Redação Pragmatismo
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Religião 17/Jul/2012 às 15:49
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O cardeal da 'pomba branca' era o cardeal da ditadura

Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades da ditadura militar eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário

dom eugenio ditadura militar

Dom Eugênio Sales era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura militar. Imagem: arquivo

José Ribamar Bessa Freire, em sul21

O tratamento que a mídia deu à morte do cardeal dom Eugenio Sales, ocorrida na última segunda-feira, com direito à pomba branca no velório, me fez lembrar o filme alemão “Uma cidade sem passado”, de 1990, dirigido por Michael Verhoven. Os dois casos são exemplos típicos de como o poder manipula as versões sobre a história, promove o esquecimento de fatos vergonhosos, inventa despudoradamente novas lembranças e usa a memória, assim construída, como um instrumento de controle e coerção.

Comecemos pelo filme, que se baseia em fatos históricos. Na década de 1980, o Ministério da Educação da Alemanha realiza um concurso de redação escolar, de âmbito nacional, cujo tema é “Minha cidade natal na época do III Reich”. Milhares de estudantes se inscrevem, entre eles a jovem Sônia Rosenberger, que busca reconstituir a história de sua cidade, Pfilzing – como é denominada no filme – considerada até então baluarte da resistência antinazista.

Mas a estudante encontra oposição. As instituições locais de memória – o arquivo municipal, a biblioteca, a igreja e até mesmo o jornal Pfilzinger Morgen – fecham-lhe suas portas, apresentando desculpas esfarrapadas.

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Ninguém quer que uma “judia e comunista” futuque o passado. Sônia, porém, não desiste. Corre atrás. Busca os documentos orais. Entrevista pessoas próximas, familiares, vizinhos, que sobreviveram ao nazismo. As lembranças, contudo, são fragmentadas, descosturadas, não passam de fiapos sem sentido.

A jovem pesquisadora procura, então, as autoridades locais, que se recusam a falar e ainda consideram sua insistência como uma ameaça à manutenção da memória oficial, que é a garantia da ordem vigente. Por não ter acesso aos documentos, Sônia perde os prazos do concurso. Desconfiada, porém, de que debaixo daquele angu tinha caroço – perdão, de que sob aquele chucrute havia salsicha – resolve continuar pesquisando por conta própria, mesmo depois de formada, casada e com filhos, numa batalha desigual que durou alguns anos.

Hostilizada pelo poder civil e religioso, Sônia recorre ao Judiciário e entra com uma ação na qual reivindica o direito à informação. Ganha o processo e, finalmente, consegue ingressar nos arquivos. Foi aí, no meio da papelada, que ela descobriu, horrorizada, as razões da cortina de silêncio: sua cidade, longe de ter sido um bastião da resistência ao nazismo, havia sediado um campo de concentração. Lá, os nazistas prenderam, torturaram e mataram muita gente, com a cumplicidade ou a omissão de moradores, que tentaram, depois, apagar essa mancha vergonhosa da memória, forjando um passado que nunca existiu.

Os documentos registraram inclusive a prisão de um judeu, denunciado na época por dois padres, que no momento da pesquisa continuavam ainda vivos, vivíssimos, tentando impedir o acesso de Sônia aos registros. No entanto, o mais doloroso, era que aqueles que, ontem, haviam sido carrascos, cúmplices da opressão, posavam, hoje, como heróis da resistência e parceiros da liberdade. Quanto escárnio! Os safados haviam invertido os papéis. Por isso, ocultavam os documentos.

Deus tá vendo

E é aqui que entra a forma como a mídia cobriu a morte do cardeal dom Eugênio Sales, que comandou a Arquidiocese do Rio, com mão forte, ao longo de 30 anos (1971-2001), incluindo os anos de chumbo da ditadura militar. O que aconteceu nesse período? O Brasil já elegeu três presidentes que foram reprimidos pela ditadura, mas até hoje, não temos acesso aos principais documentos da repressão.

Se a Comissão Nacional da Verdade, instalada em maio último pela presidente Dilma Rousseff, pudesse criar, no campo da memória, algo similar à operação “Deus tá vendo”, organizada pela Policia Civil do Rio Grande do Sul, talvez encontrássemos a resposta. Na tal operação, a Polícia prendeu na última quinta-feira quatro pastores evangélicos envolvidos em golpes na venda de automóveis. Seria o caso de perguntar: o que foi que Deus viu na época da ditadura militar?

Tem coisas que até Ele duvida. Tive a oportunidade de acompanhar a trajetória do cardeal Eugênio Sales, na qualidade de repórter da ASAPRESS, uma agência nacional de notícias arrendada pela CNBB em 1967. Também, cobri reuniões e assembleias da Conferência dos Bispos para os jornais do Rio – O Sol, O Paiz e Correio da Manhã, quando dom Eugênio era Arcebispo Primaz de Salvador. É a partir desse lugar que posso dar um modesto testemunho.

Os bispos que lutavam contra as arbitrariedades eram Helder Câmara, Waldir Calheiros, Cândido Padin, Paulo Evaristo Arns e alguns outros mais que foram vigiados e perseguidos. Mas não dom Eugênio, que jogava no time contrário. Um dos auxiliares de dom Helder, o padre Henrique, foi torturado até a morte em 1969, num crime que continua atravessado na garganta de todos nós e que esperamos seja esclarecido pela Comissão da Verdade. Padres e leigos foram presos e torturados, sem que escutássemos um pio de protesto de dom Eugênio, contrário à teologia da libertação e ao envolvimento da Igreja com os pobres.

O cardeal Eugenio Sales era um homem do poder, que amava a pompa e o rapapé, muito atuante no campo político. Foi ele um dos inspiradores das “candocas” – como Stanislaw Ponte Preta chamava as senhoras da CAMDE, a Campanha da Mulher pela Democracia. As “candocas” desenvolveram trabalhos sociais nas favelas exclusivamente com o objetivo de mobilizar setores pobres para seus objetivos golpistas. Foram elas, as “candocas”, que organizaram manifestações de rua contra o governo democraticamente eleito de João Goulart, incluindo a famigerada “Marcha da família com Deus pela liberdade”, que apoiou o golpe militar, com financiamento de multinacionais, o que foi muito bem documentado pelo cientista político René Dreifuss, em seu livro “1964: A Conquista do Estado” (Vozes, 1981). Ele teve acesso ao Caixa 2 do IPES/IBAD.

Nós, toda a torcida do Flamengo e Deus que estava vendo tudo, sabíamos que dom Eugênio era, com todo o respeito, o cardeal da ditadura. Se não sofro de amnésia – e não sofro de amnésia ou de qualquer doença neurodegenerativa – posso garantir que na época ele nem disfarçava, ao contrário manifestava publicamente orgulho do livre trânsito que tinha entre os militares e os poderosos.

“Quem tem dúvidas…basta pesquisar os textos assinados por ele no JB e n’O Globo” – escreve a jornalista Hildegard Angel, que foi colunista dos dois jornais e avaliou assim a opção preferencial do cardeal:

“A Igreja Católica, no Rio, sob a égide de dom Eugenio Salles, foi cada vez mais se distanciando dos pobres e se aproximando, cultivando, cortejando as estruturas do poder. Isso não poderia acabar bem. Acabou no menor percentual de católicos no país: 45,8%…”

Portões do Sumaré

Por isso, a jornalista estranhou – e nós também – a forma como o cardeal Eugenio Sales foi retratado no velório pelas autoridades. Ele foi apresentado como um combatente contra a ditadura, que abriu os portões da residência episcopal para abrigar os perseguidos políticos. O prefeito Eduardo Paes, em campanha eleitoral, declarou que o cardeal “defendeu a liberdade e os direitos individuais”. O governador Sérgio Cabral e até o presidente do Senado, José Sarney, insistiram no mesmo tema, apresentando dom Eugênio como o campeão “do respeito às pessoas e aos direitos humanos”.

Não foram só os políticos. O jornalista e acadêmico Luiz Paulo Horta escreveu que dom Eugênio chegou a abrigar no Rio “uma quantidade enorme de asilados políticos”, calculada, por baixo, numa estimativa do Globo, em “mais de quatro mil pessoas perseguidas por regimes militares da América do Sul”. Outro jornalista, José Casado, elevou o número para cinco mil. Ou seja, o cardeal era um agente duplo. Publicamente, apoiava a ditadura e, por baixo dos panos, na clandestinidade, ajudava quem lutava contra. Só faltou arranjarem um codinome para ele, denominado pelo papa Bento XVI como “o intrépido pastor”.

Seria possível acreditar nisso, se o jornal tivesse entrevistado um por cento das vítimas. Bastaria 50 perseguidos nos contarem como o cardeal com eles se solidarizou. No entanto, o jornal não dá o nome de uma só – umazinha – dessas cinco mil pessoas. Enquanto isto não acontecer, preferimos ficar com o corajoso depoimento de Hildegard Angel, cujo irmão Stuart, foi torturado e morto pelo Serviço de Inteligência da Aeronáutica. Sua mãe, a estilista Zuzu Angel, procurou o cardeal e bateu com a cara na porta do palácio episcopal.

Segundo Hilde, dom Eugênio “fechou os olhos às maldades cometidas durante a ditadura, fechando seus ouvidos e os portões do Sumaré aos familiares dos jovens ditos “subversivos” que lá iam levar suas súplicas, como fez com minha mãe Zuzu Angel (e isso está documentado)”. Ela acha surpreendente que os jornais queiram nos fazer acreditar “que ocorreu justo o contrário!”, como no filme “Uma cidade sem passado”.

Mas não é tão surpreendente assim. O texto de Hildegard menciona a grande habilidade, em vida, de dom Eugenio, em “manter ótimas relações com os grandes jornais, para os quais contribuiu regularmente com artigos”. As azeitadas relações com os donos dos jornais e com alguns jornalistas em postos-chave continuaram depois da morte, como é possível constatar com a cobertura do velório. A defesa de dom Eugênio, na realidade, funciona aqui como uma autodefesa da mídia e do poder.

Os jornais elogiaram, como uma virtude e uma delicadeza, o gesto do cardeal Eugenio Sales que cada vez que ia a Roma levava mamão-papaia para o papa João Paulo II, com o mesmo zelo e unção com que o senador Alfredo Nascimento levava tucumã já descascado para o café da manhã do então governador Amazonino Mendes. São os rituais do poder com seus rapapés.

“Dentro de uma sociedade, assim como os discursos, as memórias são controladas e negociadas entre diferentes grupos e diferentes sistemas de poder. Ainda que não possam ser confundidas com a “verdade”, as memórias têm valor social de “verdade” e podem ser difundidas e reproduzidas como se fossem “a verdade” – escreve Teun A. van Dijk, doutor pela Universidade de Amsterdã.

A “verdade” construída pela mídia foi capaz de fotografar até “a presença do Espírito Santo” no funeral. Um voluntário da Cruz Vermelha, Gilberto de Almeida, 59 anos, corretor de imóveis, no caminho ao velório de dom Eugênio, passou pelo abatedouro, no Engenho de Dentro, comprou uma pomba por R$ 25 e a soltou dentro da catedral. A ave voou e posou sobre o caixão: “Foi um sinal de Deus, é a presença do Espírito Santo” – berraram os jornais. Parece que vale tudo para controlar a memória, até mesmo estabelecer preço tão baixo para uma das pessoas da Santíssima Trindade. É muita falta de respeito com a fé das pessoas.

“A mídia deve ser pensada não como um lugar neutro de observação, mas como um agente produtor de imagens, representações e memória” nos diz o citado pesquisador holandês, que estudou o tratamento racista dispensado às minorias étnicas pela imprensa europeia. Para ele, os modos de produção e os meios de produção de uma imagem social sobre o passado são usados no campo da disputa política.

Nessa disputa, a mídia nos forçou a fazer os comentários que você acaba de ler, o que pode parecer indelicadeza num momento como esse de morte, de perda e de dor para os amigos do cardeal. Mas se a gente não falar agora, quando então? Stuart Angel e os que combateram a ditadura merecem que a gente corra o risco de parecer indelicado. É preciso dizer, em respeito à memória deles, que Dom Eugênio tinha suas virtudes, mas uma delas não foi, certamente, a solidariedade aos perseguidos políticos para quem os portões do Sumaré, até prova em contrário, permaneceram fechados. Que ele descanse em paz!

P.S: O jornalista amazonense Fábio Alencar foi quem me repassou o texto de Hildegard Angel, que circulou nas redes sociais. O doutor Geraldo Sá Peixoto Pinheiro, historiador e professor da Universidade Federal do Amazonas, foi quem me indicou, há anos, o filme “Uma cidade sem passado”. Quem me permitiu discutir o conceito de memória foram minhas colegas doutoras Jô Gondar e Vera Dodebei, organizadoras do livro “O que é Memória Social” (Rio de Janeiro: Contra Capa/ Programa de Pós- Graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2005). Nenhum deles tem qualquer responsabilidade sobre os juízos por mim aqui emitidos.

José Ribamar Bessa Freire é professor, coordena o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ) e pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UNIRIO)

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Comentários

  1. Acir Batista Moreira Postado em 18/Jul/2012 às 10:10

    Me deleitei com esse artigo. Venho tentando desenvolver estudos em Análise do Discurso, sobre o silêncio fundante(que produz sentidos). E um dos silêncios que me tem despertado profundo interesse é o silêncio da ditadura. Já havia assistido ao filme "Uma cidade sem passado" e sugiro também, a quem desejar, o filme Batismo de sangue, baseado num livro de Frei Beto, cujo nome me foge à memória. Quero parabenizar ao José Ribamar pela excelente matéria, profundamente coerente e esclarecedora. Creio que aprendi um pouco mais sobre essa vergonha histórica: a ditadura militar.

  2. Clovis Pacheco F. Postado em 18/Jul/2012 às 20:18

    Morreu tarde, o reacionário. Em vez de pomba, merecia um urubu vomitando em seu caixão!

    • Bruno Postado em 26/Mar/2014 às 12:15

      Vindo de alguém da igreja católica isso não me causa espanto.

      • Sérgio Postado em 28/Mar/2014 às 23:45

        Pois a mim causa! Eu era católico e desde que tive consciência do que acontecia me posicionei contra a ditadura.

  3. Pedro Postado em 21/Jul/2012 às 01:00

    Nenhuma pomba fica parada em lugar nenhum por mais de 40 minutos. E ela foi parar, sozinha, justamente na cabeça do cardeal. Pra mim isso é um sinal claro de que o homem era um santo.

    • paulo Postado em 03/Jun/2014 às 20:08

      pedro bem lembrado , " ... o homem era santo '.... realmente era , agora que estava apoiando a ditadura sei nao eu acho que esta' no colo do capa preta ...........

  4. Pam Postado em 21/Jul/2012 às 23:03

    Há equivocos na sua fala Sr Ribamar, os meios de comunicação, em todos os momentos, deixou claríssimo que a postura do cardeal era contra os movimentos de esquerda. Falar sobre a pessoa na qualidade de esquerdista é uma coisa, mas detratar em nome do péssimo hábito de desrespeitar quem se oponha ao regime que o Sr defende que também não deixa de ser obsoleto e retrógrado, é outra. Chutar cachorro morto é fácil queria ver se tu terias a mesma coragem de dize-lo se Dom Eugênio estivesse vivo. Muito feio tudo isso.

  5. Ivo Bitencourt Postado em 23/Jul/2012 às 19:05

    Apoiar uma ditadura como a de 1964, resultado de um golpe militar por influência da CIA e do embaixador Lincol Gordon foi uma traição ao governo democrático, ao povo e a nação. Não precisava ser cientista político para perceber a maquinação da imprensa golpista insinuando perigo comunista. Os estudantes perceberam logo, por isso entraram na resistência contra à dominação estrangeira. O cardeal Eugênio Sales prestou um péssimo serviço à nação e à sua religião.

  6. Sávio M. Postado em 24/Jul/2012 às 22:42

    INTERESSANTE COMO O ÓDIO MARXISTA ESTÁ NAS ENTRELINHAS DESTE TEXTO. O Cardeal Dom Eugênio Salles foi um fiel soldado da Igreja de Cristo. O seu texto difamatório faz menção a teologia da libertação, que D. Eugenio tão zelosamente combateu, E ELE FEZ MUITO BEM. NÃO SEI SE VOCÊS LEMBRAM, MAS ELE É CATÓLICO, LOGO TEM QUE DEFENDER OS PRINCÍPIOS DA DOUTRINA CATÓLICA. O SEU IGUALITARISMO FUNDAMENTADO NA INVEJA DE MARX ESTÁ FORA DA IGREJA CATÓLICA! E SE ELE FEZ QUESTÃO DE ESCLARECER ISSO E TE OFENDEU, SÓ TENHO A LAMENTAR! VIVA DOM EUGENIO! VIVA A SANTA IGREJA! VIVA A HIERARQUIA!

    • Sérgio Postado em 28/Mar/2014 às 23:51

      Mesmo que esteja em contradição à postura de Cristo?

    • Rose Postado em 30/Mar/2014 às 21:17

      O senhor,definitivamente,precisa estudar história.Sugiro que comece na antiguidade,depois Idade Média e assim sucessivamente até os dias de hoje.Idade Média é muito reveladora.Inclusive,sugiro também que faças uma leitura comparada,autores de orientações diferentes e depois,se sobreviveres,continue estudando.Boa sorte!

  7. Paulo Henrique Machado Postado em 27/Jul/2012 às 11:50

    O ÚNICO ATO DIGNO DO CARDEAL FOI RECUSAR RECEBER A MEDALHA DO PACIFICADOR QUE A DITADUTA MUILITAR OFERECIA AOS COLABROADORES, O RESTO TUDO É VERDADE NO PRESENRTE ARTIGO

  8. Carlos Matos Postado em 14/Aug/2012 às 21:42

    Cardeal apoiador dos ratos da ditadura! Igreja catolica burguesa do papa nazista, fora do Brasil! Viva Cuba! Viva Che!

    • Sérgio Postado em 28/Mar/2014 às 23:52

      Sou contra a posição do cardeal, mas também sou contra a ditadura cubana. Como ditador não aceito nem Jesus Cristo

  9. Izabella Postado em 01/Sep/2012 às 13:40

    Excelente texto! Sou católica mas, devido aos destempérios da Igreja, parei de frequentar missas. Tenho minha fé, mas a coloco em prática através de atitudes advindas do que Cristo realmente ensinou: o amor, a fraternidade e a igualdade. Rezo, tenho minha devoção com os Santos, mas prefiro não fazer parte de uma Igreja que só abre as portas para os ricos e poderosos. Quanto aos que negam as torturas e violênicas de todo tipo sofridas pelos militantes de Esquerda, fica meu sentimento de indiferença. Até mesmo porque, é impossível levar a sério opiniões reacionárias daqueles que aclamam o golpe militar. Espero que um dia, a triste história vivida pelos corajosos militantes de Esquerda que desejavam um Brasil melhor, seja de fato esclarecida e, os torturadores e ceifadores de sonhos, sejam punidos.

    • Marcos Postado em 02/Apr/2014 às 18:35

      Izabella, sugiro que leia o que o próprio texto, deste autor que flagrantemente não está aí para colher verdades isentas contra a igreja. Neste texto há menção sobre vários membros da igreja, inclusive Dom Helder Câmara e vários outros perseguidos, torturados, mortos e desaparecidos dentre padres e leigos da Igreja Católica. Além de lembrar das inúmeras obras de caridade e do próprio papel da Igreja em nos aproximar de Deus e de nossos irmãos.

  10. Hamilton Postado em 12/Sep/2012 às 17:19

    Independente de qualquer coisa o objetivo de algumas pessoas é atacar a figura da Igreja. A mesma Igreja que ajudou a proteger os encarcerados nos tempos de ditadura militar, que desenvolveu as CEBs, que anuciou sua opção preferencial pelos pobres, fundou a Pastoral Operária que por sua vêz fundou o PT... Claro que na ápoca não tinha a idéia de que sua obra seria usada como trampolim para fins nada libertadores e evangelizadores, mas sim para uma investida ideológica fria e atéia. A ingenuidade de padres e freiras "progressistas" que acreditavam estar promovendo a antecipação do reino de Deus aqui na terra foram frustradas e hoje eles se ressentem por terem sido enganados. Já o Cardeal referido foi um homem justo e decente que ajudou a muitos dos que hoje lhe atiram pedras no caixão. Fazem isso por ignorância, insensatez ou por mera ingratidão. Fazem isso por que ele não se deixou levar na bicaria dos que lhe queriam manipular para seus fins. Foi um homem de Deus que conhecia qual o objetivo do seu trabalho.

  11. jose moutinho filho Postado em 14/Sep/2012 às 08:43

    Esse professor Ribamar,deve sêr o dono da verdade,fala mal de quem não pode sêr defender,que lástima

  12. ENEIDA GONÇALVES BARBOSA Postado em 18/Sep/2012 às 16:29

    PARABENS Pam,jose moutinho filho,Hamilton,Izabella,Sávio M.Pedro, VOCES SAIRAM LIVRES DO AMARGOR, DO ODIO E DOS QUA NADA FIZERAM PARA DE FATO, EU DISSE: DE FATO MUDAREM A ORDEM DO QUE AGORA SE PROPOEM DIZER. COM MUITO RESPEITO A HIDELGARD ANGEL, QUE É A ÚNICA QUE REALMENTE PODE CONTAR DA SUA DOR, DA SUA SOLIDÃO DE SUAS PERDAS, E ROLAR DE ANGUSTIA E SENTIMENTO DE SOLIDÃO. E AO RESTO EU PERGUNTO: ONDE ESTAVAM VOCES ENQUANTO O CARDEAL ERA VIVO E PODIA SE DEFENDER???? E VOCE QUE AINDA GRITA, FIDEL E CUBA, O QUE ELES TE ACRESCENTARAM, OU MELHOR , QUAL FOI O ÉDITO QUE O SOCIALISMO DEIXOU PARA O MUNDO???.QUE VERGONHA ESSES COMUNISTAS QUE ADORAM COLOCAR O POVO NO CABRESTO E NA IGALITÁRIA MISERIA ENQUANTO SE FARTAM NAS DOBRAS RECHEADAS DE OURO E DOLARES DO CAPITALISMO, MUITO ESCONDIDO, SÓ PARA ELES.

  13. miriam Postado em 21/Oct/2012 às 12:41

    como tem gente imbecil nesse nosso pais recusando a enxergar a verdade, o nobre jornalista que escreveu o texto com tamanha veracidade merecia uma medalha por colocar o dedo na ferida ,que infelizmente ainda se encontra aberta ,é um ferida que nunca cicatriza .pois a verdade ainda nao foi de toda escancarada.,a verdade ainda se encontra escondida .ninguem em seu juizo perfeito gostaria de um pais comunista ,alias essa designaçao nem mais é apropriada,mas,sempre tem uns calhordas no intuito de denegrir a imagem dos bravos guerrilheiros que lutaram por um pais justo ,com direitos e justiça igual ,sem distinçao de classe social ,cor,cultura insistem em querer inverter o certo pelo errado.tem que dar nomes aos bois,sim ,se esse fosse um pais sério esses monstros estariam apodrecendo atrás das grades e também essas porcarias que vem aqui no blog para tc besteiras,tortura é coisa de monstros , e monstros nao merecem anistia ,anistia tem que ser dada a pessoas , gente ,ser humano ,nao a montros.

    • PEDRO PAULO CUSTÒDIO Postado em 04/Apr/2014 às 07:40

      BRILHANTE MIRIAM ! A VERDADE VEDADEIRA AINDA ESTA ESCONDIDA, MUITO BEM ESCONDIDA !

  14. Geraldo M. Postado em 30/Mar/2014 às 17:07

    Muito bem, Dr. José Ribamar Bessa Freire, sou padre católico, jesuíta, e dou pleno apoio ao seu artigo, pois posso falar, de cadeira, de outro ponto da personalidade ou do modo de se posicionar do Cardeal Eugênio Sales, semelhante ao que fez com a batalhadora Zuzu Angel, só que, no meu caso, foi com respeito às pessoas com deficiência, como ele as desprezava. Negou-se a receber, por quatro vezes, uma mulher, deficiente física, que ficou 50 anos deitada numa cama. Sendo coordenadora nacional de um movimento de Pessoas com Deficiência, ela saiu, de kombi, sobre uma maca, de São Paulo ao Rio de Janeiro, para uma entrevista, com longa antecedência, marcada com ele e não foi recebida, por 4 vezes. Mandou que outros a recebessem e, como resultado, estes outros, que ficavam entusiasmados com o trabalho que ela desenvolvia, ´prometiam que "certamente" o Cardeal irá gostar também e irá apoiar a ação de vocês no Rio; ele vai escrever a vocês dando alguma notícia´. Foram 4 anos seguidos, indo ao Rio, e nunca recebeu nenhuma carta, nenhum apoio. Esta é o testemunho que dou da verdade e dos fatos.