medida foi defendida pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que informou que, de cada dez alunos do país, apenas um estuda em escola privada. Ou seja, o projeto beneficiaria a ampla maioria dos estudantes brasileiros. A senadora Ana Rita (PT-ES) também saiu em defesa da proposta, garantindo que o projeto faz “justiça social com a maioria da população brasileira”.

Já o senador Pedro Taques (PDT-MT) citou os Estados Unidos como exemplo bem-sucedido da política de cotas nas universidades. Ele disse que o país, que era extremamente racista em um passado próximo, após adotar a política de cotas raciais nas universidades, tem agora um presidente negro. Para o senador, no Brasil é preciso adotar ações afirmativas para assegurar oportunidade a todos.

Aloysio Nunes (PSDB), foi o único que votou contra cotas nas universidades federais

Aloysio Nunes votou contra as cotas para alunos do ensino público que querem ingressar nas Universidades Federais, num claro indicativo de que só quem pode ter vaga em ensino público federal são os ricos.

Discussão

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) reprovou a iniciativa sob o argumento de que “impõe camisa de força” a todas as universidades federais brasileiras, ao ferir sua autonomia de gestão. Além disso, argumentou o senador, para que o ensino superior seja de qualidade, é preciso adotar um critério de proficiência, ou seja, que os alunos que ingressem na instituição tenham notas altas.

Agências

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Comentários

  1. Ariane Postado em 10/Aug/2012 às 17:52

    A declaração do Exm. Paulo Paim que finalmente a justiça será feita aos negros que trabalham o dia todo enquanto os brancos descansam durante o dia não está nesta matéria porque?

  2. Thiago Postado em 10/Aug/2012 às 17:55

    Cotas é uma medida paliativa, fraca, que somente prevalece num país desigual e que não invetes de forma apropriada na educação desde o nível mais baixo.

    • Kenan Postado em 13/Nov/2013 às 13:56

      Thiago... essa foto te faz justiça

    • Guilherme Postado em 14/Oct/2014 às 11:59

      Estados Unidos esta ai pra provar o quão errado vc está fera

  3. Luiz Fernando Postado em 10/Aug/2012 às 18:00

    Existe um pessoal que sempre quer jogar balde de água fria em quem exalta o crescimento econômico do Brasil, usando a desculpa da desigualdade social, que é parte da herança maldita de décadas atrás, e se acumulou como uma bola de neve. Mas, porém, todavia, entretanto, contudo, boa parte desses sujeitos crucifica as medidas que visam inclusão social. Engraçado, não?

  4. Renato Postado em 10/Aug/2012 às 18:01

    É paliativa, não prioritária, mas necessária dentro de um cenário imediatista em que correções de defasagens históricas precisam ser ao menos equiparadas.

  5. Henrique Postado em 10/Aug/2012 às 19:58

    Este senador é aquele que, em uma entrevista ao JB, disse que "o primeiro assalto a gente nunca esquece", e não é chamado de terrorista pela mídia golpista.

  6. Henrique Postado em 10/Aug/2012 às 20:02

    Cotas, aqui no Brasil, a mídia e lacaios detestam. Como começou as cotas: Lula é o cara que “não entendia de nada” mas colocou as cotas raciais para funcionar, que são um modelo de ação afirmativa implantado em alguns países para amenizar desigualdades sociais, econômicas e educacionais entre raças. A primeira vez que essa medida foi tomada data de 1960, nos Estados Unidos, para diminuir a desigualdade socioeconômica entre brancos e negros. No Brasil, na Universidade de Brasília (UnB) foi a primeira instituição de ensino no Brasil a adotar o sistema de cotas raciais, em junho de 2004. É como escreve Eduardo Guimarães: “os três governos petistas vêm diminuindo a distância entre pobres e ricos como nunca antes na história deste país…” É isto que CORRÓI a imprensa golpista e lacaios!

  7. Henrique Postado em 10/Aug/2012 às 20:12

    Vivemos numa sociedade capitalista. Ela nasce da acumulação e NÃO É IGUALITÁRIA. É hipocrisia imaginar que uma sociedade capitalista vá ser igualitária. Mas tem que se dar igualdade de oportunidade na educação, no acesso à saúde, para compensar essa desigualdade. As políticas têm que ser maleáveis, como as COTAS, BOLSA FAMÍLIA, PRO-UNI, INDEXAÇÃO DO AUMENTO DO MÍNIMO AO CRESCIMENTO DO PIB, etc... ... Quando lá fora, no estrangeiro, surge uma medida dessas ninguém ousa criticar. É como o Luiz Fernando, acima, sugere - o que há de errado em uma inclusão social?

  8. Laíne Ramos Postado em 11/Aug/2012 às 00:05

    Cotas só funcionam, só alcançam uma meta real de inclusão social se forem acompanhadas de um investimento maciço na educação pública, desde o nível básico. Ou ninguém reconhece que o Brasil continua com uma alta taxa de analfabetos. O que adianta reservar 50% das vagas, se as escolas públicas continuam em estado de calamidade? Se as escolas públicas em sua maioria não cumprem seu papel de ensinar? O Governo tem por obrigação oferecer um ensino público de qualidade para a população, ensino esse que competisse de igual com o ensino privado (isso funciona nas escolas técnicas, vale dizer, por que não ampliar?). Do que adianta reservar essas vagas nas universidades se a maioria dos cotistas passarão no vestibular com um nível bem abaixo dos que passaram sem cotas, não adianta, pelo contrário, só prejudica ainda mais a educação. O ensino público brasileiro passa por um momento bem complicado, as faculdades estão em greve desde maio e o governo não apresenta nenhum acordo justo. Lembrando que o movimento não é só salarial, os professores reinvindicam melhores estruturas nas universidades, ampliação dos projetos científicos, bibliotecas de qualidades etc. Não sou contra as cotas, sou contra à forma de aplicação. Transformam algo que deveria ser parte de um projeto de transição em tapa buraco.

  9. claudio Postado em 11/Aug/2012 às 02:04

    O problema não está se colocar cotas para a ou b, mas sim na qualidade do ensino tanto no fundamental como no 2º grau de escolas publicas onde uma ou outra se mostra boa em relação a grande maioria. Oque vemos é que não agora mas daqui a dez,quinze ou até antes, o nivel das faculdades federais ira decair, como aconteceu com ensino publico de uma forma geral, onde os professores dessas referidas faculdades migrarão para iniciativa privada ou simplismente se aposentarão. Sei oque digo trabalho com Educação é posso dizer sou do tempo que, quando se sai de uma escoça publica e ia para uma particular se fala você lerdo em.

  10. Henrique Postado em 11/Aug/2012 às 12:37

    Tudo bem! E por que, na 'era fernandina', ninguém ALARDEOU ESTA IGNORÂNCIA? - Lei 9.649/98: proibia a expansão do sistema federal de educação profissional. No artigo 47/parágrafo 5º...'a escola deixaria de ser federal, mas estadual, municipal ou privada. OBS.: o congresso tentou aprovar o parágrafo 6º que faria com que as unidades de ensino da união já concluídas não se aplicaria esta lei. FHC alegando falta de recursos para a EDUCAÇÃO vetou o dispositivo. - Decreto 2208/97, proibiu a oferta de ensino médio integrado a educação profissional. - Portaria 646/97, fixou metas para a DIMINUIÇÃO da oferta de ensino médio pelas escolas federais (então Min Educação Paulo Renato). - De 95 a 98 não foi contratado nenhum técnico ou docente para as 140 escolas. - Em 98 o orçamento era míseros 856 milhoões. - FHC autorizou o funcionamento de apenas 10 escolas técnicas federais em 8 anos (5 não tinham quadro pessoal). - São Paulo adotou essas regras e perdeu entre 2003 e 2004, 131 mil matrícula no ensino médio do total de 137 mil do país - 96% do total. ... Quanto tempo isto será recuperado? O alckmin, onde seu partido está há quase duas décadas, disse que quer recuperar o atraso da educação em SP com metas para depois de 2020! O que é isto! Não deu tempo os 20 anos em SP? Este projeto é o que? Tapa buraco? Ou incompetência notória? Será porque o 'sátrapa de Higienópolis-FHC, é intelectual, ele podia fazer qualquer MERDA neste país? Os outros não tiveram tempo? Ou se tiveram tempo, por que não fizeram alguma coisa? Alguém aí combateu esta idéia de cotas por que foi os EUA quem as criou? Isenção e consciência política faz bem!

  11. Cintia Postado em 12/Aug/2012 às 05:16

    Não adianta seguir exemplos de cotas universitárias como nos EUA se o sistema de ensino não é igual...isso ninguem fala ou informa a população brasileira que lá o sistema educacional é muitp diferente e eficiente que no Brasil. Cotas é admitir que os favorecidos são burros e incompetentes, quem faz a escola É o aluno, ele que tem que estudar e não sua condição social. Ah, esqueci isso dá voto!

  12. Alana Postado em 16/Aug/2012 às 10:27

    Cíntia, entendo que você não conhece a realidade. Deve ser uma que estudou em um excelente colégio de mensalidade altíssima. Escola não só o aluno que faz. Quem estudou em escola pública, sabe o que estou falando. Tive que estudar em uma instituição pública, na qual, sequer pude entrar em um laboratório de química durante os três anos de ensino médio. Os professores mal davam uma aula que valia a pena. Mesmo os alunos mais empenhados, como eu, não conseguiam de forma alguma alcançar o mesmo nível de um filhinho de papai, que estudou em colégio de mil e quinhentos ao mês. Há muita disparidade em se tratando de ensino público e particular neste país. Se você conhecesse a realidade, mudaria seu discurso, com certeza. P.s.: e sobre o sistema de ensino superior dos EUA, é muito fácil para qualquer pessoa ter a informação de como funciona. Eu sei como funciona. Com a internet, não é necessário ninguém estar informando. Se quiser conhecer, busque. E não há comparação ao daqui e de lá.

  13. Professora Nina Postado em 16/Aug/2012 às 18:28

    Em EUA nao tem universidade públicas, todo mundo paga para estudar.

    • Rodolfo Moraes Postado em 16/Aug/2012 às 18:40

      Professora Nina, isso não é verdade. Existem dezenas de universidades públicas nos EUA.

  14. Professora Nina Postado em 16/Aug/2012 às 18:28

    Comparaçao sem noçao

  15. Taryk Al Jamahiriya. Afro-indigena brasileira Postado em 31/Aug/2012 às 07:08

    A meGaLOBO RACISMO? A violência do preconceito racial no Brasil personagem (Uma negra degradada pedinte com imagem horrenda destorcida e bosalizada é a Adelaide do Programa Zorra Total, Rede Globo do ator Rodrigo Sant'Anna? Ele para a Globo e aos judeus é engraçado, mas é desgraça para nós negros afros indígenas descendentes, se nossas crianças não tivessem sendo chamadas de Adelaidinha ou filha, neta e sobrinha da ADELAIDE no pior dos sentidos, é BULLIYING infeliz e cruel criado nos laboratórios racistas do PROJAC (abrev. de Projeto Jacarepaguá, como é conhecida a Central Globo de Produção) é o centro de produção da Rede Globo que é dominado pelos judeus Arnaldo Jabor, Luciano Huck,Tiago Leifert, Pedro Bial, William Waack, William Bonner, Mônica Waldvogel, Sandra Annenberg Wolf Maya, Daniel Filho e o poderoso Ali Kamel diretor chefe responsável e autor do livro Best seller o manual segregador (A Bíblia do racismo,que ironicamente tem por titulo NÃO SOMOS RACISTA baseado e num monte de inverdades e teses racistas contra os negros afro-decendentes brasileiros) E por Maurício Sherman Nisenbaum(que Grande Otelo, Jamelão e Luis Carlos da Vila chamavam o de racista porque este e o Judeu racista Adolfo Block dono Manchete discriminavam os negros)responsável dirige o humorístico Zorra Total Foi o responsável pela criação do programa e dos programas infantis apresentados por Xuxa e Angélica, apresentadoras descobertas e lançadas por ele no seu pré-conceitos de padrão de beleza e qualidade da Manchete TV dominada por judeus,este BULLIYING NEGLIGENTE PERVERSO que nem ADOLF HITLER fez aos judeus mas os judeusionistas da TV GLOBO faz para a população negra afro-descendente brasileira isto ocorre em todo lugar do Brasil para nós não tem graça, esta desgraça de Humor,que humilha crianças é desumano para qualquer sexo, cor, raça, religião, nacionalidade etc.o pior de tudo esta degradação racista constrangedora cruel é patrocinada e apoiada por o Sr Ali KAMEL (marido da judia Patrícia Kogut jornalista do GLOBO que liderou dezenas de judeus artistas intelectuais e empresários dos 113 nomes(Contra as contra raciais) com o Senador DemóstenesTorres que foi cassado por corrupção) TV Globo esta mesma que fez anuncio constante do programa (27ª C.E. arrecada mais de R$ 10,milhões reais de CENTARROS para esmola da farsa e iludir enganando escondendo a divida ao BNDES de mais de 3 bilhões dollares dinheiro publico do Brasil ) que tem com o título ‘A Esperança é o que nos Move’, o show do “Criança Esperança” de 2012 celebrará a formação da identidade brasileira a partir da mistura de diferentes etnias) e comete o Genocídio racista imoral contra a maior parte do povo brasileiro é lamentável que os judeus se divirtam com humor e debochem do verdadeiro holocausto afro-indigena brasileiro é lamentavel que o Judeu Sergio Groisman em seu Programa Altas Horas e assim no Programa Encontro com a judia Fátima Bernardes riem e se divertem. (A atriz judia Samantha Schmütz em papel de criança no apoteótico deste estereótipo desleal e cruel se amedronta diante aquela mulher extremem ente feia) para nós negros afros brasileiros a Rede GLOBO promove incentivo preconceito raciais que humilha e choca o povo brasileiro.Taryk Al Jamahiriya. Afro-indigena brasileira da ONNQ 20/11/1970 – REQBRA Revolução Quilombolivariana do Brasil [email protected]

  16. Luis Postado em 19/Nov/2012 às 02:22

    Cota racial é política, cota social é esmola. Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo. A pior defesa que conheço das cotas para negros e índios na Universidade brasileira é a dos que dizem que isso se insere em uma política educacional de compensação. Em geral, essa defesa é feita pela esquerda. O ataque mais perverso que conheço contra as cotas raciais é o dos que dizem que defendem, ao invés destas, as cotas sociais. Em geral esse ataque é o da direita, em especial o que é dito pelos parlamentares do PSDB e DEM. Cota racial advém de uma política contemporânea, em geral de cunho social-democrata ou, para usar a terminologia americana, mais apropriada ao caso, liberal. A cota social é esmola, tem o mesmo cheiro da ação de reis e padres da Idade Média, e aparece no estado moderno travestida de política. A cota social não faz sentido, pois o seu pressuposto é o de que há e sempre haverá pobres e ricos e que aos primeiros se dará uma compensação, que obviamente não pode ser universal, para que alguns usufruam da boa universidade destinada aos ricos. É como se dissessem: também há pobres inteligentes que merecem uma chance para estudar. O termo social, neste caso, é meramente ideológico. Não se vai fazer nenhuma ação social com o objetivo de melhoria da sociedade. O que se faz aí é, no melhor, populismo, no pior, a mera prática a esmola mesmo. A cota racial não pode ser posta no mesmo plano da cota social. Todavia, a sua defesa cai na mesma vala da cota social quando se diz que ela visa colocar os negros na universidade, até então dominada pelos brancos, para que se possa compensá-los pela escravidão ou pelo desleixo do estado ou pelo racismo velado ou aberto. Não! Cota racial não é para isso. O objetivo das cotas é o de colocar um grupo no interior de um lugar em que ele não é visto para que, assim, de maneira mais rápida, se dê o convívio social entre os grupos nacionais, de modo a promover a integração – o que passa necessariamente pelo convívio que pode levar ao conhecimento entre culturas, casamentos, troca de histórias e criação de experiências comuns. A questão, neste caso, é de visibilidade do grupo por ele mesmo e da sociedade em relação aos grupos. No Brasil há miscigenação. E em grande escala. Ótimo! Mas não basta. Não é o suficiente porque há espaços físicos e institucionais, no Brasil, que não estão disponíveis para determinados grupos étnicos e isso promove uma má visibilidade da nossa população em relação a ela mesma. A população não vê o negro e o índio na universidade e, com isso, não formula o conceito correto de aluno universitário: o universitário é o estudante brasileiro de ensino superior. Ora, se você não vê o negro e o índio nesse espaço, o conceito não se forma de modo ótimo, o que é gerado na mentalidade, ainda que não verbalizado de maneira completamente clara, é o seguinte: o universitário é o estudante brasileiro branco de ensino superior. Isso é o pré-conceito a respeito de aluno universitário. Ele está aquém do conceito – por isso ele é “pré”. Ele pode gerar uma visão errada e, a partir daí, uma discriminação social, em qualquer outro setor da vida nasional. Assim, para resolver o problema de brancos, negros, índios ou qualquer outro grupo, do ponto de vista social, no sentido de fazer com que todo brasileiro tenha acesso à universidade, a política não é a cota social. Também não é a cota racial. A política correta é a melhoria da escola pública básica, para que todos possam cursar, depois, o melhor ensino universitário. Agora, para resolver o problema da diminuição do preconceito em qualquer setor e, é claro, não só no campo universitário, uma das boas políticas é ter o mais rápido possível o negro e o índio em lugares onde esses brasileiros não estão. Portanto, também na universidade; e é para isso que serve a cota racial. Isso evita a formação de uma mentalidade que se alimente de formulações aquém do conceito – há com isso a diminuição da formação do pré-conceito e, portanto, no conjunto da sociedade, menos ações prejudiciais contra negros e índios. Foi assim que a América fez. As cotas ampliaram rapidamente o convívio e mudaram a mentalidade de todos. Mesmo os conservadores mudaram! O preconceito racial que, na época de Kennedy, era um problema para o FBI e, depois, do Movimento dos Direitos Civis, diminuiu sensivelmente nos anos oitenta. A visibilidade do negro se fez presente diminuindo sensivelmente o que o americano médio – negro ou branco – pensava de si mesmo. Foi essa política que permitiu um país com bem menos miscigenação que o nosso pudesse, mas cedo do que se imaginava, eleger um Presidente negro – algo impensável nos anos 60. A ação em favor da cota social é um modo de não dar prosseguimento à política educacional democrática e, ao mesmo tempo, atropelar a política de luta contra a formação do preconceito racial. É uma ação da direita contra a esquerda. A esquerda defende sua política de modo errado ao não lembrar que a cota racial não é política educacional, é política de luta pela integração e pela ampliação da visibilidade de uma cultura miscigenada para ela mesma. Cota não é para educar o negro e o índio, é para educar a sociedade! Ao mesmo tempo, a esquerda se esquece de denunciar que cota social, esta sim, quer se passar por política educacional e, na verdade, não é nada disso – é uma atitude ideológica conhecida, que sempre veio da direita que, sabe-se bem, sempre teve saudades de uma época anterior ao tempo da formação do estado moderno, uma época em que a Igreja e os reis saiam às ruas “ajudando os pobres”. Os senadores que defendem a cota social e não a cota racial, no fundo imaginam o mesmo que os ricos da Idade Média imaginavam, ou seja, que os pobres existem para que eles possam fazer caridade e, então, como os pobres – de quem o Reino de Céus é dado por natureza, como está na Bíblia – também consigam suas cadeiras junto a Jesus. Não deveríamos estar debatendo sobre cotas. Afinal, já as usamos em tudo. Por exemplo, fizemos cotas de mulheres para partidos políticos e, com isso, diminuímos o preconceito contra a mulher na política. Por que agora há celeuma em uma questão similar? Ah! É que a cota racial mexe com os brios dos mais reacionários. No fundo, eles não querem mesmo é ver nenhum negro ou índio em espaços que reservaram para seus filhos.

  17. Matheus Machado Postado em 23/May/2013 às 20:59

    Professora Nina, espero que a senhora não seja professora de Geografia ou História. Você falou a maior besteira que eu já vi alguém postar neste site. Os EUA não possuem escolas públicas? Você tem certeza? Seria até engraçado se não fosse trágico.

  18. quilombonnq Postado em 05/Jun/2014 às 04:05

    CARLOS DE ASSUMPÇÃO – O maior poeta negro da historia do Brasil autor do poema o PROTESTO Hino Nacional da luta da Consciência Negra Afro-brasileira, em celebração completou 87 anos de vida. CARLOS DE ASSUMPÇÃO nasceu 23 de maio de 1927 em Tiete-SP na sexta feira passada completou 87 anos de vida com sua família, amigos e nós da ORGANIZAÇÃO NEGRA NACIONAL QUILOMBO O. N. N. Q. FUNDADO 20/11/1970 (E diversas entidades e admiradores parabenizam o aniversario de 87 anos do mestre poeta negro Carlos Assumpção) tivemos a honra orgulho e satisfação de ligar para a histórica pessoa desejando felicidades, saúde e agradecer a Carlos de Assunpção pela sua obra gigante, em especial o poema o Protesto que para muitos é o maior e o mais significante poema dos afros brasileiros o Hino Nacional dos negros. “O Protesto” é o poema mais emblemático dos Afros Brasileiros e uns das América Negra, a escravidão em sua dor e as cicatrizes contemporâneas da inconsciência pragmática da alta sociedade permanente perversa no Poema “O Protesto” foi lançado 1958, na alegria do Brasil campeão de futebol, mas havia impropriedades e povo brasileiro era mal condicionado e hoje na Copa Mundial de Futebol no Brasil 2014 o poema “O Protesto” de Carlos de Assunpção está mais vivo com o povo na revolução para (Queda da Bas. Brasil.tilha) as manifestações reivindicatórias por justiça social econômica do povo brasileiro que desperta na reflexão do vivo protesto. O mestre Milton Santos dizia os versos do Protesto e o discurso de Martin Luther King, Jr. em Washington, D.C., a capital dos Estados Unidos da América, em 28 de Agosto de 1963, após a Marcha para Washington. «I have a Dream» (Eu tenho um sonho) foram os dois maiores clamores pela liberdade, direitos, paz e justiça dos afros americanos. São centenas de jornalistas, críticos e intelectuais do Brasil e de todo mundo que elogia a (O Protesto) (Manifestação que é negra essência poderosa na transformação dos ideais do povo) obra enaltece com eloquência o divisor de águas inquestionável do racismo e cordialidade vigente do Brasil Mas a ditadura e o monopólio da mídia e manipulação das elites que dominam o Brasil censuram o poema Protesto de Carlos de Assunpção que é nosso protesto histórico e renasce e manifesta e congregam os negros e todos os oprimidos, injustiçados desta nação que faz a Copa do Mundo gastando bilhões para uma ilusão de um mês que poderá ser triste ou alegre para o povo brasileiro este mesmo que às vezes não tem ou economiza centavos para as necessidades básicas e até para sua sobrevivência e dos seus. No Brasil . Poema. Protesto de Carlos de Assunpção Mesmo que voltem as costas Às minhas palavras de fogo Não pararei de gritar Não pararei Não pararei de gritar Senhores Eu fui enviado ao mundo Para protestar Mentiras ouropéis nada Nada me fará calar Senhores Atrás do muro da noite Sem que ninguém o perceba Muitos dos meus ancestrais Já mortos há muito tempo Reúnem-se em minha casa E nos pomos a conversar Sobre coisas amargas Sobre grilhões e correntes Que no passado eram visíveis Sobre grilhões e correntes Que no presente são invisíveis Invisíveis mas existentes Nos braços no pensamento Nos passos nos sonhos na vida De cada um dos que vivem Juntos comigo enjeitados da Pátria Senhores O sangue dos meus avós Que corre nas minhas veias São gritos de rebeldia Um dia talvez alguém perguntará Comovido ante meu sofrimento Quem é que esta gritando Quem é que lamenta assim Quem é E eu responderei Sou eu irmão Irmão tu me desconheces Sou eu aquele que se tornara Vitima dos homens Sou eu aquele que sendo homem Foi vendido pelos homens Em leilões em praça pública Que foi vendido ou trocado Como instrumento qualquer Sou eu aquele que plantara Os canaviais e cafezais E os regou com suor e sangue Aquele que sustentou Sobre os ombros negros e fortes O progresso do País O que sofrera mil torturas O que chorara inutilmente O que dera tudo o que tinha E hoje em dia não tem nada Mas hoje grito não é Pelo que já se passou Que se passou é passado Meu coração já perdoou Hoje grito meu irmão É porque depois de tudo A justiça não chegou Sou eu quem grita sou eu O enganado no passado Preterido no presente Sou eu quem grita sou eu Sou eu meu irmão aquele Que viveu na prisão Que trabalhou na prisão Que sofreu na prisão Para que fosse construído O alicerce da nação O alicerce da nação Tem as pedras dos meus braços Tem a cal das minhas lágrima Por isso a nação é triste É muito grande mas triste É entre tanta gente triste Irmão sou eu o mais triste A minha história é contada Com tintas de amargura Um dia sob ovações e rosas de alegria Jogaram-me de repente Da prisão em que me achava Para uma prisão mais ampla Foi um cavalo de Tróia A liberdade que me deram Havia serpentes futuras Sob o manto do entusiasmo Um dia jogaram-me de repente Como bagaços de cana Como palhas de café Como coisa imprestável Que não servia mais pra nada Um dia jogaram-me de repente Nas sarjetas da rua do desamparo Sob ovações e rosas de alegria Sempre sonhara com a liberdade Mas a liberdade que me deram Foi mais ilusão que liberdade Irmão sou eu quem grita Eu tenho fortes razões Irmão sou eu quem grita Tenho mais necessidade De gritar que de respirar Mas irmão fica sabendo Piedade não é o que eu quero Piedade não me interessa Os fracos pedem piedade Eu quero coisa melhor Eu não quero mais viver No porão da sociedade Não quero ser marginal Quero entrar em toda parte Quero ser bem recebido Basta de humilhações Minh'alma já está cansada Eu quero o sol que é de todos Ou alcanço tudo o que eu quero Ou gritarei a noite inteira Como gritam os vulcões Como gritam os vendavais Como grita o mar E nem a morte terá força Para me fazer calar. Organização Negra Nacional Quilombo ONNQ 20/11/1970 – [email protected]